quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O Velho

Na hora do horror, sempre o mesmo pavor 
Na aflição da pena, de cuja dor teima
Fazer seu poema na sina que reina,
Palavras no peito, machucam de um jeito

Que fico arrasado, e o silêncio de um lado...
Ninguém me diz nada e minha alma prostrada
Querendo um amigo, a mim, só, me digo:
De noite o acoite, chicote e foice,



De diabo, o diabo, em mim já não caibo.
De tanto vazio, secou-se meu rio,
O verbo de um velho num tempo amarelo,

Na onda do vinho, surfando sozinho;
Não sei se covarde; se fui, já é tarde,
Só resta os espinhos dos duros caminhos.

                                 José Edward Guedes
                                 www.opassarinhodoidao.blogspot.com


Nota do Editor:

Receber este soneto com rimas internas é uma honra para o Poesia Retrô pois é mais uma forma de mostrar o que tenho constantemente falado: estudo de possibilidades.

Rommel Werneck
                               

2 comentários:

Renan Tempest disse...

Puxa, que soneto belo! Originalíssimo!

Febo Vitoriano disse...

Lindo né?

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).