terça-feira, 28 de dezembro de 2010

LUZ SEM LUZ


LUX SINE LUCE
 
 

Ah! Luz libidinosa que irradia
E atormenta por ser inacessível.
Este meu sonho tão puro e impossível
É a mais amarga e doce fantasia!


Esta imagem divina e inesquecível,
Pesadelo terrível, poesia...
A beleza na luz sem luz horrível,
Eis a perfeita dor: quanta agonia!


Esta luz! Esta noite! Esta tristeza!
Tudo isto me levando a uma paixão,
Pois desde que vi esta luz beleza


Nunca mais conheci a vida, a razão!
Luz sem luz, impureza da impureza,
Esta luz que se chama escuridão!


Rommel Werneck 

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

SONETO INDIANISTA (II) - Roleta Russa

Um sentimento plúmbeo trás no peito,

Que marca o seu semblante macilento,

Um pranto que não sabe o que é alento

Um mundo sem porvir! Pequeno! Estreito!

*

Não tem mais nesta terra um só ancestre,

pois todos foram mortos por mercantes,

seu mundo já não é tal qual o d'antes

Co's coloridos tons do ser silvestre...

*

Regozijar-se já não pode mais,

pois já perdeu a vida seus sentidos,

A paz que havia em outros tempos idos...

*

Oh!Deus! Oh! Deuses! Almas ancestrais!

Por que seguir sofrendo mais e mais,

vivendo a triste sorte dos vencidos?


BRUMAS D'AMOR



Pensando em vossa face mui fermosa
alembro-me daqueles tempos idos,
que hoje permanecem esquecidos
na sombra do passado, tão brumosa!

Seguimos nós, silentes e descridos,
nos vãos da vida, triste e cavernosa,
na escura noite, fria e lacrimosa,
quais dois andrajos pela dor movidos...

E não sentimos n'alma cousa alguma,
enorme e fea nuvem nos encobre,
e desvalidos vamos mundo afora...

Somente üa cousa lembro agora:
vosso semblante mui fermoso e nobre
que o tempo já passado não esfuma!

QUIMERAS, NADA MAIS...


Não vês? Desfez-se a última quimera!
Nada restou dos sonhos coloridos,
Agora todos mortos, destruídos,
Jazem no chão, depois de tanta espera!


A vida, sempre vil, tudo adultera,
Tornando-nos amargos, sós, feridos...
Seguimos, pela dor, embrutecidos,
E dentro em nós habita a besta fera!


Por que sonhar se os sonhos morrem todos?
Se deles não nos restam nem carcaça
E todos se desfazem qual fumaça?


Amigos ou amores são engodos,
Hão de morrer também nos podres lodos...
Somente a morte amiga nos abraça!

ENCANTOS DO ARAGUAIA


Na merencória tarde que desmaia
Pálida e triste, com cinéreo véu,
Por trás da chuva fina vão, ao léu,
Gaivotas das planuras do Araguaia....

Ao longe o triste grito da jandaia,
Da arara azul, que faz grande escarcéu,
As garças que depressa cortam o céu,
Buscando por seus ninhos deixam a praia...

Abaixo, onde o rio serpenteia,
Ecoa o sacro canto Xambioá,
Saudando o novo ciclo, que é de cheia!

Oh! Araguaia! Índios Karajá!
Aruanã no centro lá da aldeia...
Beleza igual por certo que não há!

Releitura



Releitura

No vasto alfarrábio crepitante,
há crista de prazeres escondidos.
Entenda! pois teu cosmo fecundante
rompeu o perisperma dos vagidos.

Do fruto, a Nova Era vem de antes;
expande o tempo morto desses idos...
E trás pra mente insone de rompantes
o abraço dos gnósticos vencidos!

Temendo-se o não-ser nesta elipse,
assiste sem saber do Apocalipse,
engasta a humanidade e vai além.

Um bálsamo de chi ou de martírio,
a alma se embevece se tem círio,
ou chora amargamente se não tem...

Vitor de Silva

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

TEUS OLHINHOS



Os teus olhinhos mais parecem duas luas
A iluminar os meus caminhos, minhas noites,
E com seus raios, que são belos, são afoites,
Tangendo vão as minhas carnes mornas, nuas!

Teus dois olhinhos mais parecem pirilampos
A reluzir nas minhas noites mais escuras,
Embora mudos vão fazendo tantas juras,
E vão voando, bem alegres, nos meus campos!

E curam, teus olhinhos, minhas tristes dores,
Transformam em vinho tinto minha ira e fel,
Trazendo paz e luz aos meus tristonhos dias...

Esses olhinhos teus, tais quais dois beija-flores,
Penetram no meu ser e sorvem do meu mel
Deixando em mim amor, esporos de poesia!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

FELIZ DIA DOS PAIS! kkkk





É isso aí, Paizão! Corta o filho! CORTA!
hahaha




A ÁRVORE DA SERRA


— As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!


— Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pos almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minh'alma! ...


— Disse — e ajoelhou-se, numa rogativa:
«Não mate a árvore, pai, para que eu viva!»
E quando a árvore, olhando a pátria serra,


Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!

AUGUSTO DOS ANJOS

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

SÚPLICA

Vem! Ó, noite! Debruça sobre mim!
recebe no colo teu sidéreo,
Nesse manto d'estrelas, tão etéreo,
A minh'alma que triste vaga assim...

Aconchega nos braços teus sem fim,
Esta andeja, meu pobre ser cinéreo,
Que morrer quer no espaço teu aéreo,
No acetinado véu que é teu, enfim...

Minh’alma quer errar nos teus espaços,
E esquecer os amores deletérios...
Ó! Deixa-me vagar em ti, ao léu!

Vem! Desejo morrer-me nos teus braços,
Mergulhar nos teus astros, teus mistérios...
Vem! Ó, noite! E me encobre com teu véu!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

INDRISOS RETRÔ POR ISIDRO ITURAT - MEDIOEVO




ALBORADA


El mago me hizo jilguero,
mi amada, ya llega el alba,
y tu ventanica quiero.

Abre, amiga, la ventana,
que ya duerme el carcelero
que por la noche te guarda,

que el mago me hizo jilguero


para venir a tu jaula.




REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).