domingo, 4 de setembro de 2011

ENLACE FATAL



Chorava, a fonte, a tarde que caia,
Sanguinolenta e triste n’horizonte,
Sangrava a tarde e mais chorava a fonte,
Ao fim do langoroso e triste dia.


Chorava ao ver, da tarde, tal desmonte
A fonte que, de dor, ficou mais fria,
Demais chorou, até ficar vazia,
Sem água sobre a areia fina e insonte.
.
Ai! Como é triste ver morrer a tarde
Ensangüentada e sem fazer alarde,
Entregue, tão passiva, ao por do sol.

Choramos, eu e a fonte, de tristura!
sentindo dentro em nós terna amargura,
ao ver morrer a tarde no arrebol

Edir

sábado, 3 de setembro de 2011

Este espaço entristeceu!


Já não tem mais a vida que tinha antes... o que se passa? O Facebook é bom para divulgação, mas não cumpre a mesma função que este espaço.

SEGREDO



Pensam que levo n’alma um paraíso,
Porque andejo assim sorrindo à toa,
Cantando uma canção, ou mesmo loa,
Plantando uma poesia aonde piso.

Porque nos lábios trago um sorriso,
Já pensam que sou calma, qual lagoa,
serena feito a garça quando voa,
menina distraída, sem juízo.

Porém, enquanto passo sorridente,
Ainda que feliz eu me aparente,
Nos rastros meus há marcas d’amargura.

Nos ermos de minh’alma peregrina,
por trás dessa aparência de menina,
Escondo a minha imensa dor! Tristura!


mudei, acho que fica mais condizente com o resto do soneto.
Grata, colega, pela opinião.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

ANDEJA




Andeja solitária desses ermos prados,
Pisando mil veredas feitas d’amarguras,
Perdida dentro em mim, nas sendas mui escuras,
Eu sigo a sorte própria dos desventurados.

E ao ver os sonhos meus desfeitos, desbotados
quais flores que morreram - d’antes belas, puras –
colhidas nesse tempo de tristeza, agruras,
d’amores que se vão, tão mudos, tão calados.

Pisando as folhas secas desses meus caminhos,
Sentindo em minha tez os beijos teus, carinhos,
Revivo dentro em mim o nosso amor passado.

Ai! Que destino o meu! Andar sem rumo certo!
Pisando as minhas dores, sem ter ver por perto,
Colhendo as flores mortas do que hei sonhado.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

CICLOS (VII) – FALENAS





O vento, que balança as belas flores,
Derruba as suas pétalas pequenas,
Beija também teus lábios e melenas,
roubando teus perfumes, teus olores.

E a flutuar nos ares, quais falenas,
As pétalas se vão, feito os amores,
Perdendo, pouco a pouco, as suas cores,
Nas tardes langorosas, mui serenas.

Valsando vão-se as pétalas da vida
Que o tempo aos poucos tira, feito o vento,
Que arranca as folhas mortas, outonais.

Falenas! Flores! Vento! Despedida!
Ciclos vitais! Mudá-los eu nem tento!
Pois nada sou! Sou uma folha a mais.

CAMPOS DE MINHA INFÂNCIA




Campos de minha infância, meus cerrados,
Replenos de araçás, pequis, marmelos,
Doces cajus vermelhos, amarelos,
Que hoje não se vê por esses prados.

Ah! Minha infância! Tempos encantados!
Que palmilhava alegre, de chinelos,
Catando seus frutinhos mui singelos,
Lembranças d’outros tempos já passados.

Não há mais gabirobas, araçás,
Nem doces bocaiúvas, ananás.
Veados pelos campos! Tão faceiros.

Estão os campos todos bem arados!
Mas hoje dentro em mim estão plantados
Os frutos que colhi! Seus doces cheiros!

NUM DIA EM QUE SE ACHOU MAIS PACHORRENTO

Sou Filipe Rodrigues Cavalcante,
nasci em Santa Inês do Maranhão.
Desde pequeno leio de montão,
tanto que nunca fui interessante.

O meu vestibular foi empolgante.
Passei para Direito, e a louvação
foi tanta que perderam a noção
de por que é que o meu curso é importante.

