sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

O Sono do Anjo



Manhã. Flores tremidas, gotejando
O orvalho frágil... O corpo seu jazia
Na cama. E delicada, ela dormia
Co'a luz do Sol no rosto atravessando...

As madeixas castanhas perfumando
O quarto... Estranha e doce calmaria.
A pele de marfim, branca, luzia,
E, bela, o meu olhar iluminando.

Os cílios fimbriando, as mãos pequenas,
E, ao suspirar, ingênuas açucenas
Na campa morna e pura vão surgindo...

Beijo-lhe a testa, suave e sincero.
E vou-me devagar, por que não quero
Que desperte o meu anjo ali dormindo!

Quadro:
Maxfield Parrish (1870-1966)
Sleeping Beauty
Oil on canvas, 1912
Private collection

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

SACERDOTISA DANIELE


O DOCE PERFUME QUE EXALA DE SEU CORPO


DESPERTA AO LIBIDO E CORROMPE A LUXÚRIA

A TODOS QUE CRUZAM AO SEU CAMINHO

ULTRAJANDO AO JUIZ ONIPOTENTE


E AO SEU FILHO CRUCIFICADO

EM SEUS LIBERTINOS OLHOS VEJO O PECADO

DESLUMBRADO A ADMIRAR SUA BELEZA


SINTO SUA INDEPENDÊNCIA AOS DOGMAS


DA SACRISTIA EM VIRTUDE DO PRAZER

PERMANEÇO IMÓVEL DIANTE DO MAIS BELO ANJO

QUE JÁ VIERA AO SOLO TERRESTRE TOCAR


SINTO-ME DILACERAR A SOMBRA DA PALIDEZ


DA HORA DO NÃO SER DE MINH'ALMA

SOU O CORAÇÃO QUE DEFINHOU A SOMBRA DA MORTE

E QUE DE SONHOS DE AMOR APENAS DESFERIU TORMENTOS

GRITANDO FUNDO A TRISTEZA DE GIGANTESCOS MARTÍRIOS

ACOLHENDO NOS BRAÇOS APENAS O LAMENTO

E COMO TORMENTO AGORA ME VÊEM AS NOITES

ENVOLTAS EM TÊTRICA NÉVOA

DESFERINDO HIPERBÓLICAS ALUCINAÇÕES A MINH’ALMA

OH! SACERDOTISA ELEITA MERETRIZ SANGUINÁRIA VAMPÍRICA

A VÓS AGORA ME ENTREGO EM MORTUÁRIO ABISSAL OFERTA A DEUSA

A SINTO NINFA A VEJO ENTREGUE A VOLÚPIA COMO OFERENDA A SATAN

TOCO AOS SEUS NEFANDOS LÁBIOS FORMOSOS E GENEROSOS

DELEITO-ME VENDO AOS SEUS FARTOS SEIOS DESNUDOS

DE VÓS ESCORRE A SEIVA DOS ABISMOS OCULTOS SEU NÉCTAR VAGINAL

VÊNUS TOCADA COM GENTILEZA A RETRIBUIR

COM A ABERTURA AOS PORTAIS DO PARAÍSO

CONDUZINDO MINHA LANÇA COM ÍMPETO ARDENTE

NESTE RITUAL PAGÃO SOBRE O ALTAR DOS DECAÍDOS

EMERGINDO DE SOLO MÁRTIR

MINHA VIDA É SORVIDA COM DELEITE

ENTREGO-ME AO PECADO DA LUXURIA

ELA CONSOME A TODA MINHA ENERGIA

ONDE O DERRADEIRO DELÍRIO ABENÇOA A MORTE

NO SACRIFÍCIO EM HONRA A LILITH

ÚNICA E DIVINAL SENHORA DA LUXÚRIA ABISSAL

AVE DA NOITE, MATRIARCA DA DEVASSIDÃO

EM INFAME ATO RITUALISTICO PAGÃO.



