segunda-feira, 28 de março de 2016

JORRANDO





JORRANDO 


Jorrarei vigorosa e branca lava 

Osculando-te a boca de água nívea
No silêncio dos gritos que reinava


Aos deleites da carne pecadora

Tateando-te em cândida lascívia
À garganta profunda e sofredora


Se salivas, se ingeres meu melado



Não importa! Me importa ter jorrado!



Rommel Werneck

sábado, 25 de abril de 2015


A lua de Hamlet


Ó noite, o que fizeste com a lua?
Ela não vem... Quanta solidão!
O teu zênite esconde a escuridão
que não pode ser minha, apenas tua.

Sempre há um ponto brilhante que me alua
ao contemplar o brilho plúmbeo e vão.
O perduro resiste a esta ilusão?!
Ó noite, por que me escondes a lua?

Deixe-a resplandecer neste Universo
que é o oposto de todo e qualquer ser.
Ser, homem, besta, fera... Tão perverso.

Ó noite, deixe a lua me entreter!
Quando todo este mundo é o teu inverso,
somente esta Ofélia é o que espero ter.



Parnaíba, 28 de dezembro de 2014.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

CONVOCAÇÃO PARA O II E-BOOK DE POESIA RETRÔ



Saudações, Ilustre Plêiade e Leitores!

Estamos organizando uma nova antologia para nosso blog. O blog Poesia Retrô convoca todos os seus escritores membros e não-membros para a participação do II E-BOOK DE POESIA RETRÔ. Eis todas as diretrizes e informações:


1. A participação e divulgação da coletânea de poesias é totalmente gratuita e sem fins lucrativos, a finalidade é plenamente cultural, literária e de defesa da poesia. O livro será em forma de e-book a ser baixado gratuitamente na página literária de Rommel Werneck no recanto das letras. O I E-BOOK DE POESIA RETRÔ pode ser baixado AQUI


2. Cada poeta deverá enviar 4 poesias + minibiografia. As poesias devem estar de pleno acordo com a proposta estética de nosso blog, isto é, seguir o estilo revivalista. Dúvidas? Que tal acessar os links abaixo?

Por que Poesia Retrô?

Características - Poesia Retrô



3. Só serão aceitos sonetos em versos isométricos, mas aceitam-se sonetos em versos brancos. Serão aceitos versos livres em indrisos, poemas livres e outras formas fixas que permitem tal prática. Mas daremos prioridade a textos isométricos. 


4. Nossa equipe julga-se no direito de rejeitar poemas enviados que estejam em desacordo às diretrizes 2 e 3.


5. Na primeira antologia foram feitos glossários já que algumas palavras são SIM desconhecidas e alguns poetas usam epígrafes e termos em língua estrangeira (latim, grego etc). Sendo assim, ainda que representantes do Pós-Pós-Modernismo desgostem, estuda-se a possibilidade de realizar novamente glossário e notas de rodapé.


6. Como na antologia anterior, o e-book consistirá de um texto de abertura de criação coletiva. A participação é facultativa. Informações adicionais perguntar por e-mail.

7. Os textos devem ser enviados em arquivo WORD em qualquer fonte legível até 12 de março de 2015 pelo e-mail rommel_dickens@hotmail.com

8. Planeja-se também um ato/ encontro comemorativo presencial para participantes de São Paulo, na capital. 






sempre seu,
Rommel Werneck


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

segunda-feira, 29 de setembro de 2014



(A Marília Rufino)


Eu ficarei aqui, parado eternamente –

ou quão eternamente a infância for durar.
Ficarei para ouvir, longe de toda a gente,
que histórias você conta antes de se deitar.

A janela pra mim não feche. Paciente

eu ouvirei, querendo ir logo pra contar
aos Meninos que estão esperando eu contente
dizer que a Cinderela achou enfim seu par.

Deixe a janela aberta, eu logo voltarei.

Você vai me contar sobe a filha do rei,
sobre piratas maus, crocodilos ferinos.

Miguel? João? Nenhum deles sequer entende!

Ouça o que eu vou dizer: Uma menina, Wendy,
uma só, vale mais do que vinte meninos.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Pra sempre...


Dizei senhora minha dos enfados
que rondam vossa alma e a entristecem!
Dizei de sonhos belos que fenecem
em anos, vossos, tenros, desejados!

Bebei desses meus versos dedicados
àquela por quem anjos enlouquecem
e céleres à Terra, lindos, descem;
protegem-na, meninos animados...

À beira mar a tez vossa rebrilha!
A areia geme sob o vosso andar
e as ondas vêm a praia vos beijar...

