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domingo, 19 de novembro de 2023

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL ILUSTRA 4 SONETOS (RW) DA II E-ANTOLOGIA DE POESIA RETRÔ

 


Utilizando descrições de imagens, o recurso Microsoft Bing e Open AI produziu quatro imagens que representam quatro sonetos de Rommel Werneck na II E-Antologia de Poesia Retrô (2022).

Os sonetos foram escritos em tetrâmetros de anapestos (3a, 6a, 9a e 12a), o alexandrino em ritmo tenário. Foram escritos originalmente para a referida seleção, mas em breve constituirão um livro. Ortografia adotada: pré 1911. 

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ELLES




A fazenda, o café, plantações de um engenho,
Um perfume do mal scintilava em nitrato,
Circular, curvilineo e global o formato
Das imagens ruraes, um extranho desenho...


Alphabeto de longe incompleto, inexacto,
Deciphral-o tentei em soffrivel empenho
E da torre enxerguei o tamanho ferrenho,
Colossal dimensão, o mysterio no mato...


 Anoitesce... subtil, a esmeraldica ethnia
 Do estrangeiro distante a que cada um dos gryphos
Do navio produz em moderna magia.


 Temporadas atraz e que tempos aquelles!
 Quem teria graphado os pagãos agroglyphos?
 A resposta direi, mas assusta-nos: ELLES! 



ETERNA ESCURIDÃO


                                            “O Sol como se um leito procurasse,
                                               Reduz o ardor da audácia matutina”

                                                                              Carolina Ramos 







Imperando brilhante o solar em alturas,
Na abstinencia excelente e brumal de nebula,
Em ciano o feliz firmamento acumulla
No matiz de piscina as turquesas escuras...


Em crateras de prata o luar congratula,
Os humanos com véu de noitadas futuras...
Em Apolo, Diana as penumbras impuras
Totalmente o recobre e letal ejacula...


Mas, a graça do Sol, totalmente de preto,
Finaliza em questão de certeiro minuto,
Retornando a manhã em cristal de amuleto...


Ao contrário do eclipse instantaneo e enxuto,
No trajeto que tenho ao luar, em duetlo,
Seguirei no negrume infinito do lucto!



AO CALOR DE CHARONTE 







Desmaiei... despertei no navio de um homem.
Que local? Que sombrio o covil no horizonte!
Ao redor, em lazúli, o riacho Acheronte
E desnudo, o rapaz nos contornos no abdomen...

Levantou-me gentil e, no meu desafronte,
Em primeira visão, em ardor, me consomem
As paixões, um amor, os sentidos que somem;
Desmaiei e, de novo, ao calor de Charonte!

Mas, Senhor se me falta a vos dar um centavo,
Um favor: aceitai a viril virgindade
Em amor de um defunto, um inútil escravo

Se aceitardes beijar, lambuzar o consorte,
Viverei no Acheronte em fiel lealdade
Ao calor de Charonte, á nevasca da Morte.



DE MARIA NUNQUAM SATIS 




Apparece em vitraes, em romances, em versos,
E em castelos, jardins, alfarrábios, cavernas,
Na leal Tradição e nas obras modernas,
Na fiel Tradução, a Vulgata em reversos...

Ressurgindo na aurora orações sempiternas,
Soberana em fulgor dos gerais universos,
Esmagando a minguante, a demônios perversos,
Normalmente em azul, em mantilhas supernas.

Às donzelas do véu do martirio vermelho,
Aos cruzados mortais na Santissima Guerra,
Um modelo exemplar, o bondoso conselho;

Mas ainda que muito appareça brilhante,
Coroada no Céo, coroada na Terra,
De Maria jamais se falou o bastante...


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

Alexandrino Anapéstico


 

PESANDO O CORAÇÃO

 

 

Em contorno o kajal nos olhares sinistros

De figuras sacrais em perfil, a que admiro,

Pardacento e dourado o lugar no papiro

Às castiças canções nos satânicos sistros.

 

Sem remorso, o chacal, divindade e vampiro,

Um sorriso me lança, em sinal, aos ministros

Pesarão um penacho, as ações, os registros

Na balança de prata em perfil, a que miro.

 


Brevemente sonhei: e na próxima vida?

Faraó? Samurai? E bilhões de tesouros?

Uns donzéis num harém de Sodoma perdida?


 

Mas a Anúbis retorno, à saleta sangrenta;

E, na dor, na saliva ascendente de agouros,

A balança o cruel coração arrebenta!

          

ROMMEL WERNECK 


2022

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Um poema de Horácio Cândido

 




Teus pés são serafins que dançam nos compassos

Da orquestra das paixões, dos sonhos, dos abraços

Que ressoa no céu, de azul peninsular,

Cuja brilhante luz imita o teu olhar.

Nem telas de um Boucher, ou versos de um Oreste

Conseguem descrever o teu olhar celeste

E da boca o rubor, tão doce quanto frágil,

Supera até o pincel do mestre Caravaggio!

Por que, belle petite, este fulgor tristonho

Que vejo em teu olhar, na rua ou mesmo em sonho

Se és deste mundo a mais estonteante flor,

A musa pela qual suspira o infante Amor?

Quem a ti não compôs os mais sublimes versos –

Por ti a escrevinhar os cantos mais diversos –

E quem nunca, por vez, numa vertigem louca,

Beijando uma mulher – fingiu beijar-te a boca?

Filha da mãe do Amor, por que tu ainda insistes

Em sozinha ficar nas tuas horas tristes

Sem ter nem o prazer, nem mesmo a companhia

Dos afagos febris, tão cheios de poesia

Que dão-te, à morna luz das solidões secretas,

Os árduos corações de amorosos poetas

Que deliram por ti, vivendo em torno a ti

Tal como ao girassol o doce colibri?

Ao menos dispersai, do teu belo semblante,

As nuvens de amargor, e põe-te radiante

Como merece estar, com olhos mui serenos,

Tua imagem fiel da própria deusa Vênus,

Que tanto me inspirou, ó milagre divino, Este humilde louvor de verso alexandrino! Horácio Cândido

Paulo Lucas Fares

Recife – PE

Endereço do instagram: https://www.instagram.com/paulolucasfares/



Nascido em 25 de fevereiro de 1999, Paulo Lucas Fares é filho de uma professora de literatura e um apaixonado pela arte da escrita. Atualmente cursa Letras na Universidade Federal de Pernambuco e escreve para revistas digitais e antologias.

domingo, 24 de julho de 2011

Náufrago...

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Vivo e ainda tão só, restrito ao leito pobre,
Basta à minh’alma a calma e o fim do velho pranto
Tão decadente, eu sei, e enfim soltando o canto
Nessa sinestesia o atrito de água e cobre...

E posto que eu houvesse escrito em ouro nobre
As letras de um poema assim em desencanto,
O vosso olhar que é puro e em mim um acalanto
Jamais veria a dor ou grito, ânimo dobre...

Quase logrei cessar tristeza, algoz terrível,
Mas não vi força em meu ser frágil, quase morto.
Toda uma vida aquém do adágio ‘rei deposto’...

Além da linda e vã destreza em ser passível
De ter ness’arte audaz pureza e ainda absorto
Por vossa ausência vil: naufrágio em vosso gosto.

Ronaldo Rhusso

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).