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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Pra sempre...


Dizei senhora minha dos enfados
que rondam vossa alma e a entristecem!
Dizei de sonhos belos que fenecem
em anos, vossos, tenros, desejados!

Bebei desses meus versos dedicados
àquela por quem anjos enlouquecem
e céleres à Terra, lindos, descem;
protegem-na, meninos animados...

À beira mar a tez vossa rebrilha!
A areia geme sob o vosso andar
e as ondas vêm a praia vos beijar...

Senhora minha sois a maravilha!
Ao vosso olhar meu sangue assaz fervilha!
Deseja ao vosso sangue se juntar...


Ronaldo Rhusso

terça-feira, 24 de abril de 2012

AMAR

Amar é ver estrelas sem ver céu,
 pisar no etéreo véu das mil quimeras, 
sentindo a luz d’eternas primaveras 
ser prisioneiro, sem ter sido réu.


 É cavalgar no lombo d’um corcel 
no chão das ilusões. Sentir, deveras, 
a força da poesia d’outras eras
 na voz do medievo menestrel... 


 Viver sentindo n’alma o mundo inteiro, 
ser barco em alto mar, sem ter barqueiro
 e mergulhar no mar, sem peias, medos. 


 Planar feito uma garça pantaneira, 
deixar-se ir ao léu, sem eira ou beira, 
pisando as finas farpas dos penedos.

terça-feira, 27 de março de 2012

SÚPLICA D’AMOR



Depois? Depois não sei! Hão de passar os dias
e o tempo me dirá e nos dirá a vida
se o sonho que sonhei - de amor, por ti, perdida –
transformará em dor as minhas alegrias.

Não sei! Depois não sei... E nem darei guarida
à dúvida cruel, fonte de covardias,
pois hoje quero a luz, desejo as calmarias
dos belos arrebóis e a paz neles contida.

Não me perguntes, não, o que virá depois.
Por que me perguntar? Isso não faz sentido!
Ai! Deixa-me te amar sem nada perguntar,

sem nada a me tolher. Quero sentir nós dois,
viver esta paixão que nunca hei vivido.
Depois?!Eu não sei, não, se vou sorrir, chorar.

quinta-feira, 8 de março de 2012

SÚPLICA



Ó, Vênus, que me habita e reina em minhas águas,
diamantinas águas - sonhos meus fluídos –
Senhora dos amores dentro em mim contidos
fontes de meu penar, de mil prazeres, mágoas...

Ó, protetora luz do amor e dos amantes,
com tua força e lume da Crescente Lua,
vem, e ilumina a mim e a minha alma nua,
pois ora estou amando e muito mais que antes.

D’orvalho, as gotas, não rolem em minha face,
diamantinas gotas – filhas de meu pranto –
e não devore o amor, a vida, que é vorace.

Nem morra a força fluída desse meu encanto,
que eu transpire o amor por onde quer que eu passe,
e que m’ encubra sempre seu divino manto.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012


Alhures...

Terá sido uma vírgula em meu caso
De amor com essa santa que me atura?
Terá sido uma pausa, ainda que dura,
Ou do caso chegou o triste ocaso? 

Fecho os olhos e, eis, sinto pelo atraso
Que me fez ressentir por uma cura
Que me socorra em hora, assim, obscura
Em que sinto o viver tão pobre, raso...

Prenda minha, onde errei sei, com certeza,
E me atenho a sorver dor merecida.
Oh! Perdoa a minh’alma ensandecida!

Sinto em mim esvair-se em correnteza
A alegria de dantes, fortaleza
Na vida minha, sempre em ti mantida.

Ronaldo Rhusso

sábado, 30 de abril de 2011

SÓ QUEM AMOU...



Só quem amou demais conhece as dores
Que sangram dentro d’alma noite e dia,
Deixando-a tão dorida, assim sombria
Replena de suspiros, de temores...

Conhece dessas dores quem amou,
E fez do seu amor um sonho terno,
Trazendo no seu imo dom superno,
E sem receios, medo, se entregou...

Quem nada viu de falso ou de maldade,
E acreditou em tudo ser verdade,
Conhece d’amargura as frias teias...

Só quem amou sem ter limites, peias,
Sentindo grã furor em suas veias,
Pode entender a dor d’uma saudade.

terça-feira, 12 de abril de 2011

ONÍRICA QUIMERA


Olhando nos teus olhos nada falo...
Neles eu vejo luzes, mil estrelas,
Não há sinais de mágoas, de procelas,
E emocionada, sem querer, me calo...

O sonho teu quisera eu sonhá-lo,
Estando junto a ti, à luz de velas,
E tendo estrelas como sentinelas,
Do corpo teu sentindo o doce embalo.

