quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Jésus Gonçalves



Jésus Gonçalves

                                                           Minha pequena homenagem

Falar do Mestre quando a mesa cheia
promove ardência nesta fala ou vida;
Leves hosanas quando a dor alteia,
é quem dirá, por meio da descida?

Pois ser cristão na fera então vencida,
pleno de chagas, entre dores. Creia,
Jésus Gonçalves ensinou a lida
que só o Amor nos servirá de ceia.

Apostolado numa cama em chagas,
embora o espírito estivesse às vagas
do Amor eterno consagrado à luz.  

E fez sua musa ir cantar esferas,
todas contentes, belas Primaveras
onde repousam hostes de Jesus.

***

Um pouco sobre o poeta
http://www.jesusgoncalves.org.br/

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

PERSONAS




No imo do meu ser, no eu profundo
Eu busco desta vida os seus sentidos,
Os sentimentos bons, em mim retidos,
Dos sonhos meus aquele mais fecundo!

Nos seus espelhos vejo refletidos
Os outros lados meus, um outro mundo,
Os não sonhados sonhos meus, ao fundo,
nos seus desvãos desejos atrevidos...

Além dos sonhos meus há meus desertos,
Inexplorado oásis, muitas dunas,
Caminhos que não foram percorridos!

Meus outros eus por limo encobertos,
Perdidos de mim mesma, nas lacunas,
Se vão por entre os sonhos não vividos

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

LUZ E SOMBRA

Pelos vitrais a luz do dia passa
e tange a vossa tez triste e alvadia
outrora mui replena d'alegria
que refletia tanto amor e graça...

E agora nessa sacra epifania
o pranto, o vosso olhar encobre, embaça,
e a solidão infausta vos enlaça
trazendo o enfado, a dor, lenta agonia!

À mesa da capela üa candeia
clareia o vosso lívido semblante
Co'a sua luz mui fúlgida e doirada...

Entonces vejo em vosso olhar o nada
além de vosso ente agonizante
E a alma vossa desta vida alheia...
Foto: Lord Rommel Werneck

domingo, 2 de janeiro de 2011

ROLETA RUSSA FOTOGRAFIAS




Antes de mais nada, um inspirador e excelente 2011 repleto de criaturas mitólogicas do Parnaso.

Esta Roleta Russa é especial não só por ser a primeira de 2011, mas também porque tive a ideia durante o Natal em Santo André. As fotografias de minha autoria datam de 25 de dezembro e retratam respectivamente, a Igreja São João Batista do Rudge Ramos e  a Praça dos Meninos, ambos os locais em São Bernardo do Campo.


TEMA: As imagens falam por si
























PALAVRAS UTILIZADAS:  

fúlgido (a) = brilhante
candeia = vela
tez = epiderme, especialmente do rosto 
entonces= então



(Enfim, são palavras diferentes que podem dar o arcaico para o poema e que o poema deve ter, é um meio de auxiliar o artista a deixar o texto retrógrado).




FORMAS POÉTICAS: Creio que as imagens combinariam com indrisos. Mas outras formas como soneto e formas livres ficariam ótimas também...






OBSERVAÇÕES:


- A presença não é obrigatória, a roleta serve para auxiliar;

- Não há prazo para publicar o texto, o autor pode ler, reler e revisar o texto quantas vezes desejar e também registrá-lo na BN( o que é indicado) e até mesmo nunca publicá-lo. Quando o texto por publicado, por no marcador ROLETA RUSSA- ( neste caso, por ROLETA RUSSA FOTOGRAFIAS, mas qualquer coisa, eu mesmo cuido disso);

- O autor pode propor uma imagem ou texto seu, saber que um texto seu inspirou outro escritor aumenta a auto-estima, a foto/ imagem então...

