Mostrando postagens com marcador ABUSOS LITERÁRIOS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ABUSOS LITERÁRIOS. Mostrar todas as postagens

domingo, 21 de novembro de 2010

BELÍSSIMOS POEMAS EM LINGUAGEM SIMPLES, MAS LITERÁRIA, OFF CORSE, MY HORSE!

Os poemas abaixo foram escritos numa linguagem simples, talvez num romantismo contido, porém não na mesma linguagem de Bilac e de Francisca Júlia que também sabiam escrever brilhantemente. Apesar da simplicidade, são obras literárias e não panfletos provando que é possível escrever de modo mais simples sem ser simplório, afinal, a linguagem denotativa tem que ficar lá nas bulas de remédio, receitas de culinária, críticas, textos históricos e informativos etc. Mesmo porque, uma literatura sem recursos é uma literatura analfabeta.


Agora vem a revelação surpreendente: o poeta abaixo é mulato e como o apedrejado e genial Cruz e Souza, não ficou inserindo reflexões panfleteiras em seu texto apenas por uma questão racial. Ao contrário do que pensa, Cruz e Souza escreveu sim algo social na literatura ( Litania dos pobres), como observa nossa leitora Pauline Kisner, historiadora e fundadora da Sociedade Histórica Desterrense. Além do mais, ele guardou  crítica para artigos de jornal que,  por não serem obras literárias, são menos conhecidos que seus majestosos sonetos.


Voltando ao poeta mulato gago e epilético da favela que hoje poderia ser taxado nerd, ficam aqui seus majestosos poemas e quem desejar ler suas críticas sociais inseridas em sua literatura, basta ler Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, seus contos e tantos outros romances e verá que é possível sim apresentar críticas políticas sem ferir o esplendor estético, mas há autores que preferem tratar outros temas que possuem a mesma importância que os sociais.




A uma senhora que me pediu versos


Pensa em ti mesma, acharás
Melhor poesia,
Viveza, graça, alegria,
Doçura e paz.


Se já dei flores um dia,
Quando rapaz,
As que ora dou têm assaz
Melancolia.


Uma só das horas tuas
Valem um mês
Das almas já ressequidas.


Os sóis e as luas
Creio bem que Deus os fez
Para outras vidas.




A vassalagem amorosa é um tema sempre atual, a combinação de redondilha maior com tetrassílabos poderia ser usada mais vezes.





Livros e flores


Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?


Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor,
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?




Isto que é poesia concisa e não os "haikais" que circulam por aí sem ser.  São apenas duas estrofes, mas genialmente compostas. Reparem na leveza das seis sílabas.




Carolina


Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.


Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs o mundo inteiro.


Trago-te flores - restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.


Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.




É certo de que existem escritores que, numa preocupação tumultuada com a isometria, produzem péssimos decassílabos, mas Machado produziu algo belo e diferente, notem a criativa  associação das flores com a terra que viu o casal viver junto e agora, separa os dois pela morte. 


Meu poema favorito dele se encontra abaixo. O final apresenta raciocínio e o bom uso do elemento céu.




Quando ela fala




She speaks!
O speak again, bright angel!
Shakespeare


Quando ela fala, parece
Que a voz da brisa se cala;
Talvez um anjo emudece
Quando ela fala.



Meu coração dolorido
As suas mágoas exala.
E volta ao gozo perdido
Quando ela fala.



Pudesse eu eternamente
Ao lado dela, escutá-la,
Ouvir sua alma inocente
Quando ela fala.



Minh'alma, já semimorta,
Conseguira ao céu alçá-la,
Porque o céu abre uma porta
Quando ela fala.



MACHADO DE ASSIS

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

MANIFESTAÇÃO A FAVOR DA DIVERSIDADE POÉTICA

O que me levou a escrever este manifesto, postado na sequência, foi a contenda gerada entre uma Editora de Livros: Laura Bacellar, acostumada em dar diretrizes à novos autores de como publicar seu livro sem precisar pagar do próprio bolso a obra; e um grupo de Poetas jovens, deste blog: Poesia Retrô.

Os jovens escritores estão indignados com a opinião da Editora, que defende a ideia de não escrevermos poemas seguindo os modelos clássicos e sua temática, e também, não seguirmos as ideias e caminhos dos poetas modernos, representativos, para termos uma oportunidade no mercado literário; entende a Editora que a cópia de modelos consagrados não traz resultado prático, ou seja, livro vendável, porque o leitor sempre prefere o original. Laura Bacellar defende a busca pelo ineditismo literário.

Estou do lado dos jovens escritores, nesta contenda!

Penso ser errado ensinar jovens escritores caminhos para a sua escrita ter sucesso que não possam passar pela Literatura Clássica ou se assemelhar à expoentes da Poesia Moderna. Como vivenciar a Poesia, escreve-la, no ineditismo desejado por Laura Bacellar, sem ter como espelho os poetas: Gregório de Matos Guerra, Tomás Antonio Gonzaga, Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casemiro de Abreu, Castro Alves, Qorpo Santo, Olavo Bilac, Cruz e Souza, Augusto dos Anjos, Mario Pederneiras, Gilka Machado, Padre Antonio Tomás, Olegário Mariano, Mário de Andrade, Luis Aranha, Raul Bopp, Carlos Drumond de Andrade, Mário Quintana, Cecília Meireles, Patativa do Assaré, Vinicius de Moraes, J. G. de Araújo Jorge, Lila Ripoll, João Cabral de Melo Neto, Augusto de Campos, Moacyr Félix, Wlademir Dias Pino, Mário Faustino, Cacaso, Fabrício Carpinejar, etc. e suas concepções e/ou temáticas distintas do fazer poético.

