sexta-feira, 1 de outubro de 2010

MEU PRIMEIRO INDRISO COM AS "BÊNÇÃOS" DE ISIDRO ITURAT


As vaidades da vida humana. Harmen Steenwyck



BELEZA


Pétalas belas, pluma bem brilhante,
Brisa tu és, sublime bruma amante,
Que me bebe no abraço brutamente...


Braços abertos, brunos paraísos,
Pelas vagas dos beijos imprecisos,
Pelo bravo brasão palidamente...



Pétalas murcham, plumas caem tortas...


Braços flácidos ficam, brumas mortas... 



Rommel Werneck



quarta-feira, 29 de setembro de 2010

NADA É, PARA OS HOMENS, DURADOURO





Esta censura eu te faço
com respeito, e te aconselho:
necessário é que não deixes
esvair-se a doce esperança.
Nem o Crônida, senhor que tudo ordena,
aos mortais atribuiu
vida isenta de aflição;
mas dores e alegrias para todos
vão surgindo nessa roda, como a Ursa
no seu giro circular.

Nada é, para os homens, duradouro:
nem a noite cintilante, nem a dor,
nem a riqueza. Em breve
tudo parte, e a outro homem
chega a vez de se alegrar e se abater.
Por isso te aconselho, ó soberana, que guardes
sempre com esperança estas verdades; quando foi
que alguém viu Zeus abandonar assim seus filhos?


Sófocles, "As Traquínias",  vs. 122-140.
Tradução de Maria do Céu Zambujo Fialho.






original grego:

Χορός
ὧν ἐπιμεμφομένα σ᾽ αἰδοῖα μέν, ἀντία δ᾽ οἴσω.
φαμὶ γὰρ οὐκ ἀποτρύειν ἐλπίδα τὰν ἀγαθὰν
χρῆναί σ᾽: ἀνάλγητα γὰρ οὐδ᾽ ὁ πάντα κραίνων βασιλεὺς ἐπέβαλε θνατοῖς Κρονίδας:
ἀλλ᾽ ἐπὶ πῆμα καὶ χαρὰ πᾶσι κυκλοῦσιν, οἷον
ἄρκτου στροφάδες κέλευθοι.
μένει γὰρ οὔτ᾽ αἰόλα

νὺξ βροτοῖσιν οὔτε κῆρες
οὔτε πλοῦτος, ἀλλ᾽ ἄφαρ
βέβακε, τῷ δ᾽ ἐπέρχεται
χαίρειν τε καὶ στέρεσθαι.
ἃ καὶ σὲ τὰν ἄνασσαν ἐλπίσιν λέγω
τάδ᾽ αἰὲν ἴσχειν: ἐπεὶ τίς ὧδε
τέκνοισι Ζῆν᾽ ἄβουλον εἶδεν;

(Sophocles. The Trachiniae of Sophocles. Edited with introduction and notes by Sir Richard Jebb. Sir Richard Jebb. Cambridge. Cambridge University Press. 1892)

