sexta-feira, 19 de novembro de 2010

PARA QUEM AINDA NÃO ENTENDEU A SERVENTIA DOS VERSOS ISOMÉTRICOS, EIS AQUI NÃO UM EXEMPLO, MAS O EXEMPLO!!!





A VALSA


A. M.


Tu, ontem,
Na dança
Que cansa,
Voavas
Co'as faces
Em rosas
Formosas
De vivo,
Lascivo
Carmim.
Na valsa
Tão falsa,
Corrias
Fugias,
Ardente,
Contente,
Tranqüila
Serena,
Sem pena
De mim!


Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
- Não negues,
Não mintas...
- Eu vi!...


Valsavas:
- Teus belos
Cabelos,
Já soltos,
Revoltos,
Saltavam,
Voavam,
Brincavam
No colo
Que é meu;
E os olhos
Escuros
Tão puros
Perjuros
Volvias,
Tremias,
Sorrias
Pra outro
Não eu!


Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco senti!
Quem dera
Que sintas!...
- Não negues,
não mintas...
- Eu vi!...


Meu Deus
Eras bela,
Donzela,
Valsando,
Sorrindo,
Fugindo,
Qual silfo
Risonho
Que em sonho
Nos vem!
Mas esse
Sorriso
Tão liso
Que tinhas
Nos lábios
De rosa,
Formosa,
Tu davas,
Mandavas
A quem?!


Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
- Não negues,
Não mintas...
- Eu vi!...


Calado,
Sozinho,
Mesquinho,
Em zelos
Ardendo,
Eu vi-te
Correndo
Tão falsa
Na valsa
Veloz!
Eu triste
Vi tudo!
Mas mudo
Não tive
Nas galas
Das salas,
Nem falas,
Nem cantos,
Nem prantos
Nem voz!


Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
- Não negues
não mintas...
- Eu vi!...


Na valsa
Cansaste;
Ficaste
Prostrada,
Turbada!
Pensavas,
Cismavas,
E estavas
Tão pálida
Então,
Qual pálida
Rosa
Mimosa,
No vale
Do vento
Cruento
Batida,
Caída
Sem vida
No chão!


Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
- Não negues,
não mintas...
- Eu vi!...


Casimiro de Abreu




quarta-feira, 17 de novembro de 2010

OUTONAL

De outono revestiu-se, sem chorar,
E triste então ficou, quais folhas mortas,
E para a vida em si cerrou as portas...
Tornou-se a imagem pura do penar!

Coberta pelas folhas outonais,
a tudo disse adeus seu ser cinéreo,
que se perdeu no espaço seu funéreo,
sentindo o que ninguém sentiu jamais!

Oh! Dor silente que tornou-se outono!
Que fez-se noite e trouxe o eterno sono,
a quem de amor se deu sem pedir nada...

Oh! Folhas outonais! Filhas do luto!
Recolham este ser ao seu reduto
E aqueçam triste alma amargurada!

terça-feira, 16 de novembro de 2010


Capti Lunae
 
Quando vem, entre noites perfumosas,
esta Lua, de cândido luzeiro,
  é que vejo no meu olhar primeiro
o vapor suavíssimo das rosas.
  
É tão pura, de encantamento e glosas,
serestada num madrugar ligeiro;
permanece fulgindo no cruzeiro
o mistério sutil a que desposas.

Poderia em mil astros sem ser eu
aos delírios, num fresco raio seu,
serenar-me nas mágicas poções?

Mas ser Lua de fósforos gritantes,
faz agora o sentido do que antes
exalava o aroma dos caixões!

_____________

"Laboratório de Alquimia"

Fonte: http://bibliodyssey.blogspot.com/

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

SOLIDÃO!

Espio dentro em mim e nada vejo
Além da solidão, que está comigo,
E do meu corpo fez o seu jazigo,
Trazendo a dor, tristeza em seu cortejo!

Tomou-me por seu quarto de despejo,
E no meu coração buscou abrigo,
Como se fora um bom amante antigo,
Que volta transbordante de desej0...

Chegou para ficar! Fazer morada!
Fincar esteios firmes de aroeira,
Não mais partir! Ficar eternamente!

Espio novamente e vejo nada
Além da solidão, minha posseira,
Fincando suas cercas, inclemente!

domingo, 14 de novembro de 2010

ILUSTRE PLÊIADE




Basta acessar a nova guia do blog e ver a surpresa. 


