terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Meu primeiro gregoriano (2010)


Meus primeiros versos em gregoriano anapéstico (3a, 6a e 9a). Mas publicando somente agora pois registrei a pasta em outubro passado.





 


NÓS, 
OS POBRES MORTAIS



Nós, os pobres mortais desta terra,
O céu nunca devemos galgar,
Mas nos versos podemos cantar
A beleza que nunca se encerra.


Vossa força nos vem despertar
O gelado vulcão, dura guerra!
E eu abaixo da mais baixa serra
Como quero vos ver no alto mar!


Oh! No mar que nascestes um dia
Nessas vossas espumas fatais
Em que sois nossa grande poesia!


Já que vós nos Elíseos reinais
Vinde cá visitar algum dia
Vossos servos, os pobres mortais!


Rommel  Werneck


 Venus Goddess of Love - Cross Stitch Chart
 Designer: Maria Diaz
Link

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

FELINA



Se eu sou voraz pantera, tão felina,
senhora desse encanto e tanta graça,
que o corpo teu inteiro assim enlaça,
que tanto te seduz e te alucina...

Se eu tenho o faro bom e a garra fina,
tu és a minha tenra e dócil caça,
que a mim s’entrega inteira, beija e abraça,
por sobre a fina relva da campina.

Se assim me farto porque a ti devoro,
e uivo qual pantera em pleno cio,
voraz felina que depois descansa...

Se solto esse meu uivo tão sonoro,
que ecoa dentro em ti horas a fio,
por certo me tornaste a caça mansa.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

PODER DAS PALAVRAS


Palavras têm poder e brotam dentro d’alma,
são prenhes de emoção, são prenhes de magia,
remédios para a dor... Podem trazer a calma...
Traduzem nosso amor, transportam a poesia.

Palavras são cristais que cortam qual punhal,
podem erguer alguém, podem roubar-lhe o chão,
podem fazer o bem, podem fazer o mal,
podem ser mel ou fel... Ambivalentes são!

São chuvas de verão, refrescam a terra dura...
São nossas filhas, sim, gestadas lá no imo,
escapam pelo olhar, machucam a rija tez.

Podem trazer a paz, podem conter candura,
podem calar o amor, jogar alguém no limo...
Palavras têm poder! E nós a sensatez.

Inquietação


Onde deixei meu coração baldio?
Na tarde de um outono envelhecido,
de folhas a carpir os desenganos
de quem viveu e não amou a vida?


Queixei-me, ao alaúde, das venturas
que agora o vento trouxe. Consolou-me
o vulto violeta de uma breve
verbena que soltou-se de seu galho...


Vesti as ilusões e os velhos sonhos
da imensidão dos campos do cerrado
e cavalguei em nuvens e estrelas.


Banhei meus pés nas lágrimas de um rio
que eu mesmo derramei. Se eu amava,
eu já não sei. Lavei minha alma escrava.

Gabriel Rübinger

domingo, 25 de dezembro de 2011

Inspiração 40's: músicas de fossa + 2a geração do Modernismo





Cary Grant & Katherine Hepburn Phila Story 1940
National Archive Photo by Hoch Hollywood Collection




O OUTRO


Oh! Não, não fales d’outro em minha frente,
Porque ainda sou teu terno marido.
Piedade, mulher, do corrompido
Coração que te prostra eternamente.


Todos sabem que sou homem perdido
E que tu amas outro intensamente!
Todos falam ó sempre e de repente,
Falam sobre mim, o homem esquecido!


Não olhes o outro estando tu comigo!
É que quero banhar-me em ilusão!
Faz de conta que eu deito-me contigo,


Mas não fujo das coisas como são!
Eu relembro somente o tempo antigo:
Sacramento d’amor sem traição!


Rommel Werneck

1941

sábado, 24 de dezembro de 2011

SONETO ÀS NAÇÕES



Nação que não educa seus infantes
escava no seu seio a própria morte,
inscreve no seu chão a triste sorte
de ver morrer seus sonhos mais pujantes.

