sexta-feira, 23 de abril de 2010

POESIA OU MORTE! Sigam o blog!



AMARGURA


Eras um ser escuro na alvorada
Que na noite tristonha embranquecia.
Eras para uns, um tédio, apenas nada!
Vivias na mais pura nostalgia.

Deixaste uma vil sombra penetrar
Em tua vida... marca... cicatriz...
Em plena juventude tão infeliz
Perdeste tudo: o brilho e até o cantar!


Trabalha, leia, leia, estuda, luta!
Pois quando não tão jovem fores mais,
Terás descanso, bom consolo e paz!

O tempo apaga nossas ilusões
E revela o consolo, sem paixões!
Reza, estuda, vença tal disputa!


ROMMEL WERNECK





Amigos, o meu soneto foi lido no vídeo acima por Eliene Dantas Taveira, poetisa da CAPPAZ (Confraria de Artistas e Poetas pela Paz) no I Sarau "Poesia ou Morte!" Aguardo a presença de vocês no próximo evento, isto é, 23 de maio, às 16h. Aqueles que não estejam em São Paulo podem colaborar divulgando o evento para os contatos de São Paulo e seguindo o blog. Estamos com poucos seguidores!

http://www.poesiaoumorte.blogspot.com/


COMUNIDADE NO ORKUT

terça-feira, 20 de abril de 2010

O Fardo da Cruz




Quando despertarei da letargia?
Os frutos não os trago, oh meu Deus!
Desejo tanto estar nos planos Teus
E a plena paz gozar ainda um dia.

Que paz eu já desfruto por saber
Do fardo que me é leve (Tu trocaste!)
A minha culpa sobre Ti levaste...
Porém quem se lembrou do Teu sofrer?

_Pai, eis-me aqui, Te rogo humildemente
Se for possíve'o cálice me afasta
Porém o que Tu queres que se faça...

Oh Deus, é grande a dor que em mim se sente
Por não sentir-se a dor da Tua cruz
Sabendo-se que ali manaste a luz!

Today

Eu sinto às vezes que não vo'alcançar...
A carne incita, a carne me tortura
Os olhos doem (lacrimeja pura
Nascente... Banha o meu maior pesar).

Maior pesar o meu de não Te ouvir
Se quero o bem, em mim está o mal
The love conquers hate, today, now...
My Lord, bless my live, today, here.

Vieste pros enfermos, meu Senhor!
Curai-me a enfermidade que mantém
A mim aprisionado ao que não quero.

Eu quero a liberdade pra'em vigor
Eu preso estar a Ti... Meu maior bem!
E assim poder dizer: Em Cristo espero!

sábado, 17 de abril de 2010

Mandu em Piagohy



Grandes guerreiros da nação dos Tremembés,

filhos da mata que viveis pelo sertão,

irmãos dos bichos desta terra, homens temidos pela guerra,

que sempre, livres, habitastes este chão.


Eis que ressoa em toda tribo, e bem sabeis

dos homens brancos que vieram-nos de lá

do mar. Notando a cor ali, pensamos virem de Jaci,

porém batalham pela parte de Anhangá.


Mandu me chamo, sou guerreiro Cariri.

Ainda novo, curumim, eu fui levado

pra viver entre a estranha gente, e me quiseram fazer crente

na fé na qual por seus pajés fui ensinado.


Pregam amor na sua crença, mas só levam

o desespero ao sertão todo aonde passam.

Por muito tempo fui servindo os homens que iam destruindo

tabas e tribos. Glória não, só ouro caçam.


O arco guerreiro que despede flechas firmes,

flechas em cujas pontas antes ia a morte,

não pode agora mais vencer, esse inimigo mais conter,

que tem um raio contra nós muito mais forte.


Eu vi tacapes que já foram tão temidos,

que já guiaram à vitória em tanta guerra,

serem partidos nessa luta. Esses que a morte não enluta

não seguem leis, e matam só pra ter a terra.


Grande nação dos Tremembés, ouvi-me, pois!

Vislumbro ainda uma esperança no amanhã.

Se nos unirmos todos nós da larga costa, os Manitós

todos conosco vão, e guiando vai Tupã!



Filipe Cavalcante

16.04.2010


quinta-feira, 15 de abril de 2010

SAUDADE...




















Sorrateira e cortante qual navalha
Vai singrando minh’alma triste e nua...
E, silente, no imo meu flutua,
Como louca, depois grita e gargalha!


Bate fundo! Provoca dor imensa!
E esgarçando meus véus, minha censura,
Mil promessas baixinho me murmura,
Seduzindo minh’alma tão infensa!


Devagar, mas constante, me assedia,
Sem detença, sem ver se é noite ou dia
Construindo mil pontes com o passado...


Sem licença, de modo firme e ousado,
O meu ser deixa todo acutilado,
Mergulhado em profunda nostalgia!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

ESPERANÇAS...



A porta aberta sempre e a luz mantida acesa,
Discreta luz que freme e forma sombras, feixes,
E eu cá estou tão só, com medo que me deixes,
Ou entres sem bater! Não tenho mais certeza!

