sexta-feira, 30 de julho de 2010

CLEMÊNCIA!






Oh! Mata-me de vez! Eu não suporto mais
Viver assim sem ti, sem ter o teu carinho,
Mais triste fico eu, pois sei que estás sozinho,
E amor igual ao meu tu não terás jamais!


Oh! Bem depressa vem! E mata-me de vez!
Põe fim na minha dor! Arranca este espinho!
Que eu não suporto mais olhar o nosso ninho,
Sentindo nele o ardor do amor que se desfez!


Oh! Mata-me de vez! De mim tem dó, piedade!
Eu não suporto mais a dor que assim me invade,
E muito menos ser um ente que agoniza!


Envolve-me, sem dó, na eterna e fria brisa...
Oh! Vem depressa! Vem! E tudo finaliza!
Que eu não suporto mais sentir só dor, saudade...

sábado, 24 de julho de 2010

INQUIRIÇÕES APREENSIVAS























INQUIRIÇÕES APREENSIVAS


O que acabrunha uma biografia
Rito incauto de fé mal consagrada
Êxtase conspurco que não desafia
Dolo amoroso na veste esfarrapada

Exora-se bênção em devoluto cobiçar
Crença transmutada na esfera bestial
Que existe acolá do horizonte angelical
Senão voz malfazeja que não quer calar

Doura-se a pílula no poetar de brandura
O logro desfralda-se na face demoníaca
Áugure travestido em roupagem escura
Desdenha amor que deflue da veia ilíaca

Santo, super-homem ou um malquisto ser
Sobrevém do vocábulo existencial escrito
Pouco ou nada, domina sempre o bonito
Deixando o SER predisposto ao objeto TER.


Denise Severgnini

sábado, 17 de julho de 2010

ALMA PRISIONEIRA


Minh’alma vive presa neste corpo vil...
Cansada está da força da matéria,
Da vida que circula em minha artéria,
Dos anos que se passam a cada abril.

Deseja ser etérea, ser sutil,
Não conhecer na vida tal miséria,
Que é assim felina, deletéria...
Que a torna tão escrava e tão servil!

Espia a vida pelos vãos dos olhos,
Procura portas, pois quer ir-se embora,
No sideral espaço se espalhar...

Tenta quebrar, em vão, os seus ferrolhos,
Soltar a poita que seu ser ancora,
Tornar-se estrela! Ir no céu brilhar!

LADO OBSCURO




 LADO OBSCURO

Lado obscuro no dorso branco e nu...
Ah! Que carne vestida de alvo leite!
Nos teus músculos mui quero deleite.
A lascívia que lambe o lírio cru...

Tu tens asas sombrias de urubu...
Pois se tu me revelas claro enfeite,
Não, não há luz, portanto, que se deite
No tecido mais lúgubre que és tu!

Tudo corre entre sombras e mais luz...
O teu corpo de Cáucaso, algo impuro,
Ao terrível negrume me conduz!

Tu és nívea luxúria, sol no escuro,
O mais cândido luto que reluz.
Porque é vida raiada o lado obscuro!


Rommel Werneck
ANTOLOGIA ENCANTOS DO BRASIL, MADIO EDITORIAL



Adquira pelo e-mail
 cecília@madioeditorial.com.br

segunda-feira, 12 de julho de 2010

SÚPLICA!



Oh! Morte amiga! Por que me condenas
A ser um ente que na bruma andeja,
Levando tantas mágoas, tantas penas,
Sem ter a paz que todo ser almeja?

Quisera eu ter horas mais amenas,
Sem esta dor que dentro em mim chameja...
E me livrar das coisas tão terrenas,
Do meu penar que tanto dói, lateja!

Oh! Ponha fim no meu sofrer, calvário!
Senhora eu quero ir contigo agora,
Sem despedidas, sem adeus, delongas...

Quero partir nas asas de um canário,
E adejar por este mundo afora...
E me perder nas tuas noites longas!

domingo, 11 de julho de 2010

LANÇAMENTO

Olá, amigos, estou em duas coletâneas e faço então os dois convites de lançamento. Agradecido.



sexta-feira, 9 de julho de 2010

HORÁCIO - ODE XXX, III





Filho dum escravo liberto na antiga Roma, Horácio é conhecido por celebrar a vida. A temperança, a calma, o festejo, o vinho, o colher do dia: temas recorrentes em sua literatura. Inovando por revitalizar as odes em sua época, ele mesmo afirma na Epístola aos Pisões que todo poema deve ser, antes de tudo, bem trabalhado. Não era seu objetivo fazer poemas grandíloquos em temas e extensões - antes odes curtas e perfeitas. Para isso ele transpôs diversos metros gregos líricos (unidades de medida do verso) para o latim (as duas línguas baseavam-se num sistema de sílabas longas e breves, diferente da nossa), abrindo um novo caminho no que tange a poesia. Todo seu pensamento é condensado em duas palavras: carpe diem, expressão essa que ele mesmo cunhou na sua Ode XI, do Livro I. A ode abaixo é a XXX do livro III, vertida em português por antiga tradução de José Augusto Cabral de Melo, datada de 1853. Agradecimentos a Harvard College Library por dispor o livro.

