quarta-feira, 25 de julho de 2012

CICLOS XIII



CICLOS XII
Edir Pina de Barros

Mudanças e mudanças nesta vida
conduzem-nos a outros patamares,
quais rios, que encontrando-se co’s mares
se perdem em doce enlace suicida.

Sementes rasgam a terra, que ferida,
permite o renascer de mil pomares,
do trigo, que alimenta tantos lares,
e nem por isso sente-se vencida.

O tempo muda o corpo das crianças,
( e é fonte de alegrias, desencantos),
transforma, cada qual, em novo ser.

O que seria a vida sem mudanças?
A morte – eternizada em cada canto –
refaz o ciclo inteiro do viver.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

APURAÇÃO DO CONCURSO LITERÁRIO MOLDURA EM RUÍNAS

Para quem ainda não sabe, eu fiz parte da Comissão Julgadora do I Concurso de Poesias Moldura em Ruínas.

Eu fiquei muito honrado e feliz com a participação de leitores e autores deste blog e também porque o concurso teve excelentes frutos, somente um texto foi considerado não-literário.

Seguem fotografias da apuração dos votos e detalhe.




 
         Os quatro: Alina Galante, André Veloso Ferreira, Lívia Trentin e eu







Os 4 critérios analisados foram:

• Ortografia e Domínio da Língua 
• Lirismo
• Forma
• Originalidade

1º Lugar - Kamila Oliveira : Máquina do Tempo
2º Lugar - Miguel Eduardo Gonçalves : Contraste Cósmico
3° Lugar - Victorine Laforcade : Poison 


As poesias poderão ser lidas no próprio site, acesse AQUI.


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Espelho


Espelho

Vejo árvores imensas meio à bruma;
Envoltas num véu torpe de negror.
São turvas qual minh'alma, que s'esfuma,
E tristes qual meu peito imerso em dor.

A escuridão em tudo se consuma,
A Natura coberta está de horror;
E uma nuvem sombrosa ao céu inuma;
Chorando junto a mim o meu langor.

Tão escuro está tudo que circunda!
Ah!, como em tudo vejo dor profunda!
Como em tudo ressona meu bramir!

Oh! soturna e luctífera Natura,
Quão mais negro teu rosto me afigura,
Mais parece minh'alma refletir!


Ivan Eugênio da Cunha

quinta-feira, 12 de julho de 2012

ÚLTIMOS DIAS PARA O CONCURSO NO MOLDURA EM RUÍNAS



O Poesia Retrô está apoiando o Primeiro Concurso de Poesias realizado pelo blog Moldura em Ruínas mantido por André Veloso Ferreira e equipe. Eu serei um dos jurados.


As inscrições encerram dia 14 de julho, depois de amanhã.

Clique na imagem acima para ler o regulamento.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

SÁFICO + HEROICO!




http://manlyskills.files.wordpress.com/2012/06/man-praying.jpg

  PUDOR


Tens as virtudes que bem tive outrora:
Pudor, modéstia, retidão, aurora.
Joias humildes do rapaz que ora
Um bel-prazer casto, a riqueza honesta.
Mas após conhecer-te, abriu-se a fresta
De luxúria, atributo do Inimigo.
Vou perdendo nos meus sonhos contigo
A tão pouca decência que me resta!


Rommel Werneck



NOTAS:



1. Os quatro primeiros versos seguem uma linha de raciocínio, portanto decassílabo sáfico (4a e 8a e 10a) ao passo que os outros versos estão em martelo (3a, 6a e 10a)

2. Amor não precisa ser clichê, o mesmo válido para conflito interno religioso... Fujamos do óbvio.

3.  Vamos tentar construir poemas em formas livres mas em isométricos e rimas. #estudodepossibilidades.

sábado, 30 de junho de 2012

Trágica Beleza





Mas eis que o anjo pálido da morte
A pressentiu feliz e bela e pura...
Machado de Assis


Era uma noite, adrede, muito linda,
P'la deusa lânguida do amor forjada.
Eu m'encontrara, então, com minha amada,
Era assaz bela, e estava mais ainda...

Tácitos numa frialdade infinda,
Toda a nossa acre soturnez fanada,
E só pensávamos em nós, mais nada,
De modo algum seria a dor bem-vinda...

Porém, o deus da morte, bem me lembro,
Naquela fria noite dum setembro,
Sentindo inveja, meu amor 'doeceu.

Alguns dias após, ela, febrente,
Triste a sorrir, se despediu, silente,
Beijou-me os lábios, e depois morreu.

Renan Caíque

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Trovas



Trovas, trovinhas, trovões!
Tormenta traz o seu canto.
Trovoadas trovam paixões;
Travadas tristes num canto.

________

Vou solevando meus brados;
À procela de tufão.
"Levai-me, mares irados,
E tragai meu coração!"

________

 De minha lira desprendem;
Notas que enturvam o mar.
Até os peixes entendem;
A desventura de amar.

 ________

Ah! mais feliz eu seria;
Se não sentisse a mudança;
E só constante agonia;
Tivesse em minha lembrança.

________

Se uma rosa e suas cores;
Já me ferem feito um corte,
Como posso, em tantas dores,
Ver na vida mais que a morte?