sábado, 25 de setembro de 2010

Cantiga da Lua Cheia

Ai de mim nessas horas

Que mira as estrelas e os astros noturnos

Tendo a lua cheia sua mais perfeita luz

Iluminando meu quarto soturno

Cheio de saudade e solidão


Apois São Jorge

Santo guerreiro, amado cavaleiro

Que em lua cheia com seu corcel

Valioso amigo e companheiro

Há de ter matado o dragão


Meu amigo ao longe

Tão qual guerreiro, amado cavaleiro

Veste vossa proteção em cruz vermelha

Montado em corcel ligeiro

E de lança na mão

Ó lua cheia de plena beleza

Levai minha prece a meu amor

Amigo de longe olhar


Ai de mim nessas horas

Que mira as estrelas e os astros altos

Tendo a lua cheia sua mais perfeita luz

Iluminando meu manto alvo

Sangrado e suado de solidão


Apois São Jorge

Santo guerreiro, valente cavaleiro

Que em lua cheia com seu corcel

Valioso amigo e companheiro

Há de ter matado o dragão


Mia senhora ao longe

Donzela de luta, arqueira sagaz

Carrega em seu peito uma chama

Que queima forte em prece assaz

E de terço na mão

Ó lua cheia de plena beleza

Levai minha prece a meu amor

Suserana de longe olhar


Amigo distante

Não vejo a hora de, ao longe, te ver

Em triunfal retorno sobre os mouros

Com tua flâmula ao vento se contorcer

Em sublime visão


E não tardes amado

Que aqui tua donzela te espera

Com mais que o peito na mão

Esperando-te acabar essa procela

Dentro do meu coração


Em prece solene

Não há em meu coração nada mais

Que, de meu amigo, o salvo retorno

Rogo-vos, Pai, que me torturastes demais

A meu amigo proteção

Ó lua cheia de plena beleza

Levai minha prece a meu amor

Amigo de longe olhar


Senhora distante

Não vejo a hora de, ao longe, ver

Tua imagem dama a me acenar

Com lenço branco no ar a volver

Em sublime visão


E não tardo amada

Mas aqui teu servo fiel batalha

Com mais que a espada na mão

Esperando acabar com o que me atalha

Matando até um dragão


Em prece solene

Não há em meu coração nada mais

Que, de mia senhora, às saudades

Rogo-vos, Pai, que já lutei demais

A mia luta compaixão

Ó lua cheia de plena beleza

Levai minha prece a meu amor

Suserana de longe olhar


Findo o embate

Retornam os cruzados, hospitalários

Nobres e servos de tantos reinos

Que caçaram ao longe seu salário

Em nome de Deus e oração


Só não vejo amigo

Coração mais que aflito o procura

Entre os rostos cansados e marcados

Por tamanha cobiça e loucura

Cadê meu coração?


Tende dó São Jorge

Que o avisto em maca dormindo ferido

Em vossas vestes templárias em cruz rubra

Acudo chorando meu amigo marido

Que tendes mia mão

Ó lua cheia de plena beleza

Levai minha prece a meu amor

Amigo de tão belo olhar


Findo o embate

Retorno cruzado a meu reino morada

Nobre de riqueza de longe terra

Para me casar com minha senhora amada

Que jurou-me a mão


Só não vejo suserana

Coração mais que aflito a procura

Entre as damas que esperam seus moços

Só não encontro igual formosura

Da dona de meu coração


Tende dó São Jorge

Que abro meus olhos em maca ferido

E vejo donzela chorando em cima de mim

Senhora mais bela que já tenha visto

Fazia-me uma oração

Ó lua cheia de plena beleza

Levai minha prece a meu amor

Suserana de tão belo olhar


Luciano Alencar (BOI)

ENTREVISTA DE ROMMEL WERNECK NA TV ORKUT









Ilustre Plêiade e Leitores,



Seguem abaixo as fotos e os vídeos de minha entrevista na TV Orkut em maio de 2010. Desculpe pela demora em publicar. A entrevista começa no fim do primeiro vídeo aqui publicado, o "parte 2". Foram declamados textos meus, de Gabriel Rübinger e de Daniel Castello Branco Ciarlini. 





PHOTOGRAPHIAS























VÍDEOS


























quinta-feira, 23 de setembro de 2010

III POESIA OU MORTE!





Sarau no dia do meu aniversário. Convite para todos. Cliquem na imagem e sigam o blog 




www.poesiaoumorte.blogspot.com

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A capela


(tradução de "I Saw a Chapel", de William Blake)

Vi uma capela dourada
Onde não ousavam entrar.
Ficavam ali, diante da porta
Idolatrando, a lamentar.

Entre as colunas do pórtico
Vi uma víbora se elevar
Crispar, contorcer, e por fim
Os áureos gonzos arrebentar.

Na nave decorada de pérolas
E de rubis a flamejar
Dirigiu seu corpo viscoso
De réptil para o altar.