FELIX RIBAS

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

MAGNAS EPÍSTOLAS: ABUSOS LITERÁRIOS, POR ROMMEL E NILZA






Nilza diz:

o que seriam abusos?


[c=#400040] L. Rommel [/c] diz:
HUm
vamos lá
no blog poesia retro
acabamos de lançar uma coluna
e eu ficaria honrado se vc participassse
É a coluna de leitores

Nilza diz:
abuso é escrever qualquer coisa e chamar de poesia?
é isso que quer dizer?


Nilza diz:
só que o que eu considero que não é poesia

Nilza diz:
pode ser para vc
isso é complicado



Conversa no MSN ocorrida na noite do dia 29 de dezembro de 2009 entre os sonetistas Nilza Azzi e Rommel Werneck. Segue abaixo a resposta de Rommel. Para quem desejar:


http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=20629


PÁGINA DE NILZA AZZI


http://recantodasletras.uol.com.br/autores/rommelwerneck


PÁGINA DE ROMMEL WERNECK






Cara Nilza Azzi, obrigado por tudo! Obrigado mesmo!




    Você tocou num assunto muito amplo e de extrema importância e tentarei responder de modo conciso e panorâmico para guardar assunto para outras postagens.


    Todos os seres vivos racionais possuem sonhos e crenças, até o mais cético possui algo em que crê. A religião vive do mistério de fé, do sagrado. O ato de banalizar a atmosfera e os elementos sacros é chamado de profanação. Do mesmo modo, o texto literário tem um objetivo, uma base. O padeiro precisa fazer os pães, o professor leciona e o escritor de textos literários escreve textos literários.


     E de que é feito o texto literário? Inicialmente, consiste numa produção artística e sendo assim, visa à própria arte, ou seja, a arte pela arte. Entretanto a "arte pela arte" é um conceito que não pode ser tomado como único, portanto, temos a função secundária da arte: expressar-se, criticar, descrever, fazer apologia, doutrinar, informar etc. Não se pode inverter as funções, a função estética deve ser a principal e primária. Se o texto literário é construído na função conotativa, a objetividade deve passar longe, pois a clareza no texto está na subjetividade, expressão figurada e criatividade. Há muitas poesias, por exemplo, que são despojadas de figuras de linguagem, são diretas demais, perdem o instinto artístico e descem para o texto não-literário. O mesmo ocorre com os outros dois gêneros literários.


     Ninguém tem obrigação de escrever bem, aliás, o ensino atual tem grande culpa, porém o abuso literário surge justamente quando o pseudo-poeta se sente superior a todos e descarta textos realmente literários. Uma experiência que vivi em janeiro de 2008 e já contei para membros aqui do blog: dois cursos na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, biblioteca temática de poesia.


     O primeiro curso foi “Poesia ao rés da rua” ministrado pelo escritor Donizetti Galvão, era sobre poesia urbana, um ótimo curso e um ótimo palestrante, entretanto os comentários de algumas pessoas e dos poetas convidados por ele me chocaram. No dia do sarau, um escritor disse arrogantemente: “Minha poesia não tem virgens e orvalhos”. Que a “poesia” dele não tinha virgens e orvalhos eu bem sabia, porém qual o problema de alguém construir uma POESIA com lirismo, que aliás é o que move a poesia? Perguntei para os poetas quais eram as influências deles e um disse: “Olha, eu não me preocupo muito com isto, aliás, é uma pergunta comum, sempre perguntam isto, sabe? Prefiro falar das influências não-literárias...” E os outros seguiram o mesmo curso. Qual o problema em falar as influências? Isto é, quando as tem, porque aquele escritor não as tinha certamente. E o que responder para aqueles que dizem que tudo já foi escrito e não há mais novidades? Basta lembrar a este ser que o ser humano é (deveria ser) racional e usar a capacidade criadora que é infinita. Isto ocorre também porque tais seres veem os clássicos como ídolos e não como fonte de inspiração. A idéia é que sejamos até melhores que os grandes autores consagrados, não para sermos melhores, mas justamente para honrarmos as lições herdadas deles, mesmo que isto pareça impossível. Escreverei mais sobre o uso dos clássicos.






