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domingo, 31 de outubro de 2010

Canção do Viajante


Tenho uma lembrança vaga
Das vagas de minha terra,
Onde o campo é todo verde
E o mar de um verde azul,
Onde o sabiá canta no norte
E a neve cai aqui no sul.
Os rios são córregos de leite,
As estrelas botões abertas no céu.
Mais vindouros os nossos sonhos
Quando na boca o gosto do mel.
A flor desabrocha dentro do vale,
Deixando na relva o perfume
Como o vento que dobrou o caule
Causando na flor um queixume.
O viajante sobe sobre as dunas,
O céu é celeste e todo lavado
De uma chuva vinda da montanha
Que cai também sobre o prado.
Tenho uma lembrança vaga
Das vagas de minha terra,
Onde o campo é todo verde
E o mar de um verde azul,
Onde o sabiá canta no norte
E a neve cai aqui no sul.

Alves Rosa

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A Lira Maldita



Roubei de um tísico vendedor de rosas
O perfume para fazer a minha prosa,
Que anda gasta por essas ruelas,
Onde ando a ver fechadas janelas.

Eu maldigo mais que um mendigo,
Como um jovem maldito e santo,
Que em orquestra de sapos canta:
Sobre a mesa o podre fruto.

De uma laranjeira que está morta,
Onde estão no chão as laranjas.
Pois um novo estilo e com franjas
Prefere um pequeno pé de bergamota.

E sigo eu com minha lira desafinada
A procurar palavras mais agudas.
Então encontro em uma cesta uma agulha
E uma camisa de algodão.

ALVES ROSA

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Uma Dama



É meiga de uma dama a figura,
As claras tem do lírio a brancura,
E as morenas têm a cor da terra.
Cada uma delas um segredo encerra.
Os cabelos são coroas de perfume,
Depois de com lavanda ser lavados,
Sempre causando queixumes,
Mas sempre bem penteados.

Seus dois seios são dois montes,
Fonte de leite e de prazer,
Comparo-os com duas maçãs,
Colhidas ao amanhecer.
Sua pele é por cima tão formosa,
Macias como folhas de uma rosa.
É mesmo meiga de uma dama a figura,
Que causa aos homens, amor e loucura.

ALVES ROSA

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Fagulhas de Fogo



As fagulhas de fogo no ar crispavam,
Do fumo do velho vendedor de tabaco.
Os seus dedos eram  amarelados e concisos,
Mercador de vícios dos fortes e fracos.

Havia fumo nas prateleiras em rolos torrados,
Fumo perfumado para os audazes cachimbos.
Dos dedos dele subia uma cortina de fumaça,
A loja era de longe um antigo limbo.

No balcão também havia alguns charutos,
Para os senhores de sentimentos mais brutos,
E para as senhoras as compridas cigarrilhas.

Pequenas caixas de fósforos também a venda.
O ar pousava nos assentos com melancolia,
Nas portas abertas e arfantes da tabacaria.

ALVES ROSA

O Bebedor de Absinto



Uma lua branca na noite negra,
A se erguer neste pasmado painel.
Só as coisas estão a minha volta,
A terra é o inferno que chamam de céu.

Sozinho eu bebo o meu verde absinto.
Mentira é dizer que eu não minto,
Já a imaginar enormes torres de ferro,
Escrevo como quem tem febre.

Em cima da mesa está o preto tinteiro,
E a janela está aberta para a rua.
Em sonhos bêbados vejo uma virgem nua,
E ela corre entre os coqueiros.

Sou bebedor de absinto há tempos,
Há tempos a minha lira só sabe delírios,
Como quem vê as cores nos ventos,
Ou como quem come uma flor de lírio.

ALVES ROSA

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).