quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Desperatio - Que Romântico!


Desperatio


Uma mulher de preto invade o campo
Co’uma criança pálida nos braços.
No rosto, um choro frio nos seus traços,
E um violino a se rachar no tampo.

Cava, com um coração em pedaços,
A cova do menino... Então, em pranto
Toca uma Marcha Fúnebre, em seu manto,
No violino triste no terraço

Me ouça! Essa mulher é a esperança
Desesperada, ao vento vil do norte,
Enterra a triste e podre criança.

Mas, quem é a criança? Digo agora...
Ela sou eu! Que sinto, em minha sorte
Essa sina que aos poucos me devora

Por: Ronan Fernandes
XIII/I/MMXIII
4:53 o’clock

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Soneto da Mor Desventura

 Soneto da Mor Desventura

Que m'importa se o céu está risonho;
E o Sol brilha em tons lindos de amarelo?
Que m'importa se o mundo está tão belo,
Que m'importa, se morto está meu sonho?

Que m'importa se cá, onde me ponho,
Aves cantam num coro tão singelo?
Que m'importa se o mundo está tão belo,
Que m'importa, se dentro decomponho?

Que m'importa se belo é todo o mundo;
Se à minh'alma ele todo não conforta?!
Respondei!: que m'importa?!, que m'importa?!

Que m'importa viver mais um segundo;
Se carrasco o Tempo é do coração;
Desde quando ela dorme num caixão?!


Ivan Eugênio da Cunha

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Oh!, Leitores



“Quem de meus versos a lição procura,
Os farpões nunca viu de amor insano,[...]”
 Correia Garção

Oh!, Leitores

Versos vários de negros sentimentos;
Vomitei nestas páginas sombrias.
Se lêsseis co'atenção a todos eles;
Percebestes que todos são de amor.

Amor que semelhante me devora;
A um torpe parasita sanguinário;
Que consome os tecidos musculares;
Sem nunca eliminar a sua fome.

Oh! leitores, se alguém de vós procura;
Algum ensinamento nos meus versos,
Algo que da razão seja produto,

Ah! digo-vos: ingênuo é este alguém;
Que procura tamanha lucidez;
Nas palavras convulsas dum amante.


 Ivan Eugênio da Cunha

PS: Este é meu primeiro soneto em versos brancos. 

sábado, 19 de janeiro de 2013

Lira da Morte (Soneto Coletivo)





Lira da Morte

Ressoa nessas cordas lacrimosas [Derek Soares Castro]
O canto dos poetas desgraçados, [Nestório da Santa Cruz]
Em fúnebres canções, em tristes brados [Arão Filho]
De rimas sanguinárias, dolorosas. [Sérgio Carvalho]

E passa o som, despetalando rosas, [Maurilo Rezende]
Ressuscitando a Morte de açoitados, [Rommel Werneck]
Num sibilo de dor aos malfadados [Felipe Valle]
Poemas de raízes cancerosas. [Matheus de Sousa]

Que sirva de rosário aos sofredores, [Gabriel Rübinger]
Aos ascetas vetustos dos horrores, [Quintiniano]
E este lamento em versos os conforte. [Renan Tempest]

Que o pranto silencioso dessa lira [Ivan Eugênio da Cunha]
Em vibrato soluce, pulse, fira [Rosany Vieira]
A convidar a triste audiência à Morte. [Alysson Rosa]



*Este soneto coletivo foi feito para a antologia de sonetos Lira da Morte, que participaram os seguintes autores:

Alysson Rosa
Arão Filho
Derek Soares Castro
Felipe Valle
Gabriel Rübinger
Ivan Eugênio da Cunha
Matheus de Souza
Maurilo Rezende
Nestório da Santa Cruz
Quintiniano
Renan Tempest
Rommel Werneck
Rosany Vieira
Sérgio Márcio

 Caso alguém se interesse em comprar tal livro ou quiser informações, eis o site:

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Melúrias



Mastigo dores tantas, indigestas,
tão duras, feito as rochas das pedreiras,
cortantes como espinhos das roseiras
e farpas que provém de mil arestas,

miasmas sempre invadem minhas frestas
vencendo meus escudos e barreiras,
deixando dentro d’alma fel, poeiras
e o gosto amargo dos finais de festas.