      Há livros que eu critico mesmo sem ter lido, já que eles nem mesmo conseguem despertar vontade de ler. Estes livros do Dan Brown são assim, só de ver o filme “O Código da Vinci” imagino que o livro seja mais catastrófico ainda. Os livros do autor misturam fato e ficção de um modo exagerado, o que fere o bom senso, além do mais parece que tudo que há no livro é real, mas não é! Na Europa foi necessário abrir um site para mostrar o que é fato e ficção no livro “Anjos e Demônios.” Com tantos ataques à realidade, não podemos chamá-lo de texto literário, mesmo sendo uma obra de gigantesca imaginação e popularidade. Se o autor quer contestar registros históricos e dizer que Cristo e Madalena foram casados, ele que faça isto por meio de uma dissertação e não num texto que deveria ser literário. Há limites que devem ser respeitados. O problema não está na questão que é travada no filme e no livro, mas sim no fato de que uma discussão teológica e eclesiástica ofusca o brilho natural do texto literário, o foco do texto deve estar na ficção, mas não querendo contestar fatos comprovados, para isto existe o texto não-literário...


     Os livros de auto-ajuda seguem por este critério, eu nunca os li, mas já tentei mil vezes, ocorre que o título e a capa do livro detonam o leitor. O título é sempre uma pergunta óbvia como se apresentasse uma solução e a capa ridiculariza o ser humano fazendo com que nos sintamos com 2 anos de idade. Já li páginas de alguns que prometem uma felicidade que não existe. O termo “auto-ajuda” me preocupa já que “auto” significa “eu”, então auto-ajuda consistiria em uma pessoa tentando resolver sua vida sem a intervenção de mais nada, nem mesmo de um livro. Claro que devem existir livros bons neste segmento, porém é necessário ter discernimento para achá-los. Ao invés de ler coisas óbvias que lucram milhões com a desgraça alheia, o leitor pode optar pela literatura clássica. Uma mulher infeliz num namoro pode ler Madame Bovary e Anna Karenina para analisar a questão do casamento. Um rapaz decepcionado com a vida por ler “Os Sofrimentos do jovem Werther”, livro que aliás induziu muitos ao suicídio, porém entra aí um questionamento: quem nos garante que uma poesia sobre suicídio não tem a pretensão de se expressar e assim, consolar o leitor que também se encontra angustiado? A própria literatura, Nilza, já serve para orientar o ser humano. Claro que no ambiente de trabalho ou numa entrevista de emprego toda e qualquer citação destes livros é “proibida”, você diz, por exemplo, que leu José de Alencar e o selecionador julgará que você leu apenas aquilo exigido pela escola decadente. Bons mesmos são os profissionais que lêem coisas atuais para não serem ultrapassados etc etc etc e outros mil conceitos decadentes do mundo empresarial.


Nilza, você deve ter percebido os abusos, há textos, por exemplo, que são comerciais, só existem para vender e ser lidos. Textos que todos os versos são: “eu te amo, eu te amo etc” O grande Gabriel Rübinger e eu colocamos títulos diferentes em nossos textos só para sermos lidos no recanto das letras. Concordo que escritores precisam comer, pagar contas, mas é melhor terminar gloriosamente pobre e inteligente do que ter tanta besteira publicada. Infelizmente, o que acabei de apresentar é apenas uma fatia da enorme pizza de problemas que a literatura enfrenta. Espero ter respondido à sua pergunta apesar de eu ter me estendido demais ou sido conciso exageradamente.


sempre seu,
Rommel Werneck

Poesia Retrô
www.poesiaretro.blogspot.com

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

MAGNAS EPÍSTOLAS: APRESENTAÇÃO



Saudações, Plêiade!
Saudações, Leitores!

