terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Míriades


Imagem retirada da wikipedia e editada no PhotoFiltre por R. Werneck


Nos vales siderais da minha mente,
Sobrou nenhuma estrela a fulgurar
Nem nuvens, nem planetas, nem luar,
Somente um céu de sonhos, decadente;

Nos muros da alvorada consciente,
Não resta nada mais o que sonhar
Além duma canção crepuscular
Que toca o som da morte, velozmente.

Em meio aos meus invernos já cansados
E as flores da minha alma a perecer
No gelo da tristeza e dos meus fados...

Eu provo dissabor que, em pouca idade,
Já pesa sobre os eixos do meu ser
As dores de um milhão de eternidades!


KATATONIC

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

INVISÍVEL!







INVISÍVEL!

 
Invisível! Quero te ver ó Plutão!
Impossível! Não posso ter ó meu amor!
Indizível! Quero te ter com furor!
Invencível! Rendo-me a ti, deus pagão!

Impassível! Meu homem dominador!
Inflexível! Eu te amo doce ilusão!
Incrível! Morder-te-ia amarga paixão!
Insensível! Tu me causas dura dor!


Salve Plutão, deus do solo e de meu inferno!
Salve Eros, ó deus do amor vadio e eterno!
Salve Plutão traços horrendos e visíveis!


No meu coração sem brilho, triste e imenso
Eros reina, impera de modo tão intenso.
Tu e Eros são seres belos e invisíveis.

ROMMEL WERNECK


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Escultura: O rapto de Proserpina, de Bernini
Retirado da wikipedia
Edição de Rommel Werneck no PhotoFiltre








sábado, 16 de janeiro de 2010

Bela Dama Exótica

Minha bela dama exótica,
Que prazer é tê-la ao meu lado,
Tuas cartas exaltaram meu peito.
Tais mensagens intensas
Sustentaram sonhos saborosos.
Agora não estou tão só,
Detrás de tua voz infantil
Existe uma mulher amável.

Com linguagem mansa,
Tuas palavras extasiam,
Como se eu nunca amasse
Nessa vida breve.

Em mistérios de teu íntimo
Faço-me um detetive
E descubro tuas facetas
Enquanto as horas passam.

Penso em nossa inconstância
E busco-te entre tantos rostos.
Liberemos agora nossos instintos
Para viver o indefinido.



- Mensageiro Obscuro.
Abril/2005.


Foto: "Dance" por Alphonse Mucha, 1898.

Taverna









Como febre em furor apaixonado
pelas ruas dispersando a jura eterna,
foi que vi, no rastilho aconchegado,
tua face nos vapores da taverna;
eu serei, sem saber, o alucinado
condenado ao prazer do desprazer?
Ó Deus, então por ela, fui beber!

Se febril é meu amor, serei o espaço
do agônico intervalo da bebida,
morrendo o amanhecer do louro traço
no bêbado transtorno desta vida;
e por louvar tua sombra no regaço,
e no altar que direi por esta lida,
de florir, vosso amor tornou-se santo
como cega oração na foz de um canto...

Clamo o nada, e ninguém soubera tudo
que a paixão eclipsada detivera,
da noite taverneira em que fiz mudo
o beijo no troçar da primavera.
E o copo sujo e roto e carrancudo,
ornado pelo ardor, pela Quimera,
trouxera sem saber deste temor,
de ter enfim cremado o vosso amor.

Jamais! São redivivos no meu peso
almíscar, pesadelo, luz e horror,
quem sabe alvorecer, viver ileso
o karma sem arder, por onde for
tornar-se na ilusão, sentir desprezo,
e nunca vir saber do teu rubor
ao ler nessa poesia... o meu desejo –
bebida de manjar e de praguejo.

O candeeiro, a mesa, algum escrito,
ardências revolvendo minha bruma;
num verso dionisíaco, permito,
o espanto de sentir-me em noite alguma.
Esperei da razão por sobre o grito
que ilumina o granito de uma pluma,
de levezas, quiçá, fosse de arminho
a insânia de bebê-la no meu vinho.

