Mostrando postagens com marcador DECASSÍLABO HERÓICO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador DECASSÍLABO HERÓICO. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de julho de 2012

SÁFICO + HEROICO!




http://manlyskills.files.wordpress.com/2012/06/man-praying.jpg

  PUDOR


Tens as virtudes que bem tive outrora:
Pudor, modéstia, retidão, aurora.
Joias humildes do rapaz que ora
Um bel-prazer casto, a riqueza honesta.
Mas após conhecer-te, abriu-se a fresta
De luxúria, atributo do Inimigo.
Vou perdendo nos meus sonhos contigo
A tão pouca decência que me resta!


Rommel Werneck



NOTAS:



1. Os quatro primeiros versos seguem uma linha de raciocínio, portanto decassílabo sáfico (4a e 8a e 10a) ao passo que os outros versos estão em martelo (3a, 6a e 10a)

2. Amor não precisa ser clichê, o mesmo válido para conflito interno religioso... Fujamos do óbvio.

3.  Vamos tentar construir poemas em formas livres mas em isométricos e rimas. #estudodepossibilidades.

sábado, 5 de maio de 2012

A UM EFEBO


Efebo de clâmide



A UM EFEBO


Já não és mais imberbe, velho efebo!
Cresceram enfim teus pêlos, teus músculos
E, afogado nos teus alvos crepúsculos,
Contemplo tuas novas formas, Febo!


Muda teu rosto, olhar em que percebo
Que me rejeitas; ó teus vis escrúpulos,
Adolescente, afundam-me em minúsculos
Locais, pois eu virei pobre mancebo.


Fez-te mais belo ainda a Mãe Beleza
E a mim a infância deu com forte horror!
Não te iludas jamais co’a tal nobreza


Pois a beleza não mostrará cor,
Na marcha do mau tempo só vileza:
Sombras e luzes sobre ruga e dor.


Rommel Werneck

 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Estréia de Mateus Gonzalez de Freitas no Poesia Retrô





Soneto


Pelo quebranto atroz dos imortais
Veio o silente Chronos cá buscar-te. ¹
Do desejar me vou para onde vais,
Vendo-te estar comigo em toda parte.


Vi-te partir, silente, pelo cais
Presa a Caronte, presa às mãos Marte. ² ³
Longe de ver-te, quis-te assim bem mais;
Louco de angústia, eu pus-me a procurar-te.


Mi ritrovai per una selva oscura 4
Preso a distante e lôbrega quimera
Que trouxe o vil Virgílio em cruel desdita. 5


É longa a estrada... Some-te a figura
Em meio à névoa lúgubre que impera
Nel mezzo del cammin di nostra vita. 6  7



 Mateus Gonzalez de Freitas



¹ Chronos: Deus grego do Tempo, o qual gerou a si mesmo e de onde provieram os deuses seguintes. Muitas vezes confundido com o titã Cronos.
² Caronte:  Segundo a mitologia grega, barqueiro que leva as almas dos recém-mortos para o submundo. Alguns heróis podem voltar do mundo dos mortos através de sua barca.
³ Marte: Deus grego da guerra violenta e sanguinária. O trecho é confuso, a provável ideia a se transmitir é que a mulher lhe fora levada “brutalmente”, como que pelas “mãos de Marte”.
4 Mi ritrovai per una selva oscura: “Achei-me numa selva tenebrosa”. Segundo verso do capítulo “Inferno” da Divina comédia, de Dante Alighieri.
Virgílio: Poeta romano, conhecido pela epopeia Eneiada. Dante Alighieri, em sua obra, a Divina Comédia, faz menção ao poeta, como quem guiaria pelo Inferno, junto a Beatriz, que o guiaria ao Paraíso.
         6   Nel mezzo del cammin di nostra vita:  “De nossa vida, em meio da jornada”. Primeiro verso que abre o capítulo “Inferno” da Divina Comédia.
7 A poesia é completamente intertextual. O autor se utiliza da citação da viagem de Dante para exprimir o sentido de distância entre si e sua amada, como se nota na primeira estrofe. A brutalidade e ferocidade com que o poeta é distanciado de sua amada lhe fazem citar Chronos e Marte. Estes, juntos ao já mencionado Caronte, fazem referências à antiguidade clássica (marco parnasiano), à qual se refere também Dante em sua epopeia. O uso das citações e versos em italiano recria mais a atmosfera clássica e intertextual (Canto I, Divina Comédia).


quarta-feira, 18 de abril de 2012

... ET IN PÚLVEREM REVERTÉRIS





Meménto homo, quia pulvis es, et in púlverem revertéris.”
Missa de Quarta-Feira de Cinzas



Depois da orgia estava embalsamado
Entre rubros lençóis o efebo só.
Nos seus sonhos estava ali deitado
À rigidez da carne, ao brilho em pó.


A carne nua em brilho de brocado
Era beleza simples e sem dó
Fisgava o sábio grego apaixonado
P’ra tatear de novo a carne, o pó...


Que corpo glacial! De luz, dormente...
E que sangue nobre! Pálido rubor...
E, pondo as mãos no peito intensamente


Do lívido rapaz dos cemitérios
Já não tinha na Terra mais fulgor...
Era agora um deus grego em céus etéreos...



Rommel Werneck
Enviado por Rommel Werneck em 18/04/2012
Código do texto: T3619124
 Escrito em 2011

                                                                

domingo, 8 de abril de 2012

Soneto marginal retrô








GAROTO DE ALUGUEL



E esta boca com gosto de cigarro?
E este batom com cheiro de motel?
Tudo isto que parece ser bizarro
É na verdade o mais florido céu!


E estas costas repletas de água e barro?
E este peito tão áspero e cruel?
Eu vomito aguardente de catarro
Com meu simples garoto de aluguel...



E este coração tão seco e tão duro?
Que nem mesmo respira, pulsa ou bate
Que mais parece caixa de amianto?!


E este puto com cara de anjo e santo
Que na esquina, na vida, no combate
Enfrenta novamente seu futuro?


Rommel  Werneck 


NOTAS:
1- Soneto em decassílabos heroicos sob inspiração baudeleriana. Um soneto marginal, porém na poesia de sempre, isto é estudar possibilidades...


domingo, 29 de janeiro de 2012

Réquiem d'Outono

Dos galhos, desprendidas pelos ventos
Caem as mortas folhas pelo chão,
Esparsas aos beirais dos calçamentos,
Nesse farfalhejar de solidão...

Dos campanários soam os mementos,
— Sinos a badalar em oração —
Em ressonâncias pelos firmamentos
A cadenciarem tal composição.

Nas curvas desses arcos ogivais
Mussitam os suspiros tão sacrais,
Dos sinos encerrando mais um dia...

E vejo os secos galhos se entrezando
Em devoção, e as árvores rezando,
Nesta hora divinal d'Ave-Maria!

Derek Soares Castro

sábado, 7 de maio de 2011

ÂNGELUS


Ângelus

Nestas seis horas, já plangem os sinos,
Badalando dos altos campanários,
Sons de réquiens, sacros e diários,
Longemente a ecoarem, tão mofinos.

Oscilam os badalos solitários,
Éreos, tão modulados e lustrinos;
Ai! Como choram todos esses sinos!
Esses mementos, trenos, centenários...

Dobram-se melancólicos, vibrantes,
Tangendo os bronzes, duros, rutilantes,
A ressoarem nítidos, divinos!...

E nessa badalada triste e calma,
Pareço sentir dentro da minh'alma,
O prantear de todos esses sinos!

Derek Soares Castro

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).