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quinta-feira, 20 de julho de 2017

A Confissão de um Filho do Século


A Confissão de um Filho do Século




Amei-te, amor, enquanto tive ensejo,
E se sobejo foi o meu amor
É porque tivera eu sempre o desejo
De teu beijo frio e arrebatador.

E nunca sei se por dor ou por pejo,
Jamais eu aprendera como expor
O amor pelo qual sofro e lacrimejo,
Num leito malfazejo de amargor.

Ó linda senhorita, doce ardor,
Tuas lágrimas são languidescentes,
Teus anseios perpétuos e latentes...

Ó enevoado e frio anjo de Amor
Os meus prantos por ti são eternais,
Almejo por ti sempre mais e mais...

Renan Caíque

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O Vampiro

(A Vampira, de Philip Burne Jones)

O Vampiro

Aquele que outrora foi execrado
A viver só, nas trevas solitárias,
A olvidar o amor e as belezas várias,
E a nutrir-se de sangue despojado;

Aquele sem porvir e sem passado,
Que vaga pelas campas funerárias,
Procura a morte em noites mortuárias
E é eterna sua dor qual seu fado;

Aquele já afeito à solidão,
À tristeza e à lúgubre escuridão,
Eis o mais tétrico ser: o vampiro!

Ah, e sou tal como ele em minha dor:
Acho a morte o que há mais encantador,
E, por ela, tristemente, suspiro!

Renan Caíque

terça-feira, 30 de julho de 2013

Vale das Sombras




Vale das Sombras

Quisera sonhar de novo,
E nesse instante morrer!
Maria Browne


À meia-noite, em silêncio eternal,
Fitei, na Treva, um venusto jardim;
Corri, sofrêgo, para vê-lo, e enfim,
Aproximei-me de um velho rosal.

O jardim era um vale magistral,
Mas as flores estavam em seu fim,
Parecendo chorar tão-só por mim,
Murchas e com perfume sepulcral.

Então, senti uma melancolia,
E afoguei-me em devaneios tristonhos,
Sem entender aquilo que sentia.

Logo vi, em segundos enfadonhos:
Meu coração era o vale que eu via
E as flores meus doces e antigos sonhos!

Renan Caíque

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Rosa Triste




Rosa Triste




Ó virgem bela e lúgubre do beijo
Gélido aquecedor de minha vida,
Tu'algidez aquenta meu desejo,
Matando toda dor adormecida...

Na noite um suavíssimo lampejo
Descobre tua face enternecida,
Mostrando os lábios mádidos que almejo
De ti, musa friamente entristecida...

Ó, ensanguentada rosa, rosa triste,
É eternal a paixão que em mim existe
Por ti, pálida flor esplendorosa!

Sagro-te meu soturno coração
Em versos tortuosos d'ilusão
Que inspiro em ti, ó minha triste rosa!

Renan Caíque

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Inúteis Lágrimas




Inúteis Lágrimas

Doce donzela, que face serena!
Tens o brilho da Lua lacrimosa,
És tu mais inefável que uma rosa,
Mais pura que sua ternura plena.

Se soubesses como minha alma pena
E por ti vive lúgubre e chorosa,
Quiçá terias pena e, desditosa,
Verias como este amor me envenena!

Quisera merecer-te só um olhar,
Um dos teus tristes sorrisos de amor,
Ou o enlevo de um meigo suspirar!

Amo-te mais que tu possas supor,
Mais que eternamente possas sonhar,
E amar-te-ei mesmo em lágrimas e em dor...

Renan Caíque

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Melancolia





Melancolia

...cada vez mais me convenço de que a
existência humana é uma coisa bem insignificante.
Goethe, em "Werther"


Julguei ser amado, por um momento,
No entanto, esse amor não existia,
Foi apenas uma falsa alegria
Vinda pra majorar meu sofrimento.

Ora, afogo-me em dor e desalento,
Minha vida fria tornou-se mais fria,
Jamais sentira tal melancolia
Ou ficara tão p'la morte sedento...