Senhora minha sois a maravilha!
Ao vosso olhar meu sangue assaz fervilha!
Deseja ao vosso sangue se juntar...


Ronaldo Rhusso

sexta-feira, 27 de junho de 2014

CHEIRO DE CHUVA




Cheiro de chuva chegando p’ra mim....
O coração se encharcando de chamas....
A água que deixa chumaço sem fim...



Cheiro de chuva, uma flecha de drama
Fechando a chave o arrebol do jardim....
É enxurrada de haxixes e lamas!


E quando a chuva à luxúria se enfaixa,



Minha paixão a teu charme se abaixa.



Rommel Werneck

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Perfeição

 Perfeição

Perguntam para mim da perfeição:
"Onde está? Onde esconde-se? Onde mora?
Onde encontro seu rosto mundo afora?
Qual, enfim, sua significação?"

E sem que eu lhe responda, ele completa:
"O círculo perfeito é abstração
E não possui no mundo uma expressão;
A toda perfeição, o mundo veta!"

Imperfeita é a coisa por não ser
Igual da coisa a idéia que se fez?
Penso e penso e me ponho a responder:

"Não vês? A perfeição está aqui!
Está em tudo, tudo que tu vês!
Tudo é perfeitamente igual a si."


Ivan Eugênio da Cunha

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Coroa de Sonetos - Via Sacra. Por Paulo Camelo




Equipe Poesia Retrô selecionou essa lindíssima coroa de sonetos confeccionada em 2003 por nosso amigo Paulo Camelo. Cada soneto da coroa é baseado em uma estação da Via Sacra. O ritmo utilizado foi o do verso heróico (tônicas nas sílabas 6 e 10), com sua variante de martelo agalopado, com tônica também na sílaba 3. Com apenas duas exceções, ambas em mudança de estrofe, a cada final de verso com paroxítona segue-se o início de outro com vogal, para que o ritmo se mantenha. O esquema rímico é o ABBA CDDC EFG EFG. 



Via Sacra

Quando Pôncio Pilatos condenou,
por dizer-se homem-Deus, o Nazareno,
o murmúrio no ar não foi pequeno
e um enorme clamor logo ecoou.

Condenado a pagar nosso pecado,
Ele deu por amor a sua vida
e marcou com suor a tez sofrida,
uma marca de dor no olhar cansado.

A pesar, sobre o ombro, enorme cruz
era o peso do homem pecador,
por quem veio o seu sangue derramar.

No Calvário, a sofrer, morreu Jesus
sob os olhos da mãe, tomada em dor.
E morreu por amor, pra nos salvar.

Paulo Camelo




Primeira estação - A condenação

Quando Pôncio Pilatos condenou
a morrer numa cruz o Salvador
e a coroa de espinhos fez-se dor,
uma vez Simão Pedro então negou

conhecer Jesus Cristo, o seu pastor,
e negou duas vezes inda mais.
Quando o galo cantou, perdeu a paz
e mostrou, com seu pranto, enorme dor.

A platéia clamou por Barrabás,
conhecido ladrão, e em seu lugar
indicaram Jesus, em coro pleno.

E Pilatos perdeu, então, a paz,
pois se viu compelido a condenar,
por dizer-se homem-Deus, o Nazareno.

Paulo Camelo


Segunda estação - Levando a cruz

Por dizer-se homem-Deus, o Nazareno
a morrer numa cruz foi condenado
e o pesado madeiro foi levado
em seu ombro. Seu rosto era sereno

apesar do trajeto ladeiroso.
Uma cruz sobre o ombro, em lento passo,
o suor denunciando o seu cansaço
e o olhar sempre calmo, majestoso.

Era o filho de Deus levando a cruz
que seria da morte o instrumento.
Era o Cristo Jesus, o Nazareno.

Em um trôpego passo ele a conduz.
Ao se ver vacilar por um momento,
o murmúrio no ar não foi pequeno.

Paulo Camelo


Terceira estação - Primeira queda

O murmúrio no ar não foi pequeno
ao sentir-se Jesus prostrado ao chão.
Pôs o joelho na pedra e com a mão
segurou o madeiro. Em tom sereno,

aguardou um momento, a descansar.
Sabedor dos costumes, já sentia
a feroz reação que então viria,
obrigando o seu corpo a levantar.

Mas manteve-se assim por um momento.
Ao sentir no seu corpo a chicotada,
arqueou-se, o seu corpo retesou

e se ergueu, apesar do sofrimento.
Apoiou-se na cruz, bem mais pesada,
e um enorme clamor logo ecoou.

