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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

NUM DIA EM QUE SE ACHOU MAIS PACHORRENTO

Sou Filipe Rodrigues Cavalcante,
nasci em Santa Inês do Maranhão.
Desde pequeno leio de montão,
tanto que nunca fui interessante.

O meu vestibular foi empolgante.
Passei para Direito, e a louvação
foi tanta que perderam a noção
de por que é que o meu curso é importante.

Mas apesar do status que eu não quis,
e que só tenho longe dos juristas,
tô mais pra literato, mas feliz.

Eu creio em Deus e nas virtudes finas,
não sou de todo mal às minhas vistas.
No entanto não me enxergam as meninas.


F.C.

domingo, 14 de agosto de 2011

TRECHO DE UMA EPOPEIA INACABADA

De Oeiras, então capital da província do Piauí, saiu a tropa do capitão Fidié para dominar o levante da Vila de Parnaíba
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(...)
Enfim chegou o dia em que o preparo
das armas e soldados terminou.
Saindo à rua, o capitão preclaro
à praça da cidade caminhou.
Dia festivo, o céu estava claro,
o sol bem vivo, aves a voar. Notou
parecer que a natura se alegrava
com a missão que o capitão tomava.

Tanta era a tropa que encontrou na praça
que já tomava muitas das vielas.
Tantos soldados vieram, que se faça
a guerra à Parnaíba e contra aquelas
que aderirem à causa da ameaça.
Fidié vê-lhes as faces, e vê nelas
a sede, a ânsia de lutas que se encerra
nos olhos de soldados indo à guerra.

Em redor, das janelas dos sobrados,
apinhada nas árvores, nas ruas,
para ver a partida dos soldados
se amontoava a multidão. Das suas
saídas em campanha pra os armados
conflitos com franceses, lutas cruas,
o capitão lembrava-se, contente
de servir sua terra novamente.

Os homens, todos postos em sentido,
traziam uns mosquete, outros fuzil,
baioneta acoplada. Protegido
vai o carregamento, de armas mil
e munições pro cerco abastecido.
E ao fim trazem o trunfo seu hostil:
alguns canhões, que a tudo venceriam
e a que inimigos não derrubariam.

Muitas mulheres, viu Fidié, rezavam
a Santo Antônio, o santo português,
que olhasse e protegesse quem amavam –
irmãos, esposos – e que desse a vez
de reprimir a ofensa; que esperavam
que os seus voltassem bem, sendo das leis
de Portugal os braços defensores,
vitoriosos sobre os vis traidores.


O capitão falou: “Soldados, a hora
chegou. Marchemos rumo à vila
corruptora a que ireis vós agora
tomar. Ela não pode estar tranquila.
Por Portugal, homens, vamos embora.”
A tropa então saiu, marchando em fila,
atrás do capitão na montaria,
soaram passos, troou cavalaria.
(...)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

PAGANISMO POÉTICO

Oh bons espíritos que em outro plano
têm bem patente o lume das ideias –
vossos estalos e onomatopeias
dão-me com que escapar de estar insano.

Acompanhando a dor a cada dano
e derrota na busca de epopeias,
com magnólias, rosas e azaleias
meu chão atapetais, deixando-o humano.

E pelo mundo vou, correndo risco,
e arremessado sou de pólo a pólo,
e encaro o temporal como a chuvisco.

Só peço não me tires, Febo Apolo,
só peço não me tires, São Francisco,
o dom da rima, com que me consolo.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A OLAVO BILAC

Olavo, grande Olavo, semelhante
acho teu fado ao meu, quando versejo.
Igual causa nos fez, do lar no adejo,
achar a solidão, negro gigante.

Como tu, junto aos livros estafantes
de normas pra lembrar, no horror me vejo.
Como tu, a alegria em vão desejo,
os amigos lembrando, e a bela amante.

Ludíbrio, como tu, do curso errado,
Meu fim deve ser Letras, não Direito.
Sei que só terei paz tendo mudado.

Sigo o modelo teu, mas... imperfeito!...
Por que se imito os transes do teu fado,
não te imito na audácia do teu feito.


Filipe Cavalcante
08.11.2010


sábado, 26 de fevereiro de 2011

ANTÔNIO CONSELHEIRO








"Antônio Conselheiro", por Caribé
Link da imagem
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Barbudo, maltrapilho, triste e imundo,
vagava errante como um ermitão.
Um louco, por fugir da dor do mundo;
um santo, por pregar a salvação.


No espírito doído e furibundo
trazia toda a mágoa do sertão,
quando anunciava vir do mar profundo,
pra o trono retomar, Dom Sebastião.


Na terra áspera e seca foi profeta,
o Conselheiro, cuja luz projeta
a Paz pela irmandade e santidade.


Vimos contra o opressor brandir o emblema,
cair, morrer, rugindo na ânsia extrema
pelo Império de Deus e da igualdade.


Filipe Cavalcante
17.10.2010

domingo, 12 de dezembro de 2010

CRUZ INVERTIDA

Crucificação de São Pedro, de Caravaggio
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Oh! Cruz Invertida? Não! É a mesma cruz

Que morreu o Senhor, o Altíssimo Jesus.

(Rommel Werneck)




Pesaroso do fim, mas exultante e forte,
a Cruz Pedro carrega ao lugar do martírio.
Ao seu carrasco pede o apóstolo que tire-o
da glória de sofrer do Mestre a mesma morte.

