segunda-feira, 12 de março de 2012
CANTIGAS PRA SINHÁ
Publicado por
Gabriel Rübinger
às
23:23
Sinhá
que desabotoa em pétalas,
as rosas brancas se coram de vermelho
porque ficam envergonhadas com tua beleza...
*
Sinhá
que me faz remoer, que me faz banzar,
que me fazer procurar candeias no escuro,
que me faz engarrafar meus sonhos e guardá-los para mais tarde
porque afinal eu prefiro mesmo é passear de mãos dadas com vancê...
*
Sinhá,
tu te esqueces de mim?
É que te lembro no meio do dia
no meio da noite
no meio do caminho e no final também
e quando vejo um passarinho ligeiro sambando no galho
e quando a lua está bem cheia e me pede uma serenata...
Pena que eu não sei tocar violão!
*
Quem te fez, Sinhá?
Não sei quem te esculpiu e depois ainda por cima
pôs esse vestidinho florido só pra debochar a gente!
Tenho inveja desse teu colar... Queria ficar que nem ele,
agarradinho no teu pescoço o dia inteiro...
*
Sinhá, onde estiver
(não importa),
te procuro
atrás da porta.
Costumo achar nada! Mas eu procuro
teu nome
tua voz
teu rosto
por todas as ruas que passo.
*
Sinhá, será que se eu pedir a Xangô
se eu jongar nos terreiros
se eu tocar os atabaques
se eu arrumar um lencinho teu e amarrar
e colocar debaixo da tua cama sem vancê saber,
eu ganho o teu coração?
Só peço uma esmolinha, um tostãozinho de nada
dos teus beijos... aceito parcelado, até
quando eu morrer de amor!
Gabriel Rübinger
quinta-feira, 8 de março de 2012
SÚPLICA
Publicado por
Edir Pina de Barros
às
17:44
Ó, Vênus, que me habita e reina em minhas águas,
diamantinas águas - sonhos meus fluídos –
Senhora dos amores dentro em mim contidos
fontes de meu penar, de mil prazeres, mágoas...
Ó, protetora luz do amor e dos amantes,
com tua força e lume da Crescente Lua,
vem, e ilumina a mim e a minha alma nua,
pois ora estou amando e muito mais que antes.
D’orvalho, as gotas, não rolem em minha face,
diamantinas gotas – filhas de meu pranto –
e não devore o amor, a vida, que é vorace.
Nem morra a força fluída desse meu encanto,
que eu transpire o amor por onde quer que eu passe,
e que m’ encubra sempre seu divino manto.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Castelo de Cristal

(Link)
Castelo de Cristal
Com meus sonhos mais belos, coloridos,
Com meu grão de esperança mais brilhante,
Com meus júbilos, vivos tempos idos,
Erigi meu castelo fulgurante.
Grandes torres ergui perante o céu;
E os salões, tão imensos, tão formosos,
Cobri, zelosamente, pelo véu;
Dos fulgores solares melindrosos.
Mas um dia uma estranha melodia,
D'alguma leda lira, assim eu cria,
Adentrou mui gentil pelo portal,
S'espalhou vagarosa pelos ares,
Ressonou nas paredes e pilares;
E destruiu meu castelo de cristal!
Ivan Eugênio da Cunha
Castelo de Cristal
Com meus sonhos mais belos, coloridos,
Com meu grão de esperança mais brilhante,
Com meus júbilos, vivos tempos idos,
Erigi meu castelo fulgurante.
Grandes torres ergui perante o céu;
E os salões, tão imensos, tão formosos,
Cobri, zelosamente, pelo véu;
Dos fulgores solares melindrosos.
Mas um dia uma estranha melodia,
D'alguma leda lira, assim eu cria,
Adentrou mui gentil pelo portal,
S'espalhou vagarosa pelos ares,
Ressonou nas paredes e pilares;
E destruiu meu castelo de cristal!
Ivan Eugênio da Cunha
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
INDRISAÇÃO #04 - Cruz e Sousa / Violante Montesino

Deixai que deste álbum na folha delicada
Eu venha difundir meus rudes pensamentos
Deixai que as pobres rimas, uns nadas poeirentos
Eu possa transudar da mente entrenublada!...
Deixai que de minh’alma na fibra espedaçada
Eu busque inda vibrar uns cantos tardos, lentos!...
Bem cedo os vendavais, aspérrimos, cruentos
Ai! Tudo arrojarão à campa amargurada!
Porém qu’importa isso! dos mares desta vida
Nos pávidos, estranhos, enormes escarcéus
Se alguma coisa val, és tu, ó luz querida!...
Rasguemos do porvir os áditos, os véus!...
Riamos sem cessar, embora em dor sentida!...