Quem pode afirmar, com precisão, que somente o ineditismo temático agradará o leitor de nosso tempo? É justo colocar que, jovens escritores, ambientando, boa parte de seus poemas, na Poesia Clássica e no espírito de boa parte do Século XIX - sob influências do Romantismo e Simbolismo literários -, não terão oportunidade no mercado dos livros?

De que serve, então, o prazer da leitura e a identificação literária, dos jovens escritores, pelos poetas: A. A. Soares de Passos, Alvares de Azevedo, Wenceslau de Queiroz, Antero de Quental, Camilo Pessanha, Cesário Verde, Cruz e Souza, Alphonsus de Guimaraens, Dário Vellozo, Silveira Neto, Oscar Rosas, Emiliano Pernetta, Moacir de Almeida, Augusto dos Anjos, etc., poetas estes que realizaram, uma poesia: ora mais penumbrista, ora cientificista, satanista por vezes, também, decadentista, etc. se não podem demonstrar a influência destes escritores nos seus Poemas?

Deixemos adentrar nas livrarias, a pluralidade de idéias, de concepções poéticas, sempre! A diversidade é importante para aumentar o espectro de “tipos de leitores” e não ficarmos muito iguais no pensamento. É preciso dar ao leitor: o direito democrático de escolha do que quer ler, para isto, seja a Poesia, participante da corrente, como acredita o jovem e talentoso escritor Rommel Werneck: da PLURILITERARIEDADE!



MANIFESTAÇÃO A FAVOR DA DIVERSIDADE POÉTICA
Temos, geralmente, uma polêmica em torno da publicação de um livro de poemas (e não de poesias - que é um conceito abstrato). Qual o caminho melhor para publicá-lo? Qual a “suposta” forma de agradar o editor e não encalhar o livro nas prateleiras do depósito da Editora? Qual o tipo de poética de valor? Por que escrever em linguagem moderna e não a partir de modelos clássicos? E vice-versa...

Vejo, como caminho inicial da discussão o entendimento que qualquer posicionamento do fazer poético é subjetivo. Para cada autor, uma escola poética pode chamar mais atenção: certos poetas preferem o Simbolismo Literário, outros a Poesia Moderna, uma parte aceita com naturalidade as duas vertentes e destes, alguns transitam entre as duas escolas quando escrevem. Outros transitam por todas as possibilidades poéticas já criadas.

O poema é uma criação do homem. Deus nos facultou a Poesia: através de um sopro Divino, dirão alguns; e outros dirão, ela nos vem por acaso, é resultado do acaso. Ainda há os que dirão se tratar de uma ação concreta, sem intermediação do subjetivo. Muito antes da manifestação concreta da Poesia: o poema, ela já se manifestava nos homens, que a partir da escrita puderam transpô-la ao papel.

Em cada período literário, autores mais expressivos ditam determinadas regras do “bom poetar” (Tratados Literários), são instrumentos de direcionamento, ao escritor, para realizar um poema, que, segundo os criadores desses tratados, levará o Poeta ao bom poema. Existem inúmeros exemplos de Tratados Literários, citemos dois, entre eles um clássico: “Tratado de Versificação”, do ano de 1905, escrito por Olavo Bilac e Guimarães Passos; e outro moderno: “Poética: Como Fazer Versos” de Vladimir Maiakóvsky, do ano de 1926.

O simples fato de seguir estas regras dos Tratados Literários, o encaminhamento proposto pelo autor destes textos de como realizar um bom poetar não significará um bom poema realizado. Geralmente, os melhores escritores de Poesia são os que mais independentes estão em relação ao cânone de regras de uma Escola Literária. (um adendo, as regras são criações humanas - elas não existiam quando da descoberta da Poesia pelos primeiros poetas - tanto é, que a Ilíada de Homero, um dos primeiros poemas da Antiguidade Clássica, dos que chegaram até nós, não é uma construção poética com RIMAS - a rima veio bem depois, já na Era Cristã.)

É totalmente errônea a idéia de que a Poesia possa ser fundada em conceitos rígidos, que ao olhar de um determinado crítico, é a única maneira de se conceber uma Literatura de qualidade, um poema expressivo. E por que é errado pensar assim? Porque cada pessoa tem uma opinião sobre o que lê. Afinal, interpretar um texto não é uma ação mecânica apenas, o subjetivo também conta. Quantas vezes um poema não diz nada para nós e alguém se vê espelhado nele? Muitas vezes ocorre assim. POR QUE EXISTIRIAM ESCOLAS LITERÁRIAS SE SÓ UMA CONCEPÇÃO DO FAZER POÉTICO É A CERTA?

A qualidade literária, para toda pessoa, é subjetiva mais do que tudo. Para alcança-la com maior precisão é necessário a junção de pelo menos quatro elementos: sentimento humano, leitura dos grandes poetas da Literatura Universal de todos os tempos literários, conhecimento literário - regras do fazer poético: clássico e moderno -, conhecimento da Língua Portuguesa em sua variante culta e popular. Nota-se porém, que estes conhecimentos não são iniciais, necessariamente, nos poetas, em quase todos, adquiri-se com o passar dos anos.

É importante lembrar que se uma pessoa tiver como DOM: a Literatura, ela pode manifesta-la sem sequer saber escrever a palavra Poesia com S, escrevendo-a com Z. Lembremos, é muito mais fácil consertar um poema escrito num Português distante da norma culta: com criatividade, com valor sentimental do que corrigir um poema, onde o autor não possui o DOM para a Poesia, mesmo com a escrita corretamente dentro da norma culta do idioma e do(s) Tratado(s) Literário(s), conceitos para se chegar ao “bom poema”, do seu tempo de escritor.