“Permita-me, outrossim, dizer o vago,
a Acrópole fervente em vossa pele.
Permita-me, talvez, sem mero afago,
tocar a danação que me revele.
E abrace o suspirar no etéreo trago
da taça no fulgor que salve ou sele
um mar que desdobrou por outro mar.
Pois só sentiu de amor, quem soube amar.”


Perdi-me alucinado e padecido:
“taverna desgraçando a paz e a cura”.
Soubesse que beber houvera sido
a lousa em que enterrei minha loucura,
jogada no prazer recém sorvido,
tua imagem, de beleza e sepultura,
vertera-me as essências do além-ser.
Ó Deus, então por ela, fui beber!

VITOR DE SILVA



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Title: The Little Street (or Het Straatje)
Painted by: Jan Vermeer Van Delft
Location: Rijksmuseum, Amsterdam, Holland
Dimensions: 17.13 inch wide x 21.06 inch high



sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

IMPERFEIÇÃO



IMPERFEIÇÃO

Navegamos por mares tão antigos
no comando de velhas caravelas
que nos conduzem sempre aos mesmos portos
onde o tempo nos mostra suas velas.

Somos os comandantes desta frota
que transporta ilusões e sentimentos
e não importa o berço em que nascemos
viajamos ao sabor dos mesmos ventos.

Nas águas destes mares que cruzamos
vão também garrafas com mensagens,
pequenos testamentos que lançamos

nestes mares repletos de miragens.
Somos apenas máscaras que criamos
para dar voz a velhos personagens.

Fernando Freire



quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Se for o destino, entrego-me à morte










"N'augusta solidão dos cemitérios..."
Augusto dos Anjos




Negrejada das asas turbulentas,
Empenhada a sanha dos abutres,
O destino, ave negra da desgraça.
Indeléveis quimeras me impôs...


A incerteza, vida que me afronta
N’augusta solidão dos cemitérios,
Faz minh’alma triste cárcere,
Laje fria de meus sonhos pulcros...


Coração que me rasga atroz
Faz minh’alma recolher-se tristemente,
Oiço apenas sepulcral orquestra mortuária
A quebrar a paz do mausoléu.


Parto agora sem obólos, a deixar
Enegrecido ao meu funerário, torpe existir.
Já que da vida nada tive a acalento meu,
Que a morte alumie meu caminho...






Felix Ribas






Cemitério militar Norte americano, em Colleville-sur-Mer, Normandia, França, onde estão enterrados milhares de soldados americanos mortos na Segunda Guerra Mundial. (Retirado da Wikipedia e editado por Rommel Werneck no PhotoFiltre)
 


sábado, 9 de janeiro de 2010

Amor Obscuro


 
 
 
Minha carruagem corre no escuro
A lua alumia essa estrada turva
Plátio, meu servo, semblante puro
Atento com seu gládio em cada curva
Pulcro, tão fiel e confiável

Os cocheiros se apressam
Correr é preciso, o tempo urge inabalável
Não podemos esmorecer agora
"E tampouco depois, minha senhora"

Sua palavras lembram minha coroação
Rainha vim a ser por coação
Meu reinado por um amor
Meu amor por uma paixão

Devota sou de coração
Mas farta estou desta condição
Meus vestidos de seda, minhas jóias raras
Minhas aias, minhas anáguas caras
Meu reinado por um amor
Meu amor por uma paixão

Daria minha coroa de ouro gelado
Por uma ardente paixão
Todo o meu vasto reinado
Por um pouco de ardor
Toda essa servil multidão
Por um único amor


Mas não tenho mais opção
Não há mais escolha, nem há mais tempo
Meus sonhos são o que são
Sementes ressequidas, perdidas ao vento

CLÁUDIA BANEGAS

ROLETA RUSSA/ NOITE




TEMA: Noite



PALAVRAS UTILIZADAS:
- bel-prazer= por vontade própria;
- alumiar = iluminar;
- gládio= espada;
- pulcro (a) = formoso, belo.


