domingo, 17 de outubro de 2010

UMA ANTOLOGIA?



Ilustre Plêiade e Leitores,



Jamais vamos parar de produzir nossos e-books e já anuncio que prepararemos um novo e-book em breve. Contudo, recebemos propostas editoriais interessantes. A pergunta é: Algum leitor compraria nossa antologia? E os escritores? Estariam dispostos a investir não só financeiramente, mas também intelectualmente escrevendo o melhor possível e também humanamente dando sugestões para nosso trabalho?


Sejam sinceros, o importante é ter resposta nos comentários desta postagem.


Rommel Werneck

sábado, 16 de outubro de 2010

TANGO E LAMENTOS

Oh! Bandoneons, guitarras e pianos!
Que se debulham em prantos, mil lamentos,
A traduzir na noite sentimentos,
De dor, de amor, paixão, de desenganos...

Soluçam, sem pudores, bandoneons...
Um tango sangra a noite, corta os ventos,
A dizer da paixão, de seus momentos
Etéreos, quais as luzes dos neons...

Nas sombras, o desejo, que assedia,
Em tons e sobre tons de galhardia,
Explode em mil carícias consentidas...

No palco rolam lágrimas sentidas,
Num tango que revolve mil feridas,
À média luz, fumaças e bebidas...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

COISAS DO CORAÇÃO


- “Coisas do coração” – Assim me dizes...
Assim traduzes minhas mágoas, dores
Que deixam n’alma tantas cicatrizes,
Levando desta vida seus dulçores...

- “Coisas do coração, dos teus verdores”...
E assim disfarças todos teus deslizes,
Mas nossos dias já não são felizes
E vão morrendo em mim os meus fulgores.

Tu nem percebes que me vou aos poucos,
Que agoniza dentro em mim o amor,
O mesmo amor que já foi teu um dia...

- “Coisas do coração! Ciúmes loucos!”
Se ouvisses meus queixumes, meu clamor,
Até o fim da vida amar-te-ia...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

GANGORRA


A vida, meu amor, é uma gangorra...
Por vezes nós estamos lá encima,
Livres da dor, do escuro da masmorra,
De tudo que nos fira ou nos deprima...

Por vezes nós estamos lá embaixo...
Sem ver o sol vibrante, a luz do dia,
É lá ficamos mudos, cabisbaixos...
Escravos d’um amor, sem galhardia!

A vida é mesmo assim, tão inconstante!
E extirpa qual navalha, num instante
Os nossos sonhos sempre tão dourados!

Não importa se a navalha é cortante,
Que extirpe em nós os nossos sonhos, fados...
Que seja a vida sempre assim pulsante!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

JARDINS SECRETOS



Cultivo dentro em mim jardins secretos
Regados com meus prantos vãos, doridos,
Que permanecem sempre bem floridos,
E de perfumes são também repletos...

Neles cultivo os meus amores idos,
Os sentimentos meus, dos mais diletos,
Os meus penares tolos, mas discretos,
Etéreos sonhos meus, jamais vividos...

Jardins secretos que florescem em mim,
Rebentos dessa dor que em mim se espalma...
Aos meus amores idos, meus legados!

Orquídeas, cravos, rosas cor carmim,
Que viçam sobre húmus de minh’alma,
Nos limos de meus prantos represados...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

INFAME

Vós dizeis que sois inteira,
mas fugis é da verdade,
já que sois sempre metade
vos fazendo de fagueira,
mas pro bem sois derradeira.
Vosso olhar sempre difuso
vendo o amor qual em desuso
transparece o vitupério
denotando sem mistério
que vos apraz vil abuso.

Ronaldo Rhusso

MEDALHA DE PRATA NO CONCURSO DO VALE DAS SOMBRAS

2010



2009


Ilustre Plêiade e Leitores,

É com júbilo que anuncio que fiquei em segundo lugar no Concurso Vale das Sombras Edição TV ORKUT. Em 2009, no IV Concurso também empatei na medalha de prata. 

Fica aqui meu convite para me assistirem no programa Star Show na TV ORKUT por Leni Martins, dia 18, próxima segunda-feira, às 21h O programa será transmitido pelo site www.tvorkut.com.br e pelos canais a cabo 9, 97 e 12 UHF.


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ESPÍRITO ERRANTE


Espírito errante que anda pela terra,
Vaga calmamente por este deserto,
Trilha por um rumo, um campo longo e incerto,
Vive intensamente a mais temível guerra...



