sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Que frio!


A noite nos olhou com olhos baços.
Que frio! Teu olhar, calmo e sereno,
Era um lascivo e lúbrico veneno
Onde pousavam meus doces regaços...

Nos réfluos desejos de teus braços,
Os cânticos da aurora em fulgor pleno...
Levantaste e sorriste, e num aceno
Apagaste-me inteiro em teus abraços!

Os sons eufonos que no breve escuro
Dissestes com tua boca, grã tingida,
São ainda lustrosos de apuro!

Nunca me esquecerei daquele açoite:
Antes do Sol claro da despedida,
Com olhos baços nos olhava a noite...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Lascivas Sidéreas


Lascivas Sidéreas


Hastes de rubros, horas-merencória,
a gota desejosa, os linhos quentes.
É o éter, é desejo. Cruz da inglória
a ambrosia de beber-te nos ardentes.

Ó carne do febril! de tormentória!;
mortiça nos delírios inocentes.
Ó volúpias anil! neve marmórea!,
vem beijar os cinéreos indecentes.

As bocas, as espumas, as estrelas,
o frenesi celeste de antevê-las
num gozo soluçado de Nirvana.

Trançando o flutuar dos corpos rudes,
o orgasmo de esgotar infinitudes,
e o vagido eternal que soberana.

Vitor de Silva

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

COMUNICADOS URGENTES




Saudações!


Dois projetos nossos: a coletânea de áudios e a exposição. A coletânea será um agrupamento de declamações de nossos poemas, as declamaçõex podem ser feitas pelos próprios poetas ou por declamadores oficiais já escolhidos. Até agora temos a escritora Sunny Lóra  como única pessoa de fora que fará algumas gravações. Preciso que me mandem 1 poemas retrô até 13 de dezembro impreterivelmente para realizarmos os áudios. Verificarei também se o prof Dy castro tbm quer psarticipar gravando,,,


Além de mim, há 3 pessoas do blog que podem executar áudio e por isto, fiz um esquema que mandarei depois e peço para que outros escritores se manifestem se tiverem como fazer gravações.


Preciso que me mandem os textos em Word até dia 13 para eu repassar para os declamadores. Fico no aguardo.


Quanto à exposição, peço também 1 poema retrô de cada um até para 31 de dezembro sem falta, pois teremos uma senhora exposição no Centro Cultural Jabaquara


e-mail: principedark_alvaresdeazevedo@yahoo.com.br

domingo, 22 de novembro de 2009

Entre o Sagrado e o Profano

O sagrado, santo e insano
Amor com o qual te amo
Te coloca em um altar

Mas meu coração profano
Obcecado, obsceno, mundano
Busca ainda se aventurar

Entre o céu e o inferno
Da primavera ao inverno
Busco recomeçar

Assassino pensamentos castos
Diante de um terreno vasto
Derrubo teu pedestal

Venha teu amor me envolver
Torne-me tua, me dê prazer
Livre-me de todo o mal
(Cláudia Banegas)

sábado, 21 de novembro de 2009

CAJADO

Estive afastado da internet por um problema no discador, mas já retornei...





CAJADO




Até agora, foste meu grande parceiro
Nas vidas de nossa excelsa trajetória.
E nas aventuras vivas da memória
Mereceste o título de cavalheiro

Sim! Sobrevivemos ao desfiladeiro
E ao pico do monte chegamos com glória
Do alto, contemplamos nossa bela história:
Os passos que demos pelo mundo inteiro



De minha presença a vida já reclama
Prostro-me diante de Deus para orar
E dizer, cajado, que te amo, meu amigo

Se te segurar, às vezes, não consigo
Perdoa-me, minh' alma morta te clama
Eu já não consigo mais me suportar.

Rommel Werneck




Beijos e abraços.

domingo, 15 de novembro de 2009

Umbuzeiro


Já tarda, finda o ano, e as esperadas
Chuvas sagradas 'inda não chegaram...
Os vultos lutuosos campos aram,
Sobre corcéis em ágeis cavalgadas.

As frutescidas horas não alçadas,
Relembram-me daqueles que passaram,
E o sofrimento de outros que ficaram
Na agonia e dor das estiadas...

Já tarda, finda o ano, e a derradeira
Esperança habita o peito arfante,
Aguardando as chuvas de Janeiro.

No ríspido chão brota uma caveira,
No céu noturno há só um diamante,
No cerrado só flora o Umbuzeiro.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

COLETÂNEA DE ÁUDIOS/ COMUNICADO VOZ

Saudações!

   A maioria dos escritores não têm como gravar seus poemas, então peço a gentileza de me avisarem para que os declamadores oficiais possam realizar o serviço e também solicito para que indiquem pessoas.
  
   Quem quiser declamar nossas poesias deve se cadastrar nos comentários da postagem ou no tópico DECLAMADORES da comunidade do Orkut deixando nome, e-mail, msn e orkut (se tiver) e demostrações de trabalho.

   Prazos: Eu queria realizar tudo em novembro, mas ainda julgo que devemos discutir em equipe qual seria a data final de entrega dos textos escritos, a data dos dos gravados e data do lançamento. Propostas, discutimos depois aqui nos comentários, no msn e no orkut e se quiserem, adiamos as datas:

15. 11 - Entrega dos 2 textos escritos para eu repassar para os declamadores oficiais

30.11 - Entrega dos áudios para mim e para Gabriel Rübinger (gabriel.rubinger@hotmail.com)

13.12- Lançamento oficial.

sábado, 31 de outubro de 2009

GIRASSOL



Detalhe de Atalante und Hippomenes,
Guido Reni.