Na íris de teus olhos eu me vejo
Como se fora velho realejo
A confessar desejos que são meus...

Quisera ter-te sempre em minha vida!
Quisera a plenitude da acolhida...
E ser teus sonhos! Luz dos olhos teus!

segunda-feira, 28 de março de 2011

AH! SE EU PUDERA!



Ah!Se eu pudera ter-te agora junto a mim,
E acalantar com meus carinhos teu enfado,
E esvoaçar nos braços teus, ó meu amado,
Contigo iria aos céus do amor até o fim...

Quisera ter-te sem pudor, abandonado,
Entre os meus braços, meus lençóis de cor carmim!
Seria eu bem mais feliz se fora assim,
O meu viver seria mais iluminado...

Ah! Se eu pudera meu amado querubim
Roubar-te-ia, sem pensar, um beijo ousado,
E sonharia o sonho teu, o mais dourado!
Morrer-me-ia, sem pensar, por ti, enfim...

Mas tu a mim nem vês... Nem ouves meus clamores...
Enquanto aqui me morro pelos teus amores!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

OH! DEIXEM-ME VIVER!




Oh!Deixem-me viver paixões diversas!
De suas chamas, quero todo o lume,
Também luxúrias, mesmo controversas
Daquelas que se vão com seu perfume...

Oh! Paixões! Mesmo que das mais adversas!
Que sejam etéreas, como é costume,
Que deixem sempre as marcas mais perversas...
Vivê-las, quero, antes que me escume...

Que sejam ais, quimeras, só loucuras...
Vivê-las quero sim! Eu quero, enfim,
Arder nas suas chamas venturosas...

Paixões eu quero ter, sem dó, censuras,
Mesmo que sejam fados, tenham fim,
como na praia as bolhas espumosas!

sábado, 29 de janeiro de 2011

ALCOVA D'AMOR!



Na amena luz do espaço, teu perfume,
Retido está na alcova em desalinho,
Nos meus lençóis, o cálido carinho
E em cada canto o lânguido queixume!

De nosso idílio tudo se presume,
Terna presença assim no nosso ninho,
E por amor no corpo teu me aninho
No teu regaço, entregue ao nosso ardume!

Desse teu cheiro doce de açucena
Eu sou cativa dócil! E amo tanto
A tua tez macia e mui morena!

Em nosso quarto, preso em cada canto,
O cheiro teu, que é puro e que envenena
Este meu ser, perdido nesse encanto!

Este foi um dos meus primeiros sonetos

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

TEUS OLHINHOS



Os teus olhinhos mais parecem duas luas
A iluminar os meus caminhos, minhas noites,
E com seus raios, que são belos, são afoites,
Tangendo vão as minhas carnes mornas, nuas!

Teus dois olhinhos mais parecem pirilampos
A reluzir nas minhas noites mais escuras,
Embora mudos vão fazendo tantas juras,
E vão voando, bem alegres, nos meus campos!

E curam, teus olhinhos, minhas tristes dores,
Transformam em vinho tinto minha ira e fel,
Trazendo paz e luz aos meus tristonhos dias...

Esses olhinhos teus, tais quais dois beija-flores,
Penetram no meu ser e sorvem do meu mel
Deixando em mim amor, esporos de poesia!

sábado, 27 de novembro de 2010

LACRIMOSA

Eu sinto lá no imo dor ingente,
A latejar, pulsante, como a chama
Vivaz, ardente e flébil, qual a flama
Que dentro d’alma só quem ama sente!

E sente tal tristeza só quem ama,
E seu amor se vai, se torna ausente,
Embora sinta em si amor ardente,
Não pode mais cerzir a velha trama...

A vida então se torna triste drama,
Estar distante estando tão presente,
Ainda que ausente se aparente,
Tal como a brisa que balança a rama...

O amor é como a vela lacrimosa
Que a chama ardente mata, caprichosa!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

COISAS DO CORAÇÃO


- “Coisas do coração” – Assim me dizes...
Assim traduzes minhas mágoas, dores
Que deixam n’alma tantas cicatrizes,
Levando desta vida seus dulçores...

- “Coisas do coração, dos teus verdores”...
E assim disfarças todos teus deslizes,
Mas nossos dias já não são felizes
E vão morrendo em mim os meus fulgores.

Tu nem percebes que me vou aos poucos,
Que agoniza dentro em mim o amor,
O mesmo amor que já foi teu um dia...

- “Coisas do coração! Ciúmes loucos!”
Se ouvisses meus queixumes, meu clamor,
Até o fim da vida amar-te-ia...

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).