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domingo, 16 de agosto de 2009

Anoitecer


Feito a quatro mãos com Déia Tuam.

"Eu entendo a noite como um oceano...
Que banha de sombras um mundo de Sol.
(Apocalipse Agalopado, Zé Ramalho)"

A Tarde vai morrendo atrás dos montes,
Sem nenhuma inconsolável viuvez,
Deixando seus rastros de timidez,
Tingindo irretocáveis horizontes.

Abrindo novos portais, novas pontes,
Cai plena, em comovente vividez,
Antecipando o anoitecer pedrês
E a morte temporária dessas fontes.

Fulgindo some o dia e então o escuro
Numa atroz suavidade, assombrando,
Desfolha no céu um manto obscuro.

Apavora a mansidão, silenciando
Os Profetas na busca do Futuro
Que pelo horizonte vai chegando!


John Atkinson Grimshaw (1836-1893)
The Heron's Haunt, 1874

Alquimistas

Alquimia Ideológica - Título e Autor desconhecidos

Para Roleta Russa - 19/07/09 - Tema: Arte


Quão honrosa é a Divina Arte Obscura!
Quão fanáticos, divulgam o tal labor!
É a saliva, pois, melhor fluido condutor?
Ou fama própria, o elemento que apura?




Transmutação dos metais inferiores?
É dessa Arte que trata os automóveis?
Ah! Claro! Como nos manter imóveis
Quando devemos buscar os tais Valores!

D´estarte o argênteo brilho, prateado,
Fala tanto ou mais que a língua vossa,
E vosmecê, a quem interessar possa,



Dizei que Alquimia, bruno Estudo usado,
Não é então uma Arte usada com Ciência!

Esquecemos! O objetivo era a Prudência?


Alquímico


John William Waterhouse - The Sorceress (1913)


Por que os Celestes nos armam, contudo,
Com Ciência e, de governo, uma chama?!
Se a perdemos! Toda chance que inflama
O desbravar d´um auto-domínio mudo!

Por que a Geometria tanto grita?!
Em que Filosofia então resvala?!
Melhor nascido o cego? Ora, se cala
A alma (de Passado, bêbada), aflita:

Por curativa busca inquieta, todavia,
E saudade errante; mercúrio, fogo, sal!
Não há Alquimia maior que a atual.

Hoje: Química, Física, Biologia!
Hoje. É Livro, maior conselho de Amigo:
Real Ciência. Sempre morou contigo.


sábado, 20 de junho de 2009

CANTIGA AO VENTO




Por Gabriel Rübinger, Boi, e Déia Tuam.


Há muito o Outono foi-se, e foi-se dele junto
Meu amigo, ao vento, para o nunca mais.
Junto às naus tão tristonhas dos donos do mundo,
E ficara eu, sozinha, chorando os meus ais...

             Ó Deus, vê-lo-ei 'inda em vida?
Poupai-me, ó Céus, tão plúmbea crueldade!

Ah! Qual'ora de qual dia será de nossa hora?
Ah! Qual dia de qual mês trar-me-á divina paz?
Ah! Amigo meu, aonde que vou ver-vos?
Tornai, ó Musas e Ventos, tornai-me capaz!

          Ó Deus, vê-lo-ei 'inda em vida?
Poupai-me, ó Céus, tão plúmbea crueldade!

Rogo-vos, apois, vento soberano e puro
Que cá sofro por medo a pensá-lo em perigo
Não mais atuí minh'esperanças insones
E fazei-se bom para as velas de meu amigo!

         Ó Deus, vê-lo-ei 'inda em vida?
Poupai-me, ó Céus, tão plúmbea crueldade!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Tristan



Waterhouse, Jonh William. Miranda - The Tempest. 1916.

TEXTO: Tristan (INDRISO)
TENDÊNCIA: Trovadorismo - Cantiga de Amigo
(Eu-Lírico Feminino; lamentação pela distância do "Amigo"; "Amigo" afastado a serviço do rei ou em batalhas; presença de elementos da natureza)

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Ai! Que busco, na sexta hora primaveril!
Ai! Que caço, na quinta hora, verão ardil!
Vossa nau nas margens? Nas marés a zombar?

Alvacentos montes do mar do outono!
Sepulcrais ventos de inverno e sono!
A tragar-m´a esperança do vosso retornar!

Que meu longínquo amigo foi, a serviço de nosso rei

E se non voltardes, mãe das sombras, ai, serei!
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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Prima Nocte



Sandro Botticelli, Minerva e o Centauro, c1482. Autor: 1445-1510 [Florença,~] obra: c1482 têmpera sobre tela, 207*148cm, Florença, Uffizi.
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PARA A OFICINA DE POESIA RETRÔ
Proposta por Rommel Werneck
TEXTO: Prima Nocte (Soneto)
TENDÊNCIA: Classicismo/Renascentismo
(Referência a Mitologias e Português Arcaico)

"Déia, queria um soneto sobre o erotismo masculino,
Mas seria legal se fosse num clima retrô,
Coisas antigas, mitologia clássica etc
"
Enviado por Rommel Werneck em 20/05/2009 23:33
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PRIMA NOCTE

Bela Constância! Encontrar-te, reluzente...
Tomai banquete que co vossos olhos condiz!
Animal chucro. Hei de fazer-vos tão feliz!
Eis o meu corpo, centauro frágil, vil, demente,

Rezando a Ishtar, Hator e Afrodite,
Que me tornem favorito, Imperatriz!
Vosso sussurro - Minha maior força-motriz.
Sonhai pra nós tudo o que o Amor permite!

Mas Esperança - minha oferenda aflita
Co hedonismo d'um profundo Sibarita,
Minha Diana Caçadora, teu devoto!

Se necessário eu me perder, buscar no Hades,
Minha Perséfone! Entre os mortos, meus confrades,
Rouco, gemendo o vosso Nome, eu me derroto!
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* Centauro: Na Mitologia Grega, eram seres, abaixo do abdome,
com corpo de cavalo. Tinham tendência agressiva,
embora o mais famoso fosse Quíron, centauro erudito
que fora mentor do herói Héracles.
* Ishtar: Deusa babilônica do Amor e da Fertilidade.
* Hator: Deusa egípcia do Amor, do vinho e da Alegria.
* Afrodite: Deusa grega do Amor e da Beleza.
* Sibarita: cidadão nascido na antiga cidade italiana de Síbaris,
destruída em 510a.C. Seus habitantes ficaram famosos
pela indolência e pela busca de prazeres.
* Diana Caçadora: Deusa romana da Lua, caçadora infatigável, eternamente casta.
* Hades: Na Mitologia Grega, era tanto o nome do deus que governava como o subterrâneo, habitado pelos mortos.
* Perséfone: Filha dos deuses gregos Zeus e Deméter, dotada de grande beleza, desde cedo foi desejada pelo deus Hades, que a pediu em casamento ao seu irmão Zeus e, mais tarde, a raptou para seu reino, tornando-a sua rainha.

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).