Na mesa está o vinho, e toca o tango nosso,
A flor perfuma o ar. Na cama há teu cheiro...
Bem que podias vir! Voltar mais que ligeiro!
Quisera te esquecer, mas juro que não posso!

Espero assim por ti, meus sonhos não sepulto...
Mas quando não te vejo, a minha dor oculto.
Relembro teu olhar, teu jeito que amo tanto!

Eu penso em ti amor, silente rola o pranto,
E sei que vais chegar! Voltar com teu encanto.
Espreito o vão da porta e busco por teu vulto...


Edir

terça-feira, 13 de abril de 2010

SONETO I


Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura!
Eu vos desejo sempre, sempre mais...
E aqui eu vim fazer-vos minha jura
Deixar-vos eu não vou! Nunca! Jamais!
Oh! Flor do Céu! Amar-vos-ei querida,
Enquanto vida em mim pulsar ardente...
Vós sois estrela que ninguém se olvida,
Que gera em mim paixão e amor candente!
Amar-vos, para mim, é doce sorte,
E vosso assim serei até meu fim,
Estais além de tudo, além da morte,
E juro que sois tudo para mim!
Se por amor se curva, morre ou falha,
Perde-se a vida, ganha-se a batalha!


O soneto que Dom Casmurro não escreveu, aproveitando o primeiro e o último versos por ele criados. Homenagem a Machado de Assis.

CONVERSA ÍNTIMA



Abri-me com carinho, lede-me, vos peço,
sorvendo cada letra, escrita neste ninho
de versos, como se faz com o antigo vinho,
que neste livro - fina taça - te ofereço!

De minha entranha arranco os versos que aqui teço,
São gotas d’alma que chorando bem baixinho,
Respingam nestas folhas, com paixão, carinho,
De minha vida, mil pedaços, que forneço...

Nas vossas mãos eu sou igual a fina bolha,
Que ao bruto toque pode se romper ligeiro,
Eu quero o vosso amor, a vossa grande estima!

E com cuidado, ide em cada canto e folha,
Porque sou todo vosso, sem temor, inteiro,
Em cada verso, cada ponto, cada rima!

domingo, 11 de abril de 2010

FILHOS MEUS!


Oh! Filhos meus!Vidas de minha vida!
Pedaços meus, do ventre os meus rebentos,
D’amor, eternos frutos, meus alentos,
Vós sois meu chão, meu teto e minha lida...

Oh! Prendas minhas! Flores que colhi
Dos campos desta vida, com ternura...
Vós sois do meu viver, prazer, ventura,
D’amor o mais profundo que vivi!

Estrelas que cintilam, quais dois sóis,
No céu de minha vida, sem cessar,
Com a força que detém o imenso mar!

Rebentos meus! Que vivo para amar!
Mais belos que o cantar dos rouxinóis,
Nos mais sangrentos, pulcros arrebóis...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

VILANCETE, lembrança inesquecível


     O texto a seguir é muito caro para mim, tive contato com ele no ano passado quando preparei algumas alunas presidiárias para uma apresentação teatral.

     Coordenei duas apresentações: um grupo representando Os dois turrões, um texto de Tatiana Belinky e o segundo grupo numa peça de teatro envolvendo o poema abaixo. As meninas se vestiram de montanhas, verduras, mar etc. Todas as participantes eram alunas presidiárias de alfabetização, tanto o ALFA 1 como do ALFA 2 e claro, não eram minhas alunas, mas foram minhas queridas aluninhas por uns dias hehe.

     Basta verem na íntegra a matéria sobre o concurso literário e o sarau que conteve as apresentações: http://www.funap.sp.gov.br/news_198.htm Apesar da baixa resolução que não permite visuialização mais adequada, a figura mais alta no fundo da foto em laranja sou eu. Já a última foto traz as garotas que fizeram parte da encenação que no fim teve a leitura do poema abaixo provando que não é só literatura marginal que faz sucesso nas cadeias.

Rommel Werneck




                                                      


VILANCETE


Adorai, montanhas,
o Deus das alturas,
também das verduras.

Adorai, desertos
e serras floridas,
o Deus dos secretos,
o Senhor das vidas.
Ribeiras crescidas
louvai nas alturas
Deus das criaturas.

Louvai arvoredos
de fruto prezado,
digam os penedos:
Deus seja louvado!
E louve meu gado,
nestas verduras,
o Deus das alturas.


 
Gil Vicente (Portugal 1465-1536)

domingo, 4 de abril de 2010

Fogueira



Quero queimar meus versos na fogueira,
jogar-me junto, arder-me nessa chama,
pois meu destino é o mesmo da madeira
que enquanto morre o seu choro declama.

Como ela quando canta a derradeira
cantiga aquebrantada, e o fogo brama,
estala e treme o dorso e a cabeleira
do galho que se esfuma em lindo drama.

Quero queimar-me para ter na boca
a voz dos ventos, dos rios uivantes,
da noite lamentosa, fria e oca,

Para acalantar no berço ardendo,
como plangem os ramos soluçantes
pela fogueira, lúgubres, morrendo....

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).