quarta-feira, 24 de novembro de 2010

HAPPY THANKSGIVING DAY

 Tela de Jean Leon Gerome Ferris. Retirado da Wikipédia


Ilustre Plêiade e Leitores,



Esta é uma singela homenagem de nosso blog para nossos vários leitores estadunidenses. A Festa de Ação de Graças ocorre aqui no Brasil na quarta quinta-feira de novembro.  


Pra vocês verem como as coisas são. Eu estava pensando que estava faltando algo para esta postagem. Fui procurar um poema comemorativo e adivinha que acabei de descobrir? 


Mais um célebre poeta do fin-de-siècle brasileiro .  Um soneto em decassílabos heroicos e sáficos!!!


 Mas, caros poetas, Gabriel, Vitor, Hilton & Cia, tem uma parada para resolvermos. 
Eu achei o tal poema no Mundo Jovem da PUC RS
um grupo de jovens onde contribuo com poesias. Paralelamente também o vi no Sonetário Brasileiro. Meninos, há diferença no primeiro verso, enquanto o grupo de jovens registra a palavra "lua", o Sonetário registra como "luar", versão transcrita abaixo, mas o certo é que o pé tá quebrado.
Vamos ter que pesquisar. 



AÇÃO DE GRAÇAS DO POETA



Graças a vós Senhor, pela ventura
De poder isolar-me na Poesia,
Ter nela o alívio à provação mais dura,
E, no Sonho, o meu pão de cada dia.


Sentir albor de luar na noite escura,
Achar descanso e paz na nostalgia
E ver, até no pranto da amargura,
Um consolo vizinho da alegria.


Graças a vós por este dom divino
Que me defende do destino adverso,
Tornando-me senhor do meu destino.


E se em mim próprio, ruge o mal perverso,
Puro, alegre, feliz, o mal domino
E alo-me ao Céu nas asas do meu verso.
 
  

Bastos Tigre 




Desejo a todos os leitores e escritores muita bonança, leituras e inspirações e que continuem maravilhosos como sempre.


Rommel Werneck

10 comentários:

Vitor de Silva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vitor de Silva disse...

Há poetas que leem “lua” como uma única sílaba, sem hiato. Depende do modo da fala ou do jeito de diminuir a quantidade de sílabas. Eu já utilizei este expediente, pois falo “lua” quase sem hiato, assim como “rua”. Já com a adição da consoante “r” o peso da vogal fica maior, daí torna-se necessário o hiato. Nada que impeça a beleza espiritual do soneto. Assim percebi.

Vitor de Silva disse...

Sen/tir/ al/bor/ de/ lu/ar/ na/ noi/te es/cu/ra = hendecassílabo. A tônica vai para a sétima. Há também o costume de interpolar hendecassílabos de sétima com decassílabos, pode ser, pode ser...

L.Rommel Werneck disse...

Que interessante!

Filipe Cavalcante disse...

Ele só "comeu o hiato", leu "luar" como uma sílaba só. "Lua" não pode ser lido como uma sílaba só, se se considerar que o "u" é a vogal da sílaba tônica, "a" nunca pode ser semi-vogal. Mas se lermos o "u" como semi-vogal, temos uma sílaba só e um decassílabo de tônica na 6ª.

L.Rommel Werneck disse...

Na verdade, minha dúvida era mais referente ao fato de que temos vários poemas grafados errados não pelo autor, mas sim por quem copia, reproduz etc

No entanto, é claro que uma questão de métrica também é sublimemente importante.

Realmente, eu li num lugar (não lembro onde) que não pode haver junção de "lua", "rua" por apresentarem encontro vocálico decrescente.

Entretanto, até eu tenho alguns "deslizes" e se o Vitor, a bartira e o povo entende do assunto e acha que não há problema porque o autor pode inovar, quebrar regras, tá certo. hee

O Rübinger é que ebntende desse assunto de alternativas. Vamos chamá-lo.

Gabriel Rübinger disse...

Longe de entender direito disso, Rommel (risos). Minha posição é em parte com Vitor e em parte com Felipe. Para mim ele lê /luar/, ou seja, uma sílaba só, como Felipe disse. E, como Vitor disse, isso depende de quem lê, às vezes é até bom ver isso no contexto histórico. Também acredito que lua pode ser lido em uma sílaba só: /luá/, a sílaba forte indo para o a.

L.Rommel Werneck disse...

hummmm Alguém mais?

Cesar Veneziani disse...

O verso ficou com 11 sílabas sim... Qualquer leitura diferente é "forçação de barra"!

L.Rommel Werneck disse...

Depois eu que sou parnasiano né kkkk

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).