terça-feira, 11 de outubro de 2011

TERZA RIMA III





TERZA  RIMA III


"Quero que me faça outro poema imediatamente"

M.P



Marmorizado nas cores mescladas
Nas curvas vagas, no entanto vibrantes,
Nas linhas priscas, mas não terminadas...



Devo tornar  os traçados brilhantes
Encero, raspo resíduos, aliso
Limpo, lapido os sutis diamantes.


Isto os mortais denominam de piso
Eu fico aqui só beijando o chão
Pois passará com seu lindo sorriso.
O meu senhor em real procissão

Rommel   Werneck

domingo, 9 de outubro de 2011

(Cemitério do Honório Lemes - Foto por Derek Soares Castro)

Jazigo Perpétuo

Por entre esses jazigos funestos,
Que noutrora passávamos rindo...
Hoje quando a passar, vejo-te indo,
Meneando-me o adeus em teus gestos.

E assim, vejo-te longe partindo,
No negror dos sepulcros tão mestos...
Tu deixaste-me apenas os restos,
E o amargor dum pesar tão infindo!

Dessas árvores — esse cipreste,
Dos segredos que outrora me deste,
Ele deve guardar na memória...

Desses túmulos — esse jazigo,
Ele deve guardar, tão consigo,
O romance de nossa atra história.

Derek Soares Castro

* Versos Eneassílabos em Gregoriano Anapéstico (3ª, 6ª e 9ª).

sábado, 8 de outubro de 2011

UM POEMA DE LI BAI


      Nessa longa espera em Chang'an,

Os gafanhotos tecem sua canção de outono

pelo corrimão dourado do poço.

A geada se deita na minha esteira de bambu,

mudando sua cor com o frio.

Minha lâmpada solitária está apagada,

e quero deixar minhas divagações.

Volto a suspender-me, eu fito a Lua,

e longamente suspiro em vão.

A beleza das pessoas é como uma flor

além da borda das nuvens.

Acima há a noite negra com a altura do céu,

Abaixo há a verde água esvoaçando.

O céu é comprido, a estrada é distante,

a melancolia faz minha alma voar.

O sonho da minha alma não passa,

a passagem da montanha é dura.

Essa longa espera quebra meu coração.


Li Bai
por Gabriel Rübinger

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

INDRISO DE RELEITURA SÉC XVI

 

Título: Portrait of a Florentine Nobleman
 Autor: Francesco Salviati (1510–1563)






 A BOA MORTE


A M.P.


--- Quem passa por aqui? --– A Boa Morte
--- Por que boa se matas? --- Não, não mato
--- Que vieste fazer? --- Queimar-te todo


--- Como queimas? --- Com tua permissão
--- Depois fazes quê? --- Levo-te daqui
--- Levas-me aonde? --- Levo-te ao inferno


Isto, chamamos nós de Boa Morte,


Pois não nos mata, só conduz ao fogo...


Rommel   Werneck

04 de outubro de 1554 

(OFF: pra usar com aquela roupinha da foto do meu facebook!)



Notas do autor:


Inicialmente, queria fazer uma releitura deste soneto ilustre de Camões, mantendo a forma fixa italiana, mas mudando o tema para amor. Com o andar da liteira (carruagem é muito séc XIX!), preferi uma forma fixa atual, o indriso é o poema mais contemporâneo que existe, portanto, meu plano foi criar algo ultramoderno mas com fortíssimo retorno ao Maneirismo. Que anacronismo!


A métrica adotada foi o decassílabo com doses de pentâmetro iâmbico em alguns versos para ser mais fiel ao período histórico. Em contraponto, versos brancos para o anacronismo já comentado e também focalizar o ritmo nas perguntas, no conteúdo mesmo além de servir de exemplo de versos isométricos, mas sem rima. 
Infelizmente, muitos poetas contemporâneos acreditam em divisões estabelecidas, por exemplo, "versos com métrica (sic) tem que ter rima ou versos (sem métrica) não podem ter rima". Isto nos leva a um reducionismo, uma restrição do que pode ou não fazer, sendo que precisamos buscar conhecer as várias alternativas possíveis, por exemplo, versos livres rimados, decassílabos sem rima, heterométricos rimados e brancos etc etc. Obviamente, a temática e outros aspectos também precisam se libertar desse puritanismo do Modernismo.

domingo, 2 de outubro de 2011

TERZA RIMA II





John Singer Sargent (1856-1925) -
Young man in reverie



TERZA RIMA II


A M.P.