Espalha fome e dor nos seus quadrantes,
miséria – para o crime o passaporte –
presente no país de sul a norte,
daquelas que ninguém jamais viu antes.

Crianças, das Nações, são seus esteios,
futuros construtores d’outros sonhos,
obreiros d’outros tempos de esperanças.

Lutemos, sem ter medos, sem receios,
por dias mais felizes, mais risonhos
contidos no futuro das crianças.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

LAMENTO



As rosas murchas, tristes, esvaídas
que agora se desfazem sobre a mesa,
ainda ontem davam-me a certeza
do terno amor que unia as nossas vidas

e nossas almas, hoje ressentidas,
sem gestos de carinho, de nobreza,
perdidas da poesia e da pureza,
do encanto e da paixão também perdidas.

Sem ti as minhas noites são saudosas,
e tudo dentro em mim soluça e chora
um pranto de tristeza desmedida...

Disperso pela alcova o olor das rosas
em tudo está presente, dentro e fora
da minha alma triste e emurchecida.

sábado, 19 de novembro de 2011

"És a mesma aurora augusta adormecida"






FLORESTA NEGRA


Hendecassílabo à Nilza Azzi, 5ª, 7ª e 11ª


 “-Toque esse fuso, Aurora! Toque-o!”


És a mesma aurora augusta adormecida
Naquela floresta em volta do castelo
Sangue glacial manténs no dedo belo
Mácula infeliz deixando-te perdida

Amor e supremo medo: eis o duelo!
Cintila em mim uma lava corrompida
Pelas águas desta vida indefinida:
Morrer sem teu beijo, sempre ser donzelo!

E após enfrentar malévolos dragões
Gelo em calor na estrada: sensações...
Vasto mar de rosas, fúlgido horizonte...

Beijando a lascívia minha pura fronte
Naquela floresta, negro alvorecer,
Nos teus braços é que quero adormecer


Rommel  Werneck
 

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Concurso Lady & Lord Era Vitoriana

 
É com muita honra que divulgo o primeiro grande concurso de moda revivalista onde serei jurado juntamente com Pauline Kisner e Sana Skull. Informações, regulamento e procedimentos basta clicar na imagem abaixo.
 
Muito satisfatório saber que nosso blog é parceiro deste concurso por conter as informações literárias necessárias para os candidatos!
 






P.S: Estou ausente do blog porque meu computador está com problemas


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

LAMENTOS INDÍGENAS




I

Primeiro nos tomaram nosso chão,
Depois de tantas lutas, de sevícias,
De sangue derramado por milícias
Nos pantanais, cerrados e sertão.

Estavam construindo uma Nação
Erguida co’s esteios das sordícias!
Com falsos brindes! Álcool! E malícias!
E tudo se repete, desde então.

Tiraram todo o ouro das jazidas,
Agora querem as águas, querem os rios,
Que sempre foram livres, corredios!

Agora querem o pouco que nos resta,
Como se vê! E a história sempre atesta,
Não basta o que tiraram! Terras! Vidas!

II

E foram tantas mortes! Vis chacinas!
Em nome do Progresso, Cruz e Espada,
A América invadida e ensangüentada,
Por mãos tão torpes, duras, assassinas!

Violentadas mães! Avós! Meninas!
Depois de muita guerra e luta armada
De muitos povos nem restou mais nada,
E tudo terminou em mãos sovinas.

A oferta da bebida - grande arma –
A espada, o vírus! Espelhos! Sedução!
O fim de tantos sonhos, tantos povos!

E os novos invasores! Quem desarma?
Quem vai conter agora a dura mão?
E dar à história rumos outros? Novos!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

DOIS HAIKU DE ISSA

Hiroshige, "Noite de Chuva em Karasaki"





     noite glacial -
dobrando a esquina um sino
toca para a criança perdida 



será que minha estrela
também dorme sozinha?
via láctea -



Kobayashi Issa

traduzido por Gabriel Rübinger




REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).