- Abaixo um artigo de Cláudia Banegas sobre o indriso que se trata de um poema em 3-3-1-1 e também op meu texto




 




terça-feira, 28 de dezembro de 2010

LUZ SEM LUZ


LUX SINE LUCE
 
 

Ah! Luz libidinosa que irradia
E atormenta por ser inacessível.
Este meu sonho tão puro e impossível
É a mais amarga e doce fantasia!


Esta imagem divina e inesquecível,
Pesadelo terrível, poesia...
A beleza na luz sem luz horrível,
Eis a perfeita dor: quanta agonia!


Esta luz! Esta noite! Esta tristeza!
Tudo isto me levando a uma paixão,
Pois desde que vi esta luz beleza


Nunca mais conheci a vida, a razão!
Luz sem luz, impureza da impureza,
Esta luz que se chama escuridão!


Rommel Werneck 

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

SONETO INDIANISTA (II) - Roleta Russa

Um sentimento plúmbeo trás no peito,

Que marca o seu semblante macilento,

Um pranto que não sabe o que é alento

Um mundo sem porvir! Pequeno! Estreito!

*

Não tem mais nesta terra um só ancestre,

pois todos foram mortos por mercantes,

seu mundo já não é tal qual o d'antes

Co's coloridos tons do ser silvestre...

*

Regozijar-se já não pode mais,

pois já perdeu a vida seus sentidos,

A paz que havia em outros tempos idos...

*

Oh!Deus! Oh! Deuses! Almas ancestrais!

Por que seguir sofrendo mais e mais,

vivendo a triste sorte dos vencidos?


BRUMAS D'AMOR



Pensando em vossa face mui fermosa
alembro-me daqueles tempos idos,
que hoje permanecem esquecidos
na sombra do passado, tão brumosa!

Seguimos nós, silentes e descridos,
nos vãos da vida, triste e cavernosa,
na escura noite, fria e lacrimosa,
quais dois andrajos pela dor movidos...

E não sentimos n'alma cousa alguma,
enorme e fea nuvem nos encobre,
e desvalidos vamos mundo afora...

Somente üa cousa lembro agora:
vosso semblante mui fermoso e nobre
que o tempo já passado não esfuma!

QUIMERAS, NADA MAIS...


Não vês? Desfez-se a última quimera!
Nada restou dos sonhos coloridos,
Agora todos mortos, destruídos,
Jazem no chão, depois de tanta espera!


A vida, sempre vil, tudo adultera,
Tornando-nos amargos, sós, feridos...
Seguimos, pela dor, embrutecidos,
E dentro em nós habita a besta fera!


Por que sonhar se os sonhos morrem todos?
Se deles não nos restam nem carcaça
E todos se desfazem qual fumaça?


Amigos ou amores são engodos,
Hão de morrer também nos podres lodos...
Somente a morte amiga nos abraça!

ENCANTOS DO ARAGUAIA


Na merencória tarde que desmaia
Pálida e triste, com cinéreo véu,
Por trás da chuva fina vão, ao léu,
Gaivotas das planuras do Araguaia....

Ao longe o triste grito da jandaia,
Da arara azul, que faz grande escarcéu,
As garças que depressa cortam o céu,
Buscando por seus ninhos deixam a praia...

Abaixo, onde o rio serpenteia,
Ecoa o sacro canto Xambioá,
Saudando o novo ciclo, que é de cheia!

Oh! Araguaia! Índios Karajá!
Aruanã no centro lá da aldeia...
Beleza igual por certo que não há!

Releitura



Releitura

No vasto alfarrábio crepitante,
há crista de prazeres escondidos.
Entenda! pois teu cosmo fecundante
rompeu o perisperma dos vagidos.

Do fruto, a Nova Era vem de antes;
expande o tempo morto desses idos...
E trás pra mente insone de rompantes
o abraço dos gnósticos vencidos!

Temendo-se o não-ser nesta elipse,
assiste sem saber do Apocalipse,
engasta a humanidade e vai além.

Um bálsamo de chi ou de martírio,
a alma se embevece se tem círio,
ou chora amargamente se não tem...

Vitor de Silva

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).