Mesmo que alguns escritores tenham mais aptidão para o fazer poético é importante o respeito para com a escrita de todos. Todos têm o direito de escrever e é bonita esta manifestação poética dos sentimentos humanos, sempre! Nós não escrevemos para publicar um livro, esta pode ser a consequência de nossa atividade com as palavras; escrevemos para desnudar um mundo interior que nos aflige e para desmascarar as mazelas do mundo exterior, também escrevemos, para expressar momentos de intensa alegria ou de inconsolável dor. Cada pessoa terá seu motivo maior para escrever. E nos poetas verdadeiros, será o motivo, a necessidade e não o lucro, por se adequar ao possível editor. Reiner Maria Rilke, poeta alemão, em Cartas a um Jovem Poeta (cartas escritas entre 1903 e 1908 destinadas ao jovem poeta alemão: Franz Xaver Kapus), nos pede para escrever somente por necessidade, não é lindo esse pedido?

Quem escreve moldando suas composições para serem aceitas por um editor e seu suposto público, poderá estar, falseando a si mesmo e se desvalorizando. A Literatura não pode ser refém de nenhuma regra, de nenhum editor, de nenhum “suposto leitor”; ela deve ser livre e ser dado o direito a cada Poeta da escolha de qual caminho seguir! Havendo parâmetros de escolhas e DEMOCRACIA EDITORIAL, os melhores, independente de escolas, serão publicados e sem precisar moldar-se ao mercado editorial.

Por que a Poesia Moderna seria melhor que um Soneto Simbolista do final do Século XIX? e vice-versa... Quem pode afirmar que o caminho A é mais vendável que o caminho B? Quem venderia mais, se estivessem expostos numa mesma prateleira para se levar um deles para casa: Augusto dos Anjos (Poeta Clássico) ou Fabrício Carpinejar (Poeta Pós-Moderno)? Certamente, Augusto dos Anjos e ele fez Poesia Clássica de grande expressão poética, e dentre seus poemas, muitos Sonetos! E vende mais, porque é mais prazerosa a leitura e de maior valor literário/sentimental - e estou considerando aqui uma hipotética sociedade brasileira, onde, o nível educacional dos brasileiros fosse alto. Tenho convicção, que numa sociedade mais evoluída o Augusto dos Anjos daria de goleada no Fabrício Carpinejar, não é desmerecimento da obra deste, mas pela beleza dos poemas daquele. Da mesma forma que um livro da Moderna Cecília Meireles venderia bem mais que um livro de um poeta parnasiano, que seguisse 100% a risca os conceitos poéticos do Parnasianismo clássico - quantos poetas parnasianos nem sequer foram citados em enciclopédias de autores de literatura, não é verdade?

Uma verdade: nós não somos máquinas frias, temos sentimentos, alma que pulsa, sofremos, vivemos a Vida em constantes inquietações interiores. Somos subjetivos sim! E a razão não comanda nossa Vida, só se formos escravos do Sistema, o que bem quer os que preferem nossa frialdade em busca de nos dominar e manter o status quo! Para qual Editora trabalha a pessoa que nos ensina caminhos para ter sucesso na publicação de um livro? Que interesse tem a editora que irá publicar um livro em moldes pré-estabelecidos? Qual a visão de mundo dessa editora de livros? Quem a financia? Nada está dissociado... Tem sempre uma razão, um interesse subliminar, por detrás dessas idéias de como obter sucesso na carreira Literária e em qualquer outra área.

Quem quer ser Poeta e de valor deve desprender-se de preconceitos e buscar um conhecimento amplo! Ser capaz de trafegar entre o Clássico e o Moderno, amar Poesia, amar os Poetas, gostar de ler poemas em uma grande quantidade e saber assimilar o bom de cada período literário; deve saber se emocionar com os poemas que falam de Amor e deve se indignar junto, com a imagem retratada em um poema social.

Abaixo o preconceito contra os poetas que não seguem a cartilha A, B, C ou D, etc. Diversidade é bom e saudável. Não existe ditadura literária, não existe o bom ou o mau poema, existe sim, a impressão particular sobre cada Poema lido. Que se publique autores do mais variado estro, da mais diferente escola, temática e forma de realizar o poema, seja, poeta concretista, pós-moderno, simbolista, árcade, modernista, parnasiano, etc., porém, lutemos para que os mais valiosos e preparados sejam mais valorizados e ocupem um lugar de destaque no cenário literário e nas prateleiras das livrarias. É Ética esta luta e justa com o público leitor!

Existe espaço para todos. Respeitemos as diferenças de gosto literário e evitemos propagar preconceitos literários, estes são prejudiciais, ao jovem poeta. Tanto o preconceito contra a Poesia Clássica e contra a Poesia Moderna inibem o crescimento de qualquer poeta... Todo conhecimento é pouco diante da diversidade de idéias e concepções literárias existentes no Mundo, desde sempre! Aprender sempre faz-se necessário, ser humilde aprendiz é ser um poeta com capacidade de mudar o mundo, de mudar a si mesmo e de realizar uma Literatura prazerosa de ser lida por quem ama a Poesia!

Viva a Poesia Retrô! Viva a Poesia Pós-Moderna! Viva a diversidade Literária!

ALEXANDRE TAMBELLI

sábado, 13 de fevereiro de 2010

RETRÔ NEWS: "LAURA BACELLAR ATACA HOMERO E AS EDITORAS PRESTADORAS DE SERVIÇO!"



