sábado, 30 de janeiro de 2010

RPG



RPG


Mundos de mundos nobres e selvagens...
Literatura, igrejas, mil mistérios...
Aventuras longínquas, cemitérios...
Esplêndidas lembranças e viagens...

Campanhas, jogos límpidos e etéreos...
Dragões antigos, anjos, personagens
De várias castas, clássicas linhagens...
Caminhos d' água, terra, fogo e aéreos...

Mundos de mundos, formas mitológicas,
Figuras de figuras bem ilógicas,
Vagos sonhos que, lívidos e belos,

Lembram as trevas cálidas dantescas...
Oh! Milton, Stoker, flores vampirescas
E os príncipes sublimes dos castelos...


 
ROMMEL WERNECK

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

NOITE ARDENTE (Ardentia)


Aqui estou cativa vossa, meu amado,
Porém garbosa por amar-vos tanto,
Por bel-prazer, escrava desse encanto,
Infensa e mui feliz ao vosso lado...

Tendes-me toda, louca, nua e inteira!
Vassala eu sou do vosso corpo pulcro,
Nele navego e todo amor sepulcro,
Sem limites, sem pejos, sem fronteira...

O vosso gládio jaz no ermo canto...
Enquanto só luxúria e paz decanto,
Vós sois meu lume, minha estrela guia.

No vosso colo, sem pudor, me acanto,
E sinto, enfim, prazer, pura ardentia,
Que me queimando toda, me alumia...

QUANDO EU MORRER

Quando eu morrer, minh’alma, como a garça,
Há de planar, feliz, o meu lugar...
E lá dos céus, silente, há de olhar
O sol, que a noite, aos poucos, já esgarça...
***
Há de sentir a chuva fina e esparsa
Que, aos poucos cai por sobre a terra e o mar,
E bem suave, leve, qual fumaça,
Nos céus de minha vida irá voar!
***
Há de rever as serras, matas, rios,
E tudo que deixei por lá um dia,
Aldeias, índios, roças, muito mais...
***
Os pantanais, seus braços tão macios...
O amado meu! Que tanto me queria!
Depois, talvez, há de partir em paz!

NO FUNDO DESSE RIO



No fundo desse rio há lajedos
e folhas mortas, soltas pelo vento,
só podem vê-las um olhar atento,
marcado pela dor e por degredos!



No fundo desse rio há segredos
Desenterrá-los, nem sequer avento,
Cobertos são por lodo tão barrento,
silenciosos como bons rochedos!


O fundo desse rio é meu mundo,
Onde se escondem tantos sonhos meus,

que nas barrentas águas se perderam...

Quais folhas mortas, ficam lá no fundo...
distantes desses olhos que são teus,
nas locas desse rio, sós, morreram...

ENLACE FATAL

(Tela: Pino Daeni)

Porque me tens amizade
segues sempre meus caminhos,
E mesmo na tempestade
cobres-me só com carinhos!

Pobre alma prisioneira
deste meu corpo mortal,
ao meu lado a vida inteira
neste abraço tão fatal!

Senhora de minha vida,
Não sei como tu suportas,
Sustentar minhas comportas...

Mas eu juro-te, querida,
Abrir-te-ei minhas portas,
nas horas vagas e mortas!

T É D I O




Tédio?
A imensa solidão

vivida a dois...
Amor vazio de sentidos,

monotonia...
Tédio...Tédio,
é ser mediano,
médio,
atolado na mesmice,
sem horizontes,
perdido de si mesmo!
Tédio...sempre igual,
decentemente arrumado...
saneado, limpo!
Normal...
Sem poesia,
vazio de sonhos
Tédio...Tédio...
Tédio!
Liberdade concedida
Repetições
ausência de reticências,
de abertura para o novo!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A PÉROLA DA COROA

























Somos filhos do universo em expansão
Centelha única de amor,define cada um
Luzes brilhantes [faróis], mostrar-se-ão
A dirigir caminhos, a todos ou a nenhum