Sobre a hóstia e o vinho
Seu veneno vi vomitar.
Então fui até a pocilga
Entre os porcos me deitar.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

BEBENDO À LUZ DA LUA


Um jarro de vinho entre as flores,
bebo sozinho - nenhum amigo me acompanha.
Alço minha taça, convido a lua
e minha sombra - agora somos três.
A lua não bebe
e minha sombra apenas imita meus gestos.
Mesmo assim, são elas as minhas companhias.
É primavera, tempo de festa -
canto, a lua escuta e cintila;
danço, minha sombra se agita, animada.
Enquanto estou sóbrio, juntos estamos os três;
quando me embriago, cada um segue seu rumo.
Selamos uma amizade que nenhum mortal conhece.
E juramos nos encontrar no mundo além das nuvens.


LI PO

Tradução:
José Jorge de Carvalho



original:

花間一壺酒
獨酌無相親
舉杯邀明月
對影成三人
月既不解飲
影徒隨我身
暫伴月將影
行樂須及春
我歌月徘徊
我舞影零亂
醒時同交歡
醉後各分散
永結無情遊
相期邈雲漢


Arte:
Title: "A fairy moon and a lonely shore"
Date Created/Published: [between 1890 and 1940]
Medium: 1 print : woodcut, color ; 11.3 x 17.5 cm (sheet)
Summary: Print shows a man with a shoulder pole walking along a moonlite shore.
Acervo da Biblioteca do Congresso Americano

SARAU NOITE DOS POETAS MALDITOS





Ilustre Plêiade e Leitores!!


O Poesia Retrô tornou-se parceiro de um grande sarau de poesia gótica. O evento gratuito ocorrerá dia 26 de setembro, domingo, às 15h em Paranapiacaba, vila histórica de Santo André.  Quem estiver nas redondezas não deixe de ir! A grande celebridade do evento será o Dark Poet, grande referência de poesia gótica. hehe 

Eu também irei a este evento.

Mais detalhes no perfil de orkut do organizador Joel Shinalder:


domingo, 19 de setembro de 2010

LUNA CRECIENTE


Mais um belo indriso escrito especialmente para nosso blog

_________________________________________________________________________



An Offering to Venus (1912)
John William Godward (1861–1922)




LUNA CRECIENTE





Tierna Venus con quince primaveras
maneras apuntaba: los pastores,
ya sus adoradores en las eras,




y en los campos de Chipre labradores;
las fieras se acoplaron con las fieras
en las frondas, las flores con las flores;




y los dioses temiéronla de veras:




morir fue nuevo, y verse, por amores.




ISIDRO ITURAT


Acesse www.indrisos.com

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

CAGED HEART









Imagem retirada de clique aqui





Caged Heart


The heart beats in its gilded cage, the fool
that cannot break the bounds of its own bars.
It cannot bend this iron strapping cruel
that keeps it under lock and key, its scars
less noticeable to the passerby,
less obvious to lovers who would fly.


My heart's a bird that can't escape its perch
but tends it with compulsive diligence
that coddles as it cradles every lurch
and does its best to feather indigence.


An egg of robin blue's my small bound heart
that aches to smash its shell, release its song.
My heart hums silent dirges, hymns apart
from any hope of transcending for long.


MARCY JARVIS



_______________________________________________


Poema escrito em inglês por nossa leitora e escritora estadunidense Marcy Jarvis, do site AllPoetry. 

Old Poetry        AllPoetry




A Lira Maldita



Roubei de um tísico vendedor de rosas
O perfume para fazer a minha prosa,
Que anda gasta por essas ruelas,
Onde ando a ver fechadas janelas.

Eu maldigo mais que um mendigo,
Como um jovem maldito e santo,
Que em orquestra de sapos canta:
Sobre a mesa o podre fruto.

De uma laranjeira que está morta,
Onde estão no chão as laranjas.
Pois um novo estilo e com franjas
Prefere um pequeno pé de bergamota.

E sigo eu com minha lira desafinada
A procurar palavras mais agudas.
Então encontro em uma cesta uma agulha
E uma camisa de algodão.

ALVES ROSA

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).