E pregam-no na Cruz, e embora o prego corte
as carnes, o homem olha o céu, sublime lírio.
A dor é glória. O Mestre além sente que mire-o
quando, invertida a Cruz, cruéis lhe dão a sorte.

Cruz invertida! Pedro, em ti repete o império
a execução, a dor, castigo jamais visto,
o que teu Senhor teve; em ti de novo fere-O.

Cruz invertida! Pedro, uma verdade assoma:
Se nessa mesma Cruz Roma prostrou o Cristo,
em ti, nela invertida, o Cristo vence Roma.


Filipe Cavalcante
12.12.2010

sábado, 6 de novembro de 2010

PASÁRGADA



Pintura de Paul Gauguin
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Eu pude conhecer Pasárgada perfeita,

doce terra sonhosa onde eu podia tudo.

Diante de quanto o bem ainda mais se enfeita

lá, sempre algum desastre é menos do que miúdo.

Lá mal não pode haver, não existe maleita

que não seja expurgada a um só sorriso mudo.

Parece que pra mim, pra me acolher, foi feita –

mas distante! E alcançá-la é sonho – mas me iludo.

Quero o doce país, esse país de vento;

porém, triste, eu estou da feliz busca isento:

não posso fazer mais, eu já fiz quanto pude.

Ah! lá tão grande parte está dos bens que viso!

Quero tanto essa terra, o meu bom paraíso!

Mas não posso alcançar a sua completude.


Filipe Cavalcante

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

PARA TODO HOMEM...




Para todo homem há uma mulher

que o amará incondicionalmente.

Não só uma mulher pra que o agüente,

mas que dá todo o bem que ela puder.

Uma que mais que ao mundo inteiro o quer,

que sente as dores todas que ele sente,

que chorará se ele estiver ausente

o mais doído choro que tiver.

Mais que pra si quer-lhe felicidade.

Ela sempre há de crer-lhe na bondade,

por mais que na maldade ele se adentre,

por mais defeitos que n’alma lhe somem.

Essa mulher sempre há de amar esse homem

que ela gerou dentro do próprio ventre.


Filipe Cavalcante



Essa é uma homenagem ao aniversário da Sra. Maria do Socorro Cavalcante, minha mãe.

terça-feira, 11 de maio de 2010

VÁCUO

No meu ameno coração existe

vácuo que não se preenche, grande quanto

nossa imaginação enorme, enquanto

os corações normais passando assiste.


Sem que destino diferente aviste

e provocando aos outros grande espanto,

o coração acolhe riso e pranto

de modo que não é feliz nem triste.


Exterior, olhando, ele evolui,

absorvendo, e até que enfim possui

do que domina os outros senhorio.


Tenta preencher o vácuo, e não vê meio;

aí nada menor cabe, que é cheio

de um enorme volume de – vazio.



Filipe Cavalcante

sexta-feira, 30 de abril de 2010

AURORA


Numa época distante, era que o tempo encerra,
surgiu a humanidade, enchendo todo o mundo.
Pro crescimento solo achou fértil, fecundo.
Foi se reproduzindo e ocupou toda a Terra.

Mas uma conseqüência o nosso peito aterra:
tentando uma escalada, o homem desceu ao fundo;
pelo que achavam certo, homens, cada iracundo,
moviam incessante e aterradora guerra.

Cada um estava certo à vista de si mesmo.
E a gente caminhava em desordem, a esmo.
Cheio estava de mal este mundo imperfeito.

Não eram vida humana as existências más,
pois o homem não podia habitar sem a paz.
Nasceu então o Sol dourado do Direito.


Filipe Cavalcante
07.X.2009

sábado, 17 de abril de 2010

Mandu em Piagohy



Grandes guerreiros da nação dos Tremembés,

filhos da mata que viveis pelo sertão,

irmãos dos bichos desta terra, homens temidos pela guerra,

que sempre, livres, habitastes este chão.


Eis que ressoa em toda tribo, e bem sabeis

dos homens brancos que vieram-nos de lá

do mar. Notando a cor ali, pensamos virem de Jaci,

porém batalham pela parte de Anhangá.


Mandu me chamo, sou guerreiro Cariri.

Ainda novo, curumim, eu fui levado

pra viver entre a estranha gente, e me quiseram fazer crente

na fé na qual por seus pajés fui ensinado.


Pregam amor na sua crença, mas só levam

o desespero ao sertão todo aonde passam.

Por muito tempo fui servindo os homens que iam destruindo

tabas e tribos. Glória não, só ouro caçam.


O arco guerreiro que despede flechas firmes,

flechas em cujas pontas antes ia a morte,

não pode agora mais vencer, esse inimigo mais conter,

que tem um raio contra nós muito mais forte.


Eu vi tacapes que já foram tão temidos,

que já guiaram à vitória em tanta guerra,

serem partidos nessa luta. Esses que a morte não enluta

não seguem leis, e matam só pra ter a terra.


Grande nação dos Tremembés, ouvi-me, pois!

Vislumbro ainda uma esperança no amanhã.

Se nos unirmos todos nós da larga costa, os Manitós

todos conosco vão, e guiando vai Tupã!



Filipe Cavalcante

16.04.2010


REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).