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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

LAMENTOS INDÍGENAS




I

Primeiro nos tomaram nosso chão,
Depois de tantas lutas, de sevícias,
De sangue derramado por milícias
Nos pantanais, cerrados e sertão.

Estavam construindo uma Nação
Erguida co’s esteios das sordícias!
Com falsos brindes! Álcool! E malícias!
E tudo se repete, desde então.

Tiraram todo o ouro das jazidas,
Agora querem as águas, querem os rios,
Que sempre foram livres, corredios!

Agora querem o pouco que nos resta,
Como se vê! E a história sempre atesta,
Não basta o que tiraram! Terras! Vidas!

II

E foram tantas mortes! Vis chacinas!
Em nome do Progresso, Cruz e Espada,
A América invadida e ensangüentada,
Por mãos tão torpes, duras, assassinas!

Violentadas mães! Avós! Meninas!
Depois de muita guerra e luta armada
De muitos povos nem restou mais nada,
E tudo terminou em mãos sovinas.

A oferta da bebida - grande arma –
A espada, o vírus! Espelhos! Sedução!
O fim de tantos sonhos, tantos povos!

E os novos invasores! Quem desarma?
Quem vai conter agora a dura mão?
E dar à história rumos outros? Novos!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

SONETO INDIANISTA (II) - Roleta Russa

Um sentimento plúmbeo trás no peito,

Que marca o seu semblante macilento,

Um pranto que não sabe o que é alento

Um mundo sem porvir! Pequeno! Estreito!

*

Não tem mais nesta terra um só ancestre,

pois todos foram mortos por mercantes,

seu mundo já não é tal qual o d'antes

Co's coloridos tons do ser silvestre...

*

Regozijar-se já não pode mais,

pois já perdeu a vida seus sentidos,

A paz que havia em outros tempos idos...

*

Oh!Deus! Oh! Deuses! Almas ancestrais!

Por que seguir sofrendo mais e mais,

vivendo a triste sorte dos vencidos?


ENCANTOS DO ARAGUAIA


Na merencória tarde que desmaia
Pálida e triste, com cinéreo véu,
Por trás da chuva fina vão, ao léu,
Gaivotas das planuras do Araguaia....

Ao longe o triste grito da jandaia,
Da arara azul, que faz grande escarcéu,
As garças que depressa cortam o céu,
Buscando por seus ninhos deixam a praia...

Abaixo, onde o rio serpenteia,
Ecoa o sacro canto Xambioá,
Saudando o novo ciclo, que é de cheia!

Oh! Araguaia! Índios Karajá!
Aruanã no centro lá da aldeia...
Beleza igual por certo que não há!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

CONQUISTA DA AMÉRICA


E foi assim que tudo teve início!
O sórdido presente! O gesto! O agrado!
E o espaço, pela cruz, foi consagrado,
Com falsa paz! Com falso armistício!

A faca, o espelho, a oferta do machado,
Em nome da amizade, benefício,
O brinde, que ofertado, trouxe o vício...
O território logo conquistado!

Com sangue se lavou toda essa terra!
E proclamada foi a “Santa Guerra”,
Que logo se espalhou pelos espaços...

América indígena! Que sorte!
O espelho se quebrou de sul a norte,
Restando pelo chão seus estilhaços!

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).