Meus sonhos são ilusões que morreram,
Meus versos flores que não floresceram,
Sou feito de tristeza e pessimismo...

Já nem tenho lágrimas pra planger!
Ah! Destarte vale a pena viver?
Eis a indagação em que tanto cismo...

Renan Caíque

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Pálida Donzela




Pálida Donzela

Oh! Pálida donzela, amo-te tanto!
Esmaece junto ao tétrico chorar
A tristura que jaz em meu olhar,
Quando contemplo teu eterno encanto!

Dissipaste-me o gélido quebranto,
Que por muito habitara como lar
Uma alma que assaz não pudera amar,
Vivendo sempre imersa em triste pranto...

Sonho contigo, e que tenho tua vênia
Para beijar-te a bela face branca,
E sentir o amor que mi'a dor arranca;

Sinto que és a flor duma velha nênia,
Que me surgiste na alva solidão,
Pra de amor preencher-me o coração!

Renan Caíque

Fúnebre Amor





Fúnebre Amor

Belo fim para quem morre a amar muito.
Pierre de Ronsard

Se é tudo negro e vazio
De que vale perdurar
Num viver destarte frio
Sem ninguém para me amar?

E se nesta noite bela,
Enlevante em resplendor,
Não há sorrisos, donzela,
Nem os teus beijos de amor.

Ah! se pudesses lembrar
Nossa prístina ventura,
Se tu pudesses me amar
Como me amaste, tão pura...

Recordo-me de ti morta,
Da languidez nos teus olhos;
Nada na vida conforta
O chorar dos meus refolhos;

Triste musa, inda te sinto,
Tal qual um profundo corte,
Amo-te tanto e não minto:
Quero-te! mesmo na morte!

Não tenho nada a perder,
Não tenho nada... ninguém...
Tudo o que anelo é morrer,
Mas a morte, ela não vem...

Por que sou tão desgraçado?
Mancebo louco, poeta
Que sofreu por ter amado...
Chora, ora, o amor que o asseta!

Vez última, beijar-te-ei
O rosto pálido e pulcro;
Após isso dormirei
Para sempre em teu sepulcro!

Renan Caíque

sábado, 30 de junho de 2012

Trágica Beleza





Mas eis que o anjo pálido da morte
A pressentiu feliz e bela e pura...
Machado de Assis


Era uma noite, adrede, muito linda,
P'la deusa lânguida do amor forjada.
Eu m'encontrara, então, com minha amada,
Era assaz bela, e estava mais ainda...

Tácitos numa frialdade infinda,
Toda a nossa acre soturnez fanada,
E só pensávamos em nós, mais nada,
De modo algum seria a dor bem-vinda...

Porém, o deus da morte, bem me lembro,
Naquela fria noite dum setembro,
Sentindo inveja, meu amor 'doeceu.

Alguns dias após, ela, febrente,
Triste a sorrir, se despediu, silente,
Beijou-me os lábios, e depois morreu.

Renan Caíque

quarta-feira, 11 de abril de 2012

ADEUS!




"E por que viver se o coração é morto? Se eu
hoje dormisse sobre essa ideia, se eu
pudesse adormecer no
ócio e no tédio, seria isso ainda viver?
Álvares de Azevedo



Adeus, meus sonhos! Adeus, meu amor!
Pra fenecer minh'alma triste chora,
Ora apagou-se-me o fulgor doutrora,
Cobre-me a face, angelical palor.

Adeus, maldito spleen! Adeus, langor!
Uma sombria e fria dor me aflora,
Sem nostalgias, partirei agora,
Entristecido como murcha flor.

Quando jazer entre sepulcros, quedo,
Sentir-me-ei outra vez deveras ledo,
Morrerá a dor atra que a mim domina...

Quando pro inferno me levar Satã,
Não lacrimeis por minha vida vã,
Olvidai esta desgraçada sina!

Renan Caíque

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).