sábado, 10 de setembro de 2011

ALUMBRAMENTO




Tu causas dentro em mim tamanho encanto
Que vejo estrelas mesmo sendo dia,
e tudo entorno se enche d’alegria
se vejo teus olhinhos, que amo tanto!

Nos braços teus renasço e me acalanto,
Co’a força dessa luz que s’irradia
Da aura tua! Pura luz! Poesia!
Mais bela que um campo d’heliantos.

Perdida nesse encanto, alumbramento,
Amar-te muito mais ainda tento,
Mas não existe amor maior na vida.

E eu sigo alumbrada, sempre a amar-te,
Buscando-te, querido, em toda parte,
Perdida de paixão! D’amor perdida!

JAZIGO PERPÉTUO



Venho neste espaço convidar a todos a acessarem o meu Blog.

Jazigo Perpétuo:


Desde já agradeço. Cordial abraço.

Derek Soares Castro

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

CONVERSA ÍNTIMA




Abri-me com carinho! Lede-me, vos peço,
sorvendo cada letra, escrita neste ninho
de versos, como se faz com o antigo vinho,
que neste livro - fina taça - eu ofereço!

De minha entranha arranco os versos que aqui teço,
São gotas d’alma que chorando bem baixinho,
Respingam nestas folhas, com paixão, carinho,
De minha vida, mil pedaços, que forneço...

Nas vossas mãos eu sou igual a fina bolha,
Que ao bruto toque pode se romper ligeiro,
Eu quero o vosso amor, a vossa grande estima!

E com cuidado, ide a cada canto e folha,
Porque sou todo vosso, sem temor, inteiro,
Em cada verso, cada ponto, cada rima!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

MEDUSA?




De mármore, por certo, tu és feito,
Impenetrável, como o mar profundo,
Distante desta vida, deste mundo
Ainda que te deites no meu leito.

Eu olho teu semblante e tudo espreito,
Procuro a alma tua lá no fundo
do teu olhar, gelado e moribundo,
e vejo um labirinto frio e estreito.

Às vezes me pergunto - e mesmo cismo -
se cavei entre nós imenso abismo,
Que agora, entre rendas, fica exposto!

Seria eu Medusa poderosa?
Maldita e soberana? Monstruosa?
Ou seria, ó, meu amado, o oposto!

domingo, 4 de setembro de 2011

ENLACE FATAL



Chorava, a fonte, a tarde que caia,
Sanguinolenta e triste n’horizonte,
Sangrava a tarde e mais chorava a fonte,
Ao fim do langoroso e triste dia.


Chorava ao ver, da tarde, tal desmonte
A fonte que, de dor, ficou mais fria,
Demais chorou, até ficar vazia,
Sem água sobre a areia fina e insonte.
.
Ai! Como é triste ver morrer a tarde
Ensangüentada e sem fazer alarde,
Entregue, tão passiva, ao por do sol.

Choramos, eu e a fonte, de tristura!
sentindo dentro em nós terna amargura,
ao ver morrer a tarde no arrebol

Edir

sábado, 3 de setembro de 2011

Este espaço entristeceu!


Já não tem mais a vida que tinha antes... o que se passa? O Facebook é bom para divulgação, mas não cumpre a mesma função que este espaço.

SEGREDO



Pensam que levo n’alma um paraíso,
Porque andejo assim sorrindo à toa,
Cantando uma canção, ou mesmo loa,
Plantando uma poesia aonde piso.

Porque nos lábios trago um sorriso,
Já pensam que sou calma, qual lagoa,
serena feito a garça quando voa,
menina distraída, sem juízo.

Porém, enquanto passo sorridente,
Ainda que feliz eu me aparente,
Nos rastros meus há marcas d’amargura.

Nos ermos de minh’alma peregrina,
por trás dessa aparência de menina,
Escondo a minha imensa dor! Tristura!


mudei, acho que fica mais condizente com o resto do soneto.
Grata, colega, pela opinião.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

ANDEJA




Andeja solitária desses ermos prados,
Pisando mil veredas feitas d’amarguras,
Perdida dentro em mim, nas sendas mui escuras,
Eu sigo a sorte própria dos desventurados.

E ao ver os sonhos meus desfeitos, desbotados
quais flores que morreram - d’antes belas, puras –
colhidas nesse tempo de tristeza, agruras,
d’amores que se vão, tão mudos, tão calados.

Pisando as folhas secas desses meus caminhos,
Sentindo em minha tez os beijos teus, carinhos,
Revivo dentro em mim o nosso amor passado.

Ai! Que destino o meu! Andar sem rumo certo!
Pisando as minhas dores, sem ter ver por perto,
Colhendo as flores mortas do que hei sonhado.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

CICLOS (VII) – FALENAS





O vento, que balança as belas flores,
Derruba as suas pétalas pequenas,
Beija também teus lábios e melenas,
roubando teus perfumes, teus olores.

E a flutuar nos ares, quais falenas,
As pétalas se vão, feito os amores,
Perdendo, pouco a pouco, as suas cores,
Nas tardes langorosas, mui serenas.

Valsando vão-se as pétalas da vida
Que o tempo aos poucos tira, feito o vento,
Que arranca as folhas mortas, outonais.

Falenas! Flores! Vento! Despedida!
Ciclos vitais! Mudá-los eu nem tento!
Pois nada sou! Sou uma folha a mais.

CAMPOS DE MINHA INFÂNCIA




Campos de minha infância, meus cerrados,
Replenos de araçás, pequis, marmelos,
Doces cajus vermelhos, amarelos,
Que hoje não se vê por esses prados.

Ah! Minha infância! Tempos encantados!
Que palmilhava alegre, de chinelos,
Catando seus frutinhos mui singelos,
Lembranças d’outros tempos já passados.

Não há mais gabirobas, araçás,
Nem doces bocaiúvas, ananás.
Veados pelos campos! Tão faceiros.

Estão os campos todos bem arados!
Mas hoje dentro em mim estão plantados
Os frutos que colhi! Seus doces cheiros!

NUM DIA EM QUE SE ACHOU MAIS PACHORRENTO

Sou Filipe Rodrigues Cavalcante,
nasci em Santa Inês do Maranhão.
Desde pequeno leio de montão,
tanto que nunca fui interessante.

O meu vestibular foi empolgante.
Passei para Direito, e a louvação
foi tanta que perderam a noção
de por que é que o meu curso é importante.

Mas apesar do status que eu não quis,
e que só tenho longe dos juristas,
tô mais pra literato, mas feliz.

Eu creio em Deus e nas virtudes finas,
não sou de todo mal às minhas vistas.
No entanto não me enxergam as meninas.


F.C.

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).