Mas apesar do status que eu não quis,
e que só tenho longe dos juristas,
tô mais pra literato, mas feliz.

Eu creio em Deus e nas virtudes finas,
não sou de todo mal às minhas vistas.
No entanto não me enxergam as meninas.


F.C.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Quase pentâmetro iâmbico







FRACOS E FINOS
 

Estes teus braços tão fracos e finos,
Tão leves, tão sublimes, tão perfeitos!
Seres mortos, terríveis, cristalinos,
Tão calmos, tão serenos e desfeitos...


Estes teus braços tão finos e fracos,
Tão tristes, tão funéreos, tão cansados!
Corpos cândidos, mil vezes opacos,
Tão rudes, tão simplórios, tão malvados...


Tão temerosos são esses destinos,
Tão belos, tão mortais, fracos e finos,
Tão tão pálidos, tão livres, tão frios...

Tão magros, tão vazios, tão sombrios,
Tão feios, tão fatais, tão macilentos,
Que me excitam em todos os momentos!


Rommel    Werneck

sábado, 20 de agosto de 2011

FOTOGRAFIAS DO CONSELHO STEAMPUNK NO FANTASTICON 2011


Olá, Caríssimos.


Estive no Congresso de Literatura Fantástica ocorrido na Biblioteca Viriato Corrêa. Destaco aqui as fotografias no stand do Conselho SteamPunk Paulista.












































domingo, 14 de agosto de 2011

TRECHO DE UMA EPOPEIA INACABADA

De Oeiras, então capital da província do Piauí, saiu a tropa do capitão Fidié para dominar o levante da Vila de Parnaíba
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(...)
Enfim chegou o dia em que o preparo
das armas e soldados terminou.
Saindo à rua, o capitão preclaro
à praça da cidade caminhou.
Dia festivo, o céu estava claro,
o sol bem vivo, aves a voar. Notou
parecer que a natura se alegrava
com a missão que o capitão tomava.

Tanta era a tropa que encontrou na praça
que já tomava muitas das vielas.
Tantos soldados vieram, que se faça
a guerra à Parnaíba e contra aquelas
que aderirem à causa da ameaça.
Fidié vê-lhes as faces, e vê nelas
a sede, a ânsia de lutas que se encerra
nos olhos de soldados indo à guerra.

Em redor, das janelas dos sobrados,
apinhada nas árvores, nas ruas,
para ver a partida dos soldados
se amontoava a multidão. Das suas
saídas em campanha pra os armados
conflitos com franceses, lutas cruas,
o capitão lembrava-se, contente
de servir sua terra novamente.

Os homens, todos postos em sentido,
traziam uns mosquete, outros fuzil,
baioneta acoplada. Protegido
vai o carregamento, de armas mil
e munições pro cerco abastecido.
E ao fim trazem o trunfo seu hostil:
alguns canhões, que a tudo venceriam
e a que inimigos não derrubariam.

Muitas mulheres, viu Fidié, rezavam
a Santo Antônio, o santo português,
que olhasse e protegesse quem amavam –
irmãos, esposos – e que desse a vez
de reprimir a ofensa; que esperavam
que os seus voltassem bem, sendo das leis
de Portugal os braços defensores,
vitoriosos sobre os vis traidores.


O capitão falou: “Soldados, a hora
chegou. Marchemos rumo à vila
corruptora a que ireis vós agora
tomar. Ela não pode estar tranquila.
Por Portugal, homens, vamos embora.”
A tropa então saiu, marchando em fila,
atrás do capitão na montaria,
soaram passos, troou cavalaria.
(...)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

PAGANISMO POÉTICO

Oh bons espíritos que em outro plano
têm bem patente o lume das ideias –
vossos estalos e onomatopeias
dão-me com que escapar de estar insano.

Acompanhando a dor a cada dano
e derrota na busca de epopeias,
com magnólias, rosas e azaleias
meu chão atapetais, deixando-o humano.

E pelo mundo vou, correndo risco,
e arremessado sou de pólo a pólo,
e encaro o temporal como a chuvisco.

Só peço não me tires, Febo Apolo,
só peço não me tires, São Francisco,
o dom da rima, com que me consolo.

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).