Saudações, Plêiade! Saudações, Leitores!


    Segue abaixo a continuação da polêmica que enfretamos com a editora Laura Bacellar. Na cor verde, a resposta da editora para mim. Em roxo, a minha resposta a todos os abusos literários do e-mail.

     Inicialmente, eu pus o link de meu artigo de defesa na página de recados do orkut de Bacellar, uma vez que orkut é um meio formal para nós escritores/ editores. Entretanto, a autora apagou o recado e nem me respondeu.








    Tive que publicar o link como comentário na página de onde o texto original foi retirado: http://www.escrevaseulivro.com.br/escreva/encontre-uma-editora/como-publico-minhas-poesias.html onde  o(a) caro (a) leitor (a)/ escritor (a) poderá observar o comentário de defesa escritor por nossa escritora Amanda Vital (A.V.), se aprovado pela moderação, pois não sabemos se o comentário será aprovado. No mesmo link, Bacellar mente dizendo que nosso blog não aceitou um suposto comentário dela. Realmente, comentar no blogspot não é fácil, às vezes, nem eu consigo comentar aqui, mas isto é problema técnico. Ela que se sinta à vontade para falar mal de nosso blog aqui ou no site dela.






Clique nos dois prints

     No e-mail que me mandou, Bacellar chega a ofender destrutivamente Ilíada, de Homero e subestimar as editoras prestadoras de serviços. No site, a discussão pega fogo, fomos denominados de "poetas melindrosos", o pior é que eles nem sabem que melindrosos/ melindrados são termos da década de 20, época do modernismo! Na próxima postagem, escreverei sobre esta situação ridícula e ditadorial ocorrida  promovida no fórum pelo sr. Sidney Guerra, administrador também do site "Escreva seu Livro".






 Reparem o círculo vermelho que fiz em volta da crítica destrutivíssima que Bacellar faz a Homero!



> From: laurabacellar@escrevaseulivro.com.br

> To: rommel_dickens@hotmail.com
> Subject: Re: New comment added. Moderator approval required.
> Date: Tue, 12 Jan 2010 19:56:03 -0200


>


> eis meu comentário sobre seu post, muchacho.


>


> Caros,


> eu não sou uma pesquisadora nem crítica literária, mas uma editora de
> livros. Desde 1983, aliás. E a ideia do meu site não é dizer a ninguém o que
> fazer, mas sim auxiliar os que desejam a encontrar editoras que os
> publiquem. De verdade, não prestadores de serviço pelos quais tenham que
> pagar. Notem que a ignorância é tanta que aqui mesmo o etcoelhoh presume que
> seja necessário pagar para ser publicado... Leia meu site, amigo.
> Quanto às alegações de que não exerço minha profissão com competência ou
> amor, não vou me dar ao trabalho de responder. Envolver-se com livros por
> mais de 25 anos será pelo quê?
> Convido os poetas desse site a pensarem no que disse um colega muito mais
> mais ilustre do que eu, T. S. Elliot, que foi editor e poeta. Segundo ele,
> os poetas são preguiçosos porque não encaram os temas importantes de suas
> épocas.
> hehehe, eu acrescento: se escrever poesia fosse fugir da sordidez e da
> violência, como ficaria Homero com as Ilíadas?
> um abraço,


> Laura Bacellar




Caríssima Bacellar!



Para quem este e-mail é direcionado? A senhorita pôs "caros" e também muchacho, a quem é isto? A mim ou aos outros? Fico lisonjeado que tenha respondido meu e-mail, pensei que tivesse recuado após apagar meu recado no orkut. Se não é crítica literária, por que tece opiniões sobre literatua, opiniões até repressoras? Se seu site serve para orientar autores, por que insere diretrizes destrutivas e até não-literárias? Se é editora, deveria tentar fazer negócio comigo, pretendo publicar meu livro, pena que a senhorita não gosta de poesia...

Em nenhum momento, ignoramos ou desprezamos as prestadoras de serviço editorial, aliás, será através de uma excelente prestadora de serviços que conheço há um bom tempo que publicarei meu livro. Quem fez isto foi a senhorita ao escrever que os poetas podem ser felizes publicando livros de prestadoras de serviços e distribuindo para familiares e amigos apenas. Sinceramente, não julga que seu texto é ofensivo às editoras prestadoras de serviços? Temos o raciocínio: os poetas que escrevem com temáticas clássicas são considerados ruins pela senhorita e eles, por serem ruins, devem apenas ir para prestadoras de serviço, sendo assim, é como se os poetas piores estivessem nas mãos das editoras que prestam serviços, portanto, é como se elas fossem as piores! A senhorita é quem as insulta, nós não a ignoramos.
 
Eu descobri o artigo navegando pelo site que considerei tão ótimo que hospedei nos "meus favoritos", li sobre sua trajetória editorial. Não a considero péssima, porém seu texto é corrosivo, corrói as editoras, os poetas e também a senhorita. É a impressão que temos, do mesmo modo, que existe a impressão que uma produtora editorial possui acerca de autores que escrevem com inspiração na literatura clássica. Porém não ofendemos a pluralidade literária. Sabemos que a cara amiga é uma boa profissional e que fez tudo por amor à profissão, porém escorrega feio com textos como este.
 
Realmente, os poetas poderiam cuidar da literatura, valorizando o passado e planejando o futuro. A escrita pode ser um misto entre os dois. O escritor deve observar criticamente o seu mundo e aproveitar o que é útil, o que não significa secularizar a poesia, banalizá-la. O caráter eternizador da lira está presente nestes três versos de Shakespeare na tradução de Bárbara Heliodora, uma grande teoria literária:

 
"When in eternal lines to time thou grow'st,
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this, and this gives life to thee"

 
"Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver."



