sexta-feira, 30 de abril de 2010

AURORA


Numa época distante, era que o tempo encerra,
surgiu a humanidade, enchendo todo o mundo.
Pro crescimento solo achou fértil, fecundo.
Foi se reproduzindo e ocupou toda a Terra.

Mas uma conseqüência o nosso peito aterra:
tentando uma escalada, o homem desceu ao fundo;
pelo que achavam certo, homens, cada iracundo,
moviam incessante e aterradora guerra.

Cada um estava certo à vista de si mesmo.
E a gente caminhava em desordem, a esmo.
Cheio estava de mal este mundo imperfeito.

Não eram vida humana as existências más,
pois o homem não podia habitar sem a paz.
Nasceu então o Sol dourado do Direito.


Filipe Cavalcante
07.X.2009

quarta-feira, 28 de abril de 2010

AGITO CULTURAL 1º DE MAIO SÃO PAULO




    

 
Oi, gente!



A produtora cultural Regina Z (RASZ5) realizará no Miquelina bar & Arte uma noite de Agito Cultural que pretende marcar São Paulo. Eu me apresentarei neste evento com uma performance cênica de poesias retrôs divulgando nosso blog. Aguardo os nossos escritiores e seguidores de São Paulo lá.


IntÉ!


Rommel Werneck

terça-feira, 27 de abril de 2010

ABYSSUS




                           
 Créditos. Da esq. à dir.:1- Pandore, par Jules Joseph Lefebvre, 1882, collection privée       2- O Nascimento de Vênus (recorte), de Bouguereau 3- ''Adam and Eva'' of '''Friedrich''' Maler '''Muller'''

ABYSSUS

 

Bela e traidora! Beijas e assassinas...
Quem te vê não tem forças que te oponha:
Ama-te, e dorme no teu seio, e sonha,
E, quando acorda, acorda feito em ruínas...


Seduzes, e convidas, e fascinas,
como o abismo que, pérfido, a medonha
Fauce apresenta flórida e risonha,
Tapetada de rosas e boninas.


O viajor, vendo as flores, fatigado
Foge o sol, e, deixando a estrada poenta,
Avança incauto... Súbito, esbroando,

Falta-lhe o solo aos pés: recua e corre,
Vacila e griata, luta e se ensangüenta,
E rola, e tomba, e se despedaça, e morre...


Olavo Bilac, 1865-1918

sexta-feira, 23 de abril de 2010

POESIA OU MORTE! Sigam o blog!



AMARGURA


Eras um ser escuro na alvorada
Que na noite tristonha embranquecia.
Eras para uns, um tédio, apenas nada!
Vivias na mais pura nostalgia.

Deixaste uma vil sombra penetrar
Em tua vida... marca... cicatriz...
Em plena juventude tão infeliz
Perdeste tudo: o brilho e até o cantar!


Trabalha, leia, leia, estuda, luta!
Pois quando não tão jovem fores mais,
Terás descanso, bom consolo e paz!

O tempo apaga nossas ilusões
E revela o consolo, sem paixões!
Reza, estuda, vença tal disputa!


ROMMEL WERNECK





Amigos, o meu soneto foi lido no vídeo acima por Eliene Dantas Taveira, poetisa da CAPPAZ (Confraria de Artistas e Poetas pela Paz) no I Sarau "Poesia ou Morte!" Aguardo a presença de vocês no próximo evento, isto é, 23 de maio, às 16h. Aqueles que não estejam em São Paulo podem colaborar divulgando o evento para os contatos de São Paulo e seguindo o blog. Estamos com poucos seguidores!

http://www.poesiaoumorte.blogspot.com/


COMUNIDADE NO ORKUT

terça-feira, 20 de abril de 2010

O Fardo da Cruz




Quando despertarei da letargia?
Os frutos não os trago, oh meu Deus!
Desejo tanto estar nos planos Teus
E a plena paz gozar ainda um dia.

Que paz eu já desfruto por saber
Do fardo que me é leve (Tu trocaste!)
A minha culpa sobre Ti levaste...
Porém quem se lembrou do Teu sofrer?

_Pai, eis-me aqui, Te rogo humildemente
Se for possíve'o cálice me afasta
Porém o que Tu queres que se faça...

Oh Deus, é grande a dor que em mim se sente
Por não sentir-se a dor da Tua cruz
Sabendo-se que ali manaste a luz!

Today

Eu sinto às vezes que não vo'alcançar...
A carne incita, a carne me tortura
Os olhos doem (lacrimeja pura
Nascente... Banha o meu maior pesar).

Maior pesar o meu de não Te ouvir
Se quero o bem, em mim está o mal
The love conquers hate, today, now...
My Lord, bless my live, today, here.

Vieste pros enfermos, meu Senhor!
Curai-me a enfermidade que mantém
A mim aprisionado ao que não quero.

