sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

NAS MORTALHAS DA NOUTE

Nas Mortalhas da Noute


Nas mortalhas marmóreas desta noute,
Enlutado nas fúnebres caladas
Qu'eu vejo-me a planger mágoas choradas,
Vergastando-me deste mesmo açoute...

Recordo-me das noutes que ficaram
Somente nas lembranças e nos sonhos.
Os meus anouteceres são tristonhos;
As noutes que eu almejo não voltaram...

Já m'esbate o semblante a nostalgia,
Faz de mim um cadáver inda vivo
Velado na mortalha desta noute...

Continuo a chorar, em agonia,
Sobre o leito de mármore nocivo
Desd'o princípio da mortal sonoute...

(Dueto de Derek Soares Castro e Alysson Rosa)

A OUTRA




No infinito território de meu ser,
Que pouco a pouco exploro,
Encontrei “a outra”
Parte sufocada de mim mesma.
Percebi que não me conhecia.
Na parcela de meu chão interior
que me foi destinada a viver
- que se torna insuficiente dia a dia -
a descobri aos poucos...
Estranhei-me.
Tive que aprender a falar
comigo mesma...
e conhecer esse universo
que me foi negado à vida.
Viajei para espaços longínquos
De mim mesma...
Penetrei nesse universo desconhecido,
Aprendi a ver de novo
O que dava por entendido...
Pouco a pouco invado e tomo posse
Rompendo as cercas,
as fronteiras de meu ser,
num exercício infinito...
Por vezes, ao anoitecer
Quero ficar só,
E já não é mais possível!
Quando meu eu exausto quer silencio
O meu eu sufocado
quer dialogar comigo...

CICLOS (IV)




Mil sonhos eu bordei nos meus lençóis de seda,
Alabastrina seda, com seus mil primores,
Bordei co’s fios doirados cândidos amores,
Nas noites de ilusão, nas minhas horas ledas.

Mil arabescos fiz co’s fios dos meus desejos,
Co’as rendas da paixão, de minhas mil quimeras,
No auge do viver, de minhas primaveras,
Que hoje canto assim, quais velhos realejos.

Ah! Priscos tempos! Prenhes de prazer! Ventura!
De tantos sonhos meus, replenos de candura...
Álacres tempos que não voltarão jamais!

A vida esgarçou os meus lençóis bordados,
Os sonhos que sonhei nos tempos meus doirados,
Deixando dentro em mim tristuras outonais.

POSSIBILIDADES DE RELEITURA DO ROMANTISMO



Como escrevi recentemente sobre a Escola Romântica, nada mais justo do que estudar as possibilidades de realizar hoje uma produção baseada nos moldes românticos. Seguem as características e comentários.

Ao contrário do que ocorre com outras escolas literárias, não há a necessidade de fundir todas as características para se obter algo com um ar romântico. Basta aderir a umas características e você produzirá algo do gênero.



- Forma: métrica e rima


O Romantismo não tinha predileção por sonetos, embora tenhamos belíssimas produções.  Podemos compor sonetos com inspiração romântica sem problemas. Apenas, atente-se para que seu texto não fique com um ar gótico-parnasiano, o que também é ótimo, mas se seu plano consiste em realizar uma releitura do Romantismo, deve existir um apelo ao emocional, seguir outras características etc
Outra possibilidade no que tange forma é escrever com refrão em outro metro, mantendo uma regularidade na forma, isto é algo típico da época. Textos longos em versos livres ou heterométricos também são interessantes.


- Eu

 Estamos estudando a escola literária do individualismo, portanto a visão totalmente egocêntrica e subjetiva é essencial para o poema. Utilizar termos como “meus amores”, “fizeste-me mal”, “eu estou sozinho” é algo importante a se lembrar, afinal, o egocentrismo não se estrutura somente em torno do pronome reto “eu” e sim também de outras marcas da 1ª pessoa como pronomes possessivos e verbos.



- Sentimentalismo e Idealizações

Virgens pálidas, príncipes encantados, belas adormecidas, sonhos azuis e coisas do gênero, com certeza, são características românticas. Uso de expressões como “Oh” “Ah” revelam a expressividade e o exagero.

O pessimismo ultra-romântico pode vir acompanhado de elementos da cultura gótica como cemitérios, soirées (o nome da "balada" da época), saraus, o próprio termo "balada" afinal, referências modernas podem revelar um outro tipo de releitura.