A senhorita não sabe distinguir eu-lírico de escritor, discrimina os poetas e ainda só consegue ver sordidez e violência numa grande obra da humanidade, isto comprova o preconceito que possui. Julgar Homero um escritor baixo e pior (!) sem apresentar nada e ignorando o contexto histórico e as influências para o hoje. O resto já pus no blog. As críticas são sempre aos textos e não às pessoas. Estou aberto a conversas. Desculpe-me se sentiu ofendida.
 
Post-scriptum: *muchacho: prefiro o termo efebo, não julgo que eu tenha um ar hispânico, julgo que tenho um lado grego sutil.

 
sempre seu,
Rommel Werneck
http://www.poesiaretro.blogspot.com/
 

domingo, 3 de janeiro de 2010

RETRÔ NEWS "AUTORA" SUGERE A POETAS QUE NÃO ESCREVAM POESIA!





Saudações, Plêiade!

Venho hoje inaugurar uma nova coluna do blog: Retrô News. Consiste na publicação e comentário de notícias e ensaios sobre literatura. Quem quiser nos mandar informações basta mandar para: principedark_alvaresdeazevedo@yahoo.com.br

Primeiramente, segue o texto que encontrei, depois a bibliografia e o comentário detalhado citando o texto em questão.  


"Autora" quer que poetas não "copiem" clássicos porque o povo prefere os "originais".



COMO PUBLICO MINHAS POESIAS?
Laura Bacellar

Recebo muitas críticas a respeito de minha posição sobre poesia. Fico firme nela, achando que nenhum editor pode ser obrigado a ter prejuízo (veja COMO ENCONTRAR UMA EDITORA) só porque há um sem número de poetas desejando um modo de se expressar em público. Ainda assim, apresento a seguir algumas idéias sobre como aumentar a sua chance de divulgar seus textos poéticos.

Poesia costuma ser recusada não só porque não vende, mas também devido à postura dos poetas. Vou comentar o que acho mais problemático.

Muitos escritores talentosos, por exemplo, gastam sua imaginação imitando o estilo de grandes mestres.

Não faça isso!

Nada impede o leitor de comprar os poemas originais de Fernando Pessoa ou Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade ou Florbela Espanca. Os livros desses poetas existem na praça, costumam ser reeditados e apreciados. Imitar o estilo deles é pedir para ser ignorado, porque a maioria das pessoas prefere o original a uma cópia posterior.

Minha sugestão portanto é que você crie um estilo todo seu, parecido com o de ninguém, e insista nele. Diferencial é importantíssimo nessa era de excesso de publicações.

Outra besteira constante, na minha opinião, é poetas recorrerem a temáticas do século XIX, como amor ligado à dor, musas em flor, campos (também em flor!) e outros temas que foram favoritos de românticos tanto tempo atrás.

Por que poesia precisa remeter a um passado distante e bucólico?

Encontre lirismo, beleza, interesse para os sentidos no que existe hoje, no século XXI. Se você escolher assuntos que jamais foram alvo de considerações pelos poetas famosos, como talvez seqüestros ou personagens da Casa dos Artistas ou a televisão ou festas infantis em bufês, aumenta muito sua chance de interessar um editor comercial. Poesia afinal foi criada para nos fazer olhar de modo diferente para o que está em volta, não é mesmo?

Quando produzir uma obra, aliás, minha sugestão é que crie um tema condutor que possa atrair a atenção do leitor. Poesias sobre tudo são o mesmo que poesia sobre nada. Escolha explorar vários ângulos -- interessantes, fascinantes, originais, que ninguém tenha feito antes! -- de um mesmo tipo de assunto. Os bufês infantis de meu exemplo anterior podem ser temas áridos, mas talvez não a infância consumista, por exemplo.

Muitos poetas insistem ainda -- de modo nervoso, irritado -- em querer ser publicados por editoras comerciais quando falam apenas de si mesmos, de suas vidas, sem que nada de muito diferente tenham feito. Ora, sua vida interessa a quem conhece você, quem gosta de você. Se você escreveu algo sem chance de poder encantar a um norueguês daqui a cinqüenta anos, sugiro que parta para a publicação por conta própria.

Divirta-se fazendo uma noite de autógrafos entre seus amigos e parentes, faça o livro que você deseja sem a pretensão de comercializá-lo. Espalhe entre os seus conhecidos um pouco do que você sente, sem desejar o envolvimento da indústria livreira.

Sugiro também que considere outras formas de publicação. Não conheço o funcionamento de veículos como cartões postais, cadernos e agendas, mas tenho visto nesses meios, assim como nas músicas, um canal para a expressão de muitos poetas. Caberia pesquisar como estes meios processam a seleção de seus materiais e talvez apresentar-lhes sua obra.

Vejo a música, hoje, como o canal mais poderoso de divulgação da poesia, não os livros. Portanto, quem deseja fazer fama e fortuna com letras tem muito mais possibilidades de encontrar aí, e não no mercado de livros, um canal possível para a sua arte e lirismo.

Boa sorte!



BIBLIOGRAFIA:


BACELLAR, Laura. Como publico minhas poesias? Disponível em: http://www.escrevaseulivro.com.br/escreva/encontre-uma-editora/como-publico-minhas-poesias.html Acesso em: 03.01.2009 14h38




     O texto acima foi encontrado no portal "Escreva seu livro", um site interessante que auxilia o escritor que quer publicar um livro. Entretanto, deparei-me com este texto de mau gosto que comentarei para defender não só a poesia de sempre como o conceito de pluriliterariedade. Comentarei em partes, sendo que os trechos em verde são de Bacellar e os roxos meus.

