segunda-feira, 2 de abril de 2012

Derradeiro Leito (versos octossílabos - ritmo 2,4,8)


(W. H. Harrington. Wreck of Sea Venture)

Derradeiro Leito

Oh! céu da eterna noite escura!
Oh! mares fartos de pesares!
Tão triste vara pelos ares;
Meu canto cheio de amargura.

Se mais não tenho uma ventura,
Se mais não calmo são os mares,
Boa sorte é se mil azares;
Me atarem firme à morte dura.

Ah! que estes mares agitados;
Aceitem ser meu triste leito,
Guardando sonhos maculados,

E, num tormento mais violento,
Enfim arranquem de meu peito;
Amor, saudade e sofrimento.


Ivan Eugênio da Cunha



sexta-feira, 30 de março de 2012

The Lonely Slayer: soneto em gaita galega



THE LONELY SLAYER


For thou (J.C.)


Ele estuprou inocentes escravos
Satisfazendo os hormônios, desejo...
E perfumou os mais flácidos cravos
Ao conceder mais um sólido beijo...


Ele matou os seus pobres escravos
Por vaïdade, vanglória, desejo...
Ele murchou os mais fúlgidos cravos
Por reclamarem um lânguido beijo...


Assassinou com sublime beleza
E sedução sem vergonha ou verdade
Todos: dos pobres até a nobreza!


E desconfio que tenha outro plano:
Aprimorar esta nossa amizade
De escravo e cravo; de amor soberano!...


17 de março de 2012


Rommel  Werneck

EU SÓ TENHO UM ROSAL



inspirado pelo magno Febus 


No passado chorei por amores
 que deixaram só dor em meu seio.
 Hoje em lágrima e dor ando cheio.

 No passado reguei belas flores
 que murcharam, sem pena nenhuma.
 Hoje eu ando à procura de alguma.

 Eu só tenho um amor: Cristo santo,

 eu só tenho um rosal: o de pranto.


Gabriel Rübinger


quarta-feira, 28 de março de 2012

FELIZ ANIVERSÁRIO DE 3 ANOS!


   




                3 anos de blog! Muitas felicidades e inspirações!
 Parabéns a todos que contribuíram para a construção de nosso espaço!
    

terça-feira, 27 de março de 2012

SÚPLICA D’AMOR



Depois? Depois não sei! Hão de passar os dias
e o tempo me dirá e nos dirá a vida
se o sonho que sonhei - de amor, por ti, perdida –
transformará em dor as minhas alegrias.

Não sei! Depois não sei... E nem darei guarida
à dúvida cruel, fonte de covardias,
pois hoje quero a luz, desejo as calmarias
dos belos arrebóis e a paz neles contida.

Não me perguntes, não, o que virá depois.
Por que me perguntar? Isso não faz sentido!
Ai! Deixa-me te amar sem nada perguntar,

sem nada a me tolher. Quero sentir nós dois,
viver esta paixão que nunca hei vivido.
Depois?!Eu não sei, não, se vou sorrir, chorar.

domingo, 25 de março de 2012

PUBLICAÇÃO DA I ANTOLOGIA INTERNACIONAL DE INDRISOS


Acreditava que já estivesse aqui. A Antologia organizada por Isidro Iturat aconteceu em 2011 para comemorar os 10 anos da criação do indriso, mas foi publicada no início de 2012


Eu, Cláudia Banegas, Gabriel Rübinger e Pablo Flora tivemos indrisos publicados.


Clique na imagem



   

domingo, 18 de março de 2012

Oh! Vento, vivo Vento...



Oh! Vento, vivo Vento, que tens visto;
Naqueles horizontes agourentos?
Dize-me, dize-me se tu tens visto;
O rastro das venturas, dos contentos.

Ah! Lua, lume lúrido e benquisto;
Qu'ilumina meus ais e meus lamentos,
Dize-me, dize-me se tu tens visto;
O Sol que mais não vi nos firmamentos.

Onde haverá de ter um lugar calmo?
Onde haverá lugar com ar tão almo;
Que tire de minh'alma todo o fel?

Oh! Tempo, te rogar humilde venho,
Dize-me, dize-me, por qual engenho;
Eu volto a ser apenas um donzel?


Ivan Eugênio da Cunha

sábado, 17 de março de 2012

Soneto de Dama Indignada

Soneto de uma dama indignada com cavalheiro que a cortejava, mas que tinha por hábito deitar-se com prostitutas e enganar moças de família, assim que esse vai à porta daquela pedir perdão pelas libertinagens


Não me toques com esta mão

Que já não quero teu carinho

Homem vil, cruel e mesquinho

Não coloque-me em meio às tuas


Tirai, digo, tirai, repito

Teu fedor de minha morada

Que não sou mulher contratada

Nem amigo teu para dar-me


Não me toques com esta mão

Que te levo os dedos rufião

Não perdoo tuas falcatruas


Tirai, digo, tirai, repito

Teu fedor daqui ser maldito

Não conquista-me mais teu charme

sexta-feira, 16 de março de 2012

LÁGRIMA



Há de secar a lágrima que rola
E escava a minha face, feito um rio
Na enchente da tristeza e do vazio
Que as margens do meu ser rompe e extrapola.

E rola sobre a face, qual marola
Nas tempestades d’alma em desvario
Depois d’um frio inverno e longo estio
Que a dor, bem lá no imo, se acrisola.

Um rio, que as comportas rompe e vence
Co’a força que é só sua e lhe pertence,
E rola sobre o chão da minha fronte...

Há de secar a lágrima, por certo,
E transformar a alma em um deserto
Sem oásis, miragens, horizonte...

terça-feira, 13 de março de 2012

EM NOME DA POESIA



Eu não direi que não te amo, nunca!
Ainda que eu pudesse não diria,
Por conta deste amor - triste alegria -
Que nos meus ermos tantos versos junca...

Sem esse amor não sei o que seria
Do meu desejo – que tem garra adunca –
do meu penar que os sonhos meus me trunca
e que alimenta a fonte da poesia...

Razão de ser dos versos que em mim tramo
Que em mim latejam – feito uma ferida –
E que me escapam nos poemas meus...

Nunca! Jamais diria: eu não te amo!
Em nome da poesia – minha vida -
Não poderia, não, dizer-te adeus.

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).