Como sempre, fica tudo mais bonitinho na hora de postar do que no resultado. Tenho problemas com formatação no blogspot, mas aos poucos vamos ajeitando. Infelizmente, listamos somente alguns membros da equipe, ainda estamos aguardando respostas e biografias. No entanto, os leitores já podem saborear. Deixem comentários aqui sobre o que precisamos mudar quanto à formatação.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

NOTURNOS

A vida não é sempre um arco-íris,
com suas cores tão formosas, belas,
que mais parecem ternas aquarelas,
e se refletem dentro em nossa íris.

Nem sempre há chuvas calmas, mansas
Formando mil gotículas no ar
Com arco-íris contra a luz solar,
Anunciando novas esperanças...

Noturnos são por vezes nossos dias,
Com nuvens densas, tristes, carregadas,
Anunciando forte tempestade...

Não há no céu as nuvens alvadias,
Apenas sóbrias, longas madrugadas
Prenhes de solidão e de saudade!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

POESIA SOCIAL EM VERSOS LIVRES COM RIMAS





 BEM-VINDO AO MUNDO DAS ARTES CÊNICAS!




Bem-vindo ao mundo das Artes Cênicas!
Atrás do sólido pancake uma voz fala
Mais uma fria personagem se exala




Bem-vindo ao mundo das Artes Cênicas!
Não te surpreendas com um sorriso,
Pois nada aqui é de improviso




Bem-vindo ao mundo das Artes Cênicas!
Repara nos figurinos otários!
Viva em todos os cenários!



Bem-vindo ao mundo das Artes Cênicas!
Cuidado! Cuidado com a sonoplastia
Ébria sereia sem luxo e fantasia



Bem-vindo ao mundo das Artes Cênicas!
Lembra-te que há a plateia
Enquanto encenas majestosamente



Mas oh! Num relance de emoção
Sem querer algo ocorre...
O pancake borra e escorre.



Rommel Werneck
Publicado no Recanto das Letras em 10/11/2010
Código do texto: T2606959










 

terça-feira, 9 de novembro de 2010

EXÍLIO

De mim me encontro longe nesta tarde fria,
Não sinto dor qualquer, tristeza ou saudades,
Não tenho mais desejos, sonhos, vaidades,
Nem mil fulgores que outrora em mim sentia...

Sozinha vago dia e noite, noite e dia,
Não levo dentro em mim certezas nem verdades,
Deixei aquém os meus amores, amizades...
Andejo só e nada levo! Estou vazia!

Vazia de mim mesma calma e só prossigo...
De tudo estou liberta! Leve sigo adiante...
Restou-me só etérea alma que flutua!

Na aurora que já vem encontro o meu abrigo.
Imensa paz eu sinto neste raro instante
Em que sozinha vago, de mim mesma nua!

domingo, 7 de novembro de 2010

Sempre Luz



Sempre Luz


Há nos cantos efusivos, os diversos
desencantos abraçados à verdade,
de que o homem resumiu a claridade
ao capricho da matéria sem anversos.

É o intróito de uma cor sem universos,
sob a capa da tensão de sermos Sade,
e cuspir no coração da Unidade
a razão dos sentimentos tão dispersos.

Pelo rastro das paixões que viram mágoas,
corredores de ilusões que vão às águas
dos processos das mecânicas impuras.

Mas irrompe das alturas uma prece,
são eflúvios de Jesus, que no Amor desce,
a Esperança derradeira das Alvuras!

Vitor de Silva 

___________

Pintura

“Coroação de Espinhos” de Hyeronimus Bosch (1450-1516), 
pintado aproximadamente em 1490-1500, óleo sobre madeira de carvalho.

SOMBRAS E LUZES

A minha vida pulsa entre dois extremos:
Ora sou garça que revoa pelos céus,
Suave, deslizando nos seus densos véus,
Na vastidão sem fim da luz e amor supremos...


Algumas vezes sou serpente que rasteja,
E que destila, por instinto, seu veneno,
E que se perde neste mundo, vil, pequeno...
Um ente hostil, que sente ira e que fraqueja!


Quisera ter em mim somente amor e luz,
Desconhecer o lodo podre e a loca escura...
Quisera ser somente garça alva e pura!


Este pulsar sem fim, intenso, me tortura...
Tal existir em meio a tanta sombra e luz,
Faz-me sofrer. É meu dilema! É minha cruz!

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).