Mostrando postagens com marcador OITAVAS REAIS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador OITAVAS REAIS. Mostrar todas as postagens

sábado, 16 de janeiro de 2010

Taverna









Como febre em furor apaixonado
pelas ruas dispersando a jura eterna,
foi que vi, no rastilho aconchegado,
tua face nos vapores da taverna;
eu serei, sem saber, o alucinado
condenado ao prazer do desprazer?
Ó Deus, então por ela, fui beber!

Se febril é meu amor, serei o espaço
do agônico intervalo da bebida,
morrendo o amanhecer do louro traço
no bêbado transtorno desta vida;
e por louvar tua sombra no regaço,
e no altar que direi por esta lida,
de florir, vosso amor tornou-se santo
como cega oração na foz de um canto...

Clamo o nada, e ninguém soubera tudo
que a paixão eclipsada detivera,
da noite taverneira em que fiz mudo
o beijo no troçar da primavera.
E o copo sujo e roto e carrancudo,
ornado pelo ardor, pela Quimera,
trouxera sem saber deste temor,
de ter enfim cremado o vosso amor.

Jamais! São redivivos no meu peso
almíscar, pesadelo, luz e horror,
quem sabe alvorecer, viver ileso
o karma sem arder, por onde for
tornar-se na ilusão, sentir desprezo,
e nunca vir saber do teu rubor
ao ler nessa poesia... o meu desejo –
bebida de manjar e de praguejo.

O candeeiro, a mesa, algum escrito,
ardências revolvendo minha bruma;
num verso dionisíaco, permito,
o espanto de sentir-me em noite alguma.
Esperei da razão por sobre o grito
que ilumina o granito de uma pluma,
de levezas, quiçá, fosse de arminho
a insânia de bebê-la no meu vinho.

“Permita-me, outrossim, dizer o vago,
a Acrópole fervente em vossa pele.
Permita-me, talvez, sem mero afago,
tocar a danação que me revele.
E abrace o suspirar no etéreo trago
da taça no fulgor que salve ou sele
um mar que desdobrou por outro mar.
Pois só sentiu de amor, quem soube amar.”


Perdi-me alucinado e padecido:
“taverna desgraçando a paz e a cura”.
Soubesse que beber houvera sido
a lousa em que enterrei minha loucura,
jogada no prazer recém sorvido,
tua imagem, de beleza e sepultura,
vertera-me as essências do além-ser.
Ó Deus, então por ela, fui beber!

VITOR DE SILVA



_______________





Title: The Little Street (or Het Straatje)
Painted by: Jan Vermeer Van Delft
Location: Rijksmuseum, Amsterdam, Holland
Dimensions: 17.13 inch wide x 21.06 inch high



REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).