A minha vida pulsa entre dois extremos:Ora sou garça que revoa pelos céus,
Suave, deslizando nos seus densos véus,
Na vastidão sem fim da luz e amor supremos...
Algumas vezes sou serpente que rasteja,
E que destila, por instinto, seu veneno,
E que se perde neste mundo, vil, pequeno...
Um ente hostil, que sente ira e que fraqueja!
Quisera ter em mim somente amor e luz,
Desconhecer o lodo podre e a loca escura...
Quisera ser somente garça alva e pura!
Este pulsar sem fim, intenso, me tortura...
Tal existir em meio a tanta sombra e luz,
Faz-me sofrer. É meu dilema! É minha cruz!