quinta-feira, 3 de novembro de 2011

LAMENTOS INDÍGENAS




I

Primeiro nos tomaram nosso chão,
Depois de tantas lutas, de sevícias,
De sangue derramado por milícias
Nos pantanais, cerrados e sertão.

Estavam construindo uma Nação
Erguida co’s esteios das sordícias!
Com falsos brindes! Álcool! E malícias!
E tudo se repete, desde então.

Tiraram todo o ouro das jazidas,
Agora querem as águas, querem os rios,
Que sempre foram livres, corredios!

Agora querem o pouco que nos resta,
Como se vê! E a história sempre atesta,
Não basta o que tiraram! Terras! Vidas!

II

E foram tantas mortes! Vis chacinas!
Em nome do Progresso, Cruz e Espada,
A América invadida e ensangüentada,
Por mãos tão torpes, duras, assassinas!

Violentadas mães! Avós! Meninas!
Depois de muita guerra e luta armada
De muitos povos nem restou mais nada,
E tudo terminou em mãos sovinas.

A oferta da bebida - grande arma –
A espada, o vírus! Espelhos! Sedução!
O fim de tantos sonhos, tantos povos!

E os novos invasores! Quem desarma?
Quem vai conter agora a dura mão?
E dar à história rumos outros? Novos!

3 comentários:

luadecristal disse...

como é possivel seres ditos humanos humilhares destruires os seus proprios irmãos, ninguem é superior a ninguem quando vamos entender isso
bjs

Cacá - José Cláudio disse...

Quem consegue deter a fúria humana (quase selvagem) por dominação é tão somente um povo unido, altivo e orgulhoso de sua identidade.

Que poema lindo, Zélia!

Meu abraço e muito obrigado pelo carinho e solidariedade comigo nesses dias tão difíceis. Paz e bem.

LUZ disse...

Bom dia Edir,

Visualizei seu blog de alto a baixo, para me pronunciar com verdade.
Você escreve muito bem! Já é mestre!
Adorei seus poemas e as líndissimas imagens, que os encimam.
tem sensibilidade e sabe fazer um jogo sedutor
com as palavras.
Nesse seu poema, crítoca política e social, você descreve uma realidade dura e cua, mas verdadeira, sofrida, sentida.
A História nunca se repete da mesma maneira, e novos rumos vão, sempre, surgindo.
O mundo de hoje, não é o da "Idade das Trevas".
Tenha fé e esperança no amanhã.

Abraços de luz.

afectoecumplicidades.blogspot.com

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).