quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Coveiro







Coveiro

Num dia, contemplando o Sol morrente,
Pus-me a enterrar meu cândido passado;
Que tanto tinha já dilacerado,
Com mil lembranças ledas, minha mente.

Cavei profunda cova e, tão dolente,
Pus cada alegre dia já passado;
Julgando sepultar, junto, meu fado;
De ter, dentro do peito, dor demente.

Cada sonho, esperança e alegria;
Enterrei nesta cova de amargura;
No fundo de minh'alma turva e fria.

Mas ora, contemplando a campa escura,
Percebo que morri naquele dia;
E cavei minha própria sepultura!


Ivan Eugênio da Cunha

domingo, 25 de novembro de 2012

Navio Fantasma



Navio Fantasma

Balançam o alto mastro quebrantado;
Os duros ventos vários da procela,
Mas, pronta, a chusma eleva cada vela;
- Não teme mais os mares neste estado.

E vaga o grã navio contristado;
(Alheio da existência que o flagela);
Cortando os vagalhões sob a tutela;
Da Morte, que o conduz por este fado.

Sem rumo já navega este navio;
No vário d'horizonte mui sombrio,
Na turva tez dos mares mais medonhos.

Oh!, vê, leitor, meu fado lastimável,
Pois sou este navio abominável;
E os nautas são fantasmas de meus sonhos!


Ivan Eugênio da Cunha

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Em gregoriano anapéstico

Fonte da imagem



A PAPAI

Papai, leva-me aos parques da infância,
Aos saudosos jardins da inocência,
A essas árvores cuja distância
Apagou o perfume da essência...

Eu preciso nadar na fragrância
Das passadas lagoas da Crença
Da criança assistida em constância
Aspirando às lições da decência...

A Grande Árvore gris da Ciência
Me mostrou a maçã da ganância
E queimou os rosais da prudência...

Papai, desce e me abraça em clemência
E seguindo os teus passos em ânsia,
Subiremos os dois à Inocência.

                                                   Rommel Werneck

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Capa da Antologia "Lira da Morte"



Caríssima plêiade,

Venho através deste, comunicar sobre a capa da nossa Antologia “Lira da Morte”, da qual fizemos três modelos de capa com fontes diferentes. Peço que deixem nos comentários desta publicação as suas escolhas dentre esses três modelos:




Desde já agradeço a todos!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Sonho




Sonho


Nas embriagantes horas de Morfeu,
Vem-me quem amo, em sonho delirante,
Tão serena, tão pulcra, tão radiante,
Enchendo de esperança o peito meu.

Sonho puro, de alvura tão constante...
Sonho límpido, sonho de Morfeu...
Sonho belo qual música de Orfeu:
Ode àquela de angélico semblante.

Oh! delírios noturnos melindrosos,
Tão frágeis sois perante a luz d'aurora,
Quebrando em mil pesares dolorosos.

Mil pesares... me pesa tanto tê-los...
Deixai-me vis delírios! Ide embora!
Que mais quero inefáveis pesadelos!


Ivan Eugênio da Cunha

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

PÁLIDO PECADO



Soneto de 2007. A primeira vez que fiz essa montagem foi em 2009 quando fundei o blog. Agora, atualizando com uma formatação mais artística.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Aos Escravos



"Eu juro pela minha Vida e pelo meu amor por ela
que nunca irei viver em função de outro homem,
 nem vou pedir a outro homem que viva em função de mim."

John Galt - A Revolta de Atlas (Ayn Rand)



Aos Escravos


Oh! seres malfadados deste mundo;
Que a si próprios perderam sem saber,
Que possuem, p'ra si, nenhum segundo;
E vivem suas vidas sem viver,

Escutai o sutil e assaz cruel;
Som, que destrói-vos todos lentamente,
Destas tantas correntes de papel;
Prendendo não o corpo, mas a mente.

Arrancai-as de si, oh! desgraçados!
Não deixeis que controlem vossos fados,
Não creiais sacrifício ser um bem,

Não torneis cada dia vosso vão;
E ensinai-vos a si esta lição:
Nunca ser um objeto doutro alguém!




Ivan Eugênio da Cunha


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

COMUNICADO: EXPOSIÇÃO


Oi. Como todos sabem íamos realizar uma exposição amanhã no Alquimia. Leia AQUI. Porém estou adiando a exposição porque durante esta semana estive indisposto e não pude imprimir o material, supervisionar, contatar outros autores etc.

Agradecido a quem já mandou.

domingo, 16 de setembro de 2012

Chaconne



Chaconne 

Irrompe, do silêncio mais profundo,
Os tão densos acordes dum violino;
Cantando, da Beleza, o triste hino;
Que compreende cada alma deste mundo.

E germina o embriológico e fecundo;
Universo harmonioso e cristalino;
Onde existe o melódico e divino;
E cabe a eternidade num segundo.

Sons vários s'entrelaçam com pureza,
Ressonando em minh'alma, que concebe,
Contemplativa, a essência da Beleza.

E canta em mesmo tom meu coração,
Mas, ah!, tão acanhado, ele percebe;
Que não pode imitar a Perfeição.


Ivan Eugênio da Cunha


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Melancolia





Melancolia

...cada vez mais me convenço de que a
existência humana é uma coisa bem insignificante.
Goethe, em "Werther"


Julguei ser amado, por um momento,
No entanto, esse amor não existia,
Foi apenas uma falsa alegria
Vinda pra majorar meu sofrimento.

Ora, afogo-me em dor e desalento,
Minha vida fria tornou-se mais fria,
Jamais sentira tal melancolia
Ou ficara tão p'la morte sedento...

Meus sonhos são ilusões que morreram,
Meus versos flores que não floresceram,
Sou feito de tristeza e pessimismo...

Já nem tenho lágrimas pra planger!
Ah! Destarte vale a pena viver?
Eis a indagação em que tanto cismo...

Renan Caíque

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Pálida Donzela




Pálida Donzela

Oh! Pálida donzela, amo-te tanto!
Esmaece junto ao tétrico chorar
A tristura que jaz em meu olhar,
Quando contemplo teu eterno encanto!

Dissipaste-me o gélido quebranto,
Que por muito habitara como lar
Uma alma que assaz não pudera amar,
Vivendo sempre imersa em triste pranto...

Sonho contigo, e que tenho tua vênia
Para beijar-te a bela face branca,
E sentir o amor que mi'a dor arranca;

Sinto que és a flor duma velha nênia,
Que me surgiste na alva solidão,
Pra de amor preencher-me o coração!

Renan Caíque

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).