sábado, 26 de maio de 2012

PENÉLOPE

Os fios dos dias meus eu mesma cardo e urdo,
E teço o meu viver com muitos pontos, laços,
Bordando sem cessar todos os seus espaços,
Ainda que p’ra alguns tecer seja um absurdo.

Eu não me importo não, se escuto eu não me aturdo,
eu sigo o meu viver, tecendo os próprios passos,
E se preciso for desmancho, sim, refaço,
Neste fazer sem fim de meu destino surdo.

E faço sem cessar a minha tessitura,
teço co’a luz do sol, no breu da noite escura,
Sem nunca descansar ou demonstrar cansaço.

Coloco em meu tecer mil sedas de ternura,
Buscando conseguir a mais bela textura,
Mas se preciso for, teço com fios de aço!



quarta-feira, 23 de maio de 2012

MAGNO SONETO (Gaita Galega em versos brancos)

 
 MAGNO SONETO
 
Minha primeira gaita galega*
 

Ah! Esses beijos que mandas nos poemas
Mas que não tocam jamais minha face!

São minuetos vazios do engano
São sanguinárias mentiras que contas

Oh! Esses lábios sedentos esperam,
Eles desejam um verso escrever,
Ação de graças, louvores intensos
Êxtases santos a Deus exalar


E se pudéssemos ó compor versos
Juntos casados colados perdidos
Quem sabe unidos faríamos mais!


E nossos lábios selados enfim
Professariam estrofes à noite
Vozes douradas num magno soneto!
 
*Na época (2010) porque hoje tenho outras. Soneto antigo, nunca tinha postado aqui

terça-feira, 22 de maio de 2012

Indrisação #05 - Frei António das Chagas


 
Se sois riqueza, como estais despido?
Se Omnipotente, como desprezado?
Se rei, como de espinhos coroado?
Se forte, como estais enfraquecido?

Se luz, como a luz tendes perdida?
Se sol divino, como eclipsado?
Se Verbo, como é que estais calado?
Se vida, como estais amortecido?

Se Deus? estais como homem nessa Cruz?
Se homem? como dais a um ladrão,
Com tão grande poder, posse dos céus?

Ah, que sois Deus e Homem, bom Jesus!
Morrendo por Adão enquanto Adão,
E redimindo Adão enquanto Deus.


António da Fonseca Soares
(Frei António das Chagas)



   CAÇA E CAÇADORA


"Se sois riqueza, como estais despido?
Se Omnipotente, como desprezado?
Se rei, como de espinhos coroado?
Se forte, como estais enfraquecido?"

António da Fonseca Soares,
(Frei António das Chagas)
Fénix Renascida, V




Se vós sois a Lua, como brilhais Sol?
Se filha de Júpiter, como sois virgem?
Se inocente, como em cervo nos transforma?


Formosa, porém caçadora voraz?
Deusa? Mas em ossos e carnes mulher?
Mulher? Mas vestida, entronizada deusa?


Ah! Diana, sois a graça da desgraça


Caça e Caçadora, Caçadora e Caça!



 Rommel  Werneck



NOTAS:


1- Inicialmente quis fazer um soneto, depois fiz o indriso, mas cheguei a pensar que como soneto ficaria melhor. Porém assim como indriso também está bom (céus, como sou indeciso!) porque a indefinição final, a falta de espaço e a própria dificuldade em escrever talvez reflitam o que vem a ser se referir a Diana.


2- Logicamente os versos finais deveriam alçar um "final", buscar uma explicação, uma conclusão acerca de Diana. Bem, isto até ocorre ("sois a graça das desgraças"), mas não há um desdobramento lógico do que é a "graça das desgraças", a única definição sobre o que se sente é a própria subjetividade numa repetição "Caça e Caçadora, Caçadora e Caça!" Talvez porque Diana seja mulher e deusa ao mesmo tempo e isso gere um certo conflito (influência cultista?)


3- Versos brancos novamente em hendecassílabos novamente para explorar o estudo de possibilidades, a experimentação = isométricos brancos em forma fixa! Versos livres são igualmente lícitos porque indriso é uma forma fixa que permite, todavia como existe uma atual aversão aos isométricos é bom usá-los.


4-   A fotografia foi feita por mim. É uma estátua de Diana no Parque da Luz, em São Paulo. É interessante valorizar estátuas públicas.

sábado, 12 de maio de 2012

OS LÁBIOS DO VENENO

Romeo am Totenbett der Julia (1809)


“O churl! drunk all, and left no friendly drop to help me after? I will
kiss thy lips. Haply some poison yet doth hang on them to make me die with a restorative. [Kisses him.]”