Paulo Camelo


Quarta estação - Encontro com Maria

E um enorme clamor logo ecoou
pelas ruas estreitas da cidade.
O Senhor retomou vitalidade
e voltou caminhar, quando avistou,

com semblante de dor, um rosto amigo
infiltrado entre o povo que o seguia.
Era o rosto da mãe, era Maria,
e o semblante da mãe guardou consigo.

Um encontro calado, silencioso,
esquecendo o ferver da multidão
que sorria e gritava a todo o brado.

Era um último adeus, triste, nervoso;
o seu filho era Deus que estava, então,
condenado a pagar nosso pecado.

Paulo Camelo


Quinta estação - Ajuda do Cirineu

Condenado a pagar nosso pecado
e morrer numa cruz como um ladrão,
caminhava Jesus, o nosso irmão
e também nosso Deus, verbo encarnado.

Mas a força era humana, e lhe faltava.
Era longo o caminho a percorrer.
Cirineu, logo ali, viu-se em dever
e atendeu ao soldado que o chamava.

E, num gesto seguro, ergueu a cruz
e em seu ombro apoiou. E foram seus
os esforços no início da subida.

Em silêncio, a seu lado, ia Jesus.
Um murmúrio se ouviu: Ele era Deus;
Ele deu por amor a sua vida.

Paulo Camelo


Sexta estação - O gesto de Verônica



Ele deu por amor a sua vida.
Era longa e penosa a caminhada.
Um murmúrio de gente conturbada,
uma cruz sobre o ombro, uma subida...

O seu rosto era todo sofrimento,
era sangue e suor descendo ao chão.
A mulher se afastou da multidão
e chegou-se a Jesus por um momento.

Enxugou, na toalha, o seu suor
que descia da face sem parar,
em um gesto de amor, compadecida.

Outro gesto de amor fez o Senhor:
a toalha bendisse, em seu penar,
e marcou com suor a tez sofrida.

Paulo Camelo


Sétima estação - A segunda queda

E marcou com suor a tez sofrida,
e desceu pela face em rubra cor,
e voltou, lancinante e forte, a dor,
quando a força faltou-lhe na subida.

Outra vez foi ao chão, outra vez mais...
E sentiu chicotada, e ardeu-lhe a mão
que, na queda, levou de encontro ao chão,
mas manteve pra si todos seus ais.

Não soltou um gemido, embora o açoite
o forçasse outra vez a levantar
e levar sua cruz pelo arruado.

Era dia, era claro, e se fez noite
em seu rosto, incapaz, já, de ocultar
uma marca de dor no olhar cansado.

Paulo Camelo


Oitava estação - E consola as mulheres

Uma marca de dor no olhar cansado
era o mais que ele então transparecia.
O seu choro era interno e ninguém via
ou notava o seu verdadeiro estado.

Era o próprio homem-Deus que ali estava
a levar às mulheres da cidade
o consolo sereno em seu olhar
de um controle supremo e força brava.

Não havia uma lágrima em seu rosto
ao deitar nas mulheres seu olhar
de consolo e de amor, pleno de luz.

Retornou seu martírio então imposto,
em difícil subida, devagar,
a pesar, sobre o ombro, enorme cruz.

Paulo Camelo


Nona estação - A terceira queda

A pesar sobre o ombro, enorme cruz
era a marca cruel do seu castigo,
um pesado troféu por ter querido
acabar toda a treva e expor a luz.

O caminho a subir, acidentado,
aumentava o martírio de quem já
duas vezes caíra e, sem parar,
era exposto aos açoites, já cansado.

Outra queda ocorreu e, novamente,
ao tentar descansar, foi castigado
e ao suor se juntou mais rubra cor.

Sua cruz lhe pesava enormemente:
em seu ombro pesou todo o pecado,
era o peso do homem pecador.

Paulo Camelo


Décima estação - Despojado das vestes

Era o peso do homem pecador
a razão pra morrer em aflição
com as vestes jogadas pelo chão,
disputadas na mão de jogador.

Completando penosa humilhação,
e se vendo das vestes despojado,
o Senhor foi mantido desnudado
e levado a morrer como um ladrão.

E manteve-se o povo para ver
o martírio do Deus que se entregou
e viveu entre nós pra nos salvar,

e quis ver seu castigo até morrer
sem saber que era o povo pecador
por quem veio o seu sangue derramar.