Na cabeça eterna, os justos ostentarão
A Coroa Mestra dirigente do bem comum
A pérola ínfima abrirá seu puro coração
Resgatando aquele que não foi ao podium
Disseminar a bondade expressa do Mestre
Torna-se missão da pérola da Divina Coroa
_ Colher almas perdidas em jardim agreste
O brilho cintila espargindo imensurável amor

A pérola fraterna utiliza-o e depois o doa
Assim o laurel divinal estará a seu dispor


Denise de Souza Severgnini

domingo, 24 de janeiro de 2010

ANGÚSTIAS IMPENSÁVEIS!

Angustias mil, eternas, tão profundas, tristes,
Delírios, vozes que por dentro clamam! Medo!
Um “eu” que está ausente, ausentes seus limites,
Sem luz no fim do túnel, só, sem próprio enredo!

Angústias tão infindas, sem contornos, densas...
No espaço-tempo sempre, sempre só! Perdido!
Desvinculado, vive sempre formas tensas...
Sem paz, sem chão, vivendo vai, assim ferido!

Por vezes, nem sequer seu corpo sente vivo,
Perdido e só na bruma que entorpece a mente,
Da realidade, tão etérea, sempre escapa...

Angústias mil, levando a vida qual cativo,
E entre os seus, de afeto, sempre tão carente...
E dor infinda, seu viver, sem dó, solapa!

MAMA ÁFRICA!

Mama África! Oh! Berço da humanidade!
Ó Deus!Que triste a tua história! Que desdita!
Do ventre tantos filhos teus, aflita,
Vistes partir chorando, sem adeus...
Por atos vis de ímpios europeus!
Na travessia o banzo, a dor e a morte,
Que antes que o navio longe aporte,
O mar tornou-se imenso cemitério,
Em nome de senhores d’outro império
Os filhos teus tiveram dura sorte!

Brasil e Haiti, ó mãe desventurada,
Compartem entre si horrenda história,
Que não se apaga fácil da memória,
A escravidão, que a todos só degrada,
Que espinhos só deixou na sua estrada!
E cá, neste país, teus descendentes,
Vivem de formas vis, tão indecentes,
Lutando pela terra, por escolas,
Muitos nas ruas vivem de esmolas,
Ou nas cadeias mofam indigentes...

Também no Haiti lutaram os teus filhos...
Firmes, valentes, contra os batalhões,
Romperam mil muralhas, mil grilhões,
Fizeram nova história, novos trilhos,
Novos fulgores, novos sonhos, brilhos.
Mas retornaram logo os seus sofreres...
Ameaça viva ao império, seus poderes,
Tentaram, então, calar a sua voz,E
dentre os seus estava o vil algoz...
Voltaram a ser, de novo, pobres seres!

Oh! Deus! Convulsa está a nossa terra!
As vítimas d’outrora são feridas,
Ao ver sumir no chão, amores, vidas,
Enquanto tanta gente chora e erra,
O terremoto outros já soterra!
E do “progresso” pagam alto preço,
Sem merecer sequer amor, apreço...
Sangra-se a terra-mãe sem piedade,
Pelo poder, somente por vaidade,
Que em tudo está presente e bem expresso!

Oh! Berço da humanidade! Ó Deus!
Que triste a tua história! Que desdita!
Do além mar olhar dorida e aflita,
Os filhos teus morrerem, sem adeus!
E ver assim, aflitos filhos teus,
tombarem tão distante, assim milhares...
Mil gritos que cortando aqueles ares.
Rasgam também o ventre originário,
Ao ver teus olhos tão tristes cenários,
Também vencida, assim, outra Palmares!

Despertem! Oh, poetas, com teus versos!
Oh!Castro Alves! Gritai lá dos céus...