Ivan Eugênio da Cunha

domingo, 24 de junho de 2012

EFEMERIDADE (II)



EFEMERIDADE (II)
Edir Pina de Barros

Um dia após o outro o tempo passa
deixando rastros sobre a nossa tez,
tornando sem sentido o que se fez
com inocência, candidez e graça...

E sem respostas para mil porquês
expostos, sem saber, a essa devassa
que os sonhos e ilusões depressa esgarça
seguimos sem sentir que se desfez        

o corpo – templo d’alma e vil matéria.
E a vida, que é quimera, sempre etérea,
se escoa pelos vãos de nossos dedos.

E tudo passa – a vida é passageira –
e se desfaz no tempo, em sua esteira
tecida no tear dos sonhos ledos.


sexta-feira, 15 de junho de 2012

SOLIDÃO (CANTO REAL)




Na verve solitária do meu brado,
admirava a vida que fugia 
da colina e do Sol amendoado.
Uma luz já bem fraca se extinguia
no meu peito - e hoje posso confessar
que chorei nessa vida mais que um mar.
As visões preparadas no além-ser
fazem noite o andor de perceber
a clausura, tormentos, sensação
de buscar pela vida o amanhecer
e somente encontrar a escuridão.

Como um círio no seu brilho calado,
minh'alma pelo céu tremeluzia
as dúvidas do meu tempo arrancado.
O maná protetor se fez luz fria,
os meus pés já não tem onde pisar,
separou-se na vida o que era par,
e percebo que não posso verter
mais do que já verti nesse sofrer.
Hoje apenas encontro a ingratidão
margeando o caminho, alvorecer,
e somente encontrar a escuridão.

Traz nédia no meu canto malfadado
de poeta em escusas da ardentia,
o meu sonho aos castelos se fez dado
em choupos invernais... A morte abria
as portas da amargura e do pesar,
de quem vou, sem destino, procurar
refúgio - e ninguém pode me atender.
Vendo toda a esperança fenecer
como a folha ao cair da estação,
resplende qual se fosse entardecer
e somente encontrar a escuridão.

Perfura o céu de fumo, estiolado,
as letras, Pentecostes em grafia,
o meu diário azul foi profanado
por almas que meu peito vão sentia,
por beijos que jamais eu pude dar,
por mágoas que cansaram meu olhar.
Era um martírio quando ela, ao volver
o rosto, me fitava - sem saber
da minha esperançosa adoração.
Como se eu a esperasse a resplender,
e somente encontrar a escuridão.
 
É tudo, meu desejo... cor do Fado 
por aquela que o pranto ao céu subia,
qual razão, Deus da Paz, ter alquebrado
o destino que em mãos senti que ia,
em cântaros poder a morte achar
e em sublime sossego repousar.
Como posso seguir, sem conhecer
do mistério profundo que é viver,
do que existe além da compreensão?
Da existência eu espero o anoitecer
e somente encontrar a escuridão. 

Oferta

Ó Deuses! Que eu pudesse o corpo erguer
para as Esferas, onde mora o Ser,
e com ela adormecer na imensidão!  
Que existisse algo mais do que morrer
e somente encontrar a escuridão.


Vitor de Silva e Gabriel Rübinger


tela: Saint Francis in Meditation - Caravaggio

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Noite Estrelada



Noite Estrelada

Contempla, meu amor, no vasto céu,
Aqueles muitos pontos fulgurantes;
Incrustados, quais belos diamantes,
No imenso, no celeste negro véu.

Contempla a Via Láctea de luzentes;
Estrelas que brilhantam prateadas,
Nas mil constelações emaranhadas,
Tão vívidas, tão belas, tão ridentes.

É bela a noite clara, é majestosa!
Oh!, vê, meu amor... torna a contemplá-la;
E fala-me da noite luminosa;

Porque eu, desta beleza, só diviso;
Teu rosto, pois nenhuma luz s'iguala;
Ao brilho magistral do teu sorriso.

Ivan Eugênio da Cunha


sábado, 9 de junho de 2012

LUA EM CHAMAS







"Com sua perícia , estendeu em volta uma pele de boi
colocou dois braços , por cima ajustando uma trave,
e estendeu sete afinadas cordas de tripas de ovelhas.
Depois que fabricou , diligente , o amável brinquedo."

(Trecho do hino homérico a Hermes , o primeiro registro da construção da antiga lira grega.)

-I-

Uma jovem virgem sem ser pálida
No balcão de atender me "confessava"*
Uma depressão intermitente a assolava
Solavam as moiras sua corda ... rábidas.

*Por isto me pedia cancelamento.

A desgraça do depressivo em vida
Camaradas , é ser bom com piadas
Na terra ter batalhas de umas Iliadas
E flertar sempre com o Lethe , o nada.

(nem olhar pra trás , pra Musa , gris Orfeu)

Querendo não romantismo , realismo
De seu fado compadeço Ó guapa
E trazer para os tristes meu sarcasmo e

(Perdoem-me pois a torpe digressão
Ter feito como Hefesto uma arte coxa
Donzela não tenha como agressão)

Pros alegres pessimismo só topa
Meu daimon , não a chamo ao parasitismo
Pois terminariamos em treva , em tapa.

( Queria eu ter nascido mulher , não é doxa,
Anima! fazem mais do que a razão
As mulheres com a divina Coxa)


Do recepcionista davi entre Golias e Livingstone de medusas.

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).