segunda-feira, 19 de setembro de 2011

UM POEMA DE TU FU

Pintor: Katsushika Hokusai.    

Há três noites que sonho contigo.
Estavas em minha porta,
passando a mão pelos cabelos brancos,
como se uma grande pena te amargasse a alma.
Depois de dez mil, cem mil outonos,
não terás outro prêmio
além da inútil imortalidade.

De  Tu Fu para Li Po.
Tradução: Gabriel Rübinger  

sábado, 17 de setembro de 2011

CISMAS



Morreu em mim alguma coisa que não sei
Se foi o sonho, a dor, desejo ou poesia,
Só sei que em mim restou a alma mui vazia,
Um vasto império sem ninguém, sem ter um rei.

Nada restou de tudo aquilo que sonhei
Além dessa tristura, dessa nostalgia,
Escombros e ruínas do que tanto cria,
Fantasmas e miasmas de quem tanto amei.

Não sei ! Alguma coisa se rompeu em mim!
Quebrou-se em mil pedaços que se foram ao vento,
Deixando no meu imo esse vácuo imenso.

Só sei que algumas vezes cismo e mesmo penso
que tudo em mim morreu mas que viver eu tento,
para cantar o amor que me deixou assim.

TARDES PANTANEIRAS



Inolvidáveis tardes, ternas, pantaneiras,
de sussurrantes águas, segredando amores,
brincando sobre as relvas ou beijando as flores,
lambendo os jacarés, aos montes, pelas beiras.

Ao longe, dos ninhais, se ouviam mil rumores,
Dos pássaros, das garças, brancas e faceiras,
O gado, a mugir, na sombra das mangueiras,
E a flutuar canoas, com seus pescadores.

Ah! Tempos de fartura! Cheiros de jasmim!
De índios e caboclos, tempos bem diversos,
de redes nas varandas, roças ribeirinhas.

Tempos que longe vão, mas vivem dentro em mim,
Na entranha de minh’alma, onde gesto os versos,
Na intimidade morna das saudades minhas.

CHEIRO DE PITANGA



Faz-me lembrar a infância, o cheiro de pitanga,
Os ledos dias meus brincando nos quintais,
Os tempos de inocência, que não voltam mais,
Brincando de casinha sob o pé de manga.

Álacres tempos, sem censuras e sem zanga,
De rodas e cirandas, d’outros carnavais...
Ah! Tempos bons! Que não esquecerei, jamais!
Carros de boi gemendo! Dóceis bois de canga.

Ah! Cheiro de pitanga!Minha meninice!
Rodando bambolê, jogando amarelinha,
Catando pirilampos nas noites sem lua.

Cheirinho de pitanga machucada e crua,
Aroma de saudade da infância minha,
Prenhe de sonhos tantos, ilusões, ledice.

BEM QUERER




A fonte ressurgindo onde secara,
A borbulhar em gotas de prazer,
banhando-me co’a sua água clara,
penetra nos meus poros, alma e ser.

A fonte que secou volta a correr,
Com tanta fluidez, outrora rara,
Tornando mais alegre o meu viver,
Fazendo-me sentir qual bela Iara.

Vibrando co’o poder das águas suas
Tangendo as minhas curvas mornas, nuas
Morrendo-me d’amor eu me deleito.

Oh! Fonte de prazer! Oh! Doce fonte!
O mar é o nosso fim! Nosso horizonte!
Eu quero ser areia no seu leito.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

MINHA PRIMEIRA TERZA RIMA





TERZA RIMA I


Em teu corpo, enfim, falecer, terminar,
Perder minhas forças, entregar a vida,
Deixar de ser, decair, me matar...

Escravo fiel, uma sombra vencida
Na guerra por teus braços gladiadores
E em teu abandono como suicida

Apanhar de ti, gritar, gozar nas dores
Em êxtases rubros, sádico prazer
Isso é mais sublime que o amor dos amores
Não é amor, é docemente morrer!


Rommel  Werneck





NOTA: 

Publico estes hendecassílabos que acabam de ser feitos pedindo a opinião de meus preciosos leitores e também de Edir Pina e Derek 
provando que quero lhes dar a devida atenção...



quarta-feira, 14 de setembro de 2011

LUA CHEIA


Ó, lua cheia que prateia a rua,
Beijando co’s seus raios as calçadas,
As rosas coloridas, perfumadas,
Quisera ser assim, ó, bela lua!

Por que não me iluminas, lua cheia?
Existem nos meus ermos sombras densas,
Enormes e profundas, mui extensas,
Sem ter sequer a luz d’uma candeia.

Oh! Lua cor de prata! Purpurina!
Oh! Vem! Formosa lua! E me ilumina!
Por que de mim te esqueces tanto assim?

Clareia os ermos meus, as minhas sendas,
Co'a luz dos raios teus, de finas rendas,
Põe fim nessa tristura dentro em mim.

sábado, 10 de setembro de 2011

ALUMBRAMENTO




Tu causas dentro em mim tamanho encanto
Que vejo estrelas mesmo sendo dia,
e tudo entorno se enche d’alegria
se vejo teus olhinhos, que amo tanto!

Nos braços teus renasço e me acalanto,
Co’a força dessa luz que s’irradia
Da aura tua! Pura luz! Poesia!
Mais bela que um campo d’heliantos.

Perdida nesse encanto, alumbramento,
Amar-te muito mais ainda tento,
Mas não existe amor maior na vida.

E eu sigo alumbrada, sempre a amar-te,
Buscando-te, querido, em toda parte,
Perdida de paixão! D’amor perdida!

JAZIGO PERPÉTUO



Venho neste espaço convidar a todos a acessarem o meu Blog.

Jazigo Perpétuo:


Desde já agradeço. Cordial abraço.

Derek Soares Castro

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

CONVERSA ÍNTIMA




Abri-me com carinho! Lede-me, vos peço,
sorvendo cada letra, escrita neste ninho
de versos, como se faz com o antigo vinho,
que neste livro - fina taça - eu ofereço!

De minha entranha arranco os versos que aqui teço,
São gotas d’alma que chorando bem baixinho,
Respingam nestas folhas, com paixão, carinho,
De minha vida, mil pedaços, que forneço...

Nas vossas mãos eu sou igual a fina bolha,
Que ao bruto toque pode se romper ligeiro,
Eu quero o vosso amor, a vossa grande estima!

E com cuidado, ide a cada canto e folha,
Porque sou todo vosso, sem temor, inteiro,
Em cada verso, cada ponto, cada rima!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

MEDUSA?




De mármore, por certo, tu és feito,
Impenetrável, como o mar profundo,
Distante desta vida, deste mundo
Ainda que te deites no meu leito.

Eu olho teu semblante e tudo espreito,
Procuro a alma tua lá no fundo
do teu olhar, gelado e moribundo,
e vejo um labirinto frio e estreito.

Às vezes me pergunto - e mesmo cismo -
se cavei entre nós imenso abismo,
Que agora, entre rendas, fica exposto!

Seria eu Medusa poderosa?
Maldita e soberana? Monstruosa?
Ou seria, ó, meu amado, o oposto!

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).