Também as nuvens negras conglobam-se nos céus!
Cruz e Sousa
________________________________________________________
Doce ironia
Deixai que eu lembre de nariz erguido
Rindo-me loucamente ao sepulcral
Das flores secas no frio do quintal.
Mas deixai-me das dores expungido
Deixemos que sorria o vil passado
Nos traços incubados de outras eras,
Pois há contentamento encabulado
Saboreando a dor como as panteras.
Alex Oliveira
________________________________________________________
AO AMADO AUSENTE
Se apartada do corpo a doce vida,
Domina em seu lugar a dura morte,
De que nasce tardar-me tanto a morte
Se ausente da alma estou, que me dá vida?
Não quero sem Silvano já ter vida,
Pois tudo sem Silvano é viva morte,
Já que se foi Silvano, venha a morte,
Perca-se por Silvano a minha vida.
Ah! Suspirado ausente, se esta morte
Não te obriga querer vir dar-me vida,
Como não ma vem dar a mesma morte?
Mas se na alma consiste a própria vida,
Bem sei que se me tarda tanto a morte,
Que é porque sinta a morte de tal vida.
Violante Montesino
________________________________________________________
VIDA E MORTE
Seria a morte uma coisa descabida?
Será talvez simplesmente o fim da vida,
ou decerto um pesadelo, ou mesmo um corte?
Não seria alguma coisa desejada
Pois que a vida é a esperança tão sonhada
de venturas, que nos nega a dura morte!
Mas se sofres, já não almejas a vida
E enfim sonhas que te leve a Boa Morte!
Eliana Calixto
Forma fixa de Craig Tigerman
Publicado por
Febo Vitoriano
às
12:00
PLÊIADES
Plêiades refulgem no azul Infinito...
Pelos saraus, serestas e academias
Pulsam loucamente declamando
Poesia: um êxtase dos deuses
Prosa: flores que formam romance
Poetas, prosadores, as plêiades todas, enfim,
Procuram algo mais prazeroso do que a Poética.
* Septilha criada em 1999, por Craig Tigerman, é uma forma fixa com título obrigatório, constituído de apenas uma palavra seguido de sete versos iniciados pela mesma letra do título. Em contraponto a essa fixidez, versos livres.
O título não precisa ser "plêiade", eu assim pus por julgar interessante o duplo significado (plêiade também pode significar conjunto de escritores)
Aqui no Brasil, a primeira vez que se falou no assunto foi no Fórum do Recanto das Letras, hoje extinto. A definição foi extraída do grupo Poetas e Escritores do Amor e da Paz que cultiva tal forma fixa.
Rommel Werneck
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Rubra Sinfonia

(Link)
Rubra Sinfonia
Instrumentos se erguiam pelo Céu;
E soava, o Vento, a sinfonia alada;
Co'harmonia medonha, tão pesada;
Que caía na Terra em negro véu.
O rubro Céu dançava na babel;
Desta orquestra sinistra e agitada,
Que, ao som de cada sopro, cada arcada,
Se contorcia em fúria dada ao léu.
A música avançava sem compassos;
Co'acordes dissonantes e mui crassos;
De sons enfurecidos já em guerra.
E, em macabra tormenta carmesim,
Desceu o Céu, ao toque do clarim,
E fartou-se de Sangue o breu da Terra!
Ivan Eugênio da Cunha
Rubra Sinfonia
Instrumentos se erguiam pelo Céu;
E soava, o Vento, a sinfonia alada;
Co'harmonia medonha, tão pesada;
Que caía na Terra em negro véu.
O rubro Céu dançava na babel;
Desta orquestra sinistra e agitada,
Que, ao som de cada sopro, cada arcada,
Se contorcia em fúria dada ao léu.
A música avançava sem compassos;
Co'acordes dissonantes e mui crassos;
De sons enfurecidos já em guerra.
E, em macabra tormenta carmesim,
Desceu o Céu, ao toque do clarim,
E fartou-se de Sangue o breu da Terra!
Ivan Eugênio da Cunha
Soneto releitura 1880's em 14 sílabas no ritmo de gaita galega: 4a, 7a, 10a e 14a
Publicado por
Febo Vitoriano
às
00:00
A DANÇA DE DIANA
E sobre a Terra, o veludo molhado, negro manto
Sem ser notada, Diana descansa intensamente
Ela, mulher, deusa, santa, satélite, serpente
Logo desperta suave do sono de acalanto
Desliza um pouco a mantilha e converte-se em crescente
Revela o colo, seus ombros apenas, entretanto
Despe-se toda a rainha das deusas e do encanto
Nua e belíssima: cheia de graça livremente!