- Interação com a natureza

A melhor forma é colocando elementos da natureza de acordo com o estado de espírito do eu-lírico. Tempestades, dias de neblina, eclipses, trovões, o nascimento do Sol etc podem ser usados para complementar, compor a atmosfera do eu-lírico. Neste tópico, também fica subentendido o culto ao noturno. Fazer perguntas para os elementos da natureza é algo bem-vindo, mas pode tornar-se medieval se a tal pergunta ocorrer sempre no fim de estrofe, como uma cantiga.

- Passado

Lembranças, nostalgias, desejo de voltar no tempo são elementos muito próximos de nós e creio que combinam com a proposta romântica. Historicismo, medievalismo e indianismo podem dar a seu texto um ar típico do início do Romantismo.

- Religiosidade

Ao invés do conflito interno típico do Barroco, a religiosidade pode servir como consolo. Convém ler Gonçalves de Magalhães e Álvares de Azevedo.



ALGUNS POEMAS DA ÉPOCA


Versos Inscritos numa Taça feita de Crânio

Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito
Vê em mim um crânio, o único que existe
Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,
Tudo aquilo que flui jamais é triste.
Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;
Que renuncie e terra aos ossos meus
Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme
Lábios mais repugnantes do que os teus olhos.
Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,
Para ajudar os outros brilhe agora e;
Substituto haverá mais nobre que o vinho
Se o nosso cérebro já se perdeu?
Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus
Já tiverdes partido, uma outra gente
Possa te redimir da terra que abraçar-te,
E festeje com o morto e a própria rima tente.
E por que não? Se as fontes geram tal tristeza
Através da existência - curto dia -,
Redimidas dos vermes e da argila
Ao menos possam ter alguma serventia.

Lord Byron
Tradução de Castro Alves



Se eu morresse amanhã


Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
 

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
 

Que sol! que céu azul! que doce n'alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
 

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!
 
Álvares de Azevedo



Último soneto


Já da noite o palor me cobre o rosto,
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgosto!
 

Do leito, embalde num macio encosto,
Tento o sono reter!... Já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece...
Eis o estado em que a mágoa me tem posto!
 

O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.
 

Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos, por piedade,
Olhos por quem viveu quem já não vive!
 
Álvares de Azevedo



Amor e medo


Quando eu te vejo e me desvio cauto
Da luz de fogo que te cerca, ó bela,
Contigo dizes, suspirando amores:
— "Meu Deus! que gelo, que frieza aquela!"

 
Como te enganas! meu amor, é chama
Que se alimenta no voraz segredo,
E se te fujo é que te adoro louco...
És bela — eu moço; tens amor, eu — medo...

 
Tenho medo de mim, de ti, de tudo,
Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes.
Das folhas secas, do chorar das fontes,
Das horas longas a correr velozes.

 
O véu da noite me atormenta em dores
A luz da aurora me enternece os seios,
E ao vento fresco do cair cias tardes,
Eu me estremece de cruéis receios.

 
É que esse vento que na várzea — ao longe,
Do colmo o fumo caprichoso ondeia,
Soprando um dia tornaria incêndio
A chama viva que teu riso ateia!

 
Ai! se abrasado crepitasse o cedro,
Cedendo ao raio que a tormenta envia:
Diz: — que seria da plantinha humilde,
Que à sombra dela tão feliz crescia?

 
A labareda que se enrosca ao tronco
Torrara a planta qual queimara o galho
E a pobre nunca reviver pudera.
Chovesse embora paternal orvalho!

 
Ai! se te visse no calor da sesta,
A mão tremente no calor das tuas,
Amarrotado o teu vestido branco,
Soltos cabelos nas espáduas nuas! ...

 
Ai! se eu te visse, Madalena pura,
Sobre o veludo reclinada a meio,
Olhos cerrados na volúpia doce,
Os braços frouxos — palpitante o seio!...

 
Ai! se eu te visse em languidez sublime,
Na face as rosas virginais do pejo,
Trêmula a fala, a protestar baixinho...
Vermelha a boca, soluçando um beijo!...

 
Diz: — que seria da pureza de anjo,
Das vestes alvas, do candor das asas?
Tu te queimaras, a pisar descalça,
Criança louca — sobre um chão de brasas!

 
No fogo vivo eu me abrasara inteiro!
Ébrio e sedento na fugaz vertigem,
Vil, machucara com meu dedo impuro
As pobres flores da grinalda virgem!

 
Vampiro infame, eu sorveria em beijos
Toda a inocência que teu lábio encerra,
E tu serias no lascivo abraço,
Anjo enlodado nos pauis da terra.

 
Depois... desperta no febril delírio,
— Olhos pisados — como um vão lamento,
Tu perguntaras: que é da minha coroa?...
Eu te diria: desfolhou-a o vento!...

