segunda-feira, 29 de agosto de 2011

CICLOS (VII) – FALENAS





O vento, que balança as belas flores,
Derruba as suas pétalas pequenas,
Beija também teus lábios e melenas,
roubando teus perfumes, teus olores.

E a flutuar nos ares, quais falenas,
As pétalas se vão, feito os amores,
Perdendo, pouco a pouco, as suas cores,
Nas tardes langorosas, mui serenas.

Valsando vão-se as pétalas da vida
Que o tempo aos poucos tira, feito o vento,
Que arranca as folhas mortas, outonais.

Falenas! Flores! Vento! Despedida!
Ciclos vitais! Mudá-los eu nem tento!
Pois nada sou! Sou uma folha a mais.

CAMPOS DE MINHA INFÂNCIA




Campos de minha infância, meus cerrados,
Replenos de araçás, pequis, marmelos,
Doces cajus vermelhos, amarelos,
Que hoje não se vê por esses prados.

Ah! Minha infância! Tempos encantados!
Que palmilhava alegre, de chinelos,
Catando seus frutinhos mui singelos,
Lembranças d’outros tempos já passados.

Não há mais gabirobas, araçás,
Nem doces bocaiúvas, ananás.
Veados pelos campos! Tão faceiros.

Estão os campos todos bem arados!
Mas hoje dentro em mim estão plantados
Os frutos que colhi! Seus doces cheiros!

NUM DIA EM QUE SE ACHOU MAIS PACHORRENTO

Sou Filipe Rodrigues Cavalcante,
nasci em Santa Inês do Maranhão.
Desde pequeno leio de montão,
tanto que nunca fui interessante.

O meu vestibular foi empolgante.
Passei para Direito, e a louvação
foi tanta que perderam a noção
de por que é que o meu curso é importante.

Mas apesar do status que eu não quis,
e que só tenho longe dos juristas,
tô mais pra literato, mas feliz.

Eu creio em Deus e nas virtudes finas,
não sou de todo mal às minhas vistas.
No entanto não me enxergam as meninas.


F.C.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Quase pentâmetro iâmbico







FRACOS E FINOS
 

Estes teus braços tão fracos e finos,
Tão leves, tão sublimes, tão perfeitos!
Seres mortos, terríveis, cristalinos,
Tão calmos, tão serenos e desfeitos...


Estes teus braços tão finos e fracos,
Tão tristes, tão funéreos, tão cansados!
Corpos cândidos, mil vezes opacos,
Tão rudes, tão simplórios, tão malvados...


Tão temerosos são esses destinos,
Tão belos, tão mortais, fracos e finos,
Tão tão pálidos, tão livres, tão frios...

Tão magros, tão vazios, tão sombrios,
Tão feios, tão fatais, tão macilentos,
Que me excitam em todos os momentos!


Rommel    Werneck

sábado, 20 de agosto de 2011

FOTOGRAFIAS DO CONSELHO STEAMPUNK NO FANTASTICON 2011


Olá, Caríssimos.


Estive no Congresso de Literatura Fantástica ocorrido na Biblioteca Viriato Corrêa. Destaco aqui as fotografias no stand do Conselho SteamPunk Paulista.












































domingo, 14 de agosto de 2011

TRECHO DE UMA EPOPEIA INACABADA

De Oeiras, então capital da província do Piauí, saiu a tropa do capitão Fidié para dominar o levante da Vila de Parnaíba
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(...)
Enfim chegou o dia em que o preparo
das armas e soldados terminou.
Saindo à rua, o capitão preclaro
à praça da cidade caminhou.
Dia festivo, o céu estava claro,
o sol bem vivo, aves a voar. Notou
parecer que a natura se alegrava
com a missão que o capitão tomava.

Tanta era a tropa que encontrou na praça
que já tomava muitas das vielas.
Tantos soldados vieram, que se faça
a guerra à Parnaíba e contra aquelas
que aderirem à causa da ameaça.
Fidié vê-lhes as faces, e vê nelas
a sede, a ânsia de lutas que se encerra
nos olhos de soldados indo à guerra.