Arranquem desses ímpios densos véus
Que causam ao mundo males bem diversos,
com seu poder, desejos tão perversos...
Oh! Deuses outros, olhem por teus filhos!
Devolvam aos povos sua paz e brilhos...
Contenham as mãos de seus algozes loucos,
que ferem a terra-mãe, pensando em poucos!
Libertem o mundo desses vis caudilhos!

Steve Biko! Luther King! Mandela!
Oh! Zumbis d'outras terras, d'outros cantos!
Os teus irmãos derramam fortes prantos,
Que a dor sem fim a vida remodela...
Seu povo está de luto e a morte vela!
Nos mares naus já não navegam mais,
E não enfrentam fortes vendavais...
De longe se escravizam tantos povos
tiram seu chão, sementes dos renovos...
Trazendo a muitos tantos prantos! Ais!

AGONIA!

Sinto saudades de mim
Do silêncio, dos vazios,
Dos papéis tão alvadios,
Sem uns versos, nada enfim!
É triste viver assim...
Da solidão sinto falta,
Para escrever uma pauta
Externar meus sentimentos,
Ter para mim uns momentos...
A balbúrdia me maltrata!


Saudades de mim eu sinto,
Quando me perco no espaço,
Sem a poesia, seu abraço,
Aconchegante e faminto...
E só tristeza eu pressinto!
Brota no peito a poesia,
Prenhe de tanta estesia
Morre silente, engasgada,
E eu, triste, sem dizer nada,
Também morro a cada dia...


Saudade que me consome,
Da solidão eu careço,
Nada a compra, não tem preço,
De poesia eu tenho fome,
Sem nada que em mim a dome...
Eu sinto no peito um nó!
Careço ficar bem só
Pra gestar meus pobres versos,
Sonetos dos mais diversos,
Antes que se tornem pó!

Se o poeta é um fingidor,
Isso pra mim nem me importa...
pois meu ser não mais comporta,
Versos que quero compor...
Sair do imenso torpor
Que minh’alma silencia,
Tornando-a triste e arredia,
sufocando a minha lira,
Tudo, tudo que me inspira,
E a minha pobre poesia!

Silêncio! Oh! Meus senhores!
Agonizam os meus versos,
Poemas dos mais diversos,
Sem carinhos e sem flores,
Como todos os amores
Soterrados sempre em mim....
Respeitem seu triste fim,
Basta apenas um segundo

Que reviverão, assim
Como nas chuvas, as flores!

Edir

sábado, 23 de janeiro de 2010

MOMENTOS/ APRESENTAÇÃO/ ISIDRO ITURAT





       Dentre todas as obras de arte da História, nenhuma imagem tematiza melhor o momento de um encontro do que o ícone pintado por Duccio "Noli me tangere", traduzindo, " Não me detenhas", o momento em que Cristo aparece para Maria Madalena, imagem retratada ao longo dos tempos de formas diferentes.
      
      A nova coluna do blog mostrará momentos de encontros e confraternizações entre escritores e leitores. São registros importantes e é justo lembrar dos leitores!

     Inicialmente, minha fotografia com o escritor Isidro Itrurat residente em São Paulo /SP. A fotografia data de 7 de novembro de 2009 no Segundo Sarau do Sítio da Ressaca. Isidro falou do indriso e declamou em português e espanhol. Abaixo das fotografias tiradas pelo professor Rogério Temporini, os nossos dois vídeos.






Isidro Iturat e eu


      
Abaixo, Isidro com prof Rogério Temporini, regente do Coral do Sítio da Ressaca
  



VÍDEOS

ANTES, AGORA E SEMPRE AO VIVO










ISIDRO ITURAT LUNA MENGUANTE



EM BREVE!

- Foto minha com Professor DyCastro no Mosteiro da Luz em São Paulo!
- Foto e vídeos do XXVII POLITEAMA- Sarau Diverso, evento em que conheci Allan Vidigal, escritor e leitor assíduo do blog

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).