GIRASSOL


Dança, Mitra, revela a juventude
Rodopiando pelo Sol feliz
Dança expondo a sublime pulcritude
Do corpo sem nenhuma cicatriz

Canta, Mitra e nos leva à plenitude
Vestindo e revestindo a brisa gris
De cores ardorosas de amplitude
Seja a brisa a suprema imperatriz

Surja, Mitra, na ausência do Rei Sol
Nestes versos tão simples e minúsculos
Sê meu guia, rapaz, o meu farol!

Gira, Mitra, mostrando os grossos músculos
Lascivamente dança, girassol!
Aurora de tantíssimos crepúsculos!

Rommel Werneck


MINHA PÁGINA NO RECANTO DAS LETRAS


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Canto Real de Prata e de Ouro

"Redde caesari quae sunt caesaris", voltemos às formas antigas. O Canto Real, baseado em cinco estrofes de onze versos e um ofertório, não tem muitas raízes hoje em dia. Neste Canto Real, um amante põe a amada no topo do mundo - panegírico exorbitado, fruto de paixão - e também no conflito entre o ouro e a prata, onde, no final, os dois metais amalgamam-se, junto com o rubi, cá simbolizando o Amor.

CANTO REAL DE PRATA E DE OURO

Donzela argêntea, rico fruto puro
De altíssimas montanhas, pomo louro,
Errante zéfiro, esplendor vinduro,
De alvura e graça luzente tesouro.
Donzela amada de olhos pungentes,
Penetrantes arpões, tais inclementes
Inscrustaram-te em mim... Eu, navegante
Ébrio, dos mares e mares do soante
Netuno; eu, que jamais temi o abalo,
Jamais me abati ante ao pujante,
Diante de tua perfeição, me calo.

Riqueza em flor diante ao frio e duro,
Força sempre maior que o morredouro,
Amor que cintila em todo o escuro,
Meu único brilhante valedouro.
Riqueza minha, espalhe tuas sementes,
Faz crescer dentro em mim duas nascentes.
Sê meu sol, assim sou mundo orbitante,
Sem ti sou pobre cometa errante,
Sê anjo, amor, que serei o teu halo.
Eu que longe de ti sou tão falante,
Diante de tua perfeição, me calo.

Deusa que tem nas mãos o meu futuro,
Circassiana gema, amã mouro,
Deusa, nesse momento aqui te juro:
Perto de ti sou simplório calouro.
Teus olhos, cada vez mais comoventes,
Congelam as vis, infaustas, serpentes,
Teus olhos são de lume abrasante.
Eu, inseto insignificante,
Flutuante peixe perdido num valo,
Vejo tua aura quente e radiante:
Diante de tua perfeição, me calo.

Ninfa, onde, ao lado, só figuro,
Tal onça frente ao pequeno besouro,
Ninfa, ó ninfa idílica, asseguro,
Teu nome marquei: ferro em meu couro.
Cigana cartomante, a mim tu mentes,
Teus sorrisos lindos, quando ausentes,
Prendem-me em cela, é calor sufocante.
A mim tu mentes, minha cartomante...
Lê minha alma, o corpo, e num estalo,
Lê nela que, vendo-te, minha amante,
Diante de tua perfeição, me calo.

Vestal, de todo alva, branca, apuro,
De cândido luzir, digo-te; agouro,
Vestal, some em te olhar, tão obscuro:
Meu amor de rubi, prata e ouro.
Ouro, rubi e prata: tão fulgentes,
Ante a tuas mãos, marfins tremeluzentes,
Apagam-se no amiúde dum instante.
Graça maior: pensar em teu semblante,
Do mistério que carregas e embalo,
És límpida água, e eu, néscio turvante,
Diante de tua perfeição, me calo.

Oferta:

Donzela, tu, que rege este cante,
São teus estes simples versos que falo.
Não há maior razão que estar distante,
Para amar, donzela, e digo avante:
Diante de tua perfeição, me calo.


http://recantodasletras.uol.com.br/visualizar.php?idt=1887309

domingo, 25 de outubro de 2009

CONFECÇÃO DA COLETÂNEA DE ÁUDIOS





Retirado de http://perspectivabr.files.wordpress.com/2007/12/vinil.jpg



Saudações, poetas!


     Em setembro planejamos uma exposição, porém o espaço estará sem disponibilidade até o fim de 2009 e agora, pretendo realizar a coletânea de áudios que pensamos em fazer já em agosto.

    A coletânea consiste em gravações de voz de declamações de poesias retrógradas seguindo a propostado blog. Para cada escritor, 2 poesias que podem ser as mesmas que recomendamos para a exposição ou outras dentro da vertente literária. Os escritores que não tiverem condições para gravar as declamações podem me encaminhar os textos, pois já temos uma escritora que declamaria as poesias. Entretanto, desejo saber via orkut/ msn / e-mail quem não tem condições de fazer gravações e quem pode fazer.

     Por ser um disco, seria interessante que houvesse alguma composição musical dentro da proposta e uma entrevista ou análise literária para variar o repertório demostrando assim, nossa criatividade. Aguardo respostas.


Rommel Werneck
  

 

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Infusão de Açucenas


Fumega o samovar água e verbenas,
Desprendedo nuvens adocicadas.
Ó prazeres! Dosséis feitos por fadas,
São essas infusões de açucenas!

Um gole: um milhão de cantilenas
Ouço soar, e me tinem toadas,
Tilintam-me donzelas e amadas,
Na época que florem as dracenas!

Outro gole: os anjos tocam liras,
E arcanjos com grinaldas de andiras,
Tocam trombetas ao Maior Rajá.

Sorvo a bebida, o ardor, a cor, o cheiro,
Revela-se em minha frente o mundo inteiro,
Com o último gole de meu chá.

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).