   Abro hoje a coluna MAGNAS EPÍSTOLAS que consistirá na interação entre público e autores. membros ao blog. Aqui, serão exibidas cartas/ e-mails, respectivas respostas e até comentários sobre o blog. O leitor/ membros nos manda um e-mail/ carta e publicamos aqui com resposta etc. Não divulgaremos e-mail/ endereço do remetente, faremos isto apenas se o mesmo desejar.


 Quem quiser participar é só mandar um e-mail para principedark_alvaresdeazevedo@yahoo.com.br

ou uma carta para

CEP: 04208-971
CAIXA POSTAL: 32703

SÃO PAULO/ SP
 
 
sempre seu,
Rommel Werneck

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Canto Real Para Orfeu


Oh! Célicas plumagens, e d’alvura
trovejando do Olimpo profanado,
flautins d’ouro, dossel da brandura
alcatifando o louro amendoado.
Ai! Sol das colunatas da Beleza,
dos almíscares lúbricos, da acesa
Sereia dos angélicos clorantos.
Aos mares de Netuno quedam prantos
da lira prometida à taça em flor;
farfalham diamantes de acalantos?
Dos vates, da tertúlia, do primor!

Ascende a letra imersa na brancura
dos éteres do eterno condenado.
Grilhões de Prometeu na pedra dura,
envolto em Eurídice, tresloucado,
aos berros trescalando a correnteza
do Letes coroando a camponesa
Bacante dos prazeres, dos espantos,
da lira dedilhada nos quebrantos
arfando o mavioso resplendor.
No seio de Afrodite, chovem cantos?
Dos vates, da tertúlia, do primor!

E banha de volúpias e d’Altura,
o argênteo vagar emoldurado,
da messe que de Zeus faz a nervura
do braço das Acrópoles, ruflado
nas vinhas dos incensos da pureza
de Cronos nos volteios da leveza
desabrochando os sonhos sacrossantos.
No calcinar das auras heliantos,
a refulgente Safo traz dulçor
nos amores, segredos e recantos?
Dos vates, da tertúlia, do primor!

Das pétalas airosas da procura...
Oh! Ninho de Aleluias e de Fado;
corusca o sentimento da loucura
num verso por essência constelado.
É Vésper flamejando sua grandeza...
É o bardo devorado na presteza
do cálido rastilho de seus mantos.
Avante vai beijar os lumens tantos,
nos raios no sacrário redentor,
tomado de delírio nos encantos
dos vates, da tertúlia, do primor!

Colore de carmim a luz impura
dum Hades corroído e inexplorado.
E do lusbel excelso da tortura
afronta-se os Titãs do verso alado,
tremendo na Epopéia a sutileza
que arranca do mistério a macieza
da lágrima poética dos Santos.
Caindo das folhagens de amarantos
das rendas nas estrelas em torpor,
respinga nos frondosos eriantos,
dos vates, da tertúlia, do primor!

Oferta

És Mestre das floradas nos isantos
de quem se enrubesceu nos miriantos,
em celeste bafejar do sonho em cor;
por verdejar secretos periantos
dos vates, da tertúlia, do primor!


Pintura: "Orpheus Leading Eurydice from the Underworld",
by Corot, Jean-Baptiste-Camille
1861 (180 Kb); Oil on canvas, 112.3 x 137.1 cm
(44 1/4 x 54 in); Museum of Fine Arts, Houston, Texas

domingo, 27 de dezembro de 2009

COMUNICADOS/ PRAZOS






Saudações, Plêiade!
Saudações, Leitores!

Primeiramente, quero agradecer a todos pelo excelente trabalho desenvolvido ao longo do ano, desejar um Santo e Abençoado Natal que começou no dia 25 e terminará no dia 06 (não estou tão atrasado assim rsrs), um próspero ano repleto de inspirações artísticas.

