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sexta-feira, 15 de junho de 2012

SOLIDÃO (CANTO REAL)




Na verve solitária do meu brado,
admirava a vida que fugia 
da colina e do Sol amendoado.
Uma luz já bem fraca se extinguia
no meu peito - e hoje posso confessar
que chorei nessa vida mais que um mar.
As visões preparadas no além-ser
fazem noite o andor de perceber
a clausura, tormentos, sensação
de buscar pela vida o amanhecer
e somente encontrar a escuridão.

Como um círio no seu brilho calado,
minh'alma pelo céu tremeluzia
as dúvidas do meu tempo arrancado.
O maná protetor se fez luz fria,
os meus pés já não tem onde pisar,
separou-se na vida o que era par,
e percebo que não posso verter
mais do que já verti nesse sofrer.
Hoje apenas encontro a ingratidão
margeando o caminho, alvorecer,
e somente encontrar a escuridão.

Traz nédia no meu canto malfadado
de poeta em escusas da ardentia,
o meu sonho aos castelos se fez dado
em choupos invernais... A morte abria
as portas da amargura e do pesar,
de quem vou, sem destino, procurar
refúgio - e ninguém pode me atender.
Vendo toda a esperança fenecer
como a folha ao cair da estação,
resplende qual se fosse entardecer
e somente encontrar a escuridão.

Perfura o céu de fumo, estiolado,
as letras, Pentecostes em grafia,
o meu diário azul foi profanado
por almas que meu peito vão sentia,
por beijos que jamais eu pude dar,
por mágoas que cansaram meu olhar.
Era um martírio quando ela, ao volver
o rosto, me fitava - sem saber
da minha esperançosa adoração.
Como se eu a esperasse a resplender,
e somente encontrar a escuridão.
 
É tudo, meu desejo... cor do Fado 
por aquela que o pranto ao céu subia,
qual razão, Deus da Paz, ter alquebrado
o destino que em mãos senti que ia,
em cântaros poder a morte achar
e em sublime sossego repousar.
Como posso seguir, sem conhecer
do mistério profundo que é viver,
do que existe além da compreensão?
Da existência eu espero o anoitecer
e somente encontrar a escuridão. 

Oferta

Ó Deuses! Que eu pudesse o corpo erguer
para as Esferas, onde mora o Ser,
e com ela adormecer na imensidão!  
Que existisse algo mais do que morrer
e somente encontrar a escuridão.


Vitor de Silva e Gabriel Rübinger


tela: Saint Francis in Meditation - Caravaggio

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Bolha de Sabão


Bolha de Sabão


Tristonha, Nina olhava o horizonte,
e lhe queimavam os olhinhos baixos.
" - Qual a tristeza que lhe embaça a vista,
minha querida ?" – perguntava o avô.

"- Ela sumiu, sumiu..."  assim dizia,
com seu olhar deitado no infinito.
E, ao seu lado, seu avô sorria,
pois não sabia a causa da tristeza.

"- O que sumiu? o que lhe fez tão triste?"
"- Foi uma bolha de sabão que eu fiz,
que se estourou..." dizia e lhe doía
saber que ela nunca irá voltar.

"-  Sabe, querida, muitas coisas vão,
e outras surgem tão bonitas quanto;
no mundo tudo tem o seu destino,
e não importa se for bolha ou gente."

"- Mas ela nunca mais verei de novo!
E onde eu procurar não estará..."
"- Não deixe a mágoa castigar-te a alma,
minha menina de olhar tão doce...

O Sol que hoje tão forte se irradia,
pode amanhã se esconder nas nuvens;
e a árvore que hoje está brotando,
logo amanhã repousará na terra."

"- Mas como a vida pode ter seu brilho,
se tudo algum dia tem seu fim?
Por que tudo no mundo é destruído,
se tudo vivo é muito mais bonito?"

 "- Mas nada some e nada aparece,
as coisas se renovam, se transformam;
não desapareceu a sua bolha,
mas só se transformou em outra coisa..."

"- Mas eu queria tê-la para sempre,
como uma borboleta no ar voando...
Tanto sorri por suas belas cores,
e seu voar meio desajeitado..."

"- Minha querida neta, não se esqueça,
que nada é para sempre, e só existe
o tudo no que se sentiu na alma.
Nada é desfeito, nada agarraremos
nas mãos que um dia nós não soltaremos,
é assim comigo, com você, com tudo.
Chorar não mudará, e, na verdade,
a bolha nunca pertenceu a ti." 
Gabriel Rübinger e Vitor de Silva

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Poesia Retrô


Poesia Retrô


Dizem: arcaica, descorada, torta!
Vozes condenam esta musa pura
que se desenha na eternal verdura,
pois a poesia é labirinto e porta.

Ao revelar o dedilhar n´altura,
quando sentimos que a Beleza exorta
todos os tempos, desde a Grécia morta,
arrepiando esta febril procura.

Os velhos Mestres serenando o pranto,
mas se meu verso transtornar o canto,
outro poeta sonhará Orfeu.

A eternidade do teu Manto, avança,
e a nossa lira vai jogando a lança:
Não morre o Verso que jamais morreu!

Vitor de Silva

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Numa Praça


Numa Praça


Numa noite qualquer, tranquila e cinzenta,
o teu vulto sedoso à praça descia,
e por tão desejar a aura que eu via,
mais opalas vertia de luz e tormenta.

Desta brasa acendendo esferas de menta
da tua boca arredia, suspiro se ouvia,
era o doce estalar da estrela alvadia
pelo céu descarnando minhalma friorenta.

Nos serenos, o tempo, a passar lentamente
nesta praça tão calma, a paz delirante,
destrancava o fiar da Lua vidente.

Pois o peito se cega na trama que quer,
"quanto mais se dissipa, mais é cortante",
o perfume carmim daquela mulher...

domingo, 16 de janeiro de 2011

PRIMEIRA CRIAÇÃO COLETIVA DO ANO





O soneto alexandrino foi proposto pelo bardo Vitor de Silva. Com certeza, trata-se de uma forma de mostrar o alexandrino fora de releituras parnasianas provando seu esplendor estético.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Jésus Gonçalves



Jésus Gonçalves

                                                           Minha pequena homenagem

Falar do Mestre quando a mesa cheia
promove ardência nesta fala ou vida;
Leves hosanas quando a dor alteia,
é quem dirá, por meio da descida?

Pois ser cristão na fera então vencida,
pleno de chagas, entre dores. Creia,
Jésus Gonçalves ensinou a lida
que só o Amor nos servirá de ceia.

Apostolado numa cama em chagas,
embora o espírito estivesse às vagas
do Amor eterno consagrado à luz.  

E fez sua musa ir cantar esferas,
todas contentes, belas Primaveras
onde repousam hostes de Jesus.

***

Um pouco sobre o poeta
http://www.jesusgoncalves.org.br/

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).