domingo, 3 de outubro de 2010

FOTOS DO III SARAU NOITE DOS POETAS MALDITOS


Ilustre Plêiade e Leitores!


As fotos e vídeos do III Sarau Noite dos Poetas Malditos podem ser visualizadas aqui. A maioria do material fotográfico foi feito com minha câmera, apenas as fotos finais são de outros artistas cujos nomes são estampas das respectivas fotos. Você pode usar livremente o material desde que cite o blog Poesia Retrô.

A reportagem oficial sobre o evento encontra-se na "imprensa" de nosso blog, o  jornal O Piagüí.  



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Fotos maravilhosas de outros participantes do evento










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PRINCIPAIS VÍDEOS















sexta-feira, 1 de outubro de 2010

MEU PRIMEIRO INDRISO COM AS "BÊNÇÃOS" DE ISIDRO ITURAT


As vaidades da vida humana. Harmen Steenwyck



BELEZA


Pétalas belas, pluma bem brilhante,
Brisa tu és, sublime bruma amante,
Que me bebe no abraço brutamente...


Braços abertos, brunos paraísos,
Pelas vagas dos beijos imprecisos,
Pelo bravo brasão palidamente...



Pétalas murcham, plumas caem tortas...


Braços flácidos ficam, brumas mortas... 



Rommel Werneck



quarta-feira, 29 de setembro de 2010

NADA É, PARA OS HOMENS, DURADOURO





Esta censura eu te faço
com respeito, e te aconselho:
necessário é que não deixes
esvair-se a doce esperança.
Nem o Crônida, senhor que tudo ordena,
aos mortais atribuiu
vida isenta de aflição;
mas dores e alegrias para todos
vão surgindo nessa roda, como a Ursa
no seu giro circular.

Nada é, para os homens, duradouro:
nem a noite cintilante, nem a dor,
nem a riqueza. Em breve
tudo parte, e a outro homem
chega a vez de se alegrar e se abater.
Por isso te aconselho, ó soberana, que guardes
sempre com esperança estas verdades; quando foi
que alguém viu Zeus abandonar assim seus filhos?


Sófocles, "As Traquínias",  vs. 122-140.
Tradução de Maria do Céu Zambujo Fialho.






original grego:

Χορός
ὧν ἐπιμεμφομένα σ᾽ αἰδοῖα μέν, ἀντία δ᾽ οἴσω.
φαμὶ γὰρ οὐκ ἀποτρύειν ἐλπίδα τὰν ἀγαθὰν
χρῆναί σ᾽: ἀνάλγητα γὰρ οὐδ᾽ ὁ πάντα κραίνων βασιλεὺς ἐπέβαλε θνατοῖς Κρονίδας:
ἀλλ᾽ ἐπὶ πῆμα καὶ χαρὰ πᾶσι κυκλοῦσιν, οἷον
ἄρκτου στροφάδες κέλευθοι.
μένει γὰρ οὔτ᾽ αἰόλα

νὺξ βροτοῖσιν οὔτε κῆρες
οὔτε πλοῦτος, ἀλλ᾽ ἄφαρ
βέβακε, τῷ δ᾽ ἐπέρχεται
χαίρειν τε καὶ στέρεσθαι.
ἃ καὶ σὲ τὰν ἄνασσαν ἐλπίσιν λέγω
τάδ᾽ αἰὲν ἴσχειν: ἐπεὶ τίς ὧδε
τέκνοισι Ζῆν᾽ ἄβουλον εἶδεν;

(Sophocles. The Trachiniae of Sophocles. Edited with introduction and notes by Sir Richard Jebb. Sir Richard Jebb. Cambridge. Cambridge University Press. 1892)

sábado, 25 de setembro de 2010

Cantiga da Lua Cheia

Ai de mim nessas horas

Que mira as estrelas e os astros noturnos

Tendo a lua cheia sua mais perfeita luz

Iluminando meu quarto soturno

Cheio de saudade e solidão


Apois São Jorge

Santo guerreiro, amado cavaleiro

Que em lua cheia com seu corcel

Valioso amigo e companheiro

Há de ter matado o dragão


Meu amigo ao longe

Tão qual guerreiro, amado cavaleiro

Veste vossa proteção em cruz vermelha

Montado em corcel ligeiro

E de lança na mão

Ó lua cheia de plena beleza

Levai minha prece a meu amor

Amigo de longe olhar


Ai de mim nessas horas

Que mira as estrelas e os astros altos

Tendo a lua cheia sua mais perfeita luz

Iluminando meu manto alvo

Sangrado e suado de solidão


Apois São Jorge

Santo guerreiro, valente cavaleiro

Que em lua cheia com seu corcel

Valioso amigo e companheiro

Há de ter matado o dragão


Mia senhora ao longe

Donzela de luta, arqueira sagaz

Carrega em seu peito uma chama

Que queima forte em prece assaz

E de terço na mão

Ó lua cheia de plena beleza

Levai minha prece a meu amor

Suserana de longe olhar


Amigo distante

Não vejo a hora de, ao longe, te ver

Em triunfal retorno sobre os mouros

Com tua flâmula ao vento se contorcer

Em sublime visão


E não tardes amado

Que aqui tua donzela te espera

Com mais que o peito na mão

Esperando-te acabar essa procela

Dentro do meu coração


Em prece solene

Não há em meu coração nada mais

Que, de meu amigo, o salvo retorno

Rogo-vos, Pai, que me torturastes demais

A meu amigo proteção

Ó lua cheia de plena beleza

Levai minha prece a meu amor

Amigo de longe olhar


Senhora distante

Não vejo a hora de, ao longe, ver

Tua imagem dama a me acenar

Com lenço branco no ar a volver

Em sublime visão


E não tardo amada

Mas aqui teu servo fiel batalha

Com mais que a espada na mão

Esperando acabar com o que me atalha

Matando até um dragão


Em prece solene

Não há em meu coração nada mais

Que, de mia senhora, às saudades

Rogo-vos, Pai, que já lutei demais

A mia luta compaixão

Ó lua cheia de plena beleza

Levai minha prece a meu amor

Suserana de longe olhar


Findo o embate

Retornam os cruzados, hospitalários

Nobres e servos de tantos reinos

Que caçaram ao longe seu salário

Em nome de Deus e oração


Só não vejo amigo

Coração mais que aflito o procura

Entre os rostos cansados e marcados

Por tamanha cobiça e loucura

Cadê meu coração?


Tende dó São Jorge

Que o avisto em maca dormindo ferido

Em vossas vestes templárias em cruz rubra

Acudo chorando meu amigo marido

Que tendes mia mão

Ó lua cheia de plena beleza

Levai minha prece a meu amor

Amigo de tão belo olhar


Findo o embate

Retorno cruzado a meu reino morada

Nobre de riqueza de longe terra

Para me casar com minha senhora amada

Que jurou-me a mão


Só não vejo suserana

Coração mais que aflito a procura

Entre as damas que esperam seus moços

Só não encontro igual formosura

Da dona de meu coração


Tende dó São Jorge

Que abro meus olhos em maca ferido

E vejo donzela chorando em cima de mim

Senhora mais bela que já tenha visto

Fazia-me uma oração

Ó lua cheia de plena beleza

Levai minha prece a meu amor

Suserana de tão belo olhar


Luciano Alencar (BOI)

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).