The Tragedy of  Romeo and Juliet. Shakespeare. Act V. Scene III



Jazia embalsamado o bom Romeu
Guardando nos seus lábios um veneno
Que no sabor fortíssimo e sereno
Foi-lhe tirado o mundo que era seu.


A dama Capuleto, em amor pleno,
Despertando, uma morte percebeu.
Entonces, ao punhal vil recorreu
Eternizando a dor no sangue ameno.


Mas, antes, contemplou bem Capuleto
O seu virgem mancebo lá deitado
Sobre o tão tenebroso e gris sepulcro.


Àquele resplandente rapaz pulcro,
Tomou dos lábios lúgubres do amado
O beijo como lânguido amuleto!


Rommel Werneck

sábado, 5 de maio de 2012

A UM EFEBO


Efebo de clâmide



A UM EFEBO


Já não és mais imberbe, velho efebo!
Cresceram enfim teus pêlos, teus músculos
E, afogado nos teus alvos crepúsculos,
Contemplo tuas novas formas, Febo!


Muda teu rosto, olhar em que percebo
Que me rejeitas; ó teus vis escrúpulos,
Adolescente, afundam-me em minúsculos
Locais, pois eu virei pobre mancebo.


Fez-te mais belo ainda a Mãe Beleza
E a mim a infância deu com forte horror!
Não te iludas jamais co’a tal nobreza


Pois a beleza não mostrará cor,
Na marcha do mau tempo só vileza:
Sombras e luzes sobre ruga e dor.


Rommel Werneck

 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Estréia de Mateus Gonzalez de Freitas no Poesia Retrô





Soneto


Pelo quebranto atroz dos imortais
Veio o silente Chronos cá buscar-te. ¹
Do desejar me vou para onde vais,
Vendo-te estar comigo em toda parte.


Vi-te partir, silente, pelo cais
Presa a Caronte, presa às mãos Marte. ² ³
Longe de ver-te, quis-te assim bem mais;
Louco de angústia, eu pus-me a procurar-te.


Mi ritrovai per una selva oscura 4
Preso a distante e lôbrega quimera
Que trouxe o vil Virgílio em cruel desdita. 5


É longa a estrada... Some-te a figura
Em meio à névoa lúgubre que impera
Nel mezzo del cammin di nostra vita. 6  7



 Mateus Gonzalez de Freitas



¹ Chronos: Deus grego do Tempo, o qual gerou a si mesmo e de onde provieram os deuses seguintes. Muitas vezes confundido com o titã Cronos.
² Caronte:  Segundo a mitologia grega, barqueiro que leva as almas dos recém-mortos para o submundo. Alguns heróis podem voltar do mundo dos mortos através de sua barca.
³ Marte: Deus grego da guerra violenta e sanguinária. O trecho é confuso, a provável ideia a se transmitir é que a mulher lhe fora levada “brutalmente”, como que pelas “mãos de Marte”.
4 Mi ritrovai per una selva oscura: “Achei-me numa selva tenebrosa”. Segundo verso do capítulo “Inferno” da Divina comédia, de Dante Alighieri.
Virgílio: Poeta romano, conhecido pela epopeia Eneiada. Dante Alighieri, em sua obra, a Divina Comédia, faz menção ao poeta, como quem guiaria pelo Inferno, junto a Beatriz, que o guiaria ao Paraíso.
         6   Nel mezzo del cammin di nostra vita:  “De nossa vida, em meio da jornada”. Primeiro verso que abre o capítulo “Inferno” da Divina Comédia.
7 A poesia é completamente intertextual. O autor se utiliza da citação da viagem de Dante para exprimir o sentido de distância entre si e sua amada, como se nota na primeira estrofe. A brutalidade e ferocidade com que o poeta é distanciado de sua amada lhe fazem citar Chronos e Marte. Estes, juntos ao já mencionado Caronte, fazem referências à antiguidade clássica (marco parnasiano), à qual se refere também Dante em sua epopeia. O uso das citações e versos em italiano recria mais a atmosfera clássica e intertextual (Canto I, Divina Comédia).


terça-feira, 1 de maio de 2012

Eu cantarei de amor tão tristemente...

(Love and Pain - Edvard Munch)

"Rasga meus versos, crê na eternidade."     
Bocage


Eu cantarei de amor tão tristemente,
Com versos tão nefastos, tão turvados,
Que até nos corações mais alegrados;
Cravarei os farpões de amor descrente.

