sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Triunfo da Morte



Triunfo da Morte

Guerra entrópica! Guerra já perdida;
De orgânicos motores cerebrais,
De matéria consciente, reluzida,
Contra os ásperos rumos naturais.

Guerra críptica! Guerra já vencida;
Pela dama das eras eternais,
Que ceifa, fremente, cada vida;
Deixando um rastro vil de "nunca mais".

Mas não dá-se por farta a torva Morte;
Em adentrar-se, como atroz felugem,
E tornar um motor à imota sorte.

Seu triunfo não é pleno de verdade;
Sem antes impregná-lo de ferrugem...
Tomar o coração e a sanidade!


Ivan Eugênio da Cunha

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Perecendo


Perecendo

Foi, outrora, euclidiana minha mente,
Com retas, que eram retas, de clareza;
E planos, que eram plenos na certeza;
De que o Sol nasceria novamente.

Mas o amor, que m'invade persistente,
Entortou estas retas co'aspereza;
E curvou os meus planos co'a tristeza...
Fez nova geometria: a dum demente!

Ora canto este túrbido universo;
Com dores, com pesar em cada verso...
Com melodia feita de negrura,

Pois só escuridão foi o que vi;
Quando, em minha geodésica, eu caí;
No vil buraco negro d'Amargura.


Ivan Eugênio da Cunha

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Desvanecendo







Desvanecendo

Interagir co'a luz já se recusa;
Toda a matéria vil que sou composto,
Mas une-me as moléculas a infusa;
Força incomensurável do desgosto.

Nenhum fóton incauto mais me acusa;
A presença, não olham mais meu rosto;
Os viventes, que a mim também retrusa;
A existência parece, em contraposto.

Isolado do mundo dos viventes;
Eu fui pelos furores persistentes;
Dum amor que s'espalha como doença.

E vou desvanecendo deste mundo...
Ah!, quiçá, neste próximo segundo,
Nem eu perceba mais minha presença.


Ivan Eugênio da Cunha

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Envelhecendo



Envelhecendo

Nos caminhos elétricos neurais,
Onde caminha, triste, meu passado,
Caminha junto e nunca separado;
O resumo de todos os meus ais.

E ataca-me a entropia, mais e mais,
Estes caminhos gris que tenho errado,
Errando cada dia de meu fado,
Levando-me às sinapses terminais.

Tão poucos anos tenho por vividos!,
Mas sou já vida vil à sorte vária,
Alguém a quem só restam tempos idos...

Alguém que envelheceu antes do tempo,
Uma linha sutil e solitária;
Traçada com pesar no espaço-tempo.


Ivan Eugênio da Cunha

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Rosa Negra







Rosa Negra

De espinhos longos, pétalas escuras,
Cresce..., Ah!, cresce, bela e florescente,
A rosa que não cresce noutra gente;
Que não cresçam saudades e tristuras.

E expõe suas mil faces, tão impuras,
E exala seu perfume entorpecente,
E cresce..., como cresce!, cresce rente;
À árvore apodrecida das venturas.

Suga, p'ra sua seiva enegrecida,
Esta rosa, a minh'alma, minha vida...
Rosa negra, oh! vil rosa conspurcada,

Por que fui te plantar?! Que grande enfado!
Ah!, como pude ser tão enganado?!...
Acreditado, o amor, ser flor dourada?!


Ivan Eugênio da Cunha

sábado, 1 de dezembro de 2012

Quando o vale fulgente de meus sonhos...


"Tenho tanta coisa e a lembrança dela tudo devora!
Eu tenho tanta coisa e sem ela tudo se reduz a nada."
 "Werther" - Goethe


Quando o vale fulgente de meus sonhos;
Foi feito, pelas garras de infernais;
Desenganos com traços tão medonhos,
Em Báratro de fendas abissais,

Os firmamentos, hora atrás risonhos,
Refletiram a negrura de meus ais;
E agouraram, com rostos enfadonhos,
Que a luz eles veriam nunca mais.

Matava-me a negrura deste fado!,
Porém, quase mudado num demente,
Ressurgiu lucidez em minha mente.

Mas, ah!, triste de mim, um desgraçado!
Quando enfim sob as luzes da razão,
P'ra viver não havia mais razão.


Ivan Eugênio da Cunha

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Coveiro







Coveiro

Num dia, contemplando o Sol morrente,
Pus-me a enterrar meu cândido passado;
Que tanto tinha já dilacerado,
Com mil lembranças ledas, minha mente.

Cavei profunda cova e, tão dolente,
Pus cada alegre dia já passado;
Julgando sepultar, junto, meu fado;
De ter, dentro do peito, dor demente.

Cada sonho, esperança e alegria;
Enterrei nesta cova de amargura;
No fundo de minh'alma turva e fria.

Mas ora, contemplando a campa escura,
Percebo que morri naquele dia;
E cavei minha própria sepultura!


Ivan Eugênio da Cunha

domingo, 25 de novembro de 2012

Navio Fantasma



Navio Fantasma

Balançam o alto mastro quebrantado;
Os duros ventos vários da procela,
Mas, pronta, a chusma eleva cada vela;
- Não teme mais os mares neste estado.

E vaga o grã navio contristado;
(Alheio da existência que o flagela);
Cortando os vagalhões sob a tutela;
Da Morte, que o conduz por este fado.

Sem rumo já navega este navio;
No vário d'horizonte mui sombrio,
Na turva tez dos mares mais medonhos.

Oh!, vê, leitor, meu fado lastimável,
Pois sou este navio abominável;
E os nautas são fantasmas de meus sonhos!


Ivan Eugênio da Cunha

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Em gregoriano anapéstico

Fonte da imagem



A PAPAI

Papai, leva-me aos parques da infância,
Aos saudosos jardins da inocência,
A essas árvores cuja distância
Apagou o perfume da essência...

Eu preciso nadar na fragrância
Das passadas lagoas da Crença
Da criança assistida em constância
Aspirando às lições da decência...

A Grande Árvore gris da Ciência
Me mostrou a maçã da ganância
E queimou os rosais da prudência...

Papai, desce e me abraça em clemência
E seguindo os teus passos em ânsia,
Subiremos os dois à Inocência.

                                                   Rommel Werneck

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Capa da Antologia "Lira da Morte"



Caríssima plêiade,

Venho através deste, comunicar sobre a capa da nossa Antologia “Lira da Morte”, da qual fizemos três modelos de capa com fontes diferentes. Peço que deixem nos comentários desta publicação as suas escolhas dentre esses três modelos:




Desde já agradeço a todos!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Sonho




Sonho


Nas embriagantes horas de Morfeu,
Vem-me quem amo, em sonho delirante,
Tão serena, tão pulcra, tão radiante,
Enchendo de esperança o peito meu.

Sonho puro, de alvura tão constante...
Sonho límpido, sonho de Morfeu...
Sonho belo qual música de Orfeu:
Ode àquela de angélico semblante.

Oh! delírios noturnos melindrosos,
Tão frágeis sois perante a luz d'aurora,
Quebrando em mil pesares dolorosos.

Mil pesares... me pesa tanto tê-los...
Deixai-me vis delírios! Ide embora!
Que mais quero inefáveis pesadelos!


Ivan Eugênio da Cunha

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).