E mastigando as minhas próprias rochas,
penetro em meu inferno em fogo, tochas,
levando dentro em mim só dor, ferida.

Sozinha as minhas dores eu rumino,
como se eu fora mesmo algum bovino
pastando pelo chão da minha vida.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Carpe Diem

Hefesto. Vulcan. Marble, reception piece for the French Royal Academy, 1742Guillaume II Coustou (Français, 1716-1777)





CARPE DIEM

                                                 
A V.E.V.B.

Hefesto, já percorre o céu a aurora.
Colhe as rosas do dia no jardim
E os cristais da caverna sem demora
Que o trajeto de Febo terá fim.

Coloca uma coroa feita em flora
E folhas de morango e de jasmim.
Em joias os cristais forja e decora
E adorna-te de rei, por ti, por mim!

Exulta, meu querido, a formosura,
Tuas glórias no fogo em florescência
Que a Natureza sábia te criara

Porque a tarde de hoje há de ser escura
E mesmo que não gele tua essência
Tornará a alvorada breve e rara.


Rommel Werneck

Ciclos (XII)


A noite se debruça com seu véu
sobre o arrebol purpúreo e agonizante,
como se fora doce e terna amante
cobrindo-o co’as estrelas lá do céu.

E com seu véu encobre, a noite escura,
a resplendente tarde, que agoniza,
enquanto lá no alto se divisa
a argêntea e bela lua, cheia e pura.

E a noite estrelejada tudo encobre,
o agonizante sol de fim da tarde,
que morre aos poucos, sem qualquer defesa.

Quanta beleza, nesse instante nobre!
A doce entrega – sem qualquer alarde –
ao cíclico pulsar da natureza.

Peregrino


As pedras cortam, sangram os seus pés,
ou formam grandes bolhas doloridas,
em meio a calos velhos e feridas,
na vida um pesadelo, um revés

nas fantasias suas, coloridas,
(bem mais do que as araras-canindés)
que foram esgarçadas, de través,
restando a sua dor, a dura lida.

A vida, que sonhara generosa,
tornou-o triste andrajo peregrino,
a suportar as dores, as sangrias.

Sangrando vai, na estrada pedregosa,
a sustentar o fardo do destino,
sem sonhos, esperanças, fantasias.

Quimera


Escuta  a doce brisa que murmura
por entre as relvas frágeis, desses campos,
seus versos puros, feitos de candura,
com tanto lume, quais os pirilampos;

escuta seu murmúrio langoroso,
disperso aos quatro ventos dos penares,
que deixam mil suspiros pelos ares,
e ecoam nesse rio caudaloso.

A brisa que, tangendo a relva fina,
soluça a sua dor, a sua sina,
de ser fugaz, etérea, passageira.

A vida é feito a brisa, uma quimera,
que passa, como passa a primavera,
e deixa só saudade em sua esteira
.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Inúteis Lágrimas




Inúteis Lágrimas

Doce donzela, que face serena!
Tens o brilho da Lua lacrimosa,
És tu mais inefável que uma rosa,
Mais pura que sua ternura plena.

Se soubesses como minha alma pena
E por ti vive lúgubre e chorosa,
Quiçá terias pena e, desditosa,
Verias como este amor me envenena!

Quisera merecer-te só um olhar,
Um dos teus tristes sorrisos de amor,
Ou o enlevo de um meigo suspirar!

Amo-te mais que tu possas supor,
Mais que eternamente possas sonhar,
E amar-te-ei mesmo em lágrimas e em dor...

Renan Caíque

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).