Venho pedir que todos me mandem até dia 31 de dezembro o material para exposição que realizaremos num importante centro cultural paulistano. Infelizmente, a coletânea de áudios atrasará pois fiquei sem computrador nos últimos dias e estou sem microfone, porém aguardo os textos da exsposição, algo muito urgente para que ela ocorra ainda em janeiro. Lembrando que se trata de um poema retrô por autor acompanhado de minibiografia e uma imagem que pode ser fotografia ou um "print" da página, p.ex.:




Aguardo!

Em breve, apresento as novidades do blog em comemoração ao aniversário de 1 ano.

sempre seu,
Rommel Werneck

sábado, 26 de dezembro de 2009

A DOR DE UM ANJO


UM COMETA CRUZA AS ESTRELAS
SEU BRILHO CINTILA A NOITE
E O ANJO CAI DO MAIS ALTO DOS CÉUS
COM SUAS ASAS RASGADAS POR SEU DEUS
SENDO APENAS UMA LÁGRIMA ENTRE AS CHAMAS
SUAS LÁGRIMAS ARDEM AO CAÍREM

SOBRE SEUS PULSOS CORTADOS
ENTÃO O ANJO É ESFACELADO
AO ATINGIR A TERRA
ELE SENTE DOR E TRISTEZA

APENAS SUA PUREZA INDO EMBORA
JÁ NÃO BASTA APENAS O VENTO EM SUAS ASAS
PARA QUE ELE POSSA VOAR
SE DESFIGURADO
DO PARAÍSO VEIO O ÓDIO
INFORTÚNIO BRASFEMICO
QUE AO SEU CORAÇÃO ENEGRECEU
AINDA IMORTAL MAS DESCRENTE
ABRE SEU PEITO
PARA QUE DELE SAIA TODO
O AMOR E MALDIÇÃO
DANDO FIM AO QUE ELE JÁ FORA UM DIA
COMEÇANDO UMA NOVA EXISTÊNCIA
DE DOR E PERDIÇÃO
AJOELHADO AO CHÃO, VENDO SEU SANGUE
AGORA IMPURO POR TODOS OS LADOS
TENDO APENAS A LUA COMO TESTEMUNHA
EXCOMUNGA A SI MESMO
ABANDONA AOS CÉUS
SE TORNA ANJO NEGRO
HOJE PELOS MORTOS É CARREGADO
SEM MAIS TER FÉ
NEM NOS HOMENS, NEM EM SEU DEUS
SE TORNOU DOR, CÓLERA E DESOLAÇÃO
APENAS CAMINHA ENTRE AS TREVAS
CEIFANDO ALMAS AO SEU TORPE REINO
INVOCANDO A MORTE
SUPLICANDO SEU FIM
A ESPERA DE UMA CHANCE
PARA PODER ENFIM DESCANSAR

DEBAIXO DE UMA LAPIDE
DE SUA VIDA ETERNA.
FELIX RIBAS

SATÂNICO AMOR


VIVO A FÚNEBRE PALIDEZ, DA HORA DO NÃO SER DE MINH’ALMA.
ENCARCERADO A UM CAIXÃO DE ERAS, QUE A MEU SER SÓ NÃO É INTRANSPONÍVEL QUE AO MEU POST-MORTEM AMOR.
COBERTO AO CINZELADO MANTO DA DESGRAÇA, EM MEU NOVOUNIVERSO RODEADO DE LAPIDES RECOLHO-ME EM TREVAS SEM QUESEU TOQUE POSSA MAIS A MIM TORNAR SUPORTÁVEL MEU HUMANO EXISTIR.
AQUI EU PERMANEÇO IMÓVEL EM SINGELA HOMENAGEM DIANTE DA MAGNITUDE DO MAIS BELO ANJO QUE VIERA AO SOLO TERRESTRE ALGUM DIA TOCAR.
O PECADO QUE ADOCICAVA SEU CORPO ULTRAJANDO AO JUIZ ONIPOTENTE E AO SEU FILHO CRUCIFICADO, EXALANDO CÂNTICOS DEMÔNIACOS DE DESEJO. EM SEUS NEGROS OLHOS AINDA POSSO VER SUA INDEPENDÊNCIA AOS DOGMAS DA SACRISTIA EM VIRTUDE DOPRAZER. OH! MEU LINDO ANJO DAS TREVAS PORQUE DE MIM TÃO CEDO PARTISTES. ENCLAUSURADO HOJE AO SEU MAUSOLEU PASSO AS NOITES A SEU LADO A INVOCULUM LUCEFERIUS NECROMANTIS ATA TENTAR DE ALGUMA FORMA MINH’ALMA VENDER POR MAIS UM MOMENTO AO SEU LADO.
HOJE EM PROVA DE MEU POR TI AMOR ENTREGO MINH’ALMAFUNÉRIA AUGUSTA AOS DE LUCEFERIUS EXERCITOS E VOU A TI ANJO NEGRO PARA ATRAVES DO VALE DA MORTE POSSAMOS RESSURGIREM NOSSO AMOR.
FELIX RIBAS