 
Oh! não me chames coração de gelo!
Bem vês: traí-me no fatal segredo.
Se de ti fujo é que te adoro e muito!
És bela — eu moço; tens amor, eu — medo!...

 
Casimiro de Abreu


Este Inferno de Amar!


Este inferno de amar — como eu amo!
Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida — e que a vida destrói —
Como é que se veio a atear,
Quando — ai quando se há-de ela apagar?

Eu não sei, não me lembra; o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez… —  foi um sonho —
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! que doce era aquele sonhar…
Quem me veio, ai de mim! despertar?

Só me lembra  que um dia formoso
Eu passei… dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Que fez ela? Eu que fiz? — Não no sei
Mas nessa hora a viver comecei…

 

Almeida Garrett



RELEITURAS


SÚPLICA


Vem! Ó, noite! Debruça sobre mim!
recebe no colo teu sidéreo,
Nesse manto d'estrelas, tão etéreo,
A minh'alma que triste vaga assim...

Aconchega nos braços teus sem fim,
Esta andeja, meu pobre ser cinéreo,
Que morrer quer no espaço teu aéreo,
No acetinado véu que é teu, enfim...

Minh’alma quer errar nos teus espaços,
E esquecer os amores deletérios...
Ó! Deixa-me vagar em ti, ao léu!

Vem! Desejo morrer-me nos teus braços,
Mergulhar nos teus astros, teus mistérios...
Vem! Ó, noite! E me encobre com teu véu!

Edir Pina de Barros


 CRUZES MILENARES


"Cabalga en su sueño la mujer dormida,
cabalga en su sueño y es cabalgada.
En la selva, nadie la oye cuando chilla."

Isidro Iturat


Cavalguemos nos sonhos por velhos lugares
Confundindo a poesia com alvas visões
Enfrentando nos sonhos os duros vilões


E vivendo e cantando os saudosos pesares
Uma via mais sacra vai tendo seu fim
De perto ouço cantar o mais vil querubim:



"Pois tu vais viver para sempre em azares


Carregando nos ombros cruzes milenares..."



André Cretchu, Gabriel Rübinger, 
Rommel Werneck e Ronan Fernandes


Doce Alvura



Yet one kiss on your pale clay.
And those lips once so warm
- my heart! my heart!

Byron

Porque me olhas assim, pálida alvura?
Com seus olhos de cálida aventura,
Palpitante me deixa.
E com seu canto puro de harmonia,
Deixa-me mais platônico de dia
E anoite não me beija.

Com sua têz sublime e branca assim,
Que um pálido desejo lança em mim
- Ansioso - a suspirar.
E com tua harmonia mui'santíssima
Deixa-me uma certeza muito íntima:
-que os céus nos juntará.

Fujamos, doce pálida inocente!
Para um lugar que todos nos entende
E que amam nosso amor.
Saiamos dessa terra de ódio enfim
E possamos viver só com esse fim:
Amar-nos e ao - SENHOR.

Ronan Fernandes


ANJO MORTO


Só e perdido na mais negra necrópole,
Encostado na cruz de um vil sepulcro,
Revelando um sorriso puro e pulcro
No mais distante ponto da metrópole.

Anjo defunto, corpo cadavérico...
Carnes magras, sublime e santo rosto
Em que o célere tempo deixou posto
Um grito morto, um canto forte e histérico.

Apetecido, surge ele tão vivo
Pra eu cometer meu próximo delito.
Dragão que se aproxima tão lascivo,

E me deixa perdido em mais conflito,
E crava em mim seus dentes diabólicos,
E vê graça em meus olhos melancólicos

Rommel Werneck


_________________________________________________________________________________


Não escrevi muito porque penso que este assunto é mais fácil de compreender após a leitura de meu longo texto inicial, além do mais, muitos escritores de nosso blog já possuem uma boa caminhada com este tipo de releitura, portanto, faz-se mais necessário estudar com maior profundidade as outras escolas literárias. 
Os estudos de História da Literatura serão compostos por um texto inicial sobre a escola literária, um texto sobre as possibilidades de releitura, uma roleta russa e por fim, textos da época como suporte além de análises, inclusive, o escritor Alves Rosa prometeu escrever uma análise.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

MEDIEVA CANTIGA D'AMOR



Senhora mia, vos peço
Quem vos fala é um trovador!
Eu sou pobre e não mereço
Nem falar-vos desse amor...
Se ouvirdes os meus versos,
Minhas trovas, minha lira,
Meus sonhos neles imersos
Falar-vos-á quem suspira
De paixão no reino vosso,
quem mui sofre, quem delira.

