Mostrando postagens com marcador GRANDES POETAS ESQUECIDOS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador GRANDES POETAS ESQUECIDOS. Mostrar todas as postagens

domingo, 12 de dezembro de 2010

A PRINCESA DOS POETAS



MAHABARATA



Abre esse grande poema onde a imaginativa
De Vyasa, num fragor ecoante de cascata,
Tantas façanhas conta, e dessa estrênua e diva
Progênie de Pandu tantas glórias relata!



Ora Kansa, a suprema encarnação do Siva,
Ora os suaves perfis de Krichna e de Virata
Perpassam, como heróis, numa onda reversiva,
Nas estrofes caudais do grande Mahabarata.



Olha este incêndio e pasma; aspecto belo e triste!
Caminha agora a passo este deserto areoso...
Por cima o céu imenso onde palpitam sóis...



Corre tudo, ofegante, e, finalmente, assiste
À ascensão de Iudhishthira ao suarga luminoso
E à apoteose final dos últimos heróis.



FRANCISCA JÚLIA


imagem retirada da Wikipédia e editada por mim 

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

DA COSTA E SILVA


 
Verônica

 

O sangue que ilumina o pensamento,
Em forma eterna a vida reproduz;
Assim, a imagem do meu pensamento
Se não em sangue, há de gravar-se em luz.

Então, vereis ao vivo refletida,
Entre uma auréola de esplendor cristão,
A sombra interior da minha vida
A projetar-se do meu coração...

Sob esse aspecto místico e profundo,
Terei a transparência do cristal,
Ampliando a visão múltipla do mundo
Para uma vida sobrenatural.

E o que tenho de humano e de divino
Ante olhares profanos hei de expor,
Nas ascensões e quedas do destino,
Que foram meu Calvário e meu Tabor.

Mas, cauteloso, o espírito tristonho,
Ocultando seu trágico avatar
Sob a névoa translúcida do sonho,
Há de ser como a espuma sobre o mar.

E a luz, que vibra em iris no meu canto,
Revelará, talvez, sem eu querer,
Aos vossos olhos lúcidos de espanto
A beleza intangível do meu ser.
Da Costa e Silva




Paradise Lost

 

Por que me trouxe aqui o meu destino?
Por que de tão longe vim me prender por encanto
A Essa a quem tanto quis, a Essa que me quis tanto,
Que, unidos pela fé, vivemos para o amor?


Por que o lar que se fez, com o divino favor,
Na feliz comunhão de um afeto tão santo,
Num momento fatal de dúvida e de espanto,
A morte vem encher de saudade e de dor?


Por que, se eu tenho fé, se vem fazer, no entanto,
Tua vontade, em vão, contra a minha, Senhor,
Que, resignado e bom, já hei sofrido tanto?


Assim, a interrogar minha esfinge interior,
Ergo ao longínquo azul os meus olhos em pranto,
Ó meu último bem! ó meu único amor!


Da Costa e Silva 

 


Biografia


Antônio Francisco da Costa e Silva nasceu em Amarante, no Piauí, em 29 de novembro de 1885. Formou-se pela Faculdade do Direito do Recife. Foi funcionário do Ministério da Fazenda, tendo ocupado os cargos de Delegado do Tesouro no Maranhão, no Amazonas, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Viveu não só na capitais desses estados, mas também, por mais de uma vez, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Jornalista. Recolheu-se ao silêncio, demente, em 1933. Faleceu em 29 de junho de 1950.

Publicou os seguintes livros de poemas:
Sangue (1908), Zodíaco (1917), Verhaeren (1917), Pandora (1919) e Verônica (1927). Organizou ele próprio uma Antologia de seus versos, cuja primeira edição é de 1934. Posteriormente saíram mais duas edições; a última em 1982. De suas Poesias Completas publicaram-se três edições: em 1950, 1975 e 1985.


Extraído do Jornal da Poesia

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

HAPPY THANKSGIVING DAY

 Tela de Jean Leon Gerome Ferris. Retirado da Wikipédia


Ilustre Plêiade e Leitores,



Esta é uma singela homenagem de nosso blog para nossos vários leitores estadunidenses. A Festa de Ação de Graças ocorre aqui no Brasil na quarta quinta-feira de novembro.  


Pra vocês verem como as coisas são. Eu estava pensando que estava faltando algo para esta postagem. Fui procurar um poema comemorativo e adivinha que acabei de descobrir? 


Mais um célebre poeta do fin-de-siècle brasileiro .  Um soneto em decassílabos heroicos e sáficos!!!