Em redor, das janelas dos sobrados,
apinhada nas árvores, nas ruas,
para ver a partida dos soldados
se amontoava a multidão. Das suas
saídas em campanha pra os armados
conflitos com franceses, lutas cruas,
o capitão lembrava-se, contente
de servir sua terra novamente.

Os homens, todos postos em sentido,
traziam uns mosquete, outros fuzil,
baioneta acoplada. Protegido
vai o carregamento, de armas mil
e munições pro cerco abastecido.
E ao fim trazem o trunfo seu hostil:
alguns canhões, que a tudo venceriam
e a que inimigos não derrubariam.

Muitas mulheres, viu Fidié, rezavam
a Santo Antônio, o santo português,
que olhasse e protegesse quem amavam –
irmãos, esposos – e que desse a vez
de reprimir a ofensa; que esperavam
que os seus voltassem bem, sendo das leis
de Portugal os braços defensores,
vitoriosos sobre os vis traidores.


O capitão falou: “Soldados, a hora
chegou. Marchemos rumo à vila
corruptora a que ireis vós agora
tomar. Ela não pode estar tranquila.
Por Portugal, homens, vamos embora.”
A tropa então saiu, marchando em fila,
atrás do capitão na montaria,
soaram passos, troou cavalaria.
(...)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

PAGANISMO POÉTICO

Oh bons espíritos que em outro plano
têm bem patente o lume das ideias –
vossos estalos e onomatopeias
dão-me com que escapar de estar insano.

Acompanhando a dor a cada dano
e derrota na busca de epopeias,
com magnólias, rosas e azaleias
meu chão atapetais, deixando-o humano.

E pelo mundo vou, correndo risco,
e arremessado sou de pólo a pólo,
e encaro o temporal como a chuvisco.

Só peço não me tires, Febo Apolo,
só peço não me tires, São Francisco,
o dom da rima, com que me consolo.

domingo, 7 de agosto de 2011

ALTAMISA




Silêncio! Escuta a brisa que murmura,
E sobre as folhas rola e se desliza,
A balançar as flores d’altamisa,
Tão perfumadas, prenhes de candura.

Tu podes escutar a doce brisa?
Ouvir a sua voz na noite escura?
Nas flores d’altamisa ela perdura
E faz juras d’amor, à sua guisa!

E com seu jeito firme, mas galante,
Do modo que s’espera d’um amante,
Nos braços d’altamisa caí, s’enlaça.

E a alisa com seu jeito morno e arfante
E vai! E vem! E a roça quando passa!
Quanta mesura! Quanto garbo! Graça!

sábado, 6 de agosto de 2011

QUE ROMÂNTICO! Releitura


Soneto

Corre nos campos virgem inocente,
Corre tão linda! pálida donzela.
Oh! Corre em seu Corcel, um anjo a vela
Enquanto sonha o menestrel demente

A noite cai, donzela, o teu dossel
Espera os sonhos teus, durma! Em plenitude
Suspira por ti, notas no alaúde
Suspira por ti, triste menestrel

No campo, como quadro de aquarela
Corre pálida, pálida donzela
Corre, virgem maviosa, em seu corcel

No pálido alaúde, toca um hino
Geme o arco nas cordas do violino
Geme o peito no pobre menestrel

Por: Ronan Fernandes

VII/XI/MMXI
00:54 o'clock

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

MINIMALISTA WERNECKIANA

Imagem: DOUG FLUCKINGER, Sturm und Drang
A noite chegando
Após dias luminosos
Sturm und Drang

terça-feira, 2 de agosto de 2011

ESPELHOS





Em mil espelhos fui buscar as minhas faces
As vãs quimeras que um dia hei sonhado,
mas nada vi além do tempo já passado,
e as marcas suas, tão profundas, tão voraces.

Nada restou daqueles tempos tão fugaces,
E em cada face vi de mim o outro lado,
Amante, mãe, mulher, amiga em cada fado,
Seus tons mais frágeis, mais mesquinhos, mais audaces.

Uma feliz, tristonha outra, outra pura,
Uma pudica, outra santa e a pecadora,
Mas cada qual guardando em si outra secreta.

Mas todas elas são libertas da clausura,
Quando se impõe co’s versos seus a trovadora,
Aquela que, além de tudo, é poeta.

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).