Aqui estou a cantar
Vossa imensa fermosura
Vosso mui sereno olhar,
Tão repleno de candura...
Oh! Senhora, com respeito,
Eu versejo vossa alteza,
Vosso altivo e nobre jeito,
O vosso encanto e beleza!
Sou vassalo trovador
Que muito vos tem amor!

OH! DEIXEM-ME VIVER!




Oh!Deixem-me viver paixões diversas!
De suas chamas, quero todo o lume,
Também luxúrias, mesmo controversas
Daquelas que se vão com seu perfume...

Oh! Paixões! Mesmo que das mais adversas!
Que sejam etéreas, como é costume,
Que deixem sempre as marcas mais perversas...
Vivê-las, quero, antes que me escume...

Que sejam ais, quimeras, só loucuras...
Vivê-las quero sim! Eu quero, enfim,
Arder nas suas chamas venturosas...

Paixões eu quero ter, sem dó, censuras,
Mesmo que sejam fados, tenham fim,
como na praia as bolhas espumosas!

DESTINO ATROZ





Quanta beleza nesta alma casta!
Teus véus encobrem teu olhar, que é puro!
Louca por ti, por teus encantos, juro,
Para te amar a vida não me basta...

Qual garça que revoa em céu escuro,
Perdida na planura, que é vasta,
Busco por ti na vida que se arrasta,
Clamando por teu nome, que murmuro!

Mas tu jamais escutas meus clamores,
E nem sequer percebes meus penares,
Perdido nas estrelas do teu céu...

O teu olhar – que é puro – encobre o véu,
E tu revoas livre pelos ares,
Enquanto eu me morro assim d’amores...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

RONDEL EM DUETO EM GREGORIANO ANAPÉSTICO (3a, 6a e 9a)


Fotografia de Alex Uchôa
Customização minha


 Eras tu! Eras tu!

"Este é o tempo das barcaças.
O mar sempre resta! O mar
É a massa de modelar
Do vento fazer desgraças."
Alexei Bueno. Orae Maritimae



Eras tu que brincavas comigo
   Nos meus sonhos azuis de passados
Onde tu me dizias: amigo
       Em meus braços, nós dois recostados.



Eram tempos sacrais e encantados          
Em que o lago brilhava contigo
Eras tu que brincavas comigo
Nos meus sonhos azuis de passados



Mas Saturno (cruel inimigo)
Conseguiu nos deixar separados
Ah meu deus revelou vil castigo
A dois seres, os dois namorados
Eras tu que brincavas comigo



CRETCHU E ROMMEL WERNECK

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

BRINDEMOS




Brindemos nosso amor agonizante,
Que entre mil tormentas já se esvai,
Na aurora fria que tristonha cai,
Depois de um dia quente e esfuziante!

Brindemos nosso amor amigo e amante!
Sem reclamar, sem dar sequer um ai,
E tudo que com triste fim se vai,
O sol tão belo, a tarde radiante!

Amamos tanto! E isto é o que importa!
Amamos tanto! Saudade há de vir,
E depois dela muita nostalgia...

Lembrar que nos amamos me conforta...
E tu serás a luz do meu devir,
Razão de meu viver, minha poesia!

QUEIXUMES



Aqui estou! E nem palavras tenho
Para dizer de minha dor, meu fado,
De meu viver tristonho, malfadado,
Do amor que nunca tive e não detenho!

Mergulho em mim. Em mim mesma me embrenho,
A solidão é meu eterno estado,
Contenho em mim um grito amordaçado...
Cantar o meu penar aqui eu venho!

Que vale a vida sem amor, sem luz,
E sem ter n’alma sonhos, devaneios,
Apenas sombras que devoram o lume!

A vida em si se torna uma cruz,
Um fardo cheio de milhões de anseios,
Um simulacro sem sabor, perfume!

ETERNAL




Oh! Meu amor! Eterno namorado!
Quanta emoção ao ver o teu retrato
Num canto de minh’alma pendurado,
Guardado com carinho, com recato...

Amor que ainda hoje em mim resgato,
Retiro dos escombros do passado...
Que reconstruo em cada gesto e ato,
E pelos versos meus eternizado...

Oh! Amor meu! Pretérito e querido!
Quisera que rompesses esse abismo
Que nos separa desde sempre e agora...

Retrato pelo tempo envelhecido!
Ao vê-lo sempre penso e mesmo cismo
Que a alma tua, nele presa, chora...

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).