Perfiz um monumento mais durável
que o bronze, e mais sublime
que as soberbas pirâmides,
o qual não podem as danosas chuvas
destruir, nem o Áquilo furente,
nem a série sem-número dos anos,
nem dos tempos a fuga.

Não morrerei de todo, grande parte
de mim há-de evadir-se
à cruel Libitina.
Crescerei sempre, nas vindouras eras,
de novo aplauso laureado, enquanto
subir ao Capitóilo o grão pontífice
co'a virgem taciturna.

Nas terras onde estrepitoso corre
o Áufido violento,
nas áridas campinas
de águas carecedores, onde Dauno
reinou potente sobre agrestes povos,
dir-se-á de mim, que, de uma baixa origem
tornando-me preclaro,

Fui o primeiro que os cadentes versos
apropriei eólios
aos ítalos acentos.
Toma a nobre altiveza a que, Melpômene,
te dá o direito o mérito supremo,
e favorável minha fronte cinge
com o délfico louro.


XXX
Exegi monumentum aere perennius
regalique situ pyramidum altius,
quod non imber edax, non Aquilo inpotens
possit diruere aut innumerabilis
annorum series et fuga temporum.
Non omnis moriar multaque pars mei
uitabit Libitinam; usque ego postera
crescam laude recens, dum Capitolium
scandet cum tacita uirgine pontifex.
Dicar, qua uiolens obstrepit Aufidus
et qua pauper aquae Daunus agrestium
regnauit populorum, ex humili potens
princeps Aeolium carmen ad Italos
deduxisse modos. Sume superbiam
quaesitam meritis et mihi Delphica
lauro cinge uolens, Melpomene, comam.

terça-feira, 6 de julho de 2010

A Virgem de Jaci






Nas noites peroladas, uma Lua
ao subir no horizonte, branca e nua,
deitava do seu manto a claridade.
As belas moças virgens procurava
nas matas, o fulgor que branquejava
tornava a carne em luz de castidade.

Fosforescência nívea das estrelas
via brilhar. Jaci, querendo tê-las
nas telas tão diversas do infinito,
roubou-as. Uma virgem, tendo ouvido
a história, com o peito comovido,
fugiu, atrás do brilho irrestrito.

Uma névoa de sonho banha a tribo,
nem lhe sentem a falta; e sem estribo
vaga pelas colinas e montanhas.
Tentava em vão alçar até Jaci,
como se a luz perfeita do rubi
chamasse a descobrir novas façanhas.

E o soluço dos dias assim seguiam,
como se os olhos dela não a viam
e a madrugada, o pranto despejasse
num rio caudaloso, em meio as águas
que do sonho cerziu e se fez mágoas,
e no coração puro um duro impasse.

Certa noite a lagoa era um espelho
de prata a refletir Marte vermelho.
Qual pérola, Jaci, toda de branco
olhava com ternura maternal
sobre a lagoa. Ela, ao lavar o sal
Das lágrimas, achou-lhe o doce flanco.

Na imagem afogou seu sofrimento
e para sempre foi. Nesse momento,
apiedou Jaci, por tanto amor
que teve em seu anelo. Mas não quis
torná-la estrela para a noite gris,
quis lhe fazer a mais sublime flor.

E na floresta crespa de saudade
chorou-se sua perda em mocidade
ignorando a sorte que viria:
desenhada das mãos cheias da Lua
nas águas safirínicas flutua
 e um aguapé alvíssimo nascia.

Gabriel Rübinger e Vitor de Silva

Foto: Thiago Pinto Nogueira

segunda-feira, 5 de julho de 2010

RENÚNCIA





Que cale a voz que tanto ouvi um dia!
Que estanque o pranto, outrora incontido..
E morra em mim, silente, sem ironia,
o amor que tanto tem a mim ferido!


Que se estilhacem todos sonhos vãos!
Se apague em mim a chama dos meus versos...
Paralizadas fiquem minhas mãos
Sem externar poemas meus imersos!

Que para sempre cale a minha lira!
Se quebrem todos meus sutís esteios...
E toda minha angústia, meus receios.


Que acabe meu penar e a minha ira,
Paixão que me consome e em mim suspira,
Que morram em mim os sonhos, devaneios...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).