       
"Recebo muitas críticas a respeito de minha posição sobre poesia. Fico firme nela, achando que nenhum editor pode ser obrigado a ter prejuízo (veja COMO ENCONTRAR UMA EDITORA) só porque há um sem número de poetas desejando um modo de se expressar em público. Ainda assim, apresento a seguir algumas idéias sobre como aumentar a sua chance de divulgar seus textos poéticos."
     A autora alega que os editores não são obrigados a ter prejuízos. Obviamente, todos nós sabemos que poesia é o que menos vende, mas o escritor que intercalar com prosa na sua trajetória literária terá um reconhecimento melhor. Não é apresentada nenhuma ideia e sim imposta uma.

         
 "Poesia costuma ser recusada não só porque não vende, mas também devido à postura dos poetas. Vou comentar o que acho mais problemático.


Muitos escritores talentosos, por exemplo, gastam sua imaginação imitando o estilo de grandes mestres.

Não faça isso!

Nada impede o leitor de comprar os poemas originais de Fernando Pessoa ou Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade ou Florbela Espanca. Os livros desses poetas existem na praça, costumam ser reeditados e apreciados. Imitar o estilo deles é pedir para ser ignorado, porque a maioria das pessoas prefere o original a uma cópia posterior."
  
    Copiar obras e pôr o próprio nome é crime, chama-se plágio, dá cadeia. Quando a escritora diz que "imitar o estilo" é pedir para ser ignorado, penso naquilo que conversei com Nilza Azzi e já expus aqui: o tratamento que os clássicos recebem. Não podemos ver os clássicos como ídolos a serem eternsmente contemplados, reeditados e comercializados, isto seria cair numa banalidade! Por outro lado, há os que julgam os clássicos ultrapassados. A melhor forma de compreender os autores consagrados é buscar sentido em sua obra no hoje e receber suas influências importantíssimas mesmo que isto desagrade modernistas como Bacellar. É importante que os consagrados vivam ainda hoje e tenham discípulos. A maioria das pessoas nem sabem quem é Florbela Espanca ou quaisquer outros citados, culpa do mau ensino da literatura e da péssima visão que estudiosos coomo Bacellar possuem. Além do mais, ao dizer que imitar autores é um pecado é como se estivesse criticando as escritoras que citou, pois Florbela retomou o mal-do-século e o soneto e Cecília recuperou a lírica vaga e musical como os simbolistas faziam.
      
 "Minha sugestão portanto é que você crie um estilo todo seu, parecido com o de ninguém, e insista nele. Diferencial é importantíssimo nessa era de excesso de publicações.

Outra besteira constante, na minha opinião, é poetas recorrerem a temáticas do século XIX, como amor ligado à dor, musas em flor, campos (também em flor!) e outros temas que foram favoritos de românticos tanto tempo atrás.

Por que poesia precisa remeter a um passado distante e bucólico?"


     No trecho acima, Bacellar sugere que os escritores ignorem as influências, maior riqueza literária! Se ela julga "besteira" as temáticas do século XIX, entonces ela deve julgar besteira todas os poetas daquela época
e também os sentimerntos de hoje, uma vez que há temas universais e atemporais.  Não há como criar um estilo só nosso! Diferencial? Ora, se Bacellar critica quem escreve poesia, ela critica Remeter o passado é um direito de qualquer escritor e deve ser respeitado. Do que a poesia é feita? É lirismo, é lembrança, sentimento etc. Há necessidade de que a poesia não seja prática e objetiva, estamos diante de um texto literário e não de um texto meramente informativo.

"Encontre lirismo, beleza, interesse para os sentidos no que existe hoje, no século XXI. Se você escolher assuntos que jamais foram alvo de considerações pelos poetas famosos, como talvez seqüestros ou personagens da Casa dos Artistas ou a televisão ou festas infantis em bufês, aumenta muito sua chance de interessar um editor comercial. Poesia afinal foi criada para nos fazer olhar de modo diferente para o que está em volta, não é mesmo?"
      Como encontrar lirismo se justamente é do lirismo que a pesquisadora quer que nos dispemos? Interesse para o século XXI? há temas que são universais e atemporais como eu já disse e que são rejeitados por Bacellar. A poesia não precisa se secularizar só porque uma crítica literária prefere assistir TV. Que a autora queime os clássicos, eu até compreendo, afinal, é assim que agem os pseudo-escritores. Mas dizer para escrever sobre Casa dos Artistas e outros lixos nada líricos é um ataque ao bom senso e ao bom gosto. Também é relevante ressaltar que contar uma história de sequestro diz respeito ao gênero narrativo e não ao lírico o que demonstra uma falta de domínio do tema por parte da autora da qual constata-se de que ela mesma não consegue ver motivos de lirismo no século XXI. Se poesia foi feita para olhar de modo diferente, por que não aceitar o arcaísmo? O texto se contradiz e ainda traz marcas de preconceito. Os comentários dos leitores que apoiam a autora são terrivelmente destrutivos.


"Quando produzir uma obra, aliás, minha sugestão é que crie um tema condutor que possa atrair a atenção do leitor. Poesias sobre tudo são o mesmo que poesia sobre nada. Escolha explorar vários ângulos -- interessantes, fascinantes, originais, que ninguém tenha feito antes! -- de um mesmo tipo de assunto. Os bufês infantis de meu exemplo anterior podem ser temas áridos, mas talvez não a infância consumista, por exemplo."

