segunda-feira, 4 de abril de 2011

DESDITOSA



Sem ti me morro! Sinto dores tantas!
E sigo assim a vida que me resta,
Olhando-a pelo vão de escura fresta,
Enquanto que com outras tu t’encantas...

Ah! De saudades tantas eu me morro,
Enquanto a vida para ti é festa...
Mas para mim é triste e tão funesta,
E sem fulgor algum eu a percorro.

E te esquecer tentei... Mas desditosa
andejo sem sentir a própria vida,
a repisar as minhas mágoas, dores...

Carrego esta tristura mui brumosa,
da dor que vem do amor que não s’olvida,
Sorvendo o amargo fel de seus licores.

NASCE UM CLÁSSICO





  
          Clássicas são as obras que brilharam no passado e que hoje estendem seu brilho para as modernas manifestações da atualidade. Clássicos também são os pensamentos e devaneios humanos que nunca abandonam as artes e a sociedade. 


        No campo literário, o soneto merece o título de cátedra das cátedras por sua larga repercussão sem causar repetições cansativas na História. Se o soneto surgiu lá no Humanismo e reina ainda hoje, não há problemas em providenciar um príncipe encantado para ser regido com maestria. 


        O indriso é uma nova forma fixa criada por Isidro Iturat, artista espanhol que reside em São Paulo. O indriso é composto por oito versos distribuídos em dois tercetos e dois monósticos sem exigir a regularidade métrica dos versos e a rima, o que no soneto é uma grande polêmica. O modelo 3-3-1-1 estreou em janeiro de 2001, na capital espanhola enquanto em língua portuguesa o primeiro texto na nova forma fixa foi escrito pela pernambucana Cláudia Banegas, poucos anos depois.




BORBOLETANDO


Borboletas coloridas, bailam em um vai e vem.
Soltas e leves, espalham energia.
Cada uma é única, peculiar.


Transformadas, mudadas,
metamorfoseadas, enfim.
Sem retorno, sem volta.


São a perfeita expressão da natureza.


São evoluídas; lagartas, nunca mais.


CLÁUDIA BANEGAS



        Assim como o hai-cai, o soneto e outras formas fixas, o indriso preza pela concisão, o desafio está em combinar as palavras num espaço determinado. Seria muito interessante entrar na questão da densidade do texto exposto, a escritora e artista plástica Monique Allain já me dizia que o desafio da lírica era: revelar na máxima leveza a máxima profundidade. 


        O texto de Banegas realmente traz a densidade. O título “Borboletando” significa agindo como borboleta, o foco é a semelhança com as borboletas e não as borboletas em si. O eu-lírico cria a atmosfera harmônica das borboletas conforme se evidencia na primeira e terceira estrofes enquanto nos outros versos o tempo é o tema. Parece que há uma preocupação em mostrar que as belas borboletas nunca mais voltarão a ser lagartas (“sem retorno, sem volta”) o que torna a transitoriedade da vida tema central da obra. O próprio Isidro considera Cláudia Banegas a “explosão do indriso no Brasil”.


        Como se pode conferir, um clássico pode surgir perfeitamente nos dias atuais, a língua e a literatura estão sempre em transformação. E clássicos sempre são dignos de gerar não somente textos comuns, mas também outros clássicos.


Links Úteis:







 

 



quinta-feira, 31 de março de 2011

PHOTOGRAPHIAS DA SAÍDA FOTOGRÁFICA "OLHARES SOBRE A HISTÓRIA" DA SOCIEDADE HISTÓRICA DESTERRENSE






No aniversário de Florianópolis aconteceu a Saída Fotográfica "Olhares sobre a História" na qual os convivas vestiram trajes do recorte histórico 1530-1930


As fotografias de Maurice Kisner se encontram disponíveis no Flickr da SHD



                  Para conhecer o grupo pioneiro em Reconstrucionismo Histórico basta acessar

terça-feira, 29 de março de 2011














Parabéns galera do Poesia Retrô pelos 2 anos de Vida! Editei um poema de Goulart de Andrade que é dentro do espírito do Poesia Retrô para dividir com todos e homenagear a data, abraços, Alexandre!

AH! SE EU PUDERA!

Ah!Se eu pudera ter-te agora junto a mim,
E acalantar com meus carinhos teu enfado,
E esvoaçar nos braços teus, ó meu amado,
Contigo iria aos céus do amor até o fim...

Quisera ter-te sem pudor, abandonado,
Entre os meus braços, meus lençóis de cor carmim!
Seria eu bem mais feliz se fora assim,
O meu viver seria mais iluminado...

Ah! Se eu pudera meu amado querubim
Roubar-te-ia, sem pensar, um beijo ousado,
E sonharia o sonho teu, o mais dourado!
Morrer-me-ia, sem pensar, por ti, enfim...

Mas tu a mim nem vês... Nem ouves meus clamores...
Enquanto aqui me morro pelos teus amores!

segunda-feira, 28 de março de 2011

AH! SE EU PUDERA!



Ah!Se eu pudera ter-te agora junto a mim,
E acalantar com meus carinhos teu enfado,
E esvoaçar nos braços teus, ó meu amado,
Contigo iria aos céus do amor até o fim...

Quisera ter-te sem pudor, abandonado,
Entre os meus braços, meus lençóis de cor carmim!
Seria eu bem mais feliz se fora assim,
O meu viver seria mais iluminado...

Ah! Se eu pudera meu amado querubim
Roubar-te-ia, sem pensar, um beijo ousado,
E sonharia o sonho teu, o mais dourado!
Morrer-me-ia, sem pensar, por ti, enfim...

Mas tu a mim nem vês... Nem ouves meus clamores...
Enquanto aqui me morro pelos teus amores!

domingo, 27 de março de 2011

CONVITE PARA EVENTO EM CURITIBA

                O tema é  Chá com Maria Antonieta, portanto, o Rococó, 
mas serão aceitos trajes da Idade Média a 1920.


HAIKAI DE SHIRO UZÔ





quem sabe o segredo
que contam as folhas
da estrada de Edo?

DOIS TANKAS DE YOSANO AKIKO




aqui agora
paro       para recordar
da minha paixão
sem medo da escuridão

eu vivi como um cego



foi ontem      talvez
há mil anos     passados
o acontecido
ainda     agora     sinto
as tuas mãos em meus ombros 


Tradução de Donatella Natili e Álvaro Faleiros 

Missão Preciosa

Cadavérico e envolto em mortalhas,
ele empunhou sua foice necrótica
e montou seu cavalo fantasma.

Da interseção de luzes e sombras,
sons e silêncio mesclavam-se
anunciando sua nobre chegada.

Exterminou centenas de vidas
traçando a tênue passagem
da matéria ao espectro.

Então o ceifador sinistro sorriu,
ao cumprir sua missão preciosa
naquele conflito degradante.


- Mensageiro Obscuro.
Agosto/2009.


Foto: "Death on The Pale Horse" por Gustave Doré.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Donde estás?

Quem és tu que me entontence se eu pensar no quanto és linda?
Vens de um outro patamar pra falar co'as rosas nuas?
Se em ti penso já me dou ao dedure de mim mesmo...
Ó, mulher, de brio sincero, queres ver poeta em transe?
Quando o teu olhar pousar num dos textos que eu te fiz,
haverás de chorar fraco e dizer, fui mui feliz!

Ronaldo Rhusso

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).