Espírito errante que anda pelas águas,
Nada pelo nada, nada pelo medo,
Teme a vida e esconde assustador segredo:
Um coração cheio de infinitas mágoas...



Espírito errante que anda pelos céus,
Voa sem vontade pelo seu remorso,
Arrasta as correntes e os fúnebres véus...



Espírito errante na lava oscilante,
Carrega mil marcas no lascivo dorso...
Sem destino vaga um espírito errante...  
  


Rommel Werneck 
 
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A idéia foi escrever sobre um indivíduo perdido e em conflito na vida, para isto, cada estrofe foi consagrada a um elemento da natureza. Inicialmente, julguei ruim a chave de ouro, mas depois pensei melhor e realmente o espírito errante não mereceria um "grand finale", somente um desfecho banal e, sobretudo, errante.



domingo, 10 de outubro de 2010

O TEMPO

O tempo passa a rir e rindo vai
Gargalha com prazer, que é desmedido,
Tornando cada dia mais sofrido,
E cada aurora um tristonho aí...

O tempo ri da vida que se esvai...
De tudo que se foi, do amor perdido,
De tudo que ficou sem ser vivido,
Do véu que sobre tudo aos poucos cai...

O tempo, com ironia, ri, gargalha...
Sem piedade a morte sempre espalha,
Levando quem amamos nesta vida!

E passa como a brisa que farfalha,
Dizendo que haverá mais despedida
Que a dor há de ficar sem ser cerzida!

sábado, 9 de outubro de 2010

Absinto II


Absinto II

À crista dos mistérios percorri
além de me sentir, além de ser
substância efêmera a querer
o Zênite a soprar-se em déjà vu.

Mas se reconforta, mas se não ri
suspender minhalma sem me ter,
quando flama no estado de saber
o gozo da ilusão em que me vi.

A entrada do mistério será tanto;
ombrear das esferas o seu pranto,
ou pulsar magmáticos cantares?

Pois se em mim, percorrido, não me sinto;
serei quem, a beber tal absinto
que ao meu ser se tornou etéreos mares?

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Teseu e o Minotauro por Etienne-Jules Ramey
(francês, 1796-1852). Mármore, 1826.
Jardins des Tuileries (Paris), 1896.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A justiça de Deus na voz da história!



Grande apoio à cultura, homem sábio e querido. Bom pai, bom esposo, homem íntegro. Expulso do Brasil, exilado na Europa, sentindo-se traído.

Convosco, Dom Pedro II, sonetista.


Ingratos

Não maldigo o rigor da iníqua sorte,
Por mais atroz que fosse e sem piedade,
Arrancando-me o trono e a majestade,
Quando a dous passos só estou da morte.

Do jogo das paixões minha alma forte
Conhece bem a estulta variedade,
Que hoje nos dá contínua f'licidade
E amanhã nem — um bem que nos conforte.

Mas a dor que excrucia e que maltrata,
A dor cruel que o ânimo deplora,
Que fere o coração e pronto mata,

É ver na mão cuspir a extrema hora
A mesma boca aduladora e ingrata,
Que tantos beijos nela pôs — outrora.
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Terra do Brasil

Espavorida agita-se a criança,
De noturnos fantasmas com receio,
Mas se abrigo lhe dá materno seio,
Fecha os doridos olhos e descansa.

Perdida é para mim toda a esperança
De volver ao Brasil; de lá me veio
Um pugilo de terra; e neste creio
Brando será meu sono e sem tardança...

Qual o infante a dormir em peito amigo,
Tristes sombras varrendo da memória,
ó doce Pátria, sonharei contigo!

E entre visões de paz, de luz, de glória,
Sereno aguardarei no meu jazigo
A justiça de Deus na voz da história!
Se tu me amas...

Se tu me amas entra bem silente,
Sem despertar-me deste sono leve...
Na minha pele tua marca inscreve,
Qual tatuagem, com teu beijo ardente...
*
Se tu me amas neste instante breve,
Desliza sobre mim tal qual serpente,
Sem preocupar em ser cordial... Decente...
Oh! Sê aquele que se dar se atreve!
*
Se me amas mesmo sem pudor, tolice,
Que vás embora junto com a lua,
E deixa-me sonhar um novo dia...
*
E deixa que de longe eu te cobice,
E queira-te de novo, ébria e nua...
Mantendo em mim, do amor, doce utopia!

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).