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quinta-feira, 7 de julho de 2011

TRISTURA (III)




Oh! Pomba alva que esvoaça pelos ares
Com tanta graça, com leveza sem igual,
Suave quais etéreas sedas milenares,
Na langorosa tarde bela e divinal.

Oh! Símbolo da Paz! Candura virginal!
Tão alvadia como os lírios nos altares,
E que esvoaça pelo céu belo e outonal,
por sobre as águas mornas destes verdes mares.

Quisera, ó branca pomba, revoar nos céus,
Distante da saudade e seus sedosos véus,
Liberta dessa dor sem fim, dessa tristura.

Quisera ter em mim esse poder! Pureza!
Mas trago dentro em mim o peso da tristeza,
E vivo só e presa nesta noite escura.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

NIMBUS


Nimbos de bronze que empanais escuros
O santuário azul da Natureza,
Quando vos vejo, negros palinuros
Da tempestade negra e da tristeza...

Augusto dos Anjos

***

Nimboso dia prenhe de tristeza,
De atra solidão tenaz, profunda,
Que a mim me torna frágil, iracunda,
Perdida e só no limo da escureza...

Ah! Triste dia! Sórdido! Nimboso!
Que arranca d’alma lúgubres lamentos...
Tantos penares! Tantos! Sem alentos!
Funesto dia, frio e angustioso...

Faminto dia que devora tudo,
Vorace dia escuro e mui sanhudo,
que esgarça os sonhos todos, as quimeras...

Nimboso dia! Quero que te vás!
Eu necessito tanta, tanta paz...
E a luz do sol! E belas primaveras!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

QUEIXUME



E a minha boca tem uns beijos mudos...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar...

Florbela Espanca

***


A vida se passou nos vãos do tempo vil,
Depressa como a doce brisa vem e passa,
Deixando dentro em mim somente dor, fumaça,
E tantos sonhos mortos, tanta dor hostil!

Felicidade foi tão pouca, mui escassa,
Eu nem a vi, pois foi tão rara, foi sutil,
A vida foi passando a cada mês de abril
E agora estou cansada dessa vil devassa...

Os dias se passaram! Foram tristes! Rudos!
De nada a mim valeram todos meus escudos,
Saí ferida dentro de meu próprio ninho...

Ficaram pelo ar as sobras de carinho,
O colo da saudade, onde eu me aninho,
Perdidos em meus lábios tantos beijos mudos!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

QUISERA!




Quisera estar vazia nesta noite,
sem ter em mim recantos de saudade,
sem ter veredas, nada que me açoite,
e a ruda dor que sempre assim me invade!

Quisera ser parede sem retrato,
sem telas, sem pinturas, sem enfeites,
ser ente bem vazio, só, abstrato,
ser lisa, nua, sem quaisquer confeites!

Quisera ser o vácuo, sem ter eco,
o vinho que, na taça, sugo e seco...
Quisera ser o nada deste instante!

Quisera! Neste meu penar disseco
a tua sombra que me vem constante,
morrendo-me d’ amor de ti distante.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

TRISTURA


TRISTURA


A dor que tua falta me tem posto
Deixando a alma minha lacrimosa,
Tornando-a frágil, só, desventurosa,
Expressa está nos vincos de meu rosto.

O meu viver tornou-se eterno agosto!
E eu sem ti tornei-me uma andrajosa,
Que vaga ao léu, sem lume, mui chorosa,
Que já não tem por cousa alguma gosto...

A dor que me tem posto a falta tua
Deixa-me assim qual üa noite nua
Sem lua, sem estrelas, sem fulgores...

A falta tua traz a mim tristura!
Perdida fico nessa noite escura,
Sorvendo a seiva dessas minhas dores

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

SONETO DA TRISTEZA

Esta tristeza que me invade sem licença,
E inunda minha frágil alma, que padece,
Tem um poder maior que a mais silente prece,
E deixa-me assim calada, só, infensa!

E quanto mais me calo torna-se mais densa,
Encobre meu olhar e aos poucos me amortece,
Tatua minha tez! E dentro em mim fenece
A luz da esperança, que outrora era extensa!

E com seus fios sem fim tecendo vai seu véu,
Impede-me de ver estrelas lá no céu...
Mergulha-me na noite escura e aveludada!

Sem luz, sem paz, sem força, não enxergo nada,
O meu viver tornou-se eterna madrugada,
Tornei-me só um vulto que se vai ao léu!

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).