Trarei p'ra cada peito dor demente,
Cantando mil horrores, mil enfados,
Desdita de lembrar dias passados,
Que, quão mais ledos são, mais dor se sente.

De amor eu cantarei males diversos;
E, mesmo o coração com mor negrura,
Terá por acrescido mais um dano.

Oh! leitores incautos de meus versos,
Olvidai todos eles, cada agrura:
São só gritos horrendos dum insano!

Ivan Eugênio da Cunha


segunda-feira, 30 de abril de 2012

VENTO


O vento varre e verga as verdes vagas,
veloce vai valsando em mar revolto,
e vai e vem, brincando livre e solto,
cortante, mais cortante que as adagas.

As verdes vagas, varre e verga o vento
Voraz, vociferando pelos ares
Os medievos cantos, milenares,
De amor que, como o mar, tem seu tormento.

O vento vai e vem varrendo a vida
Deixando atrás de si só dor, ferida,
Quebrando as verdes ondas d’esperanças.

Tu varres mar e vida enquanto danças...
E segues sempre adiante! E não te cansas!
Oh! Vento! A tua força é desmedida.

Nona Sinfonia - Que Romântico!




Nona Sinfonia

O Freunde, nicht diese Töne!
Sondern lasst uns angenehmere anstimmen
und freudenvollere!

Schiller


No concerto eu, tão solitário e quieto,
Sorvendo a nona sinfonia, o encanto
Do Allegro... estou alegre! mas nem tanto...
Ao som dessa obra prima eu me desperto.

Pausa entre movimentos, eu me inquieto,
Mas permaneço ainda no meu canto.
Molto Vivace! Eu vivo... por enquanto...
Até ouvir a obra por completo.

Adagio... muito Adagio, molto lento.
Lentamente me mostra o desalento,
A tão triste alma de Beethoven fria...

De suicídio em suicídio eu me liberto!
Logo se vê no chão um corpo aberto...
Morro ao final da triste Ode à Alegria...


Por: Ronan Fernandes
XXIX/IV/MMXII
04:06 o’clock

terça-feira, 24 de abril de 2012

AMAR

Amar é ver estrelas sem ver céu,
 pisar no etéreo véu das mil quimeras, 
sentindo a luz d’eternas primaveras 
ser prisioneiro, sem ter sido réu.


 É cavalgar no lombo d’um corcel 
no chão das ilusões. Sentir, deveras, 
a força da poesia d’outras eras
 na voz do medievo menestrel... 


 Viver sentindo n’alma o mundo inteiro, 
ser barco em alto mar, sem ter barqueiro
 e mergulhar no mar, sem peias, medos. 


 Planar feito uma garça pantaneira, 
deixar-se ir ao léu, sem eira ou beira, 
pisando as finas farpas dos penedos.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Soneto Permutável (coroa de sonetos)

   Cada soneto  abaixo é obtido a partir do anterior fazendo a chave ser o primeiro verso. Foi uma experiência que fiz. A princípio só iria fazer os 14 primeiros sonetos, mas, por sugestão do poeta Marco Aurélio, fiz o soneto-base, completando a coroa.

1

Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado.

Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado.

Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,

Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado.

2

Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura.

Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura.

Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,

Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura.

3

Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura;
Sem rumo, sem alento, sem dourado.

Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado.

Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,

Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado.

4

Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura.

Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura.

Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;

Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura.

5

Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado.

Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado.

Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,

Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvado-se em vapor atro e pesado.

6

Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,

Vejo a imagem mais clara de meu fado,
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura.

Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado.

Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura.

7

Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,

Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado:
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado.

Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura.

Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado.

8

Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura.

Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura.

Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado:

Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura.

9

Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado.

Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado.

Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,

Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado.

10

Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,

Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura.

Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado.

Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado;
Cegado pela escura desventura.

11

Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;

Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado.

Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura.

Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado.

12

Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura.

Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura.

Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;

Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura.

13

Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado.

Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado.

Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,

Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado.

14

Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura.

Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura.

Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,

Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura.

Soneto-base

 

Vejo a imagem mais clara de meu fado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Entregando-se todo à vil tortura.

Turvando-se em vapor atro e pesado,
Coas tristezas que exalam da negrura,
Meu fado já se tem por costumado,
Sem esperança e sem qualquer alvura.

Atado nas lembranças do passado,
Cegado pela escura desventura,
Meu fado já caminha desgraçado,

Arrastando correntes de amargura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Vagando pela terra em mor tristura.

Ivan Eugênio da Cunha


REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).