FORMAS POÉTICAS: Poemas com rimas, não precisa de versos regulares! Poemas, rondéis, indrisos, sonetos etc


IMAGEM/ TEXTO:




Tela de Böcklin - Ruins in a moonlit Landscape




              Imagem da NASA, retirada de http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Earthlights_dmsp.jpg


OBSERVAÇÕES:

- Visite o seguinte endereço para entender de modo simples essa ferramenta de criação poética: http://poesiaretro.blogspot.com/2009/06/roleta-russa.html
 - A presença não é obrigatória, a roleta serve para auxiliar;


- Não há prazo para publicar o texto, o autor pode ler, reler e revisar o texto quantas vezes desejar e também registrá-lo na BN( o que é indicado) e até mesmo nunca publicá-lo. Quando o texto por publicado, por no marcador ROLETA RUSSA- ( neste caso, por ROLETA RUSSA, NOITE, mas qualquer coisa, eu mesmo cuido disso);


- O autor pode propor uma imagem ou texto seu, saber que um texto seu inspirou outro escritor aumenta a auto-estima, a foto/ imagem então...


- Abaixo um artigo de Cláudia Banegas sobre o indriso que se trata de um poema em 3-3-1-1.


VOCÊ SABE O QUE É UM INDRISO? ARTIGO DE CLÁUDIA BANEGAS
http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/654416

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Cadeia Alimentar



Teu corpo treme e transpira em calafrios,
Teu sangue está temperado para o banquete,
Eles estão às tuas costas a seguir seu aroma,
Corra, pule os muros, arme-se e esconda-se,
Não deixe que eles lhe peguem, corra!

Na noite a sede aplaca os famintos,
Tu és a presa, eles os caçadores,
Não deixes tua vida escapar do corpo,
Fujas enquanto pode, combata teu inimigo,
O terror e mistério lhe caçam.

São bestas de sede insaciável, malditos!
A gula implacável de imortais noturnos,
Corra dos sanguessugas que lhe farejam,
Vidas humanas são teu alimento.

A existência frágil contra existência trágica,
A sentença mortal contra a sentença eterna,
Humanos e vampiros, duelo de dois monstros,
Resolução de apenas mais uma cadeia alimentar.

Eis a cadeia alimentar: mais um vivo saciou um vampiro.


- Mensageiro Obscuro.
Fevereiro/2007.

Foto: Conde Stradh por Clyde Caldwell.
Página do artista: http://www.clydecaldwell.com/

domingo, 3 de janeiro de 2010

RETRÔ NEWS "AUTORA" SUGERE A POETAS QUE NÃO ESCREVAM POESIA!





Saudações, Plêiade!

Venho hoje inaugurar uma nova coluna do blog: Retrô News. Consiste na publicação e comentário de notícias e ensaios sobre literatura. Quem quiser nos mandar informações basta mandar para: principedark_alvaresdeazevedo@yahoo.com.br

Primeiramente, segue o texto que encontrei, depois a bibliografia e o comentário detalhado citando o texto em questão.  


"Autora" quer que poetas não "copiem" clássicos porque o povo prefere os "originais".



COMO PUBLICO MINHAS POESIAS?
Laura Bacellar

Recebo muitas críticas a respeito de minha posição sobre poesia. Fico firme nela, achando que nenhum editor pode ser obrigado a ter prejuízo (veja COMO ENCONTRAR UMA EDITORA) só porque há um sem número de poetas desejando um modo de se expressar em público. Ainda assim, apresento a seguir algumas idéias sobre como aumentar a sua chance de divulgar seus textos poéticos.

Poesia costuma ser recusada não só porque não vende, mas também devido à postura dos poetas. Vou comentar o que acho mais problemático.

Muitos escritores talentosos, por exemplo, gastam sua imaginação imitando o estilo de grandes mestres.

Não faça isso!

Nada impede o leitor de comprar os poemas originais de Fernando Pessoa ou Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade ou Florbela Espanca. Os livros desses poetas existem na praça, costumam ser reeditados e apreciados. Imitar o estilo deles é pedir para ser ignorado, porque a maioria das pessoas prefere o original a uma cópia posterior.

Minha sugestão portanto é que você crie um estilo todo seu, parecido com o de ninguém, e insista nele. Diferencial é importantíssimo nessa era de excesso de publicações.

Outra besteira constante, na minha opinião, é poetas recorrerem a temáticas do século XIX, como amor ligado à dor, musas em flor, campos (também em flor!) e outros temas que foram favoritos de românticos tanto tempo atrás.

Por que poesia precisa remeter a um passado distante e bucólico?

