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sábado, 17 de março de 2012

Soneto de Dama Indignada

Soneto de uma dama indignada com cavalheiro que a cortejava, mas que tinha por hábito deitar-se com prostitutas e enganar moças de família, assim que esse vai à porta daquela pedir perdão pelas libertinagens


Não me toques com esta mão

Que já não quero teu carinho

Homem vil, cruel e mesquinho

Não coloque-me em meio às tuas


Tirai, digo, tirai, repito

Teu fedor de minha morada

Que não sou mulher contratada

Nem amigo teu para dar-me


Não me toques com esta mão

Que te levo os dedos rufião

Não perdoo tuas falcatruas


Tirai, digo, tirai, repito

Teu fedor daqui ser maldito

Não conquista-me mais teu charme

sábado, 25 de setembro de 2010

Cantiga da Lua Cheia

Ai de mim nessas horas

Que mira as estrelas e os astros noturnos

Tendo a lua cheia sua mais perfeita luz

Iluminando meu quarto soturno

Cheio de saudade e solidão


Apois São Jorge

Santo guerreiro, amado cavaleiro

Que em lua cheia com seu corcel

Valioso amigo e companheiro

Há de ter matado o dragão


Meu amigo ao longe

Tão qual guerreiro, amado cavaleiro

Veste vossa proteção em cruz vermelha

Montado em corcel ligeiro

E de lança na mão

Ó lua cheia de plena beleza

Levai minha prece a meu amor

Amigo de longe olhar


Ai de mim nessas horas

Que mira as estrelas e os astros altos

Tendo a lua cheia sua mais perfeita luz

Iluminando meu manto alvo

Sangrado e suado de solidão


Apois São Jorge

Santo guerreiro, valente cavaleiro

Que em lua cheia com seu corcel

Valioso amigo e companheiro

Há de ter matado o dragão


Mia senhora ao longe

Donzela de luta, arqueira sagaz

Carrega em seu peito uma chama

Que queima forte em prece assaz

E de terço na mão

Ó lua cheia de plena beleza

Levai minha prece a meu amor

Suserana de longe olhar


Amigo distante

Não vejo a hora de, ao longe, te ver

Em triunfal retorno sobre os mouros

Com tua flâmula ao vento se contorcer

Em sublime visão


E não tardes amado

Que aqui tua donzela te espera

Com mais que o peito na mão

Esperando-te acabar essa procela

Dentro do meu coração


Em prece solene

Não há em meu coração nada mais

Que, de meu amigo, o salvo retorno

Rogo-vos, Pai, que me torturastes demais

A meu amigo proteção

Ó lua cheia de plena beleza

Levai minha prece a meu amor

Amigo de longe olhar


Senhora distante

Não vejo a hora de, ao longe, ver

Tua imagem dama a me acenar

Com lenço branco no ar a volver

Em sublime visão


E não tardo amada

Mas aqui teu servo fiel batalha

Com mais que a espada na mão

Esperando acabar com o que me atalha

Matando até um dragão


Em prece solene

Não há em meu coração nada mais

Que, de mia senhora, às saudades

Rogo-vos, Pai, que já lutei demais

A mia luta compaixão

Ó lua cheia de plena beleza

Levai minha prece a meu amor

Suserana de longe olhar


Findo o embate

Retornam os cruzados, hospitalários

Nobres e servos de tantos reinos

Que caçaram ao longe seu salário

Em nome de Deus e oração


Só não vejo amigo

Coração mais que aflito o procura

Entre os rostos cansados e marcados

Por tamanha cobiça e loucura

Cadê meu coração?