    Oras, se um escritor deve escrever apenas sobre um tema, ele que escreva, mas isto ser um dogma é muito ruim. Tivemos escritores que escreveram apenas poesia sacra, por exemplo e foram ótimos poetas. Nunca devemos nos esquecer do baiano Gregório de Mattos que desenvolveu várias vertentes, será que ele escreveu sobre nada? Com certeza, não! Ter várias áreas não foi e nem nuncas será errado. Bufês infantis? Que coisa que esta escritora tem por bufês, por que ao invés de atacar os poetas, ela não cuida da festa de publicação dos livros dos escritores?

"Muitos poetas insistem ainda -- de modo nervoso, irritado -- em querer ser publicados por editoras comerciais quando falam apenas de si mesmos, de suas vidas, sem que nada de muito diferente tenham feito. Ora, sua vida interessa a quem conhece você, quem gosta de você. Se você escreveu algo sem chance de poder encantar a um norueguês daqui a cinqüenta anos, sugiro que parta para a publicação por conta própria.



Divirta-se fazendo uma noite de autógrafos entre seus amigos e parentes, faça o livro que você deseja sem a pretensão de comercializá-lo. Espalhe entre os seus conhecidos um pouco do que você sente, sem desejar o envolvimento da indústria livreira."
   Os escritores que escrevem sobre suas próprias vidas escrevem autobiografias e não poesias. São tipos diferentes de textos. Bacellar também não sabe distinguir autor e eu-lírico. O eu-lírico é a voz que canta na poesia a dor. Vou explicar isto da  melhor forma possível: citando um modernista. "O poeta é um fingidor" (Fernando Pessoa). Quando lemos um soneto sobre dor não quer dizer que o poeta esteja sofrendo. Muitos escritores não agradaram à sua época, mas agradam hoje cfomo ocorreu com Florbela Espanca, citada por Bacellar. O escritor não pode se sentir feliz apenas numa noite de autógrafos, é ridículo e discriminador esta parte do texto, a autora ordena que os verdadeiros poetas devem ficar no anonimato e felizes não pelos escritos, mas sim pela festa, realmente, o texto parece mais uma propaganda de bufê do que de crítica literária. Muitas bandas de rock se originaram assim, são as conhecidas bandas de garagem e o mesmo efeito ocorreu com orquestras e corais que eram de uso exclusivo de igrejas e escolas.

"Sugiro também que considere outras formas de publicação. Não conheço o funcionamento de veículos como cartões postais, cadernos e agendas, mas tenho visto nesses meios, assim como nas músicas, um canal para a expressão de muitos poetas. Caberia pesquisar como estes meios processam a seleção de seus materiais e talvez apresentar-lhes sua obra.


Vejo a música, hoje, como o canal mais poderoso de divulgação da poesia, não os livros. Portanto, quem deseja fazer fama e fortuna com letras tem muito mais possibilidades de encontrar aí, e não no mercado de livros, um canal possível para a sua arte e lirismo.

Boa sorte!"
     A música realmente é uma área para os literatos atuarem, entretanto, já imagino quais são as músicas a que Bacellar se refere. Eis, caros leitores e cara plêiade, um texto que não tem a pretensão de auxiliar o poeta a publicar profissionalmente sim um texto que discrimina os poetas e ofende à poesia retrô. Precisamos vender, mas há de se enjcontrar uma forma de escrever e vender com dignidade. Que esta autora e tantos outros se inspirem em Safo, Cruz e souza, Florbela Espanca, Bilac, Francisca Júlia, Camões etc

sempre seu,
Rommel Werneck

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

MAGNAS EPÍSTOLAS: ABUSOS LITERÁRIOS, POR ROMMEL E NILZA






Nilza diz:

o que seriam abusos?


[c=#400040] L. Rommel [/c] diz:
HUm
vamos lá
no blog poesia retro
acabamos de lançar uma coluna
e eu ficaria honrado se vc participassse
É a coluna de leitores

Nilza diz:
abuso é escrever qualquer coisa e chamar de poesia?
é isso que quer dizer?


Nilza diz:
só que o que eu considero que não é poesia

Nilza diz:
pode ser para vc
isso é complicado



Conversa no MSN ocorrida na noite do dia 29 de dezembro de 2009 entre os sonetistas Nilza Azzi e Rommel Werneck. Segue abaixo a resposta de Rommel. Para quem desejar:


http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=20629


PÁGINA DE NILZA AZZI


http://recantodasletras.uol.com.br/autores/rommelwerneck


PÁGINA DE ROMMEL WERNECK






Cara Nilza Azzi, obrigado por tudo! Obrigado mesmo!




    Você tocou num assunto muito amplo e de extrema importância e tentarei responder de modo conciso e panorâmico para guardar assunto para outras postagens.


    Todos os seres vivos racionais possuem sonhos e crenças, até o mais cético possui algo em que crê. A religião vive do mistério de fé, do sagrado. O ato de banalizar a atmosfera e os elementos sacros é chamado de profanação. Do mesmo modo, o texto literário tem um objetivo, uma base. O padeiro precisa fazer os pães, o professor leciona e o escritor de textos literários escreve textos literários.


     E de que é feito o texto literário? Inicialmente, consiste numa produção artística e sendo assim, visa à própria arte, ou seja, a arte pela arte. Entretanto a "arte pela arte" é um conceito que não pode ser tomado como único, portanto, temos a função secundária da arte: expressar-se, criticar, descrever, fazer apologia, doutrinar, informar etc. Não se pode inverter as funções, a função estética deve ser a principal e primária. Se o texto literário é construído na função conotativa, a objetividade deve passar longe, pois a clareza no texto está na subjetividade, expressão figurada e criatividade. Há muitas poesias, por exemplo, que são despojadas de figuras de linguagem, são diretas demais, perdem o instinto artístico e descem para o texto não-literário. O mesmo ocorre com os outros dois gêneros literários.