Encontre lirismo, beleza, interesse para os sentidos no que existe hoje, no século XXI. Se você escolher assuntos que jamais foram alvo de considerações pelos poetas famosos, como talvez seqüestros ou personagens da Casa dos Artistas ou a televisão ou festas infantis em bufês, aumenta muito sua chance de interessar um editor comercial. Poesia afinal foi criada para nos fazer olhar de modo diferente para o que está em volta, não é mesmo?

Quando produzir uma obra, aliás, minha sugestão é que crie um tema condutor que possa atrair a atenção do leitor. Poesias sobre tudo são o mesmo que poesia sobre nada. Escolha explorar vários ângulos -- interessantes, fascinantes, originais, que ninguém tenha feito antes! -- de um mesmo tipo de assunto. Os bufês infantis de meu exemplo anterior podem ser temas áridos, mas talvez não a infância consumista, por exemplo.

Muitos poetas insistem ainda -- de modo nervoso, irritado -- em querer ser publicados por editoras comerciais quando falam apenas de si mesmos, de suas vidas, sem que nada de muito diferente tenham feito. Ora, sua vida interessa a quem conhece você, quem gosta de você. Se você escreveu algo sem chance de poder encantar a um norueguês daqui a cinqüenta anos, sugiro que parta para a publicação por conta própria.

Divirta-se fazendo uma noite de autógrafos entre seus amigos e parentes, faça o livro que você deseja sem a pretensão de comercializá-lo. Espalhe entre os seus conhecidos um pouco do que você sente, sem desejar o envolvimento da indústria livreira.

Sugiro também que considere outras formas de publicação. Não conheço o funcionamento de veículos como cartões postais, cadernos e agendas, mas tenho visto nesses meios, assim como nas músicas, um canal para a expressão de muitos poetas. Caberia pesquisar como estes meios processam a seleção de seus materiais e talvez apresentar-lhes sua obra.

Vejo a música, hoje, como o canal mais poderoso de divulgação da poesia, não os livros. Portanto, quem deseja fazer fama e fortuna com letras tem muito mais possibilidades de encontrar aí, e não no mercado de livros, um canal possível para a sua arte e lirismo.

Boa sorte!



BIBLIOGRAFIA:


BACELLAR, Laura. Como publico minhas poesias? Disponível em: http://www.escrevaseulivro.com.br/escreva/encontre-uma-editora/como-publico-minhas-poesias.html Acesso em: 03.01.2009 14h38




     O texto acima foi encontrado no portal "Escreva seu livro", um site interessante que auxilia o escritor que quer publicar um livro. Entretanto, deparei-me com este texto de mau gosto que comentarei para defender não só a poesia de sempre como o conceito de pluriliterariedade. Comentarei em partes, sendo que os trechos em verde são de Bacellar e os roxos meus.

       
"Recebo muitas críticas a respeito de minha posição sobre poesia. Fico firme nela, achando que nenhum editor pode ser obrigado a ter prejuízo (veja COMO ENCONTRAR UMA EDITORA) só porque há um sem número de poetas desejando um modo de se expressar em público. Ainda assim, apresento a seguir algumas idéias sobre como aumentar a sua chance de divulgar seus textos poéticos."
     A autora alega que os editores não são obrigados a ter prejuízos. Obviamente, todos nós sabemos que poesia é o que menos vende, mas o escritor que intercalar com prosa na sua trajetória literária terá um reconhecimento melhor. Não é apresentada nenhuma ideia e sim imposta uma.

         
 "Poesia costuma ser recusada não só porque não vende, mas também devido à postura dos poetas. Vou comentar o que acho mais problemático.


Muitos escritores talentosos, por exemplo, gastam sua imaginação imitando o estilo de grandes mestres.

Não faça isso!

Nada impede o leitor de comprar os poemas originais de Fernando Pessoa ou Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade ou Florbela Espanca. Os livros desses poetas existem na praça, costumam ser reeditados e apreciados. Imitar o estilo deles é pedir para ser ignorado, porque a maioria das pessoas prefere o original a uma cópia posterior."
  