Tende dó São Jorge

Que o avisto em maca dormindo ferido

Em vossas vestes templárias em cruz rubra

Acudo chorando meu amigo marido

Que tendes mia mão

Ó lua cheia de plena beleza

Levai minha prece a meu amor

Amigo de tão belo olhar


Findo o embate

Retorno cruzado a meu reino morada

Nobre de riqueza de longe terra

Para me casar com minha senhora amada

Que jurou-me a mão


Só não vejo suserana

Coração mais que aflito a procura

Entre as damas que esperam seus moços

Só não encontro igual formosura

Da dona de meu coração


Tende dó São Jorge

Que abro meus olhos em maca ferido

E vejo donzela chorando em cima de mim

Senhora mais bela que já tenha visto

Fazia-me uma oração

Ó lua cheia de plena beleza

Levai minha prece a meu amor

Suserana de tão belo olhar


Luciano Alencar (BOI)

sábado, 4 de setembro de 2010

Cantiga de Amor V

Cantiga de Amor V

Ah! Eu cá em cerco
Sujo, faminto e sedento
Somente tenho alento
Neste seu sagrado terço
Com qual rezo e rogo
Permiti Pai salvo retorno

E vêm-me as saudades
De mia senhora senhor
Dos cabelos, a cor
Da reza, a caridade
Com qual rezo e rogo
Permiti Pai salvo retorno

Voo-me em onirismo
Ao reino de Castela
Onde dorme mia donzela
Com a cruz em intimismo
Com qual rezo e rogo
Permiti Pai salvo retorno

E ai meu querido Pai
Que ela sois sua esposa
Non mais a mim moça
E ai meu Pai, e ai
Com qual rezo e rogo
Permiti Pai salvo retorno

domingo, 29 de agosto de 2010

Cantiga de Amigo III


Cantiga de Amigo III

Destes longínquos verdes prados
Estou cá a chorar sem meu amado
À beira deste loch augusto
Padeço mais que faço justo

Santa Lúcia, madre querida
Dade-me de volta mia vida
Em forma de amigo me vir
A meus cabelos de rubi

Non voltar-me-ei ao castelo
Até cumprir-me nosso elo
Ah! Amigo meu, aqui me prostro
Para sempre no loch nosso

Ai que guardo saudoso alento
No croft, dos nossos momentos
Amigo tuas belas palavras
Teu toque, teu rosto e o silêncio
BOI (Luciano Alencar)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Cantiga de Amor IV



Honrastes-me com vosso voto
De confiança e de fé
Pois não digno sou deste voto
Pois prostro-me ao vosso pé
E rogo a vós e ao Senhor
Que olhai por mim

Peço a mia Senhor um único desejo
Tende-me em vossas orações
Que parto sem medo
Em meu corcel aos rufiões
E rogo a vós e ao Senhor
Que olhai por mim

Saberíeis mia Senhor de meu pesar
Quando consagrastes-me cavaleiro?
Pois sem a luz de vosso olhar
Dói-me o peito austero
E rogo a vós e ao Senhor
Que olhai por mim

E mesmo ante ao corte
De lâmina afoita
Maldita é tanta mia sorte
Que dói-me mais a coita
E rogo a vós e ao Senhor
Que olhai por mim

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Cantiga de Amor III


Mia donzela e mia senhor
Ouvi todos meus amores
Ouvi vosso vassalo trovador
E perdoai meus clamores
Que sou vosso servo fiel
E também vosso senhor

Cá estou com essa dor
Que mais sagrado ungüento
Algum a faria se for
E perdoai esse lamento
Que sou vosso servo fiel
E também vosso senhor

Tomai em mãos mia flor
Que colhi de distante prado
Aceitai-a que é meu amor
E perdoai gesto tão ousado
Que sou vosso servo fiel
E também vosso senhor

Ai de saudades mia senhor
Tende pena de mim
Que sou vassalo trovador
Acolhei-me em vosso brim
Que sou vosso servo fiel
E também vosso senhor

Luciano Alencar (BOI)

sábado, 17 de outubro de 2009

Sextina de Urias

Vedes aquela bela dama
Pois é senhora de mia vida
Rezo a vós Pai que possa vê-la
Mais uma vez antes da morte
Que já me é mais que evidente
Pois que em cavalo meu vou à guerra

Que sou maldito a ir-me a tal guerra
Neste momento co’a mia dama
Neste momento era evidente
Magna alegria de mia vida
E essa tristeza ante mia morte
E essa tristeza ao não mais vê-la