Se podes me trazer o horrendo luto
No eterno sofrimento desta vida
Como deve ser bom morder o fruto!


Se deixas uma vítima ferida
Por teu rancor e  sede de vingança
Quanta glória em sentir alma perdida!


Se iludes os teus homens de esperança
Fazendo sempre vis promessas vagas
Melhor o inferno me enfiar a lança


Se a beleza do mundo tu apagas
Por ofuscares tudo em teu aroma
É porque tu és uma das dez pragas


Se a tua ira a todos nós assoma
Em maldições de guerras tão supremas
Como te quero, lúbrica Sodoma!


Se rejeitas meus versos. Se blasfemas,
Se descrês no destino, em nossa sorte,
Se duvidas das flamas mais extremas,



Quisera então poder beijar-te forte!
Como queria estar nos braços teus!
Como queria deste amor a morte!
Como queria neste céu ser Deus!


Rommel   Werneck 




P.S: 
Gostaria da opinião crítica dos leitores. Eu fiz em decassílabos e oscilei um pouco entre o dec. her. e o dec. sáfico sendo esta última métrica predominante no final. Eu fiz com certa pressa a pedido do mecenas e foi dificultoso.

sábado, 1 de outubro de 2011

CONQUISTA DA AMÉRICA




Povo mesoamericano,
descendentes dos Toltecas,
Foram guerreiros Astecas,
povo pré-colombiano,
que sofreu dor, sofreu dano
co'a chegada de Cortez
perderam tudo, de vez
o seu soberano espaço,
onde só restou seu traço
por conta da estupidez!

Essa gente de além-mar
apeou nas alvas praias
com intenção de dominar
destruiu os nobres Maias
donos de belas zagaias!
E dos Incas, que falar?
Nada ficou pra contar,
monumentos dos mais lindos,
depressa foram bulindo
só no afã de conquistar!

Oh! Colombo! Oh! Cabral!
Que cruzaram verdes mares
Trazendo a morte, aos milhares,
Tanto horror e tanto mal
E uma tristeza abismal!
Por conta dessas conquistas
Foram tantas as desditas
Tantos povos chacinados
Tantos outros conquistados
Por conta d’ouro, pepitas...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

LUZES & SOMBRAS




Eu e meu pai - Antonio Lycério Pompeo de Barros - publicamos um livro em co-autoria: Luzes & Sombras (Poesias). Suas 124 páginas contém sonetos, rondéis, cordéis, indrisos e outras poesias. Sua Edição foi feita pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores/ CBJE. O livro foi lançado no aniversário de 89 anos de Antonio Lycério, no dia 20 de julho de 2011.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

UM POEMA DE LI CHANG YIN




As flores murcham e caem 
arrastadas pelo vento de outono.
Para onde foge o perfume delas?



Lǐ Shāngyǐn (c. 813–858)
Tradução de Gabriel Rübinger 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

GHAZAL EM ENEASSÍLABOS

Portrait of Paul Hugot (1878)
Author: Gustave Caillebotte



PROSADOR


A M.P.


Ando lendo este mau prosador
E por isto virei seu trovador


O romance sublime que fez
Me mostrou que desejo o escritor


O seu rosto me trouxe palavras
E que tento nos versos compor


As palavras perfeitas que escreve
Me tornaram seu novo cantor


Nos poemas preciso exultá-lo
Revesti-lo de grande louvor


La vem ele na grã procissão
Eu que levo nos ombros o andor


O deus grego caminha elegante
Algum Sol pode ter mais fulgor?


O barão de café, nos meus sonhos,
Surge lânguido em leve palor


Como príncipe, herói de seus contos
E antes mesmo de um beijo d’amor


Ele volta aos romances que escreve
Na fumaça, no fim, no vapor.


Rommel   Werneck

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).