Paulo Camelo


Velasquez
Décima primeira estação - Pregado na cruz



Por quem veio o seu sangue derramar
o Senhor Jesus Cristo no Calvário?
Ele foi acusado de falsário
em dizer-se homem-Deus pra nos salvar.

E o castigo era ser crucificado,
e por isso pregado foi na cruz
pelos punhos e pés. Ficou Jesus
assim preso, sem ter osso quebrado.

Entre dois criminosos colocado,
era enorme o sofrer, a sede e mais
a abertura no peito, o sol, a luz,

o vinagre na boca, o peito arfado,
e, trocado que foi por Barrabás,
no Calvário, a sofrer, morreu Jesus.

Paulo Camelo


Décima segunda estação - A morte na cruz

No Calvário, a sofrer, morreu Jesus
pra livrar do pecado a humanidade.
Ante a mãe, ante os homens da cidade,
ante João e os apóstolos, na cruz,

viu fugirem-lhe as forças e clamou,
numa última prece, ao Pai, a Deus,
ao sentir o abandono, ante os seus,
mas o povo entendeu, e o perdoou.

Dirigiu-se a Maria e a João
e lhes disse: eis teu filho e meu irmão.
Eis aí tua mãe, disse o Senhor.

Sem ter crime a pagar, por que foi réu,
sua vida entregou ao Pai, ao céu,
sob os olhos da mãe, tomada em dor.

Paulo Camelo


Décima terceira estação - A descida da cruz

Sob os olhos da mãe, tomada em dor,
e depois de tremenda tempestade,
o seu corpo, sem mais dificuldade,
é descido da cruz. Um seguidor

da doutrina do Mestre foi pedir
que seu corpo entregassem, pois Jesus
era um morto cravado em sua cruz,
sua voz não iriam mais ouvir.

Era início de noite, e logo então
o descanso obrigava a não mais ter
como o corpo descer. Sem demorar,

um lençol foi içado desde o chão
e envolveu o Senhor, que quis viver
e morreu por amor, pra nos salvar.

Paulo Camelo


Décima quarta estação - No sepulcro

E morreu por amor, pra nos salvar,
como estava previsto na Escritura.
O seu corpo desceu à sepultura
e dali não devia mais voltar,

mas aos seus prometeu ressurreição
aos três dias da morte e, como disse,
o sepulcro se abriu sem que alguém visse,
e foi ter com os amigos, seus irmãos.

Com o sepulcro entreaberto, alguém entrou
e só viu o lençol. Mas uma voz
confirmou: "O Senhor ressuscitou,

já não sofre na mão de seu algoz.
Completou seu período entre nós,
quando Pôncio Pilatos condenou".

Paulo Camelo

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Desencanto


Desencanto

(...)Nothing almost sees miracles 
But misery.(...)
SHAKESPEARE; Rei Lear, Act II, Scene 2


Outrora sonhei um mundo inefável,
De sorrisos, flores, sonhos e amores
Onde fossem efêmeras as dores
E a alegria pra sempre perdurável...

E que eu ainda o sonhe é inegável,
Embora nele já não haja cores
E ora estejam murchas todas as flores
Num vale de escuridão infindável.

Por que é tão difícil de sonhar
Um lugar de harmonia e bem estar,
Onde o coração valha mais que tudo?

Ah, é simples: o egoísmo e a vaidade
Subjugaram a nossa sociedade;
E o Amor — em silêncio — tornou-se mudo!

Renan Tempest

segunda-feira, 17 de março de 2014

A Rainha de Vil Beleza (Evil Queen)




“Magic Mirror on the Wall, who is the Fairest one of all?”

(Queen Grimhilde)


– Espelho, Espelho Meu! Quem mais Bela é do que Eu!
 Ninguém, Bela Mulher! Rainha da Beleza!
– Ostento o Meu Prestígio e a Minha Alta Realeza!
– Sois a Deusa do Estígio, e Abluís-vos no Céu!

– O Encanto e Sortilégio Atroz de Feiticeira!
– Diva Maleficente, Olhai! Vós, Conhecei-lha!
– Altivamente Arqueio e Franzo a Sobrancelha!
– Bela e Vaidosamente à Minha Sobranceira!

– A Outrem, o Ator do Ultraje, o Ato e o Fim Hei de Dar-te!
– Sacrilégio! Profano! Eis Minha Tempestade!
– A Lei da Imperatriz e Suprassumo d’Arte!

– Mentora do Feitiço! A Narcisista Dama!
– Diva de Vil Beleza! A Vossa Majestade!
– O Reflexo do Espelho: A Obra de Arte-Mor. Ama!



(Encanto das Sombras)

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).