AMOR GOTICO


SOU O CORAÇÃO QUE DEFINHOU A SOMBRA DA MORTE

E QUE DE SONHOS DE AMOR APENAS DESFERIU TORMENTOS

GRITANDO FUNDO A TRISTEZA DE GIGANTESCOS MARTÍRIOS

ACOLHENDO NOS BRAÇOS APENAS O LAMENTO

E COMO TORMENTO AGORA ME VÊEM AS NOITES

ENVOLTAS EM TÉTRICA NÉVOA

DESFERINDO HIPERBÓLICAS ALUCINAÇÕES A MINH’ALMA

SE O NOSSO AMOR PELA MORTE É INTERROMPIDO

POIS ENTÃO, QUE O ANJO DE ASAS NEGRAS ME LEVE CONTIGO!

OH! MINHA DEUSA SENHORA, FIEL DEIDADE PAGÃ

O MAIS BELO ANJO QUE JÁ TOCASTE AO SOLO TERRENO

TOME MINH’ALMA EM SEUS BRAÇOS

AFLORANDO ASSIM DOCES SENTIMENTOS

QUE ENTORPECERÃO AO MEU PRANTO

AMOR, QUE A LÁPIDE SEJA ENTÃO O MERECIDO DESCANSO

DE NOSSA INFINDÁVEL DOR TERRENA

AGORA ACOLHO-TE EM MEUS BRAÇOS COMO

SE FORA CRIANÇA PERDIDA E APAIXONADA

ENTREGO MINH’ALMA E PARTO CONTIGO

ACOLHIDO PELAS ASAS DO ANJO DA MORTE

RUMO AO JARDIM DE ROSAS NEGRAS

DE ONDE OS CORVOS VOCIFERAM

E A PAISAGEM É ACINZENTADA

TORPE MORBIDEZ

QUE A NÓS TRÁS O ALENTO

JÁ QUE DA VIDA NADA TIVEMOS

QUE NAS SOMBRAS DO VALE DA MORTE

ENFIM POSAMOS ENCONTRAR A PAZ

PARA COMO ANJOS DEMONÍACOS

UM DIA POSSAMOS RESSUSCITAR.


FELIX RIBAS

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

CARTA A ELA...


