terça-feira, 27 de março de 2012

SÚPLICA D’AMOR



Depois? Depois não sei! Hão de passar os dias
e o tempo me dirá e nos dirá a vida
se o sonho que sonhei - de amor, por ti, perdida –
transformará em dor as minhas alegrias.

Não sei! Depois não sei... E nem darei guarida
à dúvida cruel, fonte de covardias,
pois hoje quero a luz, desejo as calmarias
dos belos arrebóis e a paz neles contida.

Não me perguntes, não, o que virá depois.
Por que me perguntar? Isso não faz sentido!
Ai! Deixa-me te amar sem nada perguntar,

sem nada a me tolher. Quero sentir nós dois,
viver esta paixão que nunca hei vivido.
Depois?!Eu não sei, não, se vou sorrir, chorar.

domingo, 25 de março de 2012

PUBLICAÇÃO DA I ANTOLOGIA INTERNACIONAL DE INDRISOS


Acreditava que já estivesse aqui. A Antologia organizada por Isidro Iturat aconteceu em 2011 para comemorar os 10 anos da criação do indriso, mas foi publicada no início de 2012


Eu, Cláudia Banegas, Gabriel Rübinger e Pablo Flora tivemos indrisos publicados.


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domingo, 18 de março de 2012

Oh! Vento, vivo Vento...



Oh! Vento, vivo Vento, que tens visto;
Naqueles horizontes agourentos?
Dize-me, dize-me se tu tens visto;
O rastro das venturas, dos contentos.

Ah! Lua, lume lúrido e benquisto;
Qu'ilumina meus ais e meus lamentos,
Dize-me, dize-me se tu tens visto;
O Sol que mais não vi nos firmamentos.

Onde haverá de ter um lugar calmo?
Onde haverá lugar com ar tão almo;
Que tire de minh'alma todo o fel?

Oh! Tempo, te rogar humilde venho,
Dize-me, dize-me, por qual engenho;
Eu volto a ser apenas um donzel?


Ivan Eugênio da Cunha

sábado, 17 de março de 2012

Soneto de Dama Indignada

Soneto de uma dama indignada com cavalheiro que a cortejava, mas que tinha por hábito deitar-se com prostitutas e enganar moças de família, assim que esse vai à porta daquela pedir perdão pelas libertinagens


Não me toques com esta mão

Que já não quero teu carinho

Homem vil, cruel e mesquinho

Não coloque-me em meio às tuas


Tirai, digo, tirai, repito

Teu fedor de minha morada

Que não sou mulher contratada

Nem amigo teu para dar-me


Não me toques com esta mão

Que te levo os dedos rufião

Não perdoo tuas falcatruas


Tirai, digo, tirai, repito

Teu fedor daqui ser maldito

Não conquista-me mais teu charme

sexta-feira, 16 de março de 2012

LÁGRIMA



Há de secar a lágrima que rola
E escava a minha face, feito um rio
Na enchente da tristeza e do vazio
Que as margens do meu ser rompe e extrapola.

E rola sobre a face, qual marola
Nas tempestades d’alma em desvario
Depois d’um frio inverno e longo estio
Que a dor, bem lá no imo, se acrisola.

Um rio, que as comportas rompe e vence
Co’a força que é só sua e lhe pertence,
E rola sobre o chão da minha fronte...

Há de secar a lágrima, por certo,
E transformar a alma em um deserto
Sem oásis, miragens, horizonte...

terça-feira, 13 de março de 2012

EM NOME DA POESIA



Eu não direi que não te amo, nunca!
Ainda que eu pudesse não diria,
Por conta deste amor - triste alegria -
Que nos meus ermos tantos versos junca...

Sem esse amor não sei o que seria
Do meu desejo – que tem garra adunca –
do meu penar que os sonhos meus me trunca
e que alimenta a fonte da poesia...

Razão de ser dos versos que em mim tramo
Que em mim latejam – feito uma ferida –
E que me escapam nos poemas meus...

Nunca! Jamais diria: eu não te amo!
Em nome da poesia – minha vida -
Não poderia, não, dizer-te adeus.

segunda-feira, 12 de março de 2012

CANTIGAS PRA SINHÁ








Sinhá
que desabotoa em pétalas,
as rosas brancas se coram de vermelho
porque ficam envergonhadas com tua beleza...

*

Sinhá
que me faz remoer, que me faz banzar,
que me fazer procurar candeias no escuro,
que me faz engarrafar meus sonhos e guardá-los para mais tarde
porque afinal eu prefiro mesmo é passear de mãos dadas com vancê...

*

Sinhá,
tu te esqueces de mim?
É que te lembro no meio do dia
no meio da noite
no meio do caminho e no final também
e quando vejo um passarinho ligeiro sambando no galho
e quando a lua está bem cheia e me pede uma serenata...
Pena que eu não sei tocar violão!