    Copiar obras e pôr o próprio nome é crime, chama-se plágio, dá cadeia. Quando a escritora diz que "imitar o estilo" é pedir para ser ignorado, penso naquilo que conversei com Nilza Azzi e já expus aqui: o tratamento que os clássicos recebem. Não podemos ver os clássicos como ídolos a serem eternsmente contemplados, reeditados e comercializados, isto seria cair numa banalidade! Por outro lado, há os que julgam os clássicos ultrapassados. A melhor forma de compreender os autores consagrados é buscar sentido em sua obra no hoje e receber suas influências importantíssimas mesmo que isto desagrade modernistas como Bacellar. É importante que os consagrados vivam ainda hoje e tenham discípulos. A maioria das pessoas nem sabem quem é Florbela Espanca ou quaisquer outros citados, culpa do mau ensino da literatura e da péssima visão que estudiosos coomo Bacellar possuem. Além do mais, ao dizer que imitar autores é um pecado é como se estivesse criticando as escritoras que citou, pois Florbela retomou o mal-do-século e o soneto e Cecília recuperou a lírica vaga e musical como os simbolistas faziam.
      
 "Minha sugestão portanto é que você crie um estilo todo seu, parecido com o de ninguém, e insista nele. Diferencial é importantíssimo nessa era de excesso de publicações.

Outra besteira constante, na minha opinião, é poetas recorrerem a temáticas do século XIX, como amor ligado à dor, musas em flor, campos (também em flor!) e outros temas que foram favoritos de românticos tanto tempo atrás.

Por que poesia precisa remeter a um passado distante e bucólico?"


     No trecho acima, Bacellar sugere que os escritores ignorem as influências, maior riqueza literária! Se ela julga "besteira" as temáticas do século XIX, entonces ela deve julgar besteira todas os poetas daquela época
e também os sentimerntos de hoje, uma vez que há temas universais e atemporais.  Não há como criar um estilo só nosso! Diferencial? Ora, se Bacellar critica quem escreve poesia, ela critica Remeter o passado é um direito de qualquer escritor e deve ser respeitado. Do que a poesia é feita? É lirismo, é lembrança, sentimento etc. Há necessidade de que a poesia não seja prática e objetiva, estamos diante de um texto literário e não de um texto meramente informativo.

"Encontre lirismo, beleza, interesse para os sentidos no que existe hoje, no século XXI. Se você escolher assuntos que jamais foram alvo de considerações pelos poetas famosos, como talvez seqüestros ou personagens da Casa dos Artistas ou a televisão ou festas infantis em bufês, aumenta muito sua chance de interessar um editor comercial. Poesia afinal foi criada para nos fazer olhar de modo diferente para o que está em volta, não é mesmo?"
      Como encontrar lirismo se justamente é do lirismo que a pesquisadora quer que nos dispemos? Interesse para o século XXI? há temas que são universais e atemporais como eu já disse e que são rejeitados por Bacellar. A poesia não precisa se secularizar só porque uma crítica literária prefere assistir TV. Que a autora queime os clássicos, eu até compreendo, afinal, é assim que agem os pseudo-escritores. Mas dizer para escrever sobre Casa dos Artistas e outros lixos nada líricos é um ataque ao bom senso e ao bom gosto. Também é relevante ressaltar que contar uma história de sequestro diz respeito ao gênero narrativo e não ao lírico o que demonstra uma falta de domínio do tema por parte da autora da qual constata-se de que ela mesma não consegue ver motivos de lirismo no século XXI. Se poesia foi feita para olhar de modo diferente, por que não aceitar o arcaísmo? O texto se contradiz e ainda traz marcas de preconceito. Os comentários dos leitores que apoiam a autora são terrivelmente destrutivos.


"Quando produzir uma obra, aliás, minha sugestão é que crie um tema condutor que possa atrair a atenção do leitor. Poesias sobre tudo são o mesmo que poesia sobre nada. Escolha explorar vários ângulos -- interessantes, fascinantes, originais, que ninguém tenha feito antes! -- de um mesmo tipo de assunto. Os bufês infantis de meu exemplo anterior podem ser temas áridos, mas talvez não a infância consumista, por exemplo."

