Amar é ver estrelas sem ver céu,
pisar no etéreo véu das mil quimeras,
sentindo a luz d’eternas primaveras
ser prisioneiro, sem ter sido réu.
É cavalgar no lombo d’um corcel
no chão das ilusões. Sentir, deveras,
a força da poesia d’outras eras
na voz do medievo menestrel...
Viver sentindo n’alma o mundo inteiro,
ser barco em alto mar, sem ter barqueiro
e mergulhar no mar, sem peias, medos.
Planar feito uma garça pantaneira,
deixar-se ir ao léu, sem eira ou beira,
pisando as finas farpas dos penedos.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Soneto Permutável (coroa de sonetos)
Cada soneto abaixo é obtido a partir do anterior fazendo a chave ser o primeiro verso. Foi uma experiência que fiz. A princípio só iria fazer os 14 primeiros sonetos, mas, por sugestão do poeta Marco Aurélio, fiz o soneto-base, completando a coroa.
1
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado.
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado.
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado.
2
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura.
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura.
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura.
3
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura;
Sem rumo, sem alento, sem dourado.
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado.
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado.
4
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura.
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura.
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura.
5
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado.
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado.
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvado-se em vapor atro e pesado.
6
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado,
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura.
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado.
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura.
7
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado:
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado.
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura.
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado.
8
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura.
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura.
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado:
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura.
9
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado.
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado.
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado.
10
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura.
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado.
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado;
Cegado pela escura desventura.
11
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado.
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura.
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado.
12
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura.
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura.
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura.
13
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado.
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado.
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado.
14
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura.
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura.
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura.
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado.
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado.
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado.
2
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura.
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura.
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura.
3
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura;
Sem rumo, sem alento, sem dourado.
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado.
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado.
4
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura.
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura.
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura.
5
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado.
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado.
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvado-se em vapor atro e pesado.
6
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado,
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura.
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado.
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura.
7
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado:
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado.
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura.
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado.
8
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura.
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura.
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado:
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura.
9
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado.
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado.
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado.
10
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura.
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado.
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado;
Cegado pela escura desventura.
11
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado.
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura.
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado.
12
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura.
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura.
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura.
13
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado.
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado.
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado.
14
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura.
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura.
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura.
Soneto-base
Vejo a imagem mais clara de meu fado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Entregando-se todo à vil tortura.
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Coas tristezas que exalam da negrura,
Meu fado já se tem por costumado,
Sem esperança e sem qualquer alvura.
Atado nas lembranças do passado,
Cegado pela escura desventura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Arrastando correntes de amargura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Vagando pela terra em mor tristura.
Na noite mais tristonha, mais escura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Entregando-se todo à vil tortura.
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Coas tristezas que exalam da negrura,
Meu fado já se tem por costumado,
Sem esperança e sem qualquer alvura.
Atado nas lembranças do passado,
Cegado pela escura desventura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Arrastando correntes de amargura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Vagando pela terra em mor tristura.
Ivan Eugênio da Cunha
quarta-feira, 18 de abril de 2012
... ET IN PÚLVEREM REVERTÉRIS
Publicado por
Febo Vitoriano
às
07:37
Depois da orgia estava embalsamado
Entre rubros lençóis o efebo só.
Nos seus sonhos estava ali deitado
À rigidez da carne, ao brilho em pó.
Entre rubros lençóis o efebo só.
Nos seus sonhos estava ali deitado
À rigidez da carne, ao brilho em pó.
A carne nua em brilho de brocado
Era beleza simples e sem dó
Fisgava o sábio grego apaixonado
P’ra tatear de novo a carne, o pó...
Que corpo glacial! De luz, dormente...
E que sangue nobre! Pálido rubor...
E, pondo as mãos no peito intensamente
Do lívido rapaz dos cemitérios
Já não tinha na Terra mais fulgor...
Era agora um deus grego em céus etéreos...
Rommel Werneck
Enviado por Rommel Werneck em 18/04/2012
Código do texto: T3619124
Código do texto: T3619124
Escrito em 2011
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Inferno

Inferno
Já meus dias são cheios de tristura;
E, n'atroz negridão, pesada e fria,
Minha mente se turva em nostalgia;
E meu peito flameja em amargura.