E quem contempla a mulher no seu banho, em sua alcova
Logo perdido se vê. Mais um ciclo dela encerra
Ela se cobre, a minguante serpente se renova.
Numa neblina de nuvem, incenso gris na acerra
Sem ser notada, Diana se torna fria e nova
E o manto negro, molhado veludo sobre a Terra
Rommel Werneck
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Desventura - Que Romântico!
Desventura
Ao meu pai, morto aos meus sete anos.
…...............................................................
Para onde fores pai, para onde fores
Irei também, trilhando as mesmas ruas
[...]
Podre meu pai!
Augusto dos anjos
Por que, meu pai, tão cedo me deixaste
Sozinho, neste mundo tão sombrio?
Um doente, meu pai, tu me tornaste...
Nessa vida que causa-me arrepio.
Não te vi, não vi teu sangue escarlate,
Nem onde te apodrece o corpo frio.
Queria eu! o fôlego aspirar-te...
Morrer por ti! e tu em mim teu filho...
...viver por muitos anos mais. Mas não
Preferiste da vida desprover
De alegria - mi’a mãe e meus irmãos
Queria eu! contigo apodrecer!
De que vale - sem ti - pisar no chão?
Melhor seria o céu! Antes morrer...
Por: Ronan Fernandes
XXII/II/MMXII
04:03 o’clock
INDRISAÇÃO #03 - Bocage

Meus dias, que já foram tão luzentes,
Hoje da noite opaca irmãos parecem;
Meus dias miseráveis emurchecem
Longe do gosto, e longe dos viventes:
Horror das trevas, peso das correntes
Olhos, forças me abatem, me entorpecem:
E apenas por momentos me aparecem
Rostos sombrios de intratáveis entes:
Pagam-se da rugosa austeridade;
Antolha-se-lhe um crime, um atentado
Sofrer nos corações a humanidade:
Voai, voai do céu para meu lado,
Ah! Vinde, doce Amor, doce Amizade,
Sou tão digno de vós, quão desgaçado.
Bocage
________________________________________
Triste Fado
Escurece meus dias a tristura;
De não mais desfrutar felicidades;
E sentir gosto só da desventura.
Na treva, que se faz amarga dor,
Não sinto que mereço este meu fado:
Que mais mereço ter do doce Amor.
Mas a Fortuna vale-me a desdita:
Que mais mereço, tenho por mais falto!
Ivan Eugênio da Cunha
sábado, 25 de fevereiro de 2012
INDRISAÇÃO #02 - Lope de Vega
Publicado por
Febo Vitoriano
às
11:03
Un soneto me manda hacer Violante,
que en mi vida me he visto en tal aprieto;
catorce versos dicen que es soneto:
burla burlando van los tres delante.
Yo pensé que no hallara consonante
y estoy a la mitad de otro cuarteto;
mas si me veo en el primer terceto
no hay cosa en los cuartetos que me espante.
Por el primer terceto voy entrando
y parece que entré con pie derecho,
pues fin con este verso le voy dando.
Ya estoy en el segundo, y aun sospecho
que voy los trece versos acabando;
contad si son catorce, y está hecho.
(Lope de Vega. Espanha. Século XVII).
_____________________________________________________
Un indriso me manda hacer mi mano.
A ocho versos así llaman indriso,
y en un soplo los tres primeros gano.
Pensé: “la consonante no diviso”,
mas corren términos en –iso y -ano,
perdón… y dos tercetos ya improviso.
El postrer verso no está tan lejano.
Fue el penúltimo, y hecho está el indriso.
(Isidro Iturat).
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
ROLETA RUSSA: #INDRISAÇÃO
Publicado por
Febo Vitoriano
às
11:22
:
Essa é mais uma edição do Desafio Literário Roleta Russa. Para quem não conhece, clique AQUI - O QUE É ROLETA RUSSA?
PROPOSTA: Indrisação. Consiste em parafrasear ou se inspirar num soneto e criar seu indriso. Leia AQUI - Indrisação #01 - Camões. Os indrisos não precisam ser em versos regulares e/ ou rimados, fica à sua escolha, mas pede-se para dar um caráter retrô/ revivalista ao texto para postarmos aqui.
Essa roleta russa não possui palavras obrigatórias, está mais simplificada, caso esteja difícil o desafio (muito aberto), avisem-me e limito. Uma possibilidade é usar umas três palavras do texto original, se você for escrever seu indriso a partir de um soneto de Shakespeare, você pode usar três palavras do tal soneto. Enfim, é isso!
Assinar:
Postagens (Atom)
REVIVALISMO LITERÁRIO
Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:
* Promoção de Revivalismo;
* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;
* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;
* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;
* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).
* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;
* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;
* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;
* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).