    Oras, se um escritor deve escrever apenas sobre um tema, ele que escreva, mas isto ser um dogma é muito ruim. Tivemos escritores que escreveram apenas poesia sacra, por exemplo e foram ótimos poetas. Nunca devemos nos esquecer do baiano Gregório de Mattos que desenvolveu várias vertentes, será que ele escreveu sobre nada? Com certeza, não! Ter várias áreas não foi e nem nuncas será errado. Bufês infantis? Que coisa que esta escritora tem por bufês, por que ao invés de atacar os poetas, ela não cuida da festa de publicação dos livros dos escritores?

"Muitos poetas insistem ainda -- de modo nervoso, irritado -- em querer ser publicados por editoras comerciais quando falam apenas de si mesmos, de suas vidas, sem que nada de muito diferente tenham feito. Ora, sua vida interessa a quem conhece você, quem gosta de você. Se você escreveu algo sem chance de poder encantar a um norueguês daqui a cinqüenta anos, sugiro que parta para a publicação por conta própria.



Divirta-se fazendo uma noite de autógrafos entre seus amigos e parentes, faça o livro que você deseja sem a pretensão de comercializá-lo. Espalhe entre os seus conhecidos um pouco do que você sente, sem desejar o envolvimento da indústria livreira."
   Os escritores que escrevem sobre suas próprias vidas escrevem autobiografias e não poesias. São tipos diferentes de textos. Bacellar também não sabe distinguir autor e eu-lírico. O eu-lírico é a voz que canta na poesia a dor. Vou explicar isto da  melhor forma possível: citando um modernista. "O poeta é um fingidor" (Fernando Pessoa). Quando lemos um soneto sobre dor não quer dizer que o poeta esteja sofrendo. Muitos escritores não agradaram à sua época, mas agradam hoje cfomo ocorreu com Florbela Espanca, citada por Bacellar. O escritor não pode se sentir feliz apenas numa noite de autógrafos, é ridículo e discriminador esta parte do texto, a autora ordena que os verdadeiros poetas devem ficar no anonimato e felizes não pelos escritos, mas sim pela festa, realmente, o texto parece mais uma propaganda de bufê do que de crítica literária. Muitas bandas de rock se originaram assim, são as conhecidas bandas de garagem e o mesmo efeito ocorreu com orquestras e corais que eram de uso exclusivo de igrejas e escolas.

"Sugiro também que considere outras formas de publicação. Não conheço o funcionamento de veículos como cartões postais, cadernos e agendas, mas tenho visto nesses meios, assim como nas músicas, um canal para a expressão de muitos poetas. Caberia pesquisar como estes meios processam a seleção de seus materiais e talvez apresentar-lhes sua obra.


Vejo a música, hoje, como o canal mais poderoso de divulgação da poesia, não os livros. Portanto, quem deseja fazer fama e fortuna com letras tem muito mais possibilidades de encontrar aí, e não no mercado de livros, um canal possível para a sua arte e lirismo.

Boa sorte!"
     A música realmente é uma área para os literatos atuarem, entretanto, já imagino quais são as músicas a que Bacellar se refere. Eis, caros leitores e cara plêiade, um texto que não tem a pretensão de auxiliar o poeta a publicar profissionalmente sim um texto que discrimina os poetas e ofende à poesia retrô. Precisamos vender, mas há de se enjcontrar uma forma de escrever e vender com dignidade. Que esta autora e tantos outros se inspirem em Safo, Cruz e souza, Florbela Espanca, Bilac, Francisca Júlia, Camões etc

sempre seu,
Rommel Werneck

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

O Sono do Anjo



Manhã. Flores tremidas, gotejando
O orvalho frágil... O corpo seu jazia
Na cama. E delicada, ela dormia
Co'a luz do Sol no rosto atravessando...

As madeixas castanhas perfumando
O quarto... Estranha e doce calmaria.
A pele de marfim, branca, luzia,
E, bela, o meu olhar iluminando.

Os cílios fimbriando, as mãos pequenas,
E, ao suspirar, ingênuas açucenas
Na campa morna e pura vão surgindo...

Beijo-lhe a testa, suave e sincero.
E vou-me devagar, por que não quero
Que desperte o meu anjo ali dormindo!

Quadro:
Maxfield Parrish (1870-1966)
Sleeping Beauty
Oil on canvas, 1912
Private collection

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).