Muito bom a última vez vê-la
Para invocar seu rosto em guerra
Meu bom consolo antes da morte
Nenhum melhor que a bela dama
Melhor imagem de mia vida
Mas acredito que é evidente

Pois sua beleza é tão evidente
Que foi difícil o rei não a vê-la
E interferir contra mia vida
Em decretando-me a ir a guerra
E ter-me longe de mia dama
Esperançoso por mia morte

E o que me dói mais não é a mia morte
Por mais que seja-me evidente
O que me dói mais é a mia dama
Longe de mim co’o rei a vê-la
Sem proteção mia, pois à guerra
Temo por ela, por sua vida

Rogo-vos Deus pela mia vida
Não me deixeis beijar a morte
Por mais que seja-me evidente
Pai! Que deixai voltar da guerra
Se não meu Pai, vós podeis vê-la
Que protegei mia doce dama

Adeus mia dama, adeus mia vida
Que eu possa vê-la antes da morte
Mais que evidente nessa guerra

Cantiga Grega

Ai Pai acudi-me pois
Meu amigo aos mares foi
Ventura que o é Argonauta
Ai Pai acudi-me agora
Meu amigo aos mares afora
Ventura que o é Argonauta
Meu amigo aos mares foi
Ó mia flauta conforto sois
Ventura que o é Argonauta
Meu amigo aos mares afora
Ó mia flauta conforto aporta
Ventura que o é Argonauta

sábado, 27 de junho de 2009

Cantiga das Borboletas



Meu amigo foi borboletas estudar
Em um belo quadro as emoldurar
Consola-me as saudades mi’aia
Meu amigo foi borboletas compreender
Em um belo quadro as constranger
Consola-me as saudades mi’aia
Em um belo quadro as emoldurar
Ó Deus, que o possa perdoar
Consola-me as saudades mi’aia
Em um belo quadro as constranger
Ó Deus, que o possa absolver
Consola-me as saudades mi’aia

sábado, 20 de junho de 2009

CANTIGA AO VENTO




Por Gabriel Rübinger, Boi, e Déia Tuam.


Há muito o Outono foi-se, e foi-se dele junto
Meu amigo, ao vento, para o nunca mais.
Junto às naus tão tristonhas dos donos do mundo,
E ficara eu, sozinha, chorando os meus ais...

             Ó Deus, vê-lo-ei 'inda em vida?
Poupai-me, ó Céus, tão plúmbea crueldade!

Ah! Qual'ora de qual dia será de nossa hora?
Ah! Qual dia de qual mês trar-me-á divina paz?
Ah! Amigo meu, aonde que vou ver-vos?
Tornai, ó Musas e Ventos, tornai-me capaz!

          Ó Deus, vê-lo-ei 'inda em vida?
Poupai-me, ó Céus, tão plúmbea crueldade!

Rogo-vos, apois, vento soberano e puro
Que cá sofro por medo a pensá-lo em perigo
Não mais atuí minh'esperanças insones
E fazei-se bom para as velas de meu amigo!

         Ó Deus, vê-lo-ei 'inda em vida?
Poupai-me, ó Céus, tão plúmbea crueldade!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Cantiga de Amor I


Cantiga de Amor I
A donzela qu’eu tenho por senhor
É bela caçadora de vastos prados
E de planícies de verdes orvalhados
Teu vassalo leal se atreve mia senhor
Ai Pai ponde-me aos pés a qu’almejo
Qu’eu possa ter a honra de’m beijo

Ode a vós donzela caçadora dai-me os santos
Em musa flor quimera, ai de’m beijo
Arbusto de canela, flecha e arco de teixo
Ode a vós donzela caçadora, ode em prantos
Ai Pai ponde-me aos pés a qu’almejo
Qu’eu possa ter a honra de’m beijo

Posto que amor de mia senhor é sorte
Ai desse que não a tem alguma
Ai desse que não a faz suma
Rogo-vos pois: intercedei São Jorge
Ai Pai ponde-me aos pés a qu’almejo
Qu’eu possa ter a honra de’m beijo

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).