     Ninguém tem obrigação de escrever bem, aliás, o ensino atual tem grande culpa, porém o abuso literário surge justamente quando o pseudo-poeta se sente superior a todos e descarta textos realmente literários. Uma experiência que vivi em janeiro de 2008 e já contei para membros aqui do blog: dois cursos na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, biblioteca temática de poesia.


     O primeiro curso foi “Poesia ao rés da rua” ministrado pelo escritor Donizetti Galvão, era sobre poesia urbana, um ótimo curso e um ótimo palestrante, entretanto os comentários de algumas pessoas e dos poetas convidados por ele me chocaram. No dia do sarau, um escritor disse arrogantemente: “Minha poesia não tem virgens e orvalhos”. Que a “poesia” dele não tinha virgens e orvalhos eu bem sabia, porém qual o problema de alguém construir uma POESIA com lirismo, que aliás é o que move a poesia? Perguntei para os poetas quais eram as influências deles e um disse: “Olha, eu não me preocupo muito com isto, aliás, é uma pergunta comum, sempre perguntam isto, sabe? Prefiro falar das influências não-literárias...” E os outros seguiram o mesmo curso. Qual o problema em falar as influências? Isto é, quando as tem, porque aquele escritor não as tinha certamente. E o que responder para aqueles que dizem que tudo já foi escrito e não há mais novidades? Basta lembrar a este ser que o ser humano é (deveria ser) racional e usar a capacidade criadora que é infinita. Isto ocorre também porque tais seres veem os clássicos como ídolos e não como fonte de inspiração. A idéia é que sejamos até melhores que os grandes autores consagrados, não para sermos melhores, mas justamente para honrarmos as lições herdadas deles, mesmo que isto pareça impossível. Escreverei mais sobre o uso dos clássicos.






      Há livros que eu critico mesmo sem ter lido, já que eles nem mesmo conseguem despertar vontade de ler. Estes livros do Dan Brown são assim, só de ver o filme “O Código da Vinci” imagino que o livro seja mais catastrófico ainda. Os livros do autor misturam fato e ficção de um modo exagerado, o que fere o bom senso, além do mais parece que tudo que há no livro é real, mas não é! Na Europa foi necessário abrir um site para mostrar o que é fato e ficção no livro “Anjos e Demônios.” Com tantos ataques à realidade, não podemos chamá-lo de texto literário, mesmo sendo uma obra de gigantesca imaginação e popularidade. Se o autor quer contestar registros históricos e dizer que Cristo e Madalena foram casados, ele que faça isto por meio de uma dissertação e não num texto que deveria ser literário. Há limites que devem ser respeitados. O problema não está na questão que é travada no filme e no livro, mas sim no fato de que uma discussão teológica e eclesiástica ofusca o brilho natural do texto literário, o foco do texto deve estar na ficção, mas não querendo contestar fatos comprovados, para isto existe o texto não-literário...


     Os livros de auto-ajuda seguem por este critério, eu nunca os li, mas já tentei mil vezes, ocorre que o título e a capa do livro detonam o leitor. O título é sempre uma pergunta óbvia como se apresentasse uma solução e a capa ridiculariza o ser humano fazendo com que nos sintamos com 2 anos de idade. Já li páginas de alguns que prometem uma felicidade que não existe. O termo “auto-ajuda” me preocupa já que “auto” significa “eu”, então auto-ajuda consistiria em uma pessoa tentando resolver sua vida sem a intervenção de mais nada, nem mesmo de um livro. Claro que devem existir livros bons neste segmento, porém é necessário ter discernimento para achá-los. Ao invés de ler coisas óbvias que lucram milhões com a desgraça alheia, o leitor pode optar pela literatura clássica. Uma mulher infeliz num namoro pode ler Madame Bovary e Anna Karenina para analisar a questão do casamento. Um rapaz decepcionado com a vida por ler “Os Sofrimentos do jovem Werther”, livro que aliás induziu muitos ao suicídio, porém entra aí um questionamento: quem nos garante que uma poesia sobre suicídio não tem a pretensão de se expressar e assim, consolar o leitor que também se encontra angustiado? A própria literatura, Nilza, já serve para orientar o ser humano. Claro que no ambiente de trabalho ou numa entrevista de emprego toda e qualquer citação destes livros é “proibida”, você diz, por exemplo, que leu José de Alencar e o selecionador julgará que você leu apenas aquilo exigido pela escola decadente. Bons mesmos são os profissionais que lêem coisas atuais para não serem ultrapassados etc etc etc e outros mil conceitos decadentes do mundo empresarial.


Nilza, você deve ter percebido os abusos, há textos, por exemplo, que são comerciais, só existem para vender e ser lidos. Textos que todos os versos são: “eu te amo, eu te amo etc” O grande Gabriel Rübinger e eu colocamos títulos diferentes em nossos textos só para sermos lidos no recanto das letras. Concordo que escritores precisam comer, pagar contas, mas é melhor terminar gloriosamente pobre e inteligente do que ter tanta besteira publicada. Infelizmente, o que acabei de apresentar é apenas uma fatia da enorme pizza de problemas que a literatura enfrenta. Espero ter respondido à sua pergunta apesar de eu ter me estendido demais ou sido conciso exageradamente.


sempre seu,
Rommel Werneck

Poesia Retrô
www.poesiaretro.blogspot.com

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).