 Mas, caros poetas, Gabriel, Vitor, Hilton & Cia, tem uma parada para resolvermos. 
Eu achei o tal poema no Mundo Jovem da PUC RS
um grupo de jovens onde contribuo com poesias. Paralelamente também o vi no Sonetário Brasileiro. Meninos, há diferença no primeiro verso, enquanto o grupo de jovens registra a palavra "lua", o Sonetário registra como "luar", versão transcrita abaixo, mas o certo é que o pé tá quebrado.
Vamos ter que pesquisar. 



AÇÃO DE GRAÇAS DO POETA



Graças a vós Senhor, pela ventura
De poder isolar-me na Poesia,
Ter nela o alívio à provação mais dura,
E, no Sonho, o meu pão de cada dia.


Sentir albor de luar na noite escura,
Achar descanso e paz na nostalgia
E ver, até no pranto da amargura,
Um consolo vizinho da alegria.


Graças a vós por este dom divino
Que me defende do destino adverso,
Tornando-me senhor do meu destino.


E se em mim próprio, ruge o mal perverso,
Puro, alegre, feliz, o mal domino
E alo-me ao Céu nas asas do meu verso.
 
  

Bastos Tigre 




Desejo a todos os leitores e escritores muita bonança, leituras e inspirações e que continuem maravilhosos como sempre.


Rommel Werneck

MOACIR DE ALMEIDA



Moacir de Almeida


Patrono da cadeira nº 40 da Academia Belo-Horizontina de Letras, segundo Júlio Pinto Gualberto em seu O Gênio Poético de Moacir de Almeida, nasceu Moacir de Almeida no dia 22 de abril de 1902, tendo falecido em 30 de abril de 1925, muito jovem, como se pode notar. Gênio de qualidade singular teve pelo poeta parnasiano Alberto de Oliveira incluso um soneto seu em “Os cem melhores sonetos brasileiros”, tendo constada sua lira em muitas outras antologias. Louvado foi de Agripino Grieco à Catulo da Paixão Cearense, que lhe dedicou versos à beira do túmulo. Assim descreveu-o Agripino Grieco, que privou do contato íntimo com o poeta:

“Pensando em Moacir de Almeida, revejo-o qual tantos anos o vi, com seu ar de eterno convalescente. Talvez houvesse nêle certa inaptidão para a felicidade. Recitando, tinha a voz meio rouca, mas a beleza das cousas que ele celebrava conseguia embelezá-lo, e êle que era magro, comprido, deselegante, sem saúde, sem graça pessoal, sem eloqüência na conversação, transfigurava e prendia quem quer que o ouvisse. Sua face lanhada, torturada, de zigomas salientes, como que se iluminava à irradiação verbal de seu sonho. Ele que, palestrando, pouco entusiasmo patenteava pela vida e às vêzes confessava ter mêdo de tudo e ver tudo envolto na luz de um dia de eclipse, enriquecia-se, ao dizer versos, de mil tesouros ignorados.”

Diz Pádua de Almeida em Algumas Palavras da edição Poesias Completas de Moacir de Almeida, sem data, editora Zélio Valverde, “Moacir está para a amplitude poética naquilo que Augusto dos Anjos está para a profundidade”. Eis os dois sonetos que selecionamos para o querido leitor, mostrando as nuances entre os dois universos em que poeta  gravitava: a dor e o sonho.

***

IX

ESTRÊLA PERDIDA

Em meu olhar, meu coração maldito
Olhava-a; muda e ardente, triste e ardente,
A estrêla de ouro, dolorosamente,
Estendia-me os braços do Infinito.

Mas o sol abatia-me o vôo no poente,
Eu – o amante da estrêla – ávido e aflito,
Erguia os olhos para o azul bendito,
Erguendo os braços para o azul fulgente.

Mas, ai!Nas sombras, a adorada estrêla
Perdeu-se... E nunca mais tornei a vê-la
No coração da noite, a lampejar.

Hoje, torno a encontrá-la – quem diria! –
A iluminar minha aflição doentia
Dentro da noite azul do teu olhar...

In Soluços do Deserto

***

XVIII

NÔMADE

Triste e exhausto, arrastei-me por sombrias
Terras de angústia, aos astros a às tormentas,
Tendo nos olhos as visões violentas
De crucificações e de agonias.

Vales da morte, solidões nevoentas
Do tédio, abismos de paixões doentias,
Enchi de sangue; e fiz, das pedras frias,
Britar estrêlas em caudais sangrentas...

Nômade das paixões desesperadas,
Enchi de sonho todas as estradas
E o amor que todos têm – visão serena,

Que a vida de outros faz florir em chama, –
Só pude ouví-lo em bocas de gangrena,
Só pude tê-lo em corações de lama...

In Gritos Bárbaros

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).