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terça-feira, 30 de agosto de 2011

ANDEJA




Andeja solitária desses ermos prados,
Pisando mil veredas feitas d’amarguras,
Perdida dentro em mim, nas sendas mui escuras,
Eu sigo a sorte própria dos desventurados.

E ao ver os sonhos meus desfeitos, desbotados
quais flores que morreram - d’antes belas, puras –
colhidas nesse tempo de tristeza, agruras,
d’amores que se vão, tão mudos, tão calados.

Pisando as folhas secas desses meus caminhos,
Sentindo em minha tez os beijos teus, carinhos,
Revivo dentro em mim o nosso amor passado.

Ai! Que destino o meu! Andar sem rumo certo!
Pisando as minhas dores, sem ter ver por perto,
Colhendo as flores mortas do que hei sonhado.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

QUEIXUMES



Aqui estou! E nem palavras tenho
Para dizer de minha dor, meu fado,
De meu viver tristonho, malfadado,
Do amor que nunca tive e não detenho!

Mergulho em mim. Em mim mesma me embrenho,
A solidão é meu eterno estado,
Contenho em mim um grito amordaçado...
Cantar o meu penar aqui eu venho!

Que vale a vida sem amor, sem luz,
E sem ter n’alma sonhos, devaneios,
Apenas sombras que devoram o lume!

A vida em si se torna uma cruz,
Um fardo cheio de milhões de anseios,
Um simulacro sem sabor, perfume!

domingo, 12 de dezembro de 2010

SOLITUDE (II)



Na boca o beijo que ninguém beijara
Ficara ali perdido pelos cantos,
Em meio a mil desejos, risos, prantos
Que escorrera em sua pela clara...
*
No insaciado corpo mil desejos
Queimara como as lavas de um vulcão,
Retidos entre sonhos de paixão,
Por entre os véus d’olhar de tantos pejos...
*
Perdeu-se, só, no tempo, nos seus mantos,
Em meio a mil desejos, seus fulgores...
Nos vãos dos sonhos seus que, em vão, sonhara...
*
E assim a sua vida se passara,
Passaram seus encantos, seus verdores,
E até os seus pudores, que eram tantos!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

SOLIDÃO!

Espio dentro em mim e nada vejo
Além da solidão, que está comigo,
E do meu corpo fez o seu jazigo,
Trazendo a dor, tristeza em seu cortejo!

Tomou-me por seu quarto de despejo,
E no meu coração buscou abrigo,
Como se fora um bom amante antigo,
Que volta transbordante de desej0...

Chegou para ficar! Fazer morada!
Fincar esteios firmes de aroeira,
Não mais partir! Ficar eternamente!

Espio novamente e vejo nada
Além da solidão, minha posseira,
Fincando suas cercas, inclemente!

domingo, 5 de setembro de 2010

SOLIDÃO A DOIS


Deitados lado a lado, nus, silentes,
Nada mais sonham nem desejam nada,
E passam assim a noite, a madrugada,
Dois corpos mudos, entre si ausentes...

Os olhos seus, distantes, vagam ao léu,
As mãos se perdem no vazio d’alma,
Já não tateiam com prazer, com calma...
Não mais galopam qual um bom corcel!

Calaram-se os murmúrios abafados...
E juntos permanecem sós, calados,
No frio eterno que nem sentem mais...

Não mais existem turbilhões de sonhos,
Distantes vão os dias bons, risonhos,
Tão prenhes de prazeres, tantos ais!

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).