APÓS CADA CREPÚSCULO
DESTE MALFADADO TORPE
ÁRTICO INVERNO
PRESO AO MEU CÁRCERE
DE DOR E INSENSATEZ
ME VEJO EM TI A PENSAR
A LABUTAR EM MEU PEITO
A SUA AUSÊNCIA
OIÇO MEUS MEDOS
MEUS PESARES, MEUS TORMENTOS
MINH'ALMA DE SONHAR-TE
ANDA PERDIDA
MEUS DIAS AO CIPRESTE JÁ SÃO TREVAS
MEUS OLHOS ANDAM CEGOS DE TE VER
NÃO ÉS SEQUER RAZÃO DO MEU VIVER
POIS DIGO SEMPRE QUE A ESQUECI !?
MAS NUNCA ESQUEÇO DE LEMBRAR-ME
DE SEUS BEIJOS DE VOLÚPIA E DE MALDADE
DE SEU DIVINO IMPUDOR DE MOCIDADE
QUE TORNOU-ME UMA SOMBRA
DE NÉVOA TÊNUE E ESVAECIDA
A ESPERA DO UNGIR
DA PALIDEZ DO NÃO SER
NUM FRÉMITO VIBRANTE DE ANSIEDADE
PERDIDO ENTRE A MENTIRA E A VERDADE
VAGANDO ENTRE O SONHO E O REAL
OBRIGADO PELA DOCE ILUSÃO
DE FELICIDADE
EMBORA CURTA NESSE MEU VAGAR DE ERAS
DEU-ME ALENTO A ESSE ENEGRECIDO CORAÇÃO
AMEI-A COMO A NENHUMA OUTRA
MAS HOJE POSSO VER
AO ERGUER-ME DAS RUÍNAS DE MEU SER
QUE FOI MELHOR ASSIM
PRECISO TE ESQUECER PARA LEMBRAR DE MIM
A VIDA CONTINUA.

FELIX RIBAS


OCEANO DO MEU SER...


DESAGUO O PESAR
DESSE RIO DE ILUSÕES
NO OCEANO DO MEU SER
ME PONHO A NAVEGAR
NESSA CARAVELA DE ESPERANÇA
QUE É O MEU SONHAR.
EM MEIO AO REVOLTO MAR
DE CAOS E TRISTEZA
QUE MINHA VIDA DESTINO
VEIO A SE TORNAR,
VEJO DESFRALDADA
EM VELA
MEUS SONHOS,
MEUS MEDOS,
MEUS TORPES DESEJOS
A SOFREREM MALEDICÊNTES
AS TORMENTAS DA SAUDADE.
AO FUNERIO CÁRCERE
DE MINHA INSENSATEZ,
ME PONHO A LER
O DIÁRIO DE BORDO
DESTA MINHA ENEVOADA
EM TREVA EXISTÊNCIA,
SINTO A DOR DILACERAL
DAS ADAGAS DO TEMPO,
A ESFACELAREM MINHA ALMA,
SINTO AO MEU CORAÇÃO ENEGRECIDO
AO DESALINHO OUTRORAL
QUE ME FORA IMPOSTO,
POR HARPIAS, CORVOS E CHACAIS
QUE VAMPIRIZARAM-ME
DURANTE TODO ESTE
MEU HUMANO EXISTIR.
ME VEJO HOJE AINDA JOVEM
MARCADO AOS TEMPORAIS
REVOLTO INOQUO EM TREVAS
ESFACELADO AO GRILHÃO
DAS RUÍNAS DE MEU EXISTIR,
EM MEIO AO TURBILHÃO
DESTA TSUNAMI DE QUIMERAS
QUE EM MINHA VIDA ADORNEI,
O QUE LEVOU-ME A PERDER
O LEME DO MEU FUTURO,
HOJE VEJO MEU PRESENTE
COMO UMA BÚSSOLA
SEM AMPULHETA
ONDE JÁ NÃO MAIS ENCONTRO
AO NORTE DE MEU EXISTIR.
NAUFRAGO DE ESPERANÇA
NESTA DOR DE MINHA
VIDA NÃO VIVIDA,
ACABEI POR TORNAR-ME
UM FANTASMA, UM FANTOCHE,
UMA MARMÓREA ESTÁTUA DO PASSADO,
UMA CHAGA SANGRENTA DO SENHOR.
SOZINHO NESTE MUNDO DE HORRORES
A ESPERA DA LUZ EM MINHAS TREVAS,
DE UM DIA TERRA FIRME ENCONTRAR,
DE UM POUCO DE CARINHO
SEM VOLÚPIA E SEM MALDADE.

FELIX RIBAS

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).