Eu quero a liberdade pra'em vigor
Eu preso estar a Ti... Meu maior bem!
E assim poder dizer: Em Cristo espero!

sábado, 17 de abril de 2010

Mandu em Piagohy



Grandes guerreiros da nação dos Tremembés,

filhos da mata que viveis pelo sertão,

irmãos dos bichos desta terra, homens temidos pela guerra,

que sempre, livres, habitastes este chão.


Eis que ressoa em toda tribo, e bem sabeis

dos homens brancos que vieram-nos de lá

do mar. Notando a cor ali, pensamos virem de Jaci,

porém batalham pela parte de Anhangá.


Mandu me chamo, sou guerreiro Cariri.

Ainda novo, curumim, eu fui levado

pra viver entre a estranha gente, e me quiseram fazer crente

na fé na qual por seus pajés fui ensinado.


Pregam amor na sua crença, mas só levam

o desespero ao sertão todo aonde passam.

Por muito tempo fui servindo os homens que iam destruindo

tabas e tribos. Glória não, só ouro caçam.


O arco guerreiro que despede flechas firmes,

flechas em cujas pontas antes ia a morte,

não pode agora mais vencer, esse inimigo mais conter,

que tem um raio contra nós muito mais forte.


Eu vi tacapes que já foram tão temidos,

que já guiaram à vitória em tanta guerra,

serem partidos nessa luta. Esses que a morte não enluta

não seguem leis, e matam só pra ter a terra.


Grande nação dos Tremembés, ouvi-me, pois!

Vislumbro ainda uma esperança no amanhã.

Se nos unirmos todos nós da larga costa, os Manitós

todos conosco vão, e guiando vai Tupã!



Filipe Cavalcante

16.04.2010


quinta-feira, 15 de abril de 2010

SAUDADE...




















Sorrateira e cortante qual navalha
Vai singrando minh’alma triste e nua...
E, silente, no imo meu flutua,
Como louca, depois grita e gargalha!


Bate fundo! Provoca dor imensa!
E esgarçando meus véus, minha censura,
Mil promessas baixinho me murmura,
Seduzindo minh’alma tão infensa!


Devagar, mas constante, me assedia,
Sem detença, sem ver se é noite ou dia
Construindo mil pontes com o passado...


Sem licença, de modo firme e ousado,
O meu ser deixa todo acutilado,
Mergulhado em profunda nostalgia!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

ESPERANÇAS...



A porta aberta sempre e a luz mantida acesa,
Discreta luz que freme e forma sombras, feixes,
E eu cá estou tão só, com medo que me deixes,
Ou entres sem bater! Não tenho mais certeza!

Na mesa está o vinho, e toca o tango nosso,
A flor perfuma o ar. Na cama há teu cheiro...
Bem que podias vir! Voltar mais que ligeiro!
Quisera te esquecer, mas juro que não posso!

Espero assim por ti, meus sonhos não sepulto...
Mas quando não te vejo, a minha dor oculto.
Relembro teu olhar, teu jeito que amo tanto!

Eu penso em ti amor, silente rola o pranto,
E sei que vais chegar! Voltar com teu encanto.
Espreito o vão da porta e busco por teu vulto...


Edir

terça-feira, 13 de abril de 2010

SONETO I


Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura!
Eu vos desejo sempre, sempre mais...
E aqui eu vim fazer-vos minha jura
Deixar-vos eu não vou! Nunca! Jamais!
Oh! Flor do Céu! Amar-vos-ei querida,
Enquanto vida em mim pulsar ardente...
Vós sois estrela que ninguém se olvida,
Que gera em mim paixão e amor candente!
Amar-vos, para mim, é doce sorte,
E vosso assim serei até meu fim,
Estais além de tudo, além da morte,
E juro que sois tudo para mim!
Se por amor se curva, morre ou falha,
Perde-se a vida, ganha-se a batalha!


O soneto que Dom Casmurro não escreveu, aproveitando o primeiro e o último versos por ele criados. Homenagem a Machado de Assis.

CONVERSA ÍNTIMA



Abri-me com carinho, lede-me, vos peço,
sorvendo cada letra, escrita neste ninho
de versos, como se faz com o antigo vinho,
que neste livro - fina taça - te ofereço!

De minha entranha arranco os versos que aqui teço,
São gotas d’alma que chorando bem baixinho,
Respingam nestas folhas, com paixão, carinho,
De minha vida, mil pedaços, que forneço...

Nas vossas mãos eu sou igual a fina bolha,
Que ao bruto toque pode se romper ligeiro,
Eu quero o vosso amor, a vossa grande estima!

E com cuidado, ide em cada canto e folha,
Porque sou todo vosso, sem temor, inteiro,
Em cada verso, cada ponto, cada rima!

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).