Esta dor que devora em chama escura;
Mor se faz na lembrança de que um dia;
Tive, n'alma, esperanças em que cria;
E delas ora sou a sepultura.
O que tem coração despedaçado;
Juntar cada pedaço tem por fado,
Num deserto de treva, andando só.
Mas que fado terei do mal me feito;
Se, no inferno funesto de meu peito,
Ardeu meu coração até ser pó?
Ivan Eugênio da Cunha
Já meus dias são cheios de tristura;
E, n'atroz negridão, pesada e fria,
Minha mente se turva em nostalgia;
E meu peito flameja em amargura.
Esta dor que devora em chama escura;
Mor se faz na lembrança de que um dia;
Tive, n'alma, esperanças em que cria;
E delas ora sou a sepultura.
O que tem coração despedaçado;
Juntar cada pedaço tem por fado,
Num deserto de treva, andando só.
Mas que fado terei do mal me feito;
Se, no inferno funesto de meu peito,
Ardeu meu coração até ser pó?
Ivan Eugênio da Cunha
quarta-feira, 11 de abril de 2012
ADEUS!
Publicado por
Renan Caíque
às
09:48
"E por que viver se o coração é morto? Se eu
hoje dormisse sobre essa ideia, se eu
pudesse adormecer no
ócio e no tédio, seria isso ainda viver?
Álvares de Azevedo
hoje dormisse sobre essa ideia, se eu
pudesse adormecer no
ócio e no tédio, seria isso ainda viver?
Álvares de Azevedo
Adeus, meus sonhos! Adeus, meu amor!
Pra fenecer minh'alma triste chora,
Ora apagou-se-me o fulgor doutrora,
Cobre-me a face, angelical palor.
Adeus, maldito spleen! Adeus, langor!
Uma sombria e fria dor me aflora,
Sem nostalgias, partirei agora,
Entristecido como murcha flor.
Quando jazer entre sepulcros, quedo,
Sentir-me-ei outra vez deveras ledo,
Morrerá a dor atra que a mim domina...
Quando pro inferno me levar Satã,
Não lacrimeis por minha vida vã,
Olvidai esta desgraçada sina!
Renan Caíque
Renan Caíque
terça-feira, 10 de abril de 2012
HANNIBAL LECTER

"Afinal, sua mãe disse, e a minha certamente disse:
' É importante - ela dizia - experimentar coisas novas.'"
Hannibal Lecter
Tua pele, macia e tão sedosa,
Teus olhos vivos numa cor ardente,
Cabelos loiros! e em meus brancos dentes
Rubros lábios de carne saborosa.
Tuas bochechas mui apetitosas
Com teus salgados seios tão dementes
Teu fígado e teus rins gralham.Contente
Eu como tuas carnes majestosas...
Sou como o verme comedor de mortos,
Uso de meios e caminhos tortos
Para enlaçar-te em meu caminho manco.
Oh não, mulher, eu nunca quis te amar.
Mas sim, teu cérebro quis degustar
Servido com um belo vinho branco
Por: Ronan Lúcio Fernandes
VIII/IV/MMXII
03:36 o'clock
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Minha Amada...

(Link)
Minha Amada...
Minha amada, contempla quanto mal;
Fez tua indiferença ao meu amor.
Já murchou deste campo cada flor,
Pois, com pranto, afoguei a terra em sal.
Contempla este vil fumo lacrimal;
Que exala desta terra em atro horror;
Tingindo o céu de túrbido negror;
- Tão díspar de teu rosto angelical.
Contempla com mor tento o quanto chora;
O céu, que mais não vê a luz d'aurora;
E sofre com meu negro pessimismo.
Minha amada, ora vê meu triste rosto,
Olha meus olhos fartos de desgosto;
E contempla o infinito atroz do abismo!
Ivan Eugênio da Cunha
Minha Amada...
Minha amada, contempla quanto mal;
Fez tua indiferença ao meu amor.
Já murchou deste campo cada flor,
Pois, com pranto, afoguei a terra em sal.
Contempla este vil fumo lacrimal;
Que exala desta terra em atro horror;
Tingindo o céu de túrbido negror;
- Tão díspar de teu rosto angelical.
Contempla com mor tento o quanto chora;
O céu, que mais não vê a luz d'aurora;
E sofre com meu negro pessimismo.
Minha amada, ora vê meu triste rosto,
Olha meus olhos fartos de desgosto;
E contempla o infinito atroz do abismo!
Ivan Eugênio da Cunha
domingo, 8 de abril de 2012
Soneto marginal retrô
Publicado por
Febo Vitoriano
às
23:09
GAROTO DE ALUGUEL
E esta boca com gosto de cigarro?
E este batom com cheiro de motel?
Tudo isto que parece ser bizarro
É na verdade o mais florido céu!
E estas costas repletas de água e barro?
E este peito tão áspero e cruel?
Eu vomito aguardente de catarro
Com meu simples garoto de aluguel...
E este coração tão seco e tão duro?
Que nem mesmo respira, pulsa ou bate
Que mais parece caixa de amianto?!
E este puto com cara de anjo e santo
Que na esquina, na vida, no combate
Enfrenta novamente seu futuro?
Rommel Werneck
NOTAS:
2- Soneto em decassílabos heroicos sob inspiração baudeleriana. Um soneto marginal, porém na poesia de sempre, isto é estudar possibilidades...
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Meus primeiros octossílabos
Publicado por
Febo Vitoriano
às
21:07
COMO O PRIMEIRO
"Come Prima (Dalida chante)"
Como o primeiro namorado
Ela me beija e leva rosas
E eu beijo as suas mãos cheirosas
Que tanto tenho venerado!
Como o primeiro ela me trata
E escreve versos de marfim
Em que promete amor sem fim
Numa sublime serenata...
Como o primeiro que foi dela
Assim me sinto possuído...
E quando a beijo, peço que ela
Cumpra os seus planos por inteiro
De me tomar como marido.
Como o primeiro... seu primeiro!
Rommel Werneck
Publicado originalmente no Recanto das Letras
NOTAS:
1- O poema foi inspirado na música Come Prima (Como Antes) cantada pela cantora egípcia Dalida. Eu escrevo majoritariamente ao som de música. Escute AQUI.
2- Nunca tinha escrito nessa métrica, acho difícil métricas abaixo de 9 sílabas.
3- O Ivan Eugênio da Cunha fez um belíssimo soneto no mesmo metro. Leia AQUI.
4- Usei temática amorosa, mas como sempre sofremos críticas vanguardistas "o amor é ultrapassado", eis aqui um soneto em que o homem se sente o primeioro de uma mulher propondo uma inversão de papéis, é plenamente possível escrever de outras formas. Estudo de possibilidades, experimentação, é disso que a poesia contemporânea necessita.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Derradeiro Leito (versos octossílabos - ritmo 2,4,8)

(W. H. Harrington. Wreck of Sea Venture)
Derradeiro Leito
Oh! céu da eterna noite escura!
Oh! mares fartos de pesares!
Tão triste vara pelos ares;
Meu canto cheio de amargura.
Se mais não tenho uma ventura,
Se mais não calmo são os mares,
Boa sorte é se mil azares;
Me atarem firme à morte dura.
Ah! que estes mares agitados;
Aceitem ser meu triste leito,
Guardando sonhos maculados,
E, num tormento mais violento,
Enfim arranquem de meu peito;
Amor, saudade e sofrimento.
Ivan Eugênio da Cunha
Derradeiro Leito
Oh! céu da eterna noite escura!
Oh! mares fartos de pesares!
Tão triste vara pelos ares;
Meu canto cheio de amargura.
Se mais não tenho uma ventura,
Se mais não calmo são os mares,
Boa sorte é se mil azares;
Me atarem firme à morte dura.
Ah! que estes mares agitados;
Aceitem ser meu triste leito,
Guardando sonhos maculados,
E, num tormento mais violento,
Enfim arranquem de meu peito;
Amor, saudade e sofrimento.
Ivan Eugênio da Cunha
sexta-feira, 30 de março de 2012
The Lonely Slayer: soneto em gaita galega
Publicado por
Febo Vitoriano
às
03:37
THE LONELY SLAYER
For thou (J.C.)
Ele estuprou inocentes escravos
Satisfazendo os hormônios, desejo...
E perfumou os mais flácidos cravos
Ao conceder mais um sólido beijo...
Ele matou os seus pobres escravos
Por vaïdade, vanglória, desejo...
Ele murchou os mais fúlgidos cravos
Por reclamarem um lânguido beijo...
Assassinou com sublime beleza
E sedução sem vergonha ou verdade
Todos: dos pobres até a nobreza!
E desconfio que tenha outro plano:
Aprimorar esta nossa amizade
De escravo e cravo; de amor soberano!...
17 de março de 2012
Rommel Werneck
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REVIVALISMO LITERÁRIO
Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:
* Promoção de Revivalismo;
* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;
* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;
* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;
* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).
* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;
* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;
* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;
* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).