*

Quem te fez, Sinhá?
Não sei quem te esculpiu e depois ainda por cima
pôs esse vestidinho florido só pra debochar a gente!
Tenho inveja desse teu colar... Queria ficar que nem ele,
agarradinho no teu pescoço o dia inteiro...

*

Sinhá, onde estiver
(não importa),
te procuro
atrás da porta.
Costumo achar nada! Mas eu procuro
teu nome
tua voz
teu rosto
por todas as ruas que passo.

*

Sinhá, será que se eu pedir a Xangô
se eu jongar nos terreiros
se eu tocar os atabaques
se eu arrumar um lencinho teu e amarrar
e colocar debaixo da tua cama sem vancê saber,
eu ganho o teu coração?
Só peço uma esmolinha, um tostãozinho de nada
dos teus beijos... aceito parcelado, até
quando eu morrer de amor!

Gabriel Rübinger

quinta-feira, 8 de março de 2012

SÚPLICA



Ó, Vênus, que me habita e reina em minhas águas,
diamantinas águas - sonhos meus fluídos –
Senhora dos amores dentro em mim contidos
fontes de meu penar, de mil prazeres, mágoas...

Ó, protetora luz do amor e dos amantes,
com tua força e lume da Crescente Lua,
vem, e ilumina a mim e a minha alma nua,
pois ora estou amando e muito mais que antes.

D’orvalho, as gotas, não rolem em minha face,
diamantinas gotas – filhas de meu pranto –
e não devore o amor, a vida, que é vorace.

Nem morra a força fluída desse meu encanto,
que eu transpire o amor por onde quer que eu passe,
e que m’ encubra sempre seu divino manto.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Castelo de Cristal



(Link)


Castelo de Cristal


Com meus sonhos mais belos, coloridos,
Com meu grão de esperança mais brilhante,
Com meus júbilos, vivos tempos idos,
Erigi meu castelo fulgurante.

Grandes torres ergui perante o céu;
E os salões, tão imensos, tão formosos,
Cobri, zelosamente, pelo véu;
Dos fulgores solares melindrosos.

Mas um dia uma estranha melodia,
D'alguma leda lira, assim eu cria,
Adentrou mui gentil pelo portal,

S'espalhou vagarosa pelos ares,
Ressonou nas paredes e pilares;
E destruiu meu castelo de cristal!


Ivan Eugênio da Cunha

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

INDRISAÇÃO #04 - Cruz e Sousa / Violante Montesino


Deixai que deste álbum na folha delicada
Eu venha difundir meus rudes pensamentos
Deixai que as pobres rimas, uns nadas poeirentos
Eu possa transudar da mente entrenublada!...

Deixai que de minh’alma na fibra espedaçada
Eu busque inda vibrar uns cantos tardos, lentos!...
Bem cedo os vendavais, aspérrimos, cruentos
Ai! Tudo arrojarão à campa amargurada!

Porém qu’importa isso! dos mares desta vida
Nos pávidos, estranhos, enormes escarcéus
Se alguma coisa val, és tu, ó luz querida!...

Rasguemos do porvir os áditos, os véus!...
Riamos sem cessar, embora em dor sentida!...
Também as nuvens negras conglobam-se nos céus!


Cruz e Sousa

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Doce ironia

Deixai que eu lembre de nariz erguido
Rindo-me loucamente ao sepulcral
Das flores secas no frio do quintal.

Mas deixai-me das dores expungido
Deixemos que sorria o vil passado
Nos traços incubados de outras eras,

Pois há contentamento encabulado

Saboreando a dor como as panteras.


Alex Oliveira


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AO AMADO AUSENTE

Se apartada do corpo a doce vida,
Domina em seu lugar a dura morte,
De que nasce tardar-me tanto a morte
Se ausente da alma estou, que me dá vida?

Não quero sem Silvano já ter vida,
Pois tudo sem Silvano é viva morte,
Já que se foi Silvano, venha a morte,
Perca-se por Silvano a minha vida.

Ah! Suspirado ausente, se esta morte
Não te obriga querer vir dar-me vida,
Como não ma vem dar a mesma morte?

Mas se na alma consiste a própria vida,
Bem sei que se me tarda tanto a morte,
Que é porque sinta a morte de tal vida.


Violante Montesino
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VIDA E MORTE

Seria a morte uma coisa descabida?
Será talvez simplesmente o fim da vida,
ou decerto um pesadelo, ou mesmo um corte?

Não seria alguma coisa desejada
Pois que a vida é a esperança tão sonhada
de venturas, que nos nega a dura morte!

Mas se sofres, já não almejas a vida

E enfim